Me diga o seu verdadeiro nome Follow einer Story

caramelosama Caramelo Sama

"Ele era a farsa perfeita. Lindo igual ao homem a quem jurei amor. Falava como ele, agia como ele e se portava como ele, mas 'ele' não era Itachi. Era uma mentira contada por um grande mentiroso sagaz. Não passava de uma ilusão agridoce feita para dissuadir, enganar e seduzir. Não importava o quão belas fossem as juras de amor, o quão sincero parecia ser, por que não era real. Nada era real. Eu era apenas um tolo esperando por alguém que talvez eu nunca mais fosse ter novamente." KisaIta || Lemon || Angst || Gincana do Biscoito 2018


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 18-Jährige.

#gincanafns #fanficsotaconda #Gincanadobiscoitofns #kisaita #Kisame×Itachi #lemon #naruto #querobiscoitofns #Síndrome-De-Capgras #yaoi
18
5237 ABRUFE
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Capítulo Único - Aquele que ama e aquele que mente

Notas iniciais:

🍪 Essa Fanfic foi escrita para a Gincana do Biscoito no grupo/page Fanfics Naruto ShippeOu us e é uma KisaIta cheirosinha. Primeira KisaIta que eu escrevo, up! 

🍪 Não vamos entrar no mérito dos porquês, mas ela trata-se de uma síndrome chamada de Síndrome de Capgras. Ou seja, vocês verão a história pelo ponto de vista da pessoa com essa síndrome. Falo mais sobre ela no final. 

🍪 O tema que deveria ter aqui era " mudanças" e eu levei ele bem a sério. Devo ter mudado esse plot umas seis vezes antes de me decidir com esse que vós apresento. Falando sério agora, vocês vão notar uma discrepância de pensamentos e atitudes ao decorrer da história. Essa mudança é proposital, tanto pelo tema quanto pela síndrome. Casou direitinho. 

🍪 Estejam preparados e boa leitura!

Me diga seu verdadeiro nome

A brisa noturna arrepiou todo seu corpo quando afastou as cobertas para o lado. A janela do quarto estava meio aberta, as cortinas separadas deixavam que a luz da lua entrasse através do vidro e iluminasse parte do quarto, inclusive o espaço vazio ao lado de onde estivera deitado anteriormente. 

O sopro de ar que adentrava pela fresta na janela eriçava os pelos de seus braços, arrepiando a pele já naturalmente muito branca, quase azulada de tão translúcida que era. Talvez fosse o frio que o estivesse deixando com aquela inquietante sensação na boca do estômago, ou talvez fosse a ausência do outro corpo que deveria estar sob os lençóis da cama. Não saberia dizer, não queria pensar sobre, mas mesmo assim ignorou a agitação em que seu coração se encontrava e pousou a mão na maçaneta fria da porta. Uma corrente elétrica subiu por seu pulso como uma cascavel e eriçou sua nuca, fazendo-o tremer.

Devagar girou-a, abrindo a porta lentamente. Os dentes pressionados com força uns contra os outros conforme o barulho da madeira rangendo quebrava o silêncio sepulcral do quarto. Dando acesso ao corredor pouco iluminado, com um tapete branco cobrindo o piso laminado que estendia-se até a outra extremidade, aonde estava a escada para o primeiro andar.

De lá uma fraca luz subia os degraus, indicando que alguém acendeu as lâmpadas da cozinha. Por um momento sentiu-se despido diante ao abreu da própria casa. A camisa azul de manga curta não parecia cobrir o suficiente de seu corpo, por mais que soubesse que ela tapava  a peça de roupa íntima que trajava por baixo. Ainda sim desejou que estivesse usando mais roupas, não pelo frio, mas pela vergonha. A vergonha de saber que ele iria ver seu corpo. Ninguém além de Itachi deveria vê-lo tão descoberto quanto estava agora.

Não obstante se recusou a voltar para o cômodo do qual saíra, seus pés continuavam avançando cada vez mais. A sola encostando com muito cuidado no tapete, temendo denunciar sua presença. Uma pequena parte de si ainda possuía a esperança de que encontraria Itachi sentado no balcão da cozinha, tomando milkshake com um canudinho de plástico. Com um blusão de lã que era seu, mas passou a ser dele desde a primeira vez em que dormiram na mesma cama.

Queria encontrá-lo lá, ao menos só mais uma vez. E esse desejo o impedia de dar meia volta e fingir que tudo estava como sempre foi. 

Ainda tinha esperanças.

Seus batimentos, todavia, disparavam seu coração contra os ossos de suas costelas. Comprimindo-o e dificultando a passagem de ar em seus pulmões ao passo em que descia a escada. O sofá da sala preenchendo sua visão cada vez mais de acordo ao tanto de degraus que deixava para trás. Atrás do sofá a televisão de led refletia sua imagem conforme aproximava-se do primeiro piso. Revelando a figura de um homem alto, forte e terrivelmente pávido.

Não olhou por muito tempo, aquele que refletia na tela era apenas uma vaga memória do homem que um dia existira. Causava-lhe desgosto se olhar agora e, portanto, desviou os olhos para a esquerda, onde a cozinha se encontrava. Onde ele se encontrava.

Estava do mesmo jeito que estivera quando foram dormir, exceto pelos cabelos presos em um coque alto e desajeitado. Com alguns fios negros escapando do penteado improvisado, caindo-lhe sobre a face alva que se incomodava com o roçar das mexas soltas. As mãos pálidas, quase inteiramente cobertas pelo blusão com o qual esperava vê-lo usando, inutilmente tentavam prendê-las atrás da orelha. As pernas, tão brancas quanto leite e tão macias ao toque, estavam cruzadas, revelando boa parte da coxa direita que ficava exposta ao seus olhos. Indicando que ele não usava mais nada por baixo do tecido de lã.

