Metástase Follow einer Story

caramelosama Caramelo Sama

Havia beleza na instância de seu futuro. Uma venustidade mórbida trazida pela premissa irrefreável da morte. Era uma questão sobre o tempo, afinal. O implacável girar dos ponteiros no relógio da vida, ecoando em contagem regressiva; mais próximo do fim a cada segundo. A ampulheta patenteando a chegada do algoz bravio que percutia seus pulmões e serpenteava em torno do coração maculado, tão exaurido pelo pesar das ações hediondas cujo culminaram na ablução de sangue sobre o seu corpo. Não havia como lutar contra. KisaIta || One-Shot || Gincana do Biscoito || 2018


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#Representação #naruto #Kisame-Itachi #kisaita #querobiscoitofns #gincanafns
Kurzgeschichte
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Capítulo Único - Fado


Notas da Autora:

🍪 Essa é a segunda One da Gincana do Biscoito do grupo/page Fanfics Naruto Shippers e ela foi feita correndo pois o prazo final era hoje, dia 30/07.

🍪 Dedico ela à Juliana Walker que cedeu o plot de última hora ao ver meu desespero quando faltava apenas cinco horas pro encerramento do prazo. Eu te amo mulher!

🍪 Apesar de feita de última hora, com tudo improvisado, desde plot, capa e demais, essa Fanfic foi escrita com carinho. Então boa leitura e espero que gostem!

Metástase - Fado


Havia beleza na instância de seu futuro. Uma venustidade mórbida trazida pela premissa irrefreável da morte. Era uma questão sobre o tempo, afinal. O implacável girar dos ponteiros no relógio da vida, ecoando em contagem regressiva; mais próximo do fim a cada segundo. A ampulheta patenteando a chegada do algoz bravio que percutia seus pulmões e serpenteava em torno do coração maculado, tão exaurido pelo pesar das ações hediondas cujo culminaram na ablução de sangue sobre o seu corpo.

Um homem sábio aceitaria de braços abertos a penitência do destino, entregando-se a indolência misericordiosa do decesso. Entretanto lá estava ele, enfraquecido pela vida amargurada; culpado por tanta dor enquanto perecia frente à frágil saúde, resistindo ante a fatalidade premeditada. Prolongando o próprio sofrimento com mais dias sob o estigma de traidor. Não passava, no entanto, de um infortunado assombrado pelos demônios que cultivara durante a vida de abnegação.

Ainda assim, quando fitava a situação na qual se encontrava, não havia hesitação em optar por mais algum tempo ocultado pela máscara de frigidez. Não negava-se em acolher a morte por anseio de sua existência, mas sim pela promessa muda de permitir que uma única lâmina ceifasse o espírito fragmentado do corpo moribundo a onde residia.

O câncer pulmonar não seria seu sicário. O corte da katana desembainhada de seu irmão é que usurparia o pouco que ainda lhe restava de areia na ampulheta atroz. E o dia em que pagaria as vidas que tomou estava para chegar, irremissível. Todavia existia algo que era difícil de explicar, de compreender e que o fazia litigar consigo em prol a um sentimento do qual julgava-se ignóbil de possuir. E que, portanto, abstraia até convencer-se de sua inexistência. Apesar disso, a cada quinzena, lá estava o frasquinho de vidro amarelado adejando na cômoda de seu aposento, ao lado do pedaço de papel tão cândido e direto em seus dizeres.

“Sobreviva”.

Fazia ciência do provedor daquela ordem suplicada, desesperada em ser acatada. Sabia o teor daquelas pílulas vermelhas comprimidas no pequeno frasco de vidro, e o que elas fariam por si, pois não era a primeira vez que as deixavam ali.

Não falavam sobre, não punha em mérito o incentivo de Kisame em lutar pelo ser fadado que se tornara. Não havia porque indagar a respeito, quando tudo o que aqueles remédios faziam era exercer um maior tempo de sofrimento dentro do próprio corpo fatigado. Dilacerado pela doença selvagem que multiplicava suas células em fugacidade derradeira. Assim sendo, fingiam que não era real. Quando em missão dada pelo líder da organização, não colocavam em pauta o mérito. Diálogos amenos flutuavam com breves palavras entre os dois, sem jamais mencionar o que um fazia pelo outro.

Kisame não se gabava, não regulava e não se envolvia mais do que o nível profissional. Quando o câncer lhe obrigava a parar, o outro não tomava o intervalo como seu momento de recuperação, mas sim como a oportunidade de sentar e relaxar os músculos das pernas. Quando, em uma cena execrável, expelia sangue pelos lábios pálidos, ele apenas oferecia um lenço e então ignorava. Contudo, a cada quinze dias, lá estava o bilhete com uma única palavra escrita pela caligrafia pouco cognoscível. Ao lado, o medicamento que coadjuvava na retenção da aparência saudável e das poucas células boas que não haviam sido afetadas pelo tumor corrosivo que se proliferava por via linfática.

Era um maldito infausto com metástase espalhando-se por seu organismo. Um maldito sobrevivendo a muito custo por amor. Amor e dever, embrenhados no âmago de sua consciência. Impregnados no tutano dos ossos e queimados a fogo debaixo das pálpebras. Amor e dever duelando com seu algoz causador de tamanho suplício.

