Gota de Lua Follow einer Story

nathymaki Nathy Maki

No que isso havia se tornado? O quanto mais o mundo precisava ser destruído até que eles que se chamam de deuses pudessem se dar por satisfeitos? Uma doença se espalhara entre aqueles descrentes, convertendo-se em energia para alimentar o poderoso deus Anhangá. Lutando para salvar seu amado - e, claro, o resto do país - somente Leoni poderá impedi-los de sucumbir por completo.


Fantasy Alles öffentlich.

#fantasia #fantasticoink #mítica #fantasia-mítica #original #aventura #mitologia-brasileira #deuses
Kurzgeschichte
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Gota de Lua

Agachado no leito de uma cama de hospital, Leoni tocou a mão de Alberto, constatando como a pele estava fina e quebradiça e temendo que, com força excessiva, esta poderia rachar e verter o sangue que ainda possuía. Acariciou os cabelos outrora lisos e brilhantes, tão negros quanto as asas de um corvo, mas que agora se encontravam opacos e sem vida. Depositou um beijo leve em seus lábios, uma promessa de esperança. Ao seu lado a figura de olhos prateados observava imóvel.

– Se quiser que isso acabe, precisa vir comigo. - Disse uma vez mais.

Os olhos tristes percorreram as feições já tão bem conhecidas, procurando memorizá-las uma última vez e virou-se para ela, assentindo.

– Leve-me daqui.

***

– Explique-me de novo por que precisamos da unha do pé de um Curupira.

O jovem se encontrava agachado na mata à espreita. Ouvidos atentos para o som de folhas se movendo ou mesmo diante a mínima respiração. Curupiras eram em mestres em enganar caçadores e com certeza não seriam pegos tão facilmente. Se bem que a única coisa que Leoni desejava dele eram as unhas. Os shorts folgados e a blusa sem mangas eram confortáveis, mas imprópria para o ataque constante de insetos que pareciam cair de todas as árvores e os seus velhos all star pretos estavam começando a lhe dar calos. Passou os dedos pelo cabelo, conferindo se ainda estava bem preso na trança e verificou os suprimentos na mochila amarela que trazia, tão chamativa quanto um farol, antes de voltar a vigília, os olhos castanhos atentos na missão de diferenciar qualquer coisa que fosse em meio aquele verde enjoativo da floresta.

– Você ouviu Tupã*. A lista de ingredientes deve ser seguida à risca, e se ela pede unhas do pé de um Curupira, é isso que você tem que conseguir. - Leoni girou os olhos para o céu, mesmo depois dias viajando juntos, ele ainda não acreditava que aquela garota irritante era uma deusa. E não uma deusa qualquer, mas A Deusa da Lua, a própria Jaci*. Ela sacudiu os longos cabelos negros para longe do rosto e tocou o colar de pedra lunar que trazia no pescoço. As roupas, um top e uma saia, feitas de um tecido escuro trançado junto as folhas, os pés descalços e a aljava e arco passados pelos ombros lhe davam um ar perigoso.

– Sim, mas por quê? - Ele insistiu. Se precisava fazer uma poção para salvar o seu amado, e claro, o restante do país inteiro, ela podia ao menos ter um gosto bom. E duvidava que as unhas contribuíssem para isso. Jaci suspirou, cansada das trezentas perguntas que ele sempre parecia ter na ponta da língua.

– É algo sobre o fato dos pés dele serem virados para trás, o que daria as unhas uma qualidade de reverter ações já ocorridas. - Concedeu.

– Podia ter falado isso mais cedo. - Leoni voltou sua atenção para a armadilha que montara e Jaci conteve a vontade de transformar aquele humano em formiga e assisti-lo se afogar em uma gota de água. – Shh. Tem alguém vindo. - As palavras saíram silenciosas, enunciadas apenas pelo movimento da boca. O corpo dos dois se retesaram, prontos para um ataque rápido. As folhas tremeram e de lá saiu uma criatura baixa, de orelhas pontudas e cabelos tão vermelhos quanto o fogo. Cipós trançados formavam um cinto que atravessava o peito, prendendo uma lança nas costas. A tanga marrom ondulou enquanto ele pisava com cuidado seus pés virados e cheirava o ar a procura de armadilhas. Aparentemente satisfeito, avançou até o meio da clareira onde uma longa cobra se encontrava enroscada em uma rede de caçadores, contorcendo-se em sua tentativa de se livrar dela. A criatura de cabelos vermelhos se agachou ao lado do animal e começou a desfazer os nós que a prendiam.

Leoni meneou a cabeça, o sinal combinado com Jaci, que esticou a mão para as costas puxando o arco e três flechas. Respirou fundo, endireitou as costas e encaixou as flechas, puxando a corda do arco. O garoto podia falar o que fosse, mas era inegável que a concentração da deusa era incrível. O ar pareceu aguardar, ansioso, e ela soltou as flechas que voaram certeiras, caindo ao redor da criatura e formando um triângulo. A cabeça se ergueu e os cabelos vermelhos ondularam. Ele mostrou os dentes e puxou a lança das costas, avançando na direção da qual haviam saído os disparos. Porém, antes que pudesse sair do perímetro demarcado, as bordas brilharam com uma luz branca que o jogou de volta, prendendo-o ali. O Curupira rosnou para os dois que saíram de seu esconderijo.

– Funciona mesmo. - Leoni assobiou, impressionado, recebendo um olhar irritado da deusa.

– Francamente, quantas vezes eu vou precisar provar que sou uma deusa até que você acredite?

– Mais umas flechas dessas nas próximas missões e eu não vou reclamar nunca mais. - Sorriu divertido. – E você, meu amigo vermelho, será que podia facilitar nossa vida e ceder algumas unhas do pé suas? Garanto que não irão fazer falta.

– Humano tolo, acha que por me prender aqui pode me pedir favores? Não sou um animal que pode ser caçado. Eu sou o Curupira, terror dos caçadores e defensor das matas e dos animais. Não serei uma presa como esta pobre cobra.

– Ei, ei, relaxa. Ela não está presa de verdade. - Virou-se para a cobra e estralou os dedos. – Vem cá, Tatá, vem! - Rápida e sinuosa, a cobra se desvencilhou da armadilha e deslizou até onde Leoni aguardava, enroscando-se em sua perna e subindo até seus ombros.

– Ainda não acredito que você chamou o Boitatá de Tatá.

– Ei, ela é um bichinho muito necessitado de atenção! E amou o nome que eu dei, não foi, Tatá? - Dizendo isso, acariciou a cabeça da cobra que deixou a língua entrar e sair, como se estivesse gostando. – Viu só, Senhor Curupira, somos todos amigos. Agora por favor nos passe algumas de suas unhas do pé para que possamos fazer uma poção e evitar que o mundo tenha sua energia completamente drenada por uma cara mau chamado Anhangá*. Depois você pode partir.

– Acredita nisso, deusa da Lua? - Os olhos acobreados se voltaram para ela, recebendo um assentir solene.

– Tem a minha palavra que estará livre para partir se cumprir sua parte do acordo. - A criatura pareceu pensar, e, vendo que não tinha outra escolha, concordou.

– Pois bem, assim seja feito. - Levou as mãos aos dedos do pé e quebrou suas unhas. Jaci desfez a barreira e o Curupira caminhou até eles, depositando o objeto desejado nas mãos estendidas de Leoni que se segurava internamente para não se contorcer de nojo. – Lembre-se mortal, a próxima vez que ousar me atacar não terminará da mesma maneira. - Foram suas últimas palavras antes de sumir floresta adentro.

– Sujeitinho esquentado ele, não? - Guardou as unhas na bolsa mágica que ganhara de Tupã, na qual deviam ser colocados os ingredientes e esfregou as mãos no short, se voltando para Jaci que recolhia as flechas cravadas no chão. – Para onde vamos agora?

– Espero que seus ouvidos estejam bem cheios de cera, pois precisamos pegar as pérolas de uma Iara.