Tudo estava exatamente igual ao que esperava encontrar, exceto que sobre o balcão não havia um copo de milk shake com canudo de plástico mole. Ele, de fato, sorvia o líquido gelado e cremoso, mas não fazia uso do irritante canudinho. Os lábios rosados estavam em contato direto com o copo, pela primeira vez.

E os olhos negros como a mais escura noite sem luar, agora focavam-se em si. Fazendo jus a sua presença no recinto. 

Aqueles olhos lhe causavam um calafrio que percorria toda sua coluna, deixando-lhe com a boca seca e o corpo tenso. Sem saber como responder ao sorriso que formou-se no rosto dele. Um sorriso que muitas vezes retribuiu…

— Acordei você? — a voz calma e doce alcançou seus ouvidos, ludibriando-o. Fazendo com que quase acreditasse na gentileza empregada no tom.

— Não. — quis ser ríspido, frio e indiferente ao respondê-lo, mas nunca conseguia de fato ser. Nunca conseguiu tratá-lo como merecia, por que a imagem diante seus olhos ainda era a do homem que amava. Ainda era Itachi ali, mesmo que no fundo também fosse ao contrário.

— Tudo bem, Kisame? — ele descruzou as pernas e desceu do banco acolchoado onde estivera sentado. Abandonado o shake pela metade sobre o balcão e aproximando-se de si. 

Observou a figura esguia se aproximando devagar, os pés não produzindo som algum ao tocar no chão. Ele parecia flutuar sobre o piso, e não duvidava que realmente estivesse. Quando parou em sua frente, ligeiramente mais baixo, não se afastou da mão que se ergueu e suavemente afagou seu rosto. Um carinho terno que embrulhava-lhe o estômago tamanha a discrepância de sentimentos revirando-se em seu âmago. 

Ao mesmo tempo que desejava deitar a cabeça contra a palma morna da mão dele, enjoava-se por deixar que ele lhe tocasse. Por querer que houvesse mais contato. Era como se estivesse traindo Itachi.

— Parece exausto, porque não volta a dormir? — o polegar afagou sua bochecha antes de deslizar para cima, massageando sua têmpora esquerda.

— Não consigo. — suspirou, rendendo-se aos próprios desejos e segurando a mão sobre sua face. Entrelaçando os dedos com os dele e intensificado a carícia gentil que ganhava.

— Tente mais uma vez, você não tem dormido bem nos últimos dias. — sabia o que estava para acontecer quando o viu se erguer nas pontas dos pés e fechar os olhos. Ainda sim não impediu que os lábios frios, com gosto de creme, tocassem os seus. Um singelo selar que trouxe a tona mais uma vez a reviravolta de sensações que embrulhavam-se dentro de si. — Vamos para a cama.

Mesmo que contra sua vontade deixou-se ser guiado pelo caminho de volta, os dedos ainda entrelaçados enquanto subiam os lances de escada e atravessavam o corredor até o quarto que dividiam. Ficou parado em frente a cama observando-o fechar a porta e em seguida a janela, acabando com a corrente de ar gelado que corria pelo cômodo. Logo em seguida viu-o ligar o aquecedor próximo ao bidê do seu lado da cama, esfregando as mãos para então assopra-las. Criando um fraco vapor diante seus lábios antes que este se dissipasse no ar.

— Vem. — ele chamou, subindo de joelhos na cama e depois sentando-se sobre as panturrilhas. 

Não quis ir, mas foi mesmo assim.

Se pôs debaixo dos edredons rapidamente, fingindo não notar o olhar risonho no rosto que virou-se para encará-lo. Antes que este se colocasse embaixo das cobertas também, mas passado uma das pernas por cima de seu corpo até que estivesse sentado sobre seu quadril. As mãos apoiadas em seu peito fazendo movimentos circulares bem lentamente.

— Eu também não consigo dormir. — comentou baixinho, acomodando-se melhor. Podia sentir a pele nua da bunda dele em contato com sua perna, tal como o membro adormecido entre as pernas claras tocando seu abdômen por sobre o tecido da camisa.

Tente mais uma vez. — respondeu o mesmo que ouvira a pouco, desejando que o outro saísse de cima antes que seu corpo reagisse. Já traíra Itachi muitas vezes ao aceitar os beijos daquele homem, mas não podia traí-lo consumando o ato entre eles. Não podia fazer isso, mesmo que uma parte sua implorasse por tal coisa.

Contudo até a suave risada dele fazia-o querer se entregar. Como podia ser tão parecido?

— Faz algum tempo desde a última vez. — ele se inclinou, roçando ambas as pontas dos narizes. As mãos apertando com delicadeza a lateral de seu corpo. 

Os fios que teimavam em ficar presos atrás das orelhas dele, agora roçavam seu rosto pela proximidade de ambos. Porém não lhe incomodavam, não tanto quanto os delicados beijos que desciam pela sua mandíbula e brincavam de fazer cócegas no seu pescoço. Mornos e delicados, como se houvesse amor no ato. Sabia que não passava de uma mentira. Uma mentira muito bem contada.

— Por favor, não… — choramingou, destruído o próprio orgulho ao implorar que ele não fosse adiante com aquilo. O que funcionou.

Os olhos negros o encararam assustados quando este se afastou para observá-lo. Pareciam genuinamente surpresos com sua reação, de certo modo até mesmo mortificados com as lagrimas que avumulavam-se dentro de seus olhos, insistindo em quererem sair.