Às vezes, esporadicamente, se flagrava pensando em como seria se revelasse a verdade ao irmão tão atormentado por vingança. Como seria caso não fosse acometido pela infelicidade da doença incurável que habitava seu ser. E, sobretudo, ludibriava-se com a branda fantasia onde expunha o sentimento adusto nutrido pelo companheiro designado a muito como sua dupla. Eram pequenos e efêmeros momentos que se dava ao luxo da utopia de um mundo no qual não fazia parte, antes de regressar à realidade indômita e traiçoeira de uma vida intransigente.

Porém, a prioridade era o dever, e o dever não abrangia Kisame tal como não incluía seus inerentes anseios utópicos. Por mais que ferisse parte de si, por fazer jus a reciprocidade do sentimento abrasador, não detinha o direito de ser amado e amar de volta. Seu desígnio era fazer de Sasuke o aclamado herói de Konoha, que extirpará do mundo o miserável traidor do próprio sangue. Já havia sacrificado muito por isso, não faria diferença sacrificar o latente desejo de estar com o companheiro. Amá-lo livremente sem inquietude gerada pela instância do que o futuro lhe reservava. Não faria isso com Kisame. Não alimentaria as esperanças doces para então fazê-las desmoronar juntamente ao seu perecer. Não feriria-o mais do que o preciso, obrigando-o a ser um telespectador do seu lento definhar que se encaminha na direção do irrefragável fim.

E até este chegar, convocando sua alma pútrida para a era de punição nos confins do purgatório, vai seguir do mesmo modo apático e glacial que adotara para a persona que criara. Reprimindo as emoções borbulhantes agitando-se no que sobrara de sua humanidade. Tal como faria encenado não saber sobre as missões extraoficiais de Kisame, tão empenhado em mantê-lo vivo que se dispunha a renunciar longas noites de sono na busca por um medicamento raro que não o salvaria. Na tola fé de que jamais será obrigado a dizer adeus, crente na própria ilusão pechosa e inviável.

Pois, dissemelhante a todos, ele era capaz de ver algo bom o suficiente por de trás da máscara fria e rígida, instigante o bastante para fazê-lo querer lutar por uma causa perdida. Lutar por um homem fadado, de sina inexorável cujo as expectativas são funestas e auto-degradáveis. Sem esperança, sem possibilidade de redenção e sem qualquer intenção de ir contra a inevitabilidade do próprio destino.

Ah, que Kisame o perdoasse um dia, mas não tomara as pílulas naquela manhã

Afinal, não eram mais necessárias.


Notas finais da Autora:


E foi isso! Espero, para quem leu até aqui, que a história tenha agradado. Ela é curtinha, não tem diálogos nem sacanagem, mas é de coração. E bom, aqui encerro a minha participação na Gincana, mas prometo mais KisaIta no futuro 💙 


Ja ne!

31. August 2018 03:32:06 3 Bericht Einbetten 4
Das Ende

Über den Autor

Caramelo Sama Eu tinha uma frase bonitinha aqui, mas o Inks deu bug com os acentos. Por enquanto vai ser apenas isso mesmo.

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Tatu Albuquerque Tatu Albuquerque
Menina... QUE ANGST! Eu tô impactada e confusa, acho que preciso de dicionário pra entender melhor umas palavras, mas sigo plena SOBREVIVENDO. PUTA QUE PARIU COMO ESSE PONTO DE "SOBREVIVA" ME PEGOU COM FORÇA. Apesar de eu adorar KisaIta, eu não tô nem perto de ser 1%fã, muito pelo contrário, e por mim tomara que morra MAS OLHA ESSE KISAME, OLHA ESSA DELICADEZA DESSE HOMEM TENTAR AJUDAR NO TRATAMENTO, PUTA QUE ME PARIU, EU TÔ ARREBATADA.
5. September 2018 15:46:23
Políbio Manieri Políbio Manieri
Minha nossa miga, e eu que pensei que eu escrevesse dificil, que vocabulário mais rico! É a primeira vez que leio Kisaita apesar de ja vir simpatizando com o casal e devo dizer que simplesmente adorei a abordagem melancólica que você deu se aproveitando para explicar um ponto que de fato existe mas foi completamente ignorado pelo anime. A maneira como voce se ateve a todos os sentimentos do Itachi para com o que se sentia obrigado, junto da descrição detalhada de como de fato funcionava o relacionamento entre ele e o Kisame me tocaram de uma forma maravilhosa. A cada parágrafo eu me pegava desejando mais e mais para um futuro diferente daquele o qual eu já conhecia e é realmente triste a história desses dois. Ao mesmo tempo em que tem aquela melancolia que você se sente otimista ao ler... não sei explicar. Que experiencia fenomenal!
5. September 2018 15:41:53
Vany-chan 734 Vany-chan 734
UOU! Olha eu lendo KisaIta! HAHAHAHA Bom, eu quero dizer que eu amei o enredo, sério! Eu super fico pensando que o Kisame deve ter ajudado nessa questão de medicação do Itachi, mas nada muito escrachado; exatamente como você colocou aqui. Eu amei como vc pontuou a questão do desejo do Itachi, tanto o de morrer pra dar fim ao sofrimento, quanto os pequenos momentos utópicos em que ele poderia ter uma vida ao lado do companheiro. Achei a linguagem um tanto rebuscada demais, porém muito bonita. O que eu quero dizer é que me senti lendo um livro denso de verdade, mas ao mesmo tempo tive que voltar algumas linhas pra entender o sentido completo. Sorry, sou relapsa. Deixo aqui meus agradecimentos por essa leitura e fic maravilhosa <3
5. September 2018 13:44:57
~