***

Os caminhos da floresta eram velhos conhecidos de Jaci. Durante anos guiara os jovens guerreiros de volta para suas amadas, utilizando a luz do luar para iluminar as trilhas. Agora não era diferente. Seus pés pisavam onde centenas de indígenas anos, séculos, atrás haviam pisado em batalha.

– Já chegamos? - Leoni perguntou, espantando os mosquitos que o incomodavam em direção a Tatá, ainda em seus ombros, que estendia a língua capturando-os e tendo um belo banquete.

Desde que a cobra os atacara durante o início daquela missão, Leoni percebera que aquele não era o seu real desejo. Havia alguém por trás, instigando-a a atacar e devorá-los até restarem somente os ossos. Ao perceber tal coisa, impediu a deusa de matar a cobra com suas flechas e se jogou contra ela, conseguindo de alguma forma libertá-la de quem quer que fosse que a entidade que a estivesse controlando. Desde então, a cobra o seguira e ele a adotara, escolhendo o nome de Tatá, uma abreviação para Boitatá mais justa em sua opinião, já que de boi ela não tinha nada.

– Oi, Terra para Lua!

– Cale a boca. - Ela ordenou. – Estou tentando me concentrar em achar o caminho. Creio que você não quer acabar caindo de um penhasco aleatório para o nada, não é?

– Isso é impossível, não existem penhascos na Floresta Amazônica. - Disse, mas permaneceu mais atento quanto ao caminho que tomavam. - Posso perguntar algo?

– Você vai perguntar mesmo que eu diga não. - Ela murmurou mais para si mesma.

– Por que eu? O que Tupã viu em mim para me escolher para essa missão? - Jaci viu a dúvida real em seus olhos e percebeu que aquela era uma pergunta muito séria para ele, não apenas para aborrecê-la ou matar o silêncio que ele tanto detestava. Pesou a resposta cuidadosamente antes de prosseguir.

– Na maior parte do tempo eu não sei por que meu pai faz as coisas que faz, mas, dessa vez, acredito que ele o tenha escolhido por sua ascendência forte. Ambos os seus pais tinham sangue tupi-guarani e você, com essa combinação, pode ter chamado a atenção dele.

– Eh... - Leoni desviou os olhos claros de si e fitou a mata ao seu redor: árvores altas, folhas largas e a umidade constante que grudava na pele fornecida pelas chuvas que caíam quase diariamente.

O rosto da mãe e do pai, ambos mortos em um protesto contra a integração dos índios a sociedade, voltaram com força a sua mente. O sorriso doce que ela lhe direcionava enquanto ralava a mandioca para fazer farinha e o afagar nos cabelos que seu pai lhe dava sempre que chegava de uma entrevista de emprego, dizendo que no próximo teria mais sorte. O Leoni criança não entendia, mas o seu eu adulto sim. Antes, eles tinham sorte por serem uma família, por mais que fosse difícil se sustentar; agora, ele não tinha nada. Nada exceto Alberto, aquele que o resgatara do buraco profundo, depressivo e regalado a drogas, no qual caíra após a morte dos pais. E, se dependesse dele, iria retribuir e salvar a única pessoa no mundo que permanecera ao seu lado por todos esses anos. Mesmo que para isso tivesse que aceitar toda essa maluquice de deuses serem reais e ainda influenciarem a vida das pessoas.

– Logo a frente. - Jaci murmurou. O som de água corrente era perceptível mesmo à distância. As folhas se abriram revelando uma bela cachoeira de águas límpidas que desaguava em uma nascente cujo curso seguia para o leste. No centro, em uma pedra alta e plana, cabelos loiros e pele branca pareciam brilhar sob a luz do sol. Porém, a visão mais imponente era a enorme cauda de sereia que descia pela lateral da rocha e balançava em movimentos suaves e sensuais. Um canto doce ecoou no lugar, alertando os sentidos da deusa e fazendo-a segurar Leoni pelo braço.

– Tape os ouvidos. - Ordenou em voz baixa.

– Você sabe que eu sou gay, não é? - Ele retrucou.

– O que eu sei é que ser gay não te fez menos homem. Agora, seja um bom homem e tape os ouvidos. - A contragosto ele obedeceu, enfiando duas bolotas de algodão, as quais ela havia lhe entregado mais cedo, e experimentando um estado de total ausência de som. Era como estar no paraíso. Adicionou o algodão a sua lista de coisas para usar quando tudo isso acabar e voltou a se concentrar na criatura a sua frente.

As escamas cintilaram e os cabelos loiros se moveram, levados pelo vento, sendo jogados na face que agora se voltava para os intrusos. O ondular dos fios loiros dava aos olhos verdes um quê de mistério e a pele era tão homogênea quanto uma tigela de creme. Usava uma espécie de sutiã de conchas, braceletes dourados e um colar de pérolas no pescoço.

– Nossa... - Leoni sentiu a boca salivar, não importava o que dissesse, aquela era mulher mais linda que já vira em toda sua vida, incluindo a deusa na conta. Suas pernas se moveram e ele avançou um passo, sendo contido mais uma vez pela deusa.

– Não seja idiota, isso faz parte do charme. - As palavras não foram ouvidas, mas sua prática em ler lábios não o havia abandonado.

– O que fazemos? - Antes que ela pudesse responder, a Iara sorriu, lábios macios se partindo e dentes brilhantes sendo exibidos. Vendo que a música não surtia efeito nos intrusos, ela parou de cantar e pulou na água.

– Não deixe se arrastar para o fundo. - Disse, fixando os olhos prateados no lugar em que ela desaparecera e seguindo cada pequena ondulação. "Eu poderia pensar nisso sozinho." Leoni resmungou internamente. O ruído da cachoeira abafava os sons que os movimentos dela produziam na água.

– Como pegamos as pérolas dela? Pode conjurar outra barreira como aquela que prendeu o Curupira? - A deusa negou.

– Minhas flechas ainda estão recarregando, a luz da Lua noite passada não estava forte o suficiente e a cada dia que essa doença se espalhar e age, meus poderes ficaram mais e mais fracos.

Típico dos deuses, ter um bando de poderes a disposição perder todos os mais importantes bem na hora H. Engoliu a amargura e se arrependeu do pensamento. Jaci estava ajudando. Lhe levara até o pai, o grande deus Tupã, e implorara por uma cura. Graças a isso, haviam conseguido. Agora restava recuperar todos os ingredientes e levá-los a um pajé, supostamente velho e bem versado nas artes curativas, que vivia isolado em algum lugar obscuro da floresta. Mesmo assim, era trabalho demais para apenas um simples humano fazer!

Irritado, aproximou-se mais da borda, ignorando os avisos da deusa para que se afastasse. Precisava enxergar melhor os movimentos da Iara para assim descobrir como impedi-los. Porém, antes que seus olhos tivessem tempo para se localizar, um vulto pulou da água e o agarrou pelos ombros, atrapalhando seu equilíbrio e lançando Tatá e a mochila que carregava para fora do seu lugar.

O corpo pendeu para frente e logo ele mergulhava na água cada vez mais e mais fundo. Uma parte de seu cérebro gritava que não abrisse a boca, a outra se perguntava o quão profundo aquela nascente poderia ser. Seus pulmões estouravam, a pressão latejava em seus ouvidos. Debateu-se, mas as mãos que o seguravam eram fortes, as unhas se cravando em sua pele mesmo sob as roupas, e, quando tinha certeza que não aguentaria mais nenhum segundo, algo macio tocou seus lábios e sua cabeça de repente ficou lúcida. A Iara o soltou e ele se afastou com rapidez.

– Você me beijou? - Levou as mãos a boca e a garganta, só então notando que estava respirando normalmente mesmo em baixo d'agua.

– Ah, não pode ter sido tão ruim assim. - Ela fez um bico, os cabelos dançando a sua volta.

– O que aconteceu? Eu estou morto? - Ela riu, bolhas de ar se formando e subindo em direção a superfície.

– Não seja bobo, eu não matei você, ainda. Apenas lhe permiti uns minutinhos antes de decidir. - Sua cauda se moveu, formando ondas e enviando-as na direção dele. Leoni fitou desconfiado o sorriso doce que lhe era oferecido.