— Não me obrigue a isso. — murmurou, apavorando ainda mais o corpo agora tenso sobre o seu. Que rapidamente se afastou, bagunçando as cobertas ao se colocar de joelhos no outro lado da cama.

— Kisame, eu não quero fazer nada contra a sua vontade. — a voz sempre tão calma dele agora carregava um ‘quê de nervosismo. — Me desculpe.

Uma parte sua queria acalmá-lo. Esclarecer que na verdade possuía muito desejo em seguir com o que faziam. Que não era totalmente contra a sua vontade. A outra parte queria implorar para que ele não fingisse mais. Que acabasse com essa farsa e trouxesse seu Itachi novamente. Todavia nenhuma delas se manifestou até que o silêncio ficasse constrangedor e o outro fizesse menção de sair da cama. Foi um impulso que não soube de onde veio. Quando deu por si já tinha puxado-o e acolhido em seus braços, enterrando seu rosto na curva do pescoço de tez clara. As lágrimas molhando-o.

— Kisame? — não respondeu ao chamado, apenas apertou-o mais fortemente em um abraço desesperado. Não sabia mais o que fazer. A cada dia que passava aquelas esperanças que nutria iam se esvaindo aos poucos até quase não sobrar nada. Talvez nunca mais tivesse Itachi novamente. E sentia-se horrível por pensar que ele poderia substituí-lo. Mas as mãos, aquelas mãos que afagavam seu cabelo, ainda eram as mãos do homem que amava.

❇ Me diga seu verdadeiro nome ❇

Quando acordou na manhã seguinte estava novamente sozinho, enrolado nos cobertores como uma lagarta no casulo. O sol brilhava por de trás das cortinas brancas, trazendo luz ao quarto que estivera tão escuro. Por um breve momento sentiu falta do corpo que adormecera em seus braços durante a madrugada, mas tão logo já havia expulsado qualquer tipo de pensamento a respeito. Enxotando as cobertas para longe, agoniado com a sensação de aprisionamento que lhe acometia. Esticando seus membros pela cama desarrumada, os olhos pregados no teto como se a solução estivesse escrita ali.

O peito subia e descia rapidamente, memórias muito vagas de um sonho de vez em quando surgiam em sua mente. O rosto de Itachi era a lembrança mais nítida que tinha. Era sempre Itachi.

Respirou fundo muitas vezes antes de levantar-se do leito e rumar até o banheiro no corredor, onde permitiu-se demorar um tempo considerável debaixo da água quente do chuveiro. Preparando-se para mais um dia ao lado da grande falsidade que sua vida havia se tornado. Como tudo podia mudar tão rápido? Da noite para o dia a sua vida inteira passou a ser uma mentira que só ele parecia notar. Uma grande farsa que já não suportava mais, tamanho era a sensação dilacerante em seu peito, mas que infelizmente não sabia como mudar.

Já fazia um mês desde que viu Itachi pela última vez. Em uma noite como qualquer outra fora dormir ao lado do Uchiha, mas quando abriu os olhos pela manhã soube que o corpo deitado ao seu lado não era o do homem a quem jurara amor eterno. A pele ainda era clara como a mais refinada porcelana. Os lábios ainda era levemente cheios e bem desenhados, rosados de forma suave. Os cílios continuavam longos e negros, emoldurando os olhos ônix repletos de brilho. A única diferença era o fato de que os olhos que o encaravam de volta não pertenciam ao seu namorado. Aquele olhar, aquela pessoa… Ele não era o Itachi que conhecia. Era qualquer coisa, menos o amor de sua vida.

No entanto, agora, olhando-o através das portas de vidro da sala, parado no píer a alguns metros, ficava difícil pensar que não era ele ali. Os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo e frouxo, atados pelo laço vermelho; As mãos protegidas pelas luvas negras; O cachecol vermelho cobrindo quase todo seu rosto e a postura dos ombros podiam facilmente engana-lo caso permitisse. 

Era insuportavelmente doloroso observá-lo sem saber quem de fato estava observando. 

Mas o pior era aquela aquela sensação que assolava seu peito enquanto o observava. Uma mistura densa de saudade, anseio e remorso. Revirando-se dentro de si como uma serpente vagueando por suas entranhas. Queria, mais do que tudo, ter seu Ita de volta, mas já fazia um mês que convivia com ele. Um mês inteiro que o viu sorrir, proferir palavras amistosas e as vezes até selar seus lábios com zelo. A farsa era tão indiscutivelmente boa que cogitava a hipótese de tornar-se parte do show de mentiras. Estava tão exausto de lutar contra, dia após dia, que a idéia de perder-se na teia de ilusões dele parecia-lhe atrativa.

Mas um lado seu, uma minúscula parte que ainda resistia, gritava para que não perdesse a fé. Que não sucumbisse ainda que parecesse ser mais simples se o fizesse. Alertava-o da insensatez que o rumo de seus pensamentos estava se tornando. Lembrava-o de que se perecesse diante a esse desejo, acabaria com toda e qualquer chance de reaver o homem que realmente queria ao seu lado. Trairia Itachi; não apenas com outra pessoa, mas também com o amor que alegava sentir. Se desistisse de lutar, desistiria dele também.

Era nisso que pensava quando arrastou as portas de vidro e saiu na gélida manhã de verão no quente e ensolarado Alasca. O som da sola das botas esmagando as britas até o pier lhe proporcionando um prazer estranho. Os olhos viajando por entre os pinheiros que ladeavam a casa em uma meia lua, abrindo-se para dar lugar aos cascalhos e o píer de madeira, que adentrava o rio de águas muito claras. Onde Itachi estava parado, beirando a margem enquanto falava ao telefone com alguém. Ainda que de costas para si, podia muito bem imaginar que apesar de estar ao celular, as orbes negras contemplavam os picos das montanhas brancas ao longe.