– E o que precisa para decidir?

– Na verdade seria uma escolha bem fácil, mas você tinha que vir aqui com ela. - Os olhos verdes se reviraram em claro desdém. – Ela é tão exibida com aquele cabelo negro que, obviamente, não é tão bem cuidado quanto o meu. E mesmo assim, as pessoas estão sempre sussurrando “Oh, por favor Jaci, devolva meu amado a salvo! “ E blá blá blá.

– E você está com ciúmes. - Ele deduziu.

– Ciúmes, eu? Não preciso ter ciúmes dela. Tenho meus próprios admiradores. - Ela fez uma pausa, de repente triste. – Ao menos, eu tinha. - O bico retornou a seus lábios.

– E o que quer de mim?

– Sabe como é chato sem ninguém aparecer por aqui? E quando alguém finalmente aparece, me vem você. O tipo errado, nem um pouco másculo. - Suspirou decepcionada.

– E isso quer dizer que...

– Que eu posso ajudar vocês se me ajudarem a trazer os homens de volta, claro! - Ela bateu palmas e sorriu, como se não estivesse pedindo a colaboração para tirar mais vidas. Por outro lado, aquilo era algo que já acontecia há séculos, logo Leoni estaria contribuindo apenas para a preservação do ciclo natural. – Para isso basta apenas que você prometa que irá me ajudar.

– Tudo bem, eu prometo que ajudarei, mas será que pode me levar de volta para a superfície? Eu bem que gostaria de não morrer afogado. - Sentia a pressão no peito indicando que o tempo que ela lhe dera estava se esgotando.

– Claro, sem problemas. - A Iara o agarrou mais uma vez e eles dispararam em direção a claridade que agora diminuía. Irromperam na superfície e Leoni engasgou, jogando-se contra a borda.

– Você está bem? - Jaci correu para ajudá-lo a subir. Preocupara-se ao vê-lo ser arrastado para o fundo e estava aliviada ao constatar que ele estava a salvo. Querendo ou não, depois de dias e várias dificuldades enfrentadas juntos, estava começando a se afeiçoar a este humano.

– Estou, mas foi por pouco. - Leoni respirou fundo e apreciou a sensação do ar entrando nos pulmões, antes de se voltar para a sereia que ria da cena. – Eu fiz uma promessa, agora espero que cumpra a sua.

Ela piscou os longos cílios e levou as mãos ao pescoço abrindo o fecho do colar e o depositando nas mãos estendidas de Jaci.

– Espero que faça bom proveito dele. Estarei esperando o momento que você cumprirá sua palavra. - E com esses dizeres, mergulhou mais uma vez e desapareceu por completo.

– O que foi isso? O que você prometeu? - A deusa questionou, observando-o guardar as pérolas na bolsa.

– Apenas prometi trazer de volta as vítimas dela. - Ela não insistiu ao ver que tal coisa ainda o incomodava.

– Vamos embora, logo a Lua vai surgir e nós precisamos encontrar um saci.

***

– Eu estou suando em bicas.

- Não mandei vir de moletom para o meio da floresta!

– Mas essa era a minha única roupa seca depois daquele mergulho com a Iara. - Jaci usou o arco para afastar as folhas do caminho e não se dignou a responder. – Onde vamos encontrar um saci e a flor de uma vitória-régia?

– Eu cuido da flor, você irá atrás do saci. - Ela franziu a testa, como se algo a preocupasse. – Só tome cuidado, eles gostam de brincar.

– Não se preocupe comigo, eu tenho a Tatá, vai dar tudo certo.

– É disso que eu tenho medo. - Leoni conteve uma careta.

– Mas e você, como vai encontrar as flores? - Um meio sorriso tomou conta de sua boca e ela levantou o rosto para a copa das arvores, sendo atingida pelos raios lunares e parecendo recuperar parte da energia com isso.

– Não sei se você sabe, mas fui eu quem criei essas flores, em homenagem a uma índia que há muito me amou. Para mim não é problema encontrá-las, elas sempre abrirão suas flores ao luar. - Guardou o arco nas costas e lançou um último olhar incisivo a Leoni. – Não faça nada estúpido até eu voltar.

– Vou tentar. - Ele respondeu, mal-humorado, vendo-a escalar um tronco e desaparecer entre os galhos das árvores. – Bom, Tatá, aqui vamos nós, em busca de um saci. - A cobra sibilou e o seguiu a seus pés.

Agora, sozinho e com o silêncio a lhe incomodar e tempo mais que suficiente para refletir, Leoni se viu relembrando o porquê tudo aquilo havia acontecido. Jaci havia lhe encontrado no hospital, vivendo ao lado do leito de Alberto à espera de que ele abrisse os olhos. Fora um choque ver aquela bela mulher de cabelos negros e olhos prateados, vestida de folhas e com pinturas cobrindo a pele, caminhar em sua direção sem ser notada pelos demais indivíduos a sua volta. Ela lhe explicara que aquilo estava acontecendo por todo o país, várias pessoas estavam adoecendo e definhando por culpa de suas crenças.

O grande inimigo de Tupã, Anhangá, havia lançado uma praga, uma doença, que devoraria a força vital dos incrédulos no poder dos deuses brasileiros e a converteria em poder para si. E o único que poderia impedir que isso acontecesse, era Leoni. O choque e a vontade de negar tudo eram fortes, porém, algo em seu íntimo lhe dizia que era verdade e que ele deveria confiar. Talvez fosse a voz de seus pais lhe dizendo para acreditar, que era real e estava em seu sangue, ou só a sua própria vontade falando mais alto ao saber que uma cura poderia ser encontrada, e com ela, Alberto poderia ser salvo.

Alberto, pobre Alberto... Ele não acreditava. E por vezes Leoni queria poder acompanhá-lo. Porém, as palavras dos pais e dos avós ressoavam em sua mente. Um sábio aviso. Eles existem, lhe diziam. E Leoni guardava sua crença e aqueles pensamentos para si. Agora, todos os céticos estavam pagando por sua descrença. Serviriam de baterias para recarregar um deus do mal ignorado e mal alimentado. Leoni iria impedir aquilo.

Percebeu que havia mergulhado demais em seus pensamentos ao olhar em volta e se dar conta de que uma névoa cinzenta e densa rodopiava ao seu redor. Risadas ecoaram de todas as direções, altas, e parecendo crescer em número a cada instante. Firmou os pés no chão e se preparou para o que viria. O vento soprou e rodopiou a sua volta, prendendo-o em um ciclone. A névoa se tornou fumaça que se afastou para dar passagem a um ser de pele escura, usando uma tanga vermelha e um gorro sobre a careca. Trazia um cachimbo na boca e dele parecia sair toda a fumaça que cercava Leoni. O ser recém-chegado soprou mais algumas baforadas e o lugar pelo qual havia passado se fechou, fundindo-se ao restante do ciclone.

– Ora, ora, ora, vejam o que temos aqui. - Ele disse abrindo as mãos em um gesto amplo como se abarcasse uma plateia. – Um valente humano com coragem para invadir nosso território. O que iremos fazer com ele?

Ao lado de Leoni, Tatá silvou, reagindo aos murmúrios que ecoavam na clareira como se um grande conselho estivesse reunido.

– Faça ele dar cambalhotas enquanto planta bananeira! - Uma das vozes gritou.

– Raspe o cabelo dele!

– Coloque-o em uma panela de leite e deixe ferver! - Muitas reações de aprovação soaram diante desta ideia.

Leoni engoliu em seco, Jaci o avisara que os sacis podiam ser brincalhões, mas esquecera-se de mencionar que eles também sabiam ser cruéis.

– Se eu puder opinar, preferia não ser fervido vivo, obrigado! - Os sussurros se calaram e ele sentiu como se vários olhos estivessem pousados sobre si, analisando, imaginando todas as futuras prendas que poderiam lhe fazer pagar. Leoni engoliu em seco e prosseguiu. – Meus amigos, venho pedir a ajuda de vocês. Como devem saber o deus Anhangá lançou sobre os humanos uma poderosa doença para lhes drenar a força vital. O grande deus Tupã me enviou com a missão de conseguir os ingredientes para uma poção capaz de reverter essa situação.