Ao menos era o que Itachi faria. Não podia ter certeza se ele o fazia também. Isso, contudo, não importou quando se aproximou o suficiente para que o teor da conversa alcançasse seus tímpanos. Não tinha a intenção de ouvir o que quer fosse debatido, não possuía interesse em bisbilhotar, mas foi inevitável escutar. O tom aflito, mesmo que não quisesse admitir que o preocupou, prendeu sua atenção automaticamente.

Eu não sei, otouto. Ele está agindo estranho já tem um tempo. — houve uns segundos de silêncio antes de Itachi começar a falar novamente. — Talvez, realmente não sei. Ele tem se afastado de mim, não descarto a possibilidade de ele querer terminar.

Não precisou de muito para entender do que se tratava a conversa, ainda que não escutasse Sasuke do outro lado da linha. Foi imediato o gosto amargo que inundou seu paladar, como se escorresse por sua garganta queimando o trajeto, tal como imaginava que seria se engolisse veneno. Um sentimento incômodo de vazio lhe tomou, criando um buraco oco dentro de si. A vontade de preenchê-lo confortando o outro era forte, mas o instinto de acabar com tudo  — seja lá o que tudo isso fosse — ainda estava viva em uma parte de sua mente.

Mas a voz dele… Tão aflita e de tom imensuravelmente triste, estava tão gritante que ofuscou temporariamente a razão. Afugentou para longe aquela fagulha de lucidez que lhe dizia para interromper aquele espetáculo de fingimentos e, quando percebeu, já tinha se rendido por pelo menos uns minutos de felicidade.

Naturalmente já se via afagando de leve o ombro dele, que voltou os olhos negros em sua direção antes de informar que precisava desligar. Quando o aparelho encontrava-se dentro de um dos vários bolsos do casaco escuro, Itachi virou-se em sua direção. A ponta do nariz estava vermelha pelo frio tal como as bochechas, apresentado leves assaduras que as deixavam rosadas. Parcialmente cobertas pelo cachecol, como imaginara. O pensamento de que ele, com aquela pele branquinha e em algumas partes de um tom suave de rosa, tinha o efeito de deixá-lo ainda mais belo, o fizera olhar para ele com admiração. Como podia ser tão imensamente lindo? Falso ou não, continuava sendo a pessoa mais bela que teve o prazer de ver.

— Está muito frio aqui fora. — murmurou, os olhos permaneciam presos na figura a sua frente. — Vamos entrar.

O outro assentiu e o seguiu em silêncio conforme voltavam para o abrigo quentinho que era dentro de casa. Lembrava-se de como decidiram que iriam morar em um lugar tão frio e afastado das outras pessoas, ainda que houvesse um centro comercial não muito longe. Uns vinte minutos de carro se a neve ajudasse. 

Itachi era voluntário em tudo o que podia, o que inclui uma instituição não governamental de cuidados com o ser humano e alfabetização de crianças em locais remotos e de difícil acesso, tal como o gélido Alasca. Na época em que essa possibilidade apareceu ambos já estavam juntos há três anos e meio e procuravam um lugar novo, com novas coisas para se descobrir. Era de comum interesse dair da pequena cidade interiorana na qual moravam outrora. Itachi nem se incomodava tanto com a monotonia do lugar, mas, diferente dele, aquela cidade lhe dava nos nervos. Principalmente pelas fazendas que criavam gado para banquetear-se deles depois. Sem contar que era tão inevitavelmente entediante que a maior diversão da rapaziada era ir pescar. Odiava isso de um modo indescritível.

E quando Itachi, sorridente, disse-lhe sobre a ONG de voluntários para o Alasca, não pensou duas vezes. Sabia que seria complicados, mas era apenas por dois anos e longe de todas as pessoas que cochichavam pelos cantos sobre sua pele praticamente translúcida ou sobre seu relacionamento com o Uchiha. Cada comentário das senhoras da igreja era uma punhalada em seu tórax. Elas adoravam falar sobre o desperdício que era um rapaz tão belo como o primogênito de Fugaku, envolvendo-se em um relacionamento não abençoado com outro rapaz. Quase teve um surto quando uma delas tentou atirar a neta para cima do seu namorado, portanto foi muito fácil fazer as malas e se mudar.

Admitia que em parte a decisão havia sido tomada no impulso, mas não se arrependia em nada. Gostava da cabana na qual vivia. Gostava da paisagem que podia contemplar sempre que punha os olhos para fora e até mesmo do frio — que passara a ser suportável. Até mesmo do emprego de assistente técnico que fazia na cidade.

— Era o Sasuke ao celular? — questionou assim que se viram na sala dentro da cabana. O aquecedor ligado acariciava seus corpos gelados.

— Era sim. — a resposta veio baixa, quase tão inaudível que precisou de concentração para entender o que havia sido dito. — Ele está com saudade.

Observou o outro sentar-se no sofá com uma coberta sobre os ombros, em silêncio divagativo conforme encarava a lareira apagada. Percebeu, pelo leve tremor no corpo alheio, que ele estava com muito mais frio do que tinha imaginado. Não sabia o tempo que ele havia ficado lá fora, debatendo o relacionamento dos dois, afinal de contas. E, como sabia que a saúde dele era frágil, ao menos fingia ser por pelo menos aqueles minutos, rumou até a cozinha em busca de leite. O qual esquentou com café no micro-ondas e depois adoçou com três colheres de açúcar. Itachi gostava de coisas doces, então talvez ele gostasse também. E, para completar, colocou uma quantidade generosa de chantilly sobre o líquido quente, antes entregar ao outro.

— Obrigado. — murmurou, encarando-o curioso por poucos segundos antes de desviar o olhar. Ainda sim foi o suficiente para notar que ele estava chateado com algo, e tinha uma boa ideia de com o que.

Mas não compreendia.

Ambos ficaram em total silêncio, não sabia o que fazer. Devia sentar-se ao lado dele e abraçá-lo ou apenas continuar ali de pé enquanto via-o bebericar o café?  Sujando-se com chantilly, tal como uma criança faria. Poderia parecer uma questão muito simples e, antigamente, não teria hesitado em juntar-se a ele debaixo da coberta. Agora, porém, sentia-se muito perdido em relação ao outro. Quem ele era? O que ele ganhava com isso? O por que estava fazendo tal coisa? E, principalmente, seu Itachi ainda iria retornar? Rezava que sim, mas fazia tempo demais para manter essa convicção tão intacta. 

— Kisame? — sua atenção foi atraída pelo chamado baixo, mas sério. Em resposta emitiu um ruído automático, afirmando que estava ouvindo. — Você não me ama mais?

Os olhos de ébano entraram em contato com os seus quando olhou alarmado para ele, o coração galopando desenfreado dentro do peito ante ao nervosismo que lhe abateu. O que deveria responder? Amava Itachi com todo seu coração, mas ele? Não saberia responder. Ele era igual ao homem por quem estava apaixonado desde que se entendia por gente. Tinham a mesma aparência, falavam do mesmo modo. Agiam da mesma maneira e até mesmo o timbre da voz era igual, mas sabia que não eram a mesma pessoa. Então como falar o que sentia, principalmente quando nem sequer entendia os próprios sentimentos conflitantes. A culpa por gostar dele sabendo que ele não era o seu Ita. A tristeza causada pela saudade e pela mentira que ele tentava fazê-lo acreditar. Era tudo tão confuso, então o que deveria responder?

— Tem outra pessoa na sua vida? — diante o silêncio outra pergunta foi disparada, com mais amargura ainda.

— Eu amo o Itachi! — retrucou rapidamente, nervoso com toda a situação. Alheio ao olhar confuso que recebeu. — Eu o amo, mais do que posso explicar.

— Eu não estou entendendo. — largou a xícara sobre a mesa de centro, levantando-se e permitindo que o cobertor deslizasse por seus ombros até estar aos seus pés.

— Eu também não. — murmurou baixinho, as mãos bagunçando os fios do cabelo de forma nervosa. Quase desesperada.

— Por que tem agido assim? — ele se aproximou, os passos leves cessando apenas quando já estavam cara a cara um com o outro. Apesar disso, Itachi respeitou seu espaço pessoal e não lhe tocou ainda que fosse de vontade própria erguer a não e afagarr-lhe o rosto. 

Notou isso e um suspiro resignado transpassou por seus lábios. Queria sentir a maciez da palma dele, confortando e afastando todos os seus demônios. Porém era tudo tão desgastante e complicado que almejava o máximo de distância possível. Estava vivendo um conflito interno que não aparentava ter resolução, ao menos não uma que lhe preenchesse por completo. Ou ia embora, eu dava-se ao luxo de ser feliz vivendo uma ilusão.

— Por que tem mentido para mim? — devolveu a pergunta, mas ansiando verdadeiramente uma resposta. Não era por sarcasmo, ou mesmo por sentir-se acuado. Era porque precisava saber disso antes de enfim tomar uma decisão, por mais que não estivesse pronto para tal.

— Mentido para você? — uma sobrancelha negra se ergueu em desconfiança. Era como se ele não soubesse mesmo do que aquilo se tratava. — Me desculpe, mas eu realmente não estou entendendo. Eu fiz algo que te chateou?  Se for o caso, me perdoe, nunca tive tal intenção. E de fato não sei o que posso ter feito, mas se eu puder me redi…

Estava ouvindo, cada palavra. Prestando atenção a cada leve alteração de tom. Observando as nuances dele, os ombros tensos; os olhos que transpareciam aflição; as mãos que se apertavam em busca de controle — que ele raramente perdia —; a sinceridade com a qual falava… Tudo nele era apaixonante e tudo exalava sinceridade. Queria tanto acreditar. Queria tanto parar de sufocar aquela vontade arrebatadora de estar ao lado dele. Itachi era como oxigênio puro em frente a um homem que passou meses limitado a bolsas de ar, respirando rarefeito em prol a própria vida. Desejava-o tanto que tornava-se insuportável olhar para ele não poder amá-lo como merecia. Talvez devesse enfim permitir-se aceitar que seria assim de agora em diante. Aquele seria seu Itachi agora, teria de conviver com isso. Precisava ser um pouco egoísta. Já não aguentava mais sofrer. Se ser feliz significava fechar os olhos para a verdade, então seria cego por um pouco de prazer amargo.

Gostava de escutá-lo falando. Apreciava a voz dele, mas desta vez não permitiu que continuasse. O espaço respeitoso entre eles foi invadido por seu corpo quando avançou e enlaçou-o pela cintura, puxando ao seu encontro com delicadeza antes de se inclinar para frente e roçar a ponta de ambos os narizes. Com satisfação sentiu o corpo menor tremer junto ao seu, quando ele entreabriu os lábios e permitiu que uma lufada de ar quente escapasse por entre eles. As mãos finas agarraram-se em sua roupa, os nós dos dedos tornando-se pálidos ao apertar o grosso casaco que vestia. 