– Nós sabemos o que aconteceu. Mas não nos importamos, por que deveríamos?

– Porque se os humanos morrerem em quem vocês irão pregar peças? De quem irão azedar o leite ou dar nós nos rabos dos cavalos? De quem vão rir? Se desejam que isso continue, por favor, eu preciso apenas de um dos seus gorros. Só um deles.

Um urro revoltado subiu por toda a clareira. A fumaça rodopiou mais densa a sua volta, ganhando uma coloração mais escura.

– Você ousa pedir a nossa fonte de poder tão abertamente? Ou é louco ou é bobo. - Um sorriso cruel se abriu no rosto do que parecia ser o líder do conselho, uma ideia havia acabado de lhe ocorrer e Leoni pressentia que não ia gostar nem um pouco dela. – E sabe o que fazemos com bobos?

– Corrida! Corrida! Corrida!

Os gritos animados partiram de todas as direções.

– Para o seu azar, pequeno humano, o deus Anhangá nos convenceu muito antes de você aparecer. Poderemos fazer o que quisermos sem ser detidos ou incomodados! - Vivas e gritos de apoio foram emitidos pela turba. – Agora, chamem os lobisomens! - E, dizendo isso, soprou seu cachimbo, emitindo um ruído agudo ao qual logo se juntaram outros.

– Ah, claro, por que de todos os malditos dias, hoje tinha que ser lua cheia! Obrigado! - Gritou para os céus. Logo, ao longe, uivos e rosnados se fizeram ouvir. Naquela hora, Leoni esqueceu-se de que estava em missão e simplesmente correu, embrenhando-se na fumaça. Desorientado, não sabia de onde havia vindo e muito menos para onde ia. O som de patas se aproximou e ele gritou ao ver o vulto se aproximar por sua esquerda e se lançar em sua direção.

De alguma forma, Tatá o acompanhara e deu o bote, se jogando contra o lobisomem e prendendo-o sobre seu corpo. Leoni desviou, uma parte sua lhe dizia que não iria mais vê-la, Tatá escolhera o salvar ao invés de fugir. Empurrou os sentimentos para o fundo e continuou a correr. Um dos sacis, envolto em um redemoinho, o alcançou e interpôs-se em seu caminho. Leoni se preparou para pular sobre ele e roubar o gorro durante o embate, porém, uma flecha prateada o ultrapassou e acertou o objeto desejado, arrancando-o de seu lugar e se cravando no tronco de uma árvore.

– Eu saio por algumas horinhas e você consegue fazer a proeza de ser perseguido por uma horda de sacis e de lobisomens furiosos? - Jaci saltou do galho que estivera escondida e passou a correr ao lado dele.

– O que eu posso fazer? É um dom! - Ele gritou de volta. Eles passaram pelo saci, atordoado após a flechada, e Leoni agarrou o gorro de onde tinha se cravado e o jogou na bolsa.

– Guarde essas também. - Ela lhe passou as flores de um delicado tom branco e ele as colocou junto aos demais ingredientes.

Os uivos soaram a sua frente e eles pararam de correr. A mata densa impedia a visibilidade e prejudicava a mira de Jaci, que no solo tinha uma vantagem menor.

– Peguem eles! - O líder dos sacis gritou, incitando o bando de lobisomens. Estavam cercados, quando uma voz vinda do alto disse:

– Posso lhes dar uma carona.

A voz se materializou em um homem alto de cabelos pretos e lisos e vestindo uma tanga de palha adornado com várias pinturas na pele. Jaci revirou os olhos, mas um sorriso brincava em seus lábios.

– Ora, ora se não é o irresponsável do meu marido, Guaraci*. Decidiu dar as caras finalmente?

– Seu marido? Não eram irmãos? - Leoni perguntou, depois olhou em volta. Ainda estavam cercados, a aparência do novo deus apenas havia confundido as criaturas.

– É uma longa e engraçada história, mas se quiser mesmo saber eu posso...

– Adoro um bom reencontro familiar tanto quanto qualquer um, - O garoto interrompeu. – mas você tinha mencionado algo sobre uma carona?

– Não sou o deus sol à toa, tudo que o sol toca está em meu campo de visão. Posso mandar vocês para o lugar em que o Negrinho do Pastoreio irá aparecer.

– Mas... - Leoni deduziu. - Sempre tem um preço com vocês deuses e demais criaturas. Viu só, quase uma semana nesse mundo bizarro e isso eu já aprendi. - Virou se orgulhoso para Jaci. Os rosnados voltaram a soar, mas Guaraci os ignorou.

– De fato. A viagem demanda bastante energia, alguém precisaria dividir comigo o custo.

– Não sei o que quer dizer, mas eu estou dentro. - Leoni disse, lançando um olhar aos lobisomens que agora superado o choque inicial, se aproximavam com os dentes e garras a mostra. – Só faça logo!

– Não, eu vou. - a deusa se meteu no meio. – Guarde suas forças para encarar o Negrinho, ele é uma boa pessoa, e com certeza irá nos ajudar.

Leoni estava prestes a retrucar que tal absurdo não ia acontecer e que eles provavelmente precisariam da força dela para lutar, porém, nessa hora, as criaturas avançaram com sede de sangue e ele não teve outra escolha a não ser consentir. Jaci agarrou o braço do irmão-marido que lhe sorriu vitorioso. O deus sol estralou os dedos e todo o mundo pareceu se dobrar. Quando Leoni piscou novamente, aturdido e enjoado, estava no meio de um vasto campo desértico. O sol se punha e toda a luz vinha de sua mão a qual segurava uma vela.

O tempo estava se esgotando. Leoni sentia o passar dos dias na pele, era como se uma parte sua estivesse conectada ao estado de Alberto e agora ela o avisasse constantemente que o tempo dele estava chegando ao fim. Uma sensação gelada no pescoço como se os dedos gélidos da morte ali estivessem pousados para lhe avisar. Cerrou os dentes e começou a correr com afinco, ultrapassando a deusa que demonstrava, cada vez mais, sinais de cansaço. Felizmente, a chama da vela que trazia nas mãos não se apagou, não sabia o que faria se tivesse seguido todo esse caminho para que o último ingrediente lhe escapasse das mãos por culpa do vento. Apurou os ouvidos, ao longe o som de cascos batendo contra o chão se tornava cada vez mais alto. Uma nuvem de poeira subiu e ele protegeu a chama da vela cobrindo-a com os dedos enquanto a nuvem parecia se aproximar. Jaci parou ao seu lado, ofegante, os cabelos desalinhados e as roupas sujas e esfiapadas. Qualquer pessoa que a visse agora nunca pensaria que ela fosse uma deusa.

– Essa foi rápida. - Leoni murmurou, aguardando a aproximação.

– Ele sempre foi bastante pontual. O que é bom porque estamos ficando sem tempo.

Os cavalos se aproximaram e o líder, um belo garanhão negro de longa crina sedosa, parou esperneando a frente deles. Os cascos tocaram o chão e o garoto montado em suas costas lhe deu tapinhas no pescoço. Sua pele era de um rico tom escuro e os cabelos tão encaracolados e curtos que pareciam formar um capacete. Vestia apenas calças folgadas de lã presas por uma corda e, nas costas nuas, viam-se brilhar enormes cicatrizes de chicotadas.

– Não temam, meus amigos. Eu sei que vem em paz e que a missão de vocês é urgente.

– Como... - Leoni começou, mas as palavras embolaram na garganta. Mal podia acreditar no que ouvia. – Quer dizer que vai simplesmente nos dar o que precisamos sem desconfiar, tentar nos matar ou pedir algo em troca?

– Ao contrário do que você pensa, Leoni, ainda existem pessoas boas nesse mundo. - Os olhos escuros se fixaram em nele. – Quando eu era vivo tentei viver honestamente, disse ao meu senhor que não tinha perdido os cavalos. Mas hoje não me arrependo de ter morrido. Ajudo aqueles que a mim socorrem e faço isso pois sei que são sinceros em suas intenções. Agora me diga, está sendo sincero nas suas?