— Eu amo muito você. — sussurrou rente a boca alheia, antes de findar o espaço entre eles. Reivindicando com calma e delicadeza o beijo que tanto houvera ansiado. A muito sentia saudade daqueles lábios da maneira que estava tendo-os agora. Querendo beijá-los, quando na verdade impunha uma baliza que os limitava a breves selares.

Agora, no entanto, beijava-o com todo seu ser. Doando-se a ele tal como ele doava-se a si, entregando-se em seus braços. As mãos, de dedos finos, deslizando por seus braços com calma até alcançarem sua nuca. Eles ficaram ali, suavemente acariciando os fios curtos de seu cabelo. O corpo magro erguendo-se na ponta dos pés conforme os lábios mexiam-se uns contra os outros. Ora mordidos e puxados, sem pressa. Ora soprados pelo ar morno do suspiro alheio. Incentivando ainda mais suas mãos, que pegava-no pela cintura com firmeza, por cima de todos aqueles casacos e esfregavam um quadril no outro. Friccionando ambas as virilhas, arrancando doces arfares dele, tão sensível. Sempre tão sensível…

E que visão magnífica era abrir os olhos após cessar o ósculo e encontrá-lo com as íris parcialmente cobertas pelos longos e espessos cílios negros. As bochechas coradas, tal como o nariz e os lábios avermelhados. Tão lindo, com a pele de porcelana tingida do mais belo rubro causado por um único beijo seu. Com o corpo relaxado, sustentado por seus braços quando o empurrava até o sofá. Deitando-o no móvel e se pondo por cima, uma das mãos retirando o elástico vermelho que mantinha os longos cabelos presos, mas que agora espalhavam-se pelo estofado caramelado, emoldurando o rosto de maior beleza já vista. Como podia ser tão magistral, tão agradável aos olhos que o fitavam com tamanha paixão?

— Eu também amo você. — ele sussurrou. Uma das mãos que antes repousava em sua nuca, agora dedicando-se a acariciar seu rosto. E havia tanta verdade naquelas palavras; naqueles olhos que brilhavam como estrelas em meio ao céu noturno. Ele estava sendo tão sincero com seus sentimentos, tão claro com eles… Queria-o tanto como jamais quis antes. Com tamanha urgência e necessidade que obrigavam suas mãos a procurar o zíper do grosso casaco que cobria o corpo alheio, aquecendo-o. — Espere.

— Algum problema? — seu rosto foi novamente alvo do carinho dele, quando este negou e sorriu-lhe terno. Algo não usual, mas que amava tanto.

— Eu disse antes, não quero fazer nada que você também não queira.

O sorriso que moldou seus lábios para cima foi instantâneo. A sensação aprazível de calor preenchendo seu coração tão frio pelas últimas semanas de angústia, era reconfortante de um jeito que não sabia sentir tanta falta. Ah, Itachi…

— Esquece o que aconteceu, por favor. Eu quero muito você. — desceu os lábios para a mandíbula dele, lisa. Sem nenhum sinal de barba, diferente da sua, que estava por fazer. Beijou a pele sedosa e não parou, deslizando mais para baixo até poder dar leves selares no pomo de Adão não muito saliente. Onde aproveitou para morder e em seguida soprar, o ar abafado contra a pele molhada fez o corpo abaixo do seu estremecer. Sorriu diante disso e continuo beijando-o, amando-o com os lábios antes de sussurrar em sua orelha. — Eu nunca na vida quis tanto você.

Ele fechou os olhos e eriçou a coluna como um gato faria, chocando os corpos com mais afinco. As pernas entrelaçando-se em sua cintura e os braços agarrando seu pescoço, a confirmação para ir adiante. E foi, despiu-o do grosso casaco, das blusas de lã que escondiam a pele pálida e os mamilos rígidos pelo frio. Tão chamativos, tão pedintes.  

Passeou as mãos grandes por seu corpo, subindo; descendo; apertando e acariciando com devoção. Ele segurava-o pelos ombros largos, firmes, que contrariam os músculos conforme se apoiava para não deixar que seu peso ficasse sobre o corpo que se arrepiava pelos beijos. Pelos cupões que maculavam a tez clara com tons lindos de vermelho. A ponta de seu nariz roçando na clavícula saliente, seus dentes raspando ali antes de morder o local e arrancar um gemido baixo daquele que agora desnudava-o com agilidade. As mãos deslizando até seus cotovelos ao levar a baixo suas roupas.

Os pés dele — já descalços — esfregando suas panturrilhas conforme agora desabotoava sua calça. A ponta de seus dedos resvalando seu baixo ventre no processo, antes de descer o zíper de sua calça e infiltrar as mãos lá dentro. Sorriu e gemeu, pressionando a virilha contra a dele quando Itachi apertou sua bunda. Ele também sorriu, ladino. Tombando a cabeça para o lado como se perguntasse o que houve, piscando-lhe o olho direito após erguer-se o máximo que podia e beija-lo mais uma vez. 

Dessa vez tomou-lhe os lábios com ardor, com a mais pura e obscena luxúria que retinha em seu corpo. Lento, lascivo, erótico. Movimentando seu quadril durante o ato para simular o coito, como se penetrasse o corpo dele com lentidão e força. Firmeza em casa estocada, do mesmo jeito que faria quando se vissem nus daqui a pouco. Duros dentro das peças de roupa restante, excitados com tão pouco.