Sem palavras e aliviado, Leoni assentiu. O Pastorinho lhe dirigiu um sorriso muito branco e puxou um saquinho de dentro do bolso da calça.

– Aqui estão. - Estendeu o pacote, se abaixando sobre a montaria. – Espero que tenham sucesso em sua empreitada. - Desejou com sinceridade, dando tapinhas no alazão negro que relinchou, incitando os demais a correrem.

– Obrigado! - Leoni gritou. Com uma última empinada, o cavalo e seu menino partiram, desaparecendo no horizonte.

– Eu disse que ele era uma boa pessoa. - Jaci cutucou, sorrindo enquanto via ele guardar o último ingrediente na bolsa dada por Tupã.

– Unhas do pé e agora formigas, fico muito agradecido por não ser obrigado a beber isso. - Fez uma pausa, ainda encarando o lugar que a manada havia desaparecido. – Agora onde encontramos o pajé?

– Eu não sei. - Jaci mordeu os lábios. – O Pai disse apenas que na hora certa o caminho desceria dos céus como....

– Aquilo é um pássaro? - Leoni a interrompeu, apontando para o céu que começava a clarear. Os dois cerraram os olhos contra a luz do sol nascente e tentaram enxergar melhor.

– É um uirapuru* gigante! - A voz de Jaci saiu abismada. – Não vejo um desses há séculos.

– Estamos com sorte então, porque ele está voando direto para cá. Acha que podemos capturá-lo para nos dar uma carona?

– Você não entende, aquele é um pássaro espiritual com uma ligação com um humano. Então se ele está aqui, é porque foi enviado para isso.

– O pajé! - Leoni exclamou, animado novamente. – Parece que Tupã tinha razão e o caminho desceu mesmo dos céus.

Assistiram a majestosa ave pousar e descansar suas belas asas escuras nas laterais do corpo. Ela os encarou com olhos claros e inteligente da cor do outro derretido e inclinou a cabeça respeitosamente para Jaci.

- Acho que ele quer que a gente suba. - Ela disse, estendendo a mão para acariciar as penas vermelhas da cabeça do pássaro.

– Bom, e o que estamos esperando?

A viagem transcorreu turbulenta, as correntes do vento sopravam furiosas como se tentassem impedi-los de chegar, porém, as poderosas asas do uirapuru detinham força mais que suficiente, cortando o ar em batidas firmes e ritmadas. Sobrevoaram em círculos uma grande arvore localizada bem no coração da Floresta Amazônica e observaram as asas se retraírem, preparando-se para o mergulho. Foi como andar novamente na montanha russa e Leoni sentiu que seu estômago havia ficado em algum ponto atrás deles enquanto o pássaro mergulhava certeiro. Pensou que iriam colidir contra o tronco grosso, porém eles o atravessaram como se este não passasse de uma cortina.

O interior era escuro, mas ao fundo a chama de uma fogueira era visível. O uirapuru pousou e os dois desceram, se encaminhando em direção ao velho embrulhado em cobertores coloridos que olhava sem se mover para as chamas. O corpo era encurvado, a pele morena enrugada e os olhos leitosos fizeram Leoni se perguntar como e se ele conseguia ver algo no fogo.

– Então vocês vieram. - A voz era profunda e o velho voltou os olhos para os recém-chegados, deixando Leoni desconfortável. Era uma sensação estranha, como se sua alma estivesse exposta e ele pudesse ler tudo. – Estive esperando esse dia há muitas décadas. Agora, receio que não temos muito tempo, eles estão vindo para cá, para impedir. - Estendeu as mãos frágeis para a bolsa que Leoni carregava. – Depressa, os ingredientes! - O garoto puxou a bolsa e passou para o velho. Este assobiou para o pássaro que trouxe um pesado caldeirão de ferro negro contendo um líquido branco e o depositou nas chamas.

– O que é isso?

– A essência mais pura de uma árvore muito antiga. Há muito tempo, este lugar era uma frondosa árvore, o coração desse pedaço da floresta. Então vieram os lenhadores com suas máquinas e machados, e seus corações ambiciosos e derrubaram-na por completo. - O pajé puxou um pedaço de madeira e começou a mexer o líquido, parando apenas para separar com cuidado as pétalas da flor de vitória-régia e acrescentá-las a mistura. – O que estão vendo não passa de uma ilusão causada pelo espírito desta árvore e mantida como recordação do que aqui antes existira.

- Isso está demorando muito! - Agora que todos os ingredientes estavam reunidos, Leoni sentia o toque gélido em seu pescoço com mais firmeza. Algo estava prestes a acontecer. E tinha certeza que não podia ser bom. – Não pode ir mais rápido? - Irritou-se com a vagareza com que o pajé mexia a mistura. Do lado de fora, os ruídos de rosnados e galope estavam cada vez mais próximos. A cavalaria estava a caminho. E não para ajudá-los.

– Não se pode apressar o preparo. Vocês terão que mantê-los ocupados. - E dizendo isso, apontou para a ave que trazia no bico dois chicotes feitos de vinhas resistentes e os oferecia a Leoni. – O espírito desta árvore pode não resistir por muito tempo. - Jaci correu para o limite da ilusão, onde batidas se espalhavam e faziam toda a estrutura tremer. Leoni a seguiu, enrolando os chicotes nos pulsos e tomando um susto ao perceber a enorme fenda que se abria pela qual entravam diversas criaturas.

Os lobisomens haviam voltado e, junto a eles, mulas-sem-cabeça iluminavam a escuridão com seu fogo. Brandiu os chicotes, usando-os para fazê-las recuar. Logo atrás podia ver enormes figuras de pele de jacaré e cabelos loiros, movendo as mãos e sussurrando várias palavras que para o rapaz não faziam sentido.

– Ô, Senhor Pajé, será que não dá para misturar isso mais rápido? - Gritou Leoni, mantendo as mulas afastadas com os chicotes de cipós. Jaci atingia os lobisomens com suas flechas que explodiam em um pó branco o qual os fazia tombar para frente em sono profundo. O pajé agora acrescentava as formigas a poção, o suor cobrindo o seu corpo enquanto ele continuava a mexer no conteúdo.

Leoni ergueu o olhar para o céu que parecia correr, escurecendo rapidamente e trazendo consigo uma escuridão além da noite. A Lua surgiu brilhante e, por um momento, Jaci sentiu-se mais poderosa, suas flechas voaram mais longe e acertavam dois ou três alvos por vez. Por um instante, pareciam estar no controle, porém, Leoni não pôde conter a exclamação de espanto ao ver uma figura alta, de pele pálida e finos cabelos brancos caindo nas laterais do rosto, usando apenas uma saia de folhas, braceletes enfeitando os braços e segurando um cajado de aparência torta nas mãos. Um colar de dentes de onça brilhava em seu pescoço. Todo o seu corpo gritou: aquele é Anhangá, o culpado por tudo que havia acontecido!

– Acabem com eles! - Ordenou e suas tropas avançaram. Porém, antes que o deus pudesse se juntar a elas, os céus se abriram e relâmpagos desceram e o atingiram em cheio. Trovões soaram enquanto o grande deus Tupã chegava ao campo de batalha para enfrentar o seu nêmesis. – Tupã! A que devo a honra de sua presença?

– Vim derrotá-lo de uma vez por todas, Anhangá. Não permitirei que continue a prejudicar os humanos em busca de poder. - A voz rimbombou e mais relâmpagos caíram do céu, atingindo as criaturas que cercavam a árvore e lhes dando um fim rápido.

– Pois então venha e me enfrente! - Ele sorriu como se já houvesse ganhado. – Veremos quem é o deus mais poderoso e digno do comando!

Os dois se jogaram um contra o outro e mais um trovão rimbombou no céu. Pelo visto, Tupã estava mantendo Anhangá ocupado, dando tempo para que eles completassem a poção.

– E agora o ingrediente final. - O velho pajé correu até Leoni e o segurou pelas bochechas. – Lágrimas de um mortal apaixonado.

– O quê? Eu tenho que chorar? Não eram só cinco ingredientes? Porque ninguém me avisou?

– O último e mais poderoso não deve ser revelado até a última hora. - O velho retrucou com calma.

– Não faço isso desde que meus pais morreram e aquele foi um choro de tristeza. - Gritou indignado. – Como eu poderia chorar de amor em uma situação como essa?

– Pense em seu amado, nada pode trazer lágrimas mais sinceras aos olhos do que o verdadeiro amor.

– Estamos no meio de uma batalha! - Leoni reclamou. A conversa foi interrompida por um bando de pássaros brilhantes invocados pelas Cucas para os atacar. Uma luz forte e brilhante desceu do sol, atingindo as aves e torrando-as.

– Alguém aí precisa de ajuda? - Guarani, o deus sol, apareceu para a batalha. A pele pintada com desenhos que remetiam a guerra e uma comprida lança nas mãos. Partiu para o ataque contra uma das Cucas, lançando bolas de fogo e tentando penetrar as escamas duras.

Jaci passou sua retaguarda e se ocupou de afastar as mulas-sem-cabeça traçando um semicírculo de flechas e erguendo uma barreira. Um forte estrondo foi ouvido vindo dos céus e logo eles assistiram à queda de Tupã, enquanto Anhangá descia flutuando com poder total. Ele estendeu o cajado e um raio de energia atingiu a barreira de Jaci que explodiu em um milhão de pedacinhos.

A deusa caiu, derrotada pela força do ataque e Leoni viu a Lua apagar seu brilho do céu, enfim esgotada. O deus atingiu Guaraci que, tendo derrotado a Cuca, avançou em fúria para revidar o ataque lançado a sua mulher. Diante o menor dos gestos do cajado, o deus sol foi jogado longe, deixando cair a lança a qual foi apanhada por Anhangá. Um sorriso cruel surgiu em seus lábios ao ver Leoni recuar para o interior da árvore ilusória, para cada vez mais perto do caldeirão no qual a poção incompleta o aguardava.

Anhangá ergueu a lança, os músculos do braço se retesando, e a jogou, forte e certeira, em direção ao peito do rapaz, já prevendo que este seria o seu fim. Porém, um vulto envolto em panos coloridos se lançou à frente do ataque, sendo atingido em cheio.

– Não! - Leoni gritou, se arrastando até onde o velho pajé caíra e o segurando pelos ombros. Os olhos leitosos fixaram-se em seu rosto e ele proferiu suas últimas palavras em um último suspiro.

– A poção... complete... a poção....

– Não! - Ele repetiu, agora de forma mais fraca. Uma risada ecoou pelo ambiente, alta, aguda e inegavelmente satisfeita. – Você! - Leoni voltou-se para o deus que ria, rodeado pelas criaturas que lhe serviam, os únicos ainda de pé. Sem pensar no que fazia, agarrou os chicotes com mais força e lançou-se sobre ele, sua mente vazia de qualquer plano que não fosse acabar com aquela risada e fazer cada parte daquela figura malévola em pedacinhos.

Anhangá desviou o ataque e o agarrou pelo pescoço, girando o braço em um movimento fluido e acertando sua cabeça contra o chão uma, duas, três vezes. Sangue saiu pelos lábios do rapaz e pontos pretos atrapalhavam sua visão. Tentou lutar, mas cada grama de força que ainda possuía parecia estar sendo sugado de seu corpo.

– Pobre humano tolo, achou mesmo que pudesse me derrotar. Logo eu, o grande deus Anhangá, aquele que derrubou Tupã e apagou o sol e a lua. - A risada ecoou mais uma vez, acompanhada de urros e rosnados. – Veja aquilo que você tanto lutou para salvar ser destruído diante dos seus olhos. - E, dizendo isso, o arrastou até o caldeirão, pressionando sua barriga contra o metal quente, fazendo-o gritar, e empurrando sua cabeça sobre o conteúdo.

No liquido que se remexia, Leoni viu o rosto de pessoas doentes, várias delas choravam em leitos como ele próprio fizera antes de tudo acontecer. Os rostos se misturavam em uma confusão, piscando e se apagando, alimentando ainda mais o deus com poder. Fechou os olhos, não queria ver. Assistir à confirmação de que falhara era muito pior do que saber disso.

“Está tudo bem, meu filho. ” Uma voz suave disse em sua mente. “Abra os olhos. ” Ele engoliu, a garganta subitamente apertada. Aquela era a voz de sua mãe, o mesmo tom carinhoso de que se lembrava. “Seja forte, nem tudo está perdido. Lembre-se: nunca abandone a esperança, pois ela é o bem mais precioso que temos. ” A voz de seu pai se juntou a dela e Leoni reuniu coragem para abrir os olhos. Viu o rosto de Alberto refletido na superfície, não a face adoentada e esquelética e os cabelos sem vida que ele ostentava agora, e sim o rosto que lhe sorria repleto de amor e confiança, os momentos importantes dos dois, cada toque e palavras sussurradas em segredo.

A lágrima escorreu por sua bochecha e caiu no líquido fervente. Uma explosão foi ouvida e uma forte onda de pressão arremessou todos os que ainda estavam de pé para trás. Leoni sentiu o aperto em seu pescoço afrouxar e se soltar por completo. O caldeirão emitia uma nuvem de fumaça branca que se enroscava ao redor de Anhangá, fazendo-o gritar e um vapor negro se desprender de sua pele. O ar ficou mais denso e a ilusão da árvore se desfez, sendo sugada pela fumaça que tomava todo o ambiente, girando em um círculo cada vez mais rápido que parecia subir em direção aos céus. Leoni assistiu de olhos arregalados o deus lançar um último grito estrangulado e desaparecer por completo em uma explosão de energia que pareceu se espalhar por todo o país, deixando para trás apenas um colar de dentes de onça.

Os deuses presentes se recuperaram, sentindo seu poder voltar a preencher seus membros e a força inundar seus corpos. As criaturas que os atacavam haviam fugido e a Lua voltara a brilhar no alto. Jaci ajudou Guaraci a se levantar e o grande deus Tupã se aproximou de onde Leoni permanecia parado. A ferida na barriga tinha um tom feio, a pele queimada onde encostara no metal quente e o sangue preso e coagulado no interior. O deus se abaixou e estendeu as mãos para cuidar do ferimento, regenerando a pele como se fosse nova.

– O pajé? - A voz de Leoni saiu áspera.

– Lamento, meu filho, mas ele não sobreviveu. - Tupã apontou para um canto onde o uirapuru se encontrava curvado sobre um corpo. Culpa e tristeza pesavam em seu interior, ele havia se sacrificado para salvá-lo. E, no fim, nem ao menos pudera agradecer direito. – Em nome de todos, eu lhe agradeço, Leoni. - O deus se ergueu em toda sua imponência, mas os olhos piscaram bondosos para ele. – Você nos prestou uma ajuda inimaginável, quebrou o feitiço e devolveu a vitalidade a todos que estavam sofrendo, e, como recompensa, devo lhe dizer que se assim desejar, terá direito a um lugar entre os deuses.

– Eu estou muito grato grande deus Tupã, mas, com todo o respeito, esse é um presente que eu vou recusar. Há uma coisa que preciso fazer primeiro. - O deus assentiu, vendo a determinação em seu olhar, e com um último trovão se retirou. Leoni voltou-se para Jaci. – Me leve de volta.

Ela estendeu a mão que foi prontamente segurada pelo rapaz que, ao piscar, se encontrava no mesmo leito de hospital onde tudo havia começado. Porém, diferente da última vez que estivera ali, agora não haviam mais fios ligando o corpo de Alberto as máquinas espalhadas a sua volta.

– O que está acontecendo? - Seu coração se encheu de medo e ele avançou em direção a enfermeira que cuidava dos aparelhos, desligando-os. Ela piscou, aturdida por vê-lo ali, onde jurava não haver mais ninguém.

– Lamento, Senhor, mas ele teve uma parada cardíaca. Tentamos de tudo, mas infelizmente ele não sobreviveu. Sinto muito pela sua perda. - E se afastou, deixando-o sozinho e paralisado para lidar com as implicações da notícia e se despedir uma última vez.