Quando por fim separaram as bocas, Itachi empurrou o que pode de sua calça para baixo, com auxílio dos pés retirou-a por completo do corpo sobre o seu. Erguendo a cintura em seguida para facilitar a retirada das próprias peças de roupa. Cujo foram atiradas longe de uma só vez, tão rápido que não pode nem acompanhar o trajeto que havia sido feito. O corpo nu tremeu violentamente pelo choque térmico que assolou seu corpo ao se ver desprotegido das roupas quentes que antes lhe abrigavam. Gemeu, porém, ao ter o mamilo sugado com força pela boca úmida que lhe acolhia. As unhas curtas arranhando tudo o que podiam no corpo alheio. Cravando-se na pele quase translúcida, com vigor. Descontando toda a excitação que tomava seu corpo, na epiderme tão facilmente marcada pelos vergões vermelhos que se pintavam em suas costas.  

Desceu mais um pouco no corpo sensível, beijando o caminho que trilhava para baixo. A língua rodeou o umbigo e Itachi mordeu os lábios pela sensação da língua morna causando-lhe espasmos. As mãos finas que antes dedicavam-se em arranhar e apertar o que conseguiam, agora infiltravam-se no cabelo curto e acariciaram-no por entre os fios. Os olhos escuros focados em sua direção, observando-o atento quando prendeu entre os dentes a região do baixo ventre, para soltá-la com força e se pôr de pé em frente ao sofá. Apoiando um dos pés no estofado do móvel. Sorriu para o Uchiha, satisfeito com a rapidez de seu pensamento quando este sentou-se de frente para si e enganchou os dígitos no cós da boxer preta que trajava. Puxando-a o suficiente para expor o pau rígido, latejando em expectativa. 

Gemeu rouco quando a mão dele o segurou pela base e em seguida apertou de leve antes de subir e descer lentamente por toda a extensão. Para então os lábios cálidos aproximarem-se conforme se abriam e a língua úmida lambia-lhe o pênis de baixo a cima. Rodeando a pequena abertura na glande, cujo pré-gozo escapava e, por fim tomando-o completamente na boca. Umedecendo a cabeça clara e larga, antes de chupá-la com força. Arrancando mais um gemido seu, que agarrou os cabelos negros com certa pressão aplicada pelos dígitos entre as mexas soltas e macias. Em um pedido mudo para que o outro prosseguisse com o que fazia.

Itachi entendeu o recado e logo forçava o máximo que podia do membro para dentro da própria garganta. Precisando retirá-lo pela metade ao sentir os olhos lacrimejarem diante a ânsia provocada pelo tamanho do pau que chupava com tanto gosto. Não obstante, tentou novamente em seguida. Relaxando o máximo que podia, conseguindo, com êxito, engolir todo o membro rijo que pulsava sobre sua língua.

Os olhos ainda lacrimejavam quando puxou-o para trás pelos cabelos, com cuidado  apesar do gesto, e afagou sua nuca. Sorrindo em retribuição ao sorriso doce que recebeu, mas que logo desapareceu quando o Uchiha segurou suas coxas com firmeza e voltou ao boquete que ministrava tão bem. Desta vez movendo a cabeça enquanto tirava e colocava o pau dentro da boca, melando-o de um modo que facilitava o oral. Os olhos abertos fitando-o com certa gula, o que o ensandecida de um modo absurdo. Fazendo com que agisse por impulso e fodesse a boca daquele Uchiha tão extraordinariamente lindo. Cujo engasgou-se na terceira estocada, mas continuou permitindo o ato, até que se retirou por completo dos lábios quentes e inclinou-se para beijá-lo com ternura. Segurando seu corpo pela cintura e içando-o para que estivesse sentado à sua frente no encosto do sofá. Onde pousou as mãos em seus joelhos e separou suas pernas, deixando-o completamente exposto a sua visão.

Não se fez de rogado ao piscar um dos olhos e se ajoelhar onde antes o moreno estivera sentado, dando a ele o mesmo tratamento que a pouco recebia. Lambendo-o desde o períneo até a cabeça levemente avermelhada, onde uma boa quantidade de líquido pré-seminal se encontrava. O mesmo que agora inundava sua língua com aquele gosto ameno, embora salgado. Em seguida chupou sem muita força os testículos, descendo mais ainda até que sua língua pudesse circular a entradinha com um tom clarinho de rosa. Está mesma que se contraiu ao tocar úmido de sua língua. O que lhe arrancou um sorriso ao ser agraciado por um gemido alto e deleitoso.

Queria ouvir mais daquele som.

Levou então ambas as pernas de seu parceiro para cima de seus ombros, obrigando Itachi a se segurar no móvel com mais afinco para que evitasse cair para trás. Apesar de que segurava com gana as pernas macias, o polegar esquerdo fazendo movimentos circulares na coxa branquinha do namorado. Estava tão excitado que quase não aguentava mais e, portando, afundou o rosto entre as pernas alheias e lambeu mais uma vez a entradinha pulsante que Itachi possuía. Dessa vez com um acesso mais fácil a ela devido a posição em que se encontravam. Podia estar prestes a explodir de tesão, mas queria que fosse bom para ambos e para isso acontecer precisava preparar bem o Uchiha. Portanto lambeu, chupou e molhou o ânus dele, enfiando primeiramente a língua antes de chupar os próprios dedos e colocar um para dentro do corpo do moreno. Este que, ao ser invadido por um dos dígitos, arqueou a coluna outra vez, gemendo languidamente enquanto pressionava os calcanhares contra suas omoplatas.  Os dedos dos pés contraídos devido ao prazer.

— Kisame, mais. — pediu roucamente, a respiração tornando-se arfante com a introdução do segundo dedo. Apesar de prazeroso, causava certo desconforto por estar a tanto tempo sem penetração anal. Fazia quase dois meses que não transavam.