– Não! Não! Não pode ser tarde demais! - O choque passou e Leoni se jogou contra o amado, agarrando seus ombros e sentindo o calor deixar a pele. – Por favor, eu não lutei contra um deus do mal, uma horda de sacis e lobisomens, sem falar nas mulas-sem-cabeça para isso! Não me deixe!

Mas era inevitável. O corpo fraco já não suportava mais, a força vital fora consumida quase que por completo e o restante preparava-se para se juntar ao fluxo do universo.

– Volte para mim! Eu imploro! - Soluços irromperam de sua garganta. Jaci se comoveu diante a cena, apertou o colar mais forte e avançou até onde Leoni estava, pousando uma mão reconfortante em seu ombro.

– Sou a deusa que protege os amantes e zela por sua volta. Eu, Jaci, ouvi sua prece e irei atendê-la. - E dizendo isso, deu a volta na cama e tomou o rosto de Alberto entre os dedos, inclinou a cabeça para frente, fazendo com que o colar se afastasse do pescoço e ficasse pendurado sobre a testa do garoto. Seus cabelos caíram nas laterais, cerrando os dois em uma cortina negra, os lábios se partiram e ela entoou em um murmúrio suave.

Leoni assistiu o colar de pedra lunar se tornar mais e mais brilhante conforme ela murmurava. Lentamente, o brilho branco pareceu se tornar líquido e descolou da pedra, atingindo a pele de Alberto e sendo absorvido por ela. A oração de Jaci se encerrou e ela se afastou do garoto, virando os olhos para a janela.

– Abra as cortinas, deixe que a luz da lua chegue até ele. - Ordenou. Leoni correu para obedecer. Puxou o tecido para longe e empurrou o vidro da janela, abrindo-a e permitindo que a Lua aparecesse em toda sua beleza. Sua luz tocou o rosto de Alberto que ficou mais pálido. Leoni ia correr para o seu lado, mas a deusa o impediu. – Espere e assista. - Seu coração martelava no peito, mas ele havia aprendido a confiar nela. Grudou os olhos em seu amado e, com todas as forças que ainda lhe restavam, rezou.

A luz pareceu penetrar na pele do rosto e ele assistiu chocado o negro dos cabelos ir recuando pouco a pouco a partir das raízes e se tornando de um branco tão puro quanto as pétalas de uma vitória-régia.

Leoni prendeu a respiração ao ver as pálpebras tremerem e a ponta dos dedos se moverem. Os olhos se abriram, lentos e atordoados, e piscaram para se focar no rosto molhado de lágrimas de Leoni.

– O que aconteceu? – Perguntou assustado, tentando se empurrar para uma posição sentada. - Por que está chorando? Quem é ela e por que está com você?

– Shhh... Está tudo bem. - Leoni o abraçou, apertando-o bem forte contra seu peito. – Ela é a deusa da lua. Eu disse que eles existiam. Todos eles. - Murmurou para Alberto, acariciando os fios agora brancos. O garoto encarou a aura branca que ainda rodeava a deusa e não encontrou palavras para negar.

– Me lembre de nunca mais discordar de você. - Ele riu, ainda um pouco fraco.

– Obrigado. - Leoni se voltou para Jaci e a abraçou. – Muito obrigado por tudo. - Agradeceu de coração.

– Não ligue para isso, a Lua sempre ouvirá os pedidos dos amantes. - Ela sorriu e se afastou, caminhando em direção a janela e parecendo irradiar poder. – Quanto a todo o resto, eu quem devo agradecer. Foi você quem nos salvou, Leoni. Não se esqueça disso jamais. Nos vemos em breve. - E com a leveza de um puma, ela pulou pelo parapeito e se desfez em poeira branca.

– Dramática. - O garoto revirou os olhos com um sorriso no rosto e voltou ao seu lugar, segurando a mão de Alberto.

– Eu ouvi bem? Você salvou o país?

– Ah não foi nada, você me conhece. - Deu de ombros, sem dar muita importância ao acontecimento. - É uma longa história.

– Tenho todo o tempo do mundo para escutá-la.

Eles sorriram um para o outro e logo os lábios se tocaram, com carinho e saudade. Leoni subiu na cama e sentou ao lado de Alberto, passando o braço por seus ombros e o apoiando. Com a voz suave, começou a contar aquela que havia sido a aventura de sua vida.

*** – ***

Notas finais e glossário:

- É certo que a Caipora é mais influente na mitologia tupi-guarani do que o Curupira, mas, por motivos mais práticos e de conhecimento geral, acabei deixando o nosso anão ruivinho mesmo.

- *Tupã: da cultura tupi-guarani, Tupã é considerado o senhor do relâmpago, do raio e do trovão. Foi ele quem transmitiu aos pajés o conhecimento sobre o uso medicinal das plantas e dos rituais de cura e quem ensinou aos homens como cultivar a terra, caçar e fazer artesanato.

- *Jaci: filha de Tupã e esposa de Guaraci, é a deusa da Lua. Ela também é a divindade dos enamorados e da concepção e é para ela que as índias pedem por proteção e pelo pronto regresso dos maridos que saíram para a caça.

- *Guaraci: o deus Sol, é filho de Tupã. Guardião dos seres vivos durante o dia. Casado com sua irmã, Jaci, Guaraci passa aa ela a responsabilidade de cuidar de todas as criaturas ao longo da noite.

- *Anhangá: deus das trevas e do submundo e inimigo de Tupã. Sua aparição é vista pelos tupis-guaranis como sinal de desgraça e má sorte.

- *Uirapuru: é considerado um animal sagrado pelos tupis-guaranis que tem como função ser o portador de mensagens espirituais.

1. September 2018 01:51:03 12 Bericht Einbetten 5
Das Ende

Über den Autor

Nathy Maki Leitora voraz desde que tenho idade para segurar um livro em mãos. Sagitariana e um poço de emoção e muuita indecisão. Amo um clichê bem escrito e um suspense que te prende, mas fantasias e ligações são especialidade. Sou fã daqueles finais inusitados. Até mesmo os tristes! Lema: Colecionar sonhos, ideias e magia e depois transformá-los em palavras é o que torna bela a vida.

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Olá!! ESTOU COMPLETAMENTE APAIXONADA POR ESSA HISTÓRIA, ME SEGURA!!! Fantástica. Você trouxe uma história completa com toda a nossa mitologia de forma linda. Leoni com toda sua pureza confiou no seu coração quando uma completa estranha apareceu. Ele já acreditava nos Deuses, ou teria sido afetado pela doença também, mas ela poderia ser qualquer outro ser mítico se aproveitando de sua vulnerabilidade. O fato de ele ter confiado tão plenamente é lindo (e um pouco preocupante). E ele fez tudo sem ao menos questionar por seu amor, fez amigos como o Tatá - meu Deus, fala que ele tá bem na floresta e que não aconteceu nada com a cobrinha camarada? - e mesmo a própria deusa. Sério, você montou uma história de aventura muito interessante aqui! A Iara foi a melhor. De início foi estranho, porque parecia que ela estava disposta a ajudar sem cobrar nada em troca, o que não condiz com a personagem que nós conhecemos, mas então a sádica maravilhosa vem e solta aquela de trazer os boys para ela matar novamente! Amoooo, ela é destruidora!!! E você manteve essa personalidade dela, o que só mostra o quanto você estava dentro do seu subgênero e o quanto conseguiu nos passar usando personagens do nosso próprio folclore. Gente, eu amei simples assim. A história é original, você fez um trabalho lindo com o nosso folclore, impecável, uma leitura fluida e gostosa que te leva. Eu estava tristinha porque ninguém havia abordado esse tema, aí vem a senhora e joga uma obra tão maravilhosa como essa representando tão bem nossa cultura que me sinto abençoada. Parabéns de verdade e espero mais histórias lindas como essa nos próximos desafios! Beijinhos 💚
4. Oktober 2018 14:35:29
Hime  Hime
Estou feliz de encontrar essa história em uma noite tão entediante, no fim pude me distrair do churrasco chato daqui shdhayd. Sua escrita é nada mais, nada menos que emocionante. Eu não usaria outra palavra para descrevê-la além desta. E essa coisa de incrementar a mitologia e criar algo só seu é demais aaa. Meus parabéns sz
7. September 2018 22:46:31

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Olá! Huhshaahh sempre as ordens para fins de entretenimento em churrascos! Muito obrigada, eu fico muito emocionads com esse apoio todo <3 Eu sou um pouquinho maluca por mitologia sim e amo uma boa fantasia, então to nas nuvens por saber que consigo agradar escrevendo esse gênero! Muito obrigada! Beijos e abraços carinhosos ❤ 12. September 2018 18:52:52
Mary Olosko Mary Olosko
Oi moça o/ Achei do crl seu modo de inserir a nossa mitologia e criar uma coisa nova e super interessante. Estou realmente impressionada com o seu feito. Ame cada frase. Da leitora feliz. Kisses sabor Lua
7. September 2018 14:16:28

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Olá \0 ! Muito obrigada mesmo! Nossa mitologia é riquíssima e merece ser enaltecida tanto quanto as outras! Ownn, tomara que eu exploda de amor <3 Muito obrigada pelo carinho, não sabe o quanto esse comentário me deixou feliz! BEIJÃO ❤ 12. September 2018 18:55:46
Forbela Forbela
Ver a nossa cultura enaltecida no desafio em um dia tão trágico foi muito gratificante. Eu gostei muito da sua história, o clima de aventura na selva com seres do folclore me acolheu, o personagem principal foi cativante! Além disso, destaca-se a sua escrita que é muito bem articulada. Adorei, espero ler mais coisas suas!
3. September 2018 22:23:58

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Foi uma tragédia o que aconteceu com o museu, eu bem qie queria ter tido a chance de ter visitado :c Mas sim! Nossa cultura é riquíssima e maravilhosa, tem cada arte dos envolvidos no google que você se apaixona cada vez mais. Mas foi minha primeira experiência utilizando os deuses e eu fico muito feliz por saber que agradou! O Leoni é muito bolinho, até eu queria ele pra mim hahahaha Muito obrigada mesmo! Eu tento melhorar cada vez mais e saber que isso funciona é muito gratificante! Fiqie ligadinha porque no próximo desafio vai ter um spin-off dessa história! Beijinhos ❤ 11. September 2018 10:08:36
Nathalia Souza Nathalia Souza
E os desafios de escrita me deixando feliz novamente! Eu amei este conto de paixão, desde a escrita até a interação dos personagens. Você ter incorporado nossa cultura infelizmente esquecida foi um ponto alto pra mim, sem dúvida. Me identifiquei muito com o Leoni em várias partes, coitado kkkk. Bem, deu tudo certo no final, pelo menos. Olha, se essa história virasse um romance, pode apostar que eu compraria. Beijos e até!
2. September 2018 08:43:50

  • Nathy Maki Nathy Maki
    Own, muito obrigada! Eu tive um cuidado especial com o Leoni por ele ser um personagem não conhecido, queria fazer alguém fácil de se identificar e carismático. Fico muito feliz em saber que isso funcionou! Aaaaa eu ia ter um treco enorme se virasse um romance! Mds e saber que teria uma leitora ainda por cima! É demais pro meu coração! Tô realmente planejando em aumentar a história e detalhar mais e acrescentar mais cenas, então muito obrigada! Beijinhos ❤ 11. September 2018 10:18:36
Anne Liberton Anne Liberton
Olar~ Non sei bem como a história apareceu aqui pra mim (acho que porque já li algo seu), mas aí comecei a ler e achei interessante e cá estamos. Gostei que você pegou a mitologia indígena para trabalhar, porque é bem legal e também fiquei feliz que non precisei da explicação final para entender ahuuaha É uma história completa, tem a aventura toda, um objetivo, as etapas, o que o protagonista pode perder se ele não tiver sucesso, os ajudantes, tá tudo aí, o que eu curti também~ Agora queria te perguntar se sua intenção era fazer só um conto mesmo, porque me pareceu um plot meio grande para botar numa história tão curta. Assim, eu sei que não é "curta", mas acontece muita, muuuuita coisa num período curto, daí non tem muito como a gente saborear os acontecimentos. Em certos momentos, eu fiquei em dúvida se tinha perdido algum capítulo ou se a história era relacionada a alguma coisa que eu não tinha lido, porque não sabia bem de onde o Leoni vinha, quem ele era, qual o passado, de onde tinha vindo a Jaci ou a Tatá (aliás, adorei usar o apelido kkk). O jeito como você narrou passou uma familiaridade, como se a gente já devesse saber quem eles eram e o que estavam fazendo, mas não era exatamente esse o caso. Talvez fosse legal rever a estrutura da história, porque tem umas partes, tipo os pais do Leoni, a questão da herança indígena e mesmo a treta afetando todo o país, que ficaram meio jogadas entre etapas da missão dele e eu fiquei sem saber o que fazer com essa informação repentina. Sobre os personagens, essa coisa de não estruturar tão certinho também afetou como a gente vê o Leoni e a Jaci, porque passa a impressão de que eu já deveria conhecer os comportamentos deles, mas não conheço. Também passei metade da história em dúvida se o Alberto era o pai do Leoni ou o namorado, rs. Pensei que fosse o pai, mas aí ele comenta na parte da Iara que é gay, aí pensei em namorado, aí pai, mas a Jaci fala dos amantes lá pro final, aí namorado... hauuhaa achei um pouco confuso. E você tinha uma gama enorme e variada de personagens. Seria legal ter explorado mais. Os deuses, principalmente. No fim das contas não entendi se o problema do Anhangá era com os outros deuses ou com a humanidade ou com os dois... E por que afinal o Leoni ficou no meio disso? O que faz dele assim tão especial? Poderia ter trabalhado mais essa questão. Parabéns pela criatividade, viu? E também pela escolha da mitologia. Arrasou! Até mais!
1. September 2018 21:43:59

  • Anne Liberton Anne Liberton
    Esqueci de comentar que: Jaci rainha. Apenas~ 1. September 2018 21:45:16
  • Nathy Maki Nathy Maki
    Olá! Seja bem-vinda aqui mesmo sem querer querendo! Meus deuses, olha o tamanho desse comentário *desmaia* Muito obrigada! Vou tentar responder em partes! Ahhh que bom que não precisou de explicações, eu me senti na obrigação de colocá-las já que infelizmente a nossa cultura e mitologia fica um pouco esquecida e alguém podia não conhecer os personagens. Mas temos deuses e personagens maravilhosos que merecem ser explorados! Bom, a intenção era só fazer um conto simples mesmo, mas conforme eu escrevia os personagens e as ações deles foram se desenvolvendo sozinhas e eu perdi o controle hahaha Então, sim! Obrigada pela dica, me fez pensar que eu poderia desenvolver isso melhor em uma long! Sobre a familiaridade eu penso que é uma questão relativa, mas claro, concordo que é necessário ter um certo conhecimento dos personagens e motivações para se apegar aos personagens, porém, caso estivesse lendo algo sobre Zeus, não acha que á conseguiria prever mais ou menos o comportamento dele? Mulherengo, esquentado e gosta de soltar uns raios e fritar uns heróis por aí. Por á ser mais conhecido, nós tendemos a já imaginar ele. Talvez por isso tenha surgido mais essa necessidade de contar mais os personagens, falta de representatividade com eles. Bom, é o que eu imagino, mas espero poder mudar isso! Ops, vou deixar o Alberto mais claro na próxima versão! Desculpa! O problema dele era com ambos, sim, devia ter exposto melhor isso... Obrigada pelas dicas, vou pensar bastante sobre elas e reescrever tudo direitinho! Obrigada <3 Beijinhos! PS. Jaci muito rainha <3 Tatá vai ter uma exclusiva! Estou postando um spin-off sobre o que aconteceu com ela, se tiver interesse te espero lá <3 16. September 2018 09:26:30
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