O vai e vem dos dígitos, contudo,  logo foi acostumando-o novamente com a sensação e não demorou muito para se ver perdido em prazer. O mais quente e delicioso prazer, capaz até mesmo de espantar o frio pela falta de agasalho, ainda que estivessem dentro de casa. Todavia nada se comparou ao momento em que foi puxado para o colo do namorado, agora sentado com as costas no encosto do móvel e teve a bunda aberta pelas mãos fortes, que lhe apertavam e puxavam para expor o cuzinho. Onde posicionou o pau melado e encaixou em sua entrada, sentando-se sobre ele com calma para evitar se machucar.

Foi como o paraíso quando finalmente se viu inteiramente dentro do Uchiha, apertado pelo canal estreito e contraído. Permitiu-se gemer e segurar com ainda mais força a pele branca da bunda de Itachi, cujo permanecia separada, expondo o modo como se conectavam fisicamente um ao outro. Já ele cravou os dedos em seus ombros com a mesma intensidade que o fazia ao segurá-lo. Deitando a cabeça para frente até sentir-se confortável com a invasão e morder o lóbulo de sua orelha. Antes de sussurrar, do modo mais luxurioso possível, para que metesse com tudo. E foi o que fez.

Impulsionou seu quadril para cima e se enterrou nele com vigor. Fodendo o namorado como a muito desejava fazer. Estocando-o com certa brutalidade, em um ritmo intenso que não parava e nem mesmo diminuía. Era, definitivamente, a melhor sensação do mundo. Estar dentro dele, deslizando para fora só para então se afundar em seu corpo mais uma vez, era simplesmente maravilhoso. Itachi era quente, apertado e rebolava genuinamente em seu pau. Quicando sobre suas pernas enquanto comia-o com tanta ânsia para saciar-se que entravam em uma sincronia incrível. Quando dava por si já estavam envoltos em um clima erótico, sensual e excitante. Repleto de suspiros, gemidos, clamores e satisfação. Inundados dentro da própria bolha de desejo que se formava em volta dos dois.

Tal como agora, que ele cavalgava em si com urgência, apertando-o de propósito. Os cabelos negros, por estarem soltos, caiam pelos ombros e alguns fios balançavam-se em frente ao seu rosto. Nunca se cansaria de olhar para ele. De contemplar toda a exuberância majestosa que ele possuía. Principalmente quando estava daquele modo, tão natural e desarrumado em cima de si. O rosto corado; a tez clara marcada por mordidas e chupões; os olhos repletos de lágrimas ocasionadas pela alacridade e os lábios inchados agraciando-o com os mais belos sons que já teve o prazer de escutar. Tão fodidamente excitante!

E então ele o beijou, apartando o ritmo frenético e passando a rebolar com mais calma, indicando que estava chegando em seu limite. A língua enroscando-se a sua com sensualidade, paixão, amor. E num tremor que percorreu todo o seu corpo, gozou sobre seu peito ao passo em que ainda o beijava. Respirando ofegante contra sua boca, as testas deitadas uma na outra enquanto Itachi se recuperava do orgasmo que arrebatou seu ser por inteiro, para então voltar a se mexer preguiçosamente. Movendo o quadril para frente e para trás a fim de lhe conceder o que ainda faltava, seu próprio ápice de prazer. 

Ajudou-o com o movimento, reconhecendo que ele estava cansado. Deu apoio, mantendo-o no lugar com as mãos em sua cintura e auxiliando no vai e vem lento e gostoso que ele fazia. Até que se viu abraçando-o, as mãos espalmadas nas costas que começavam a se gelar, quando jorrou ainda dentro dele. Abafando seu gemido contra a clavícula que continha a marca de seus dentes. Ficaram um tempo nessa posição, abraçados esperando as respirações normalizarem. O efeito do sexo passando e com ele a temperatura de seus corpos, cujo esfriavam rapidamente. 

— Me desculpe. — murmurou, atraindo a atenção de Itachi, que lhe olhou sem compreender do que se tratava. — Eu não tirei e nem lembrei do preservativo.

Um sorriso gentil moldou o rosto alvo.

— Dado as circunstâncias eu realmente não vejo problema. — ele delicadamente selou um rápido beijo em seus lábios e depois levantou-se. O corpo ainda mais arrepiado pelo frio tanto quanto pela estranha sensação de ter algo escorrendo por entre suas pernas; dormente e trêmulas. — Vamos tomar um banho quente.

Acenou com a cabeça, erguendo-se em seguida para ir junto a ele em direção ao banheiro no andar de cima, porém antes agachou-se e recolheu do chão o cobertor a muito esquecido. Depois de colocá-lo sobre os ombros desnudos de Itachi e beijar o topo da cabeça dele, com aqueles fios sempre tão arrumados e agora em uma completa bagunça, seguiu de mãos dadas para o segundo piso.

Tomaram um longo banho, apesar do Uchiha ter prendido os cabelos em um coque no alto da cabeça. A água quente estava tão acolhedora que não tinham vontade de sair debaixo do chuveiro e, portanto, saíram apenas quando seus corpos começavam a enrugar e todo o banheiro já estava envolto na neblina ocasionada pela temperatura da água. Apesar de ainda ser cedo, passado uma hora do meio dia apenas, estavam sonolentos e não pensaram muito antes de aninharem-se juntinhos debaixo dos cobertores na cama de casal. Abraçados e aquecidos, não demorou para que acabassem dormindo até o sol se pôr, o que não tardava muito para acontecer. Estava tudo perfeito pela primeira vez em semanas, até que acordou e encontrou Itachi dormindo ao seu lado.

Foi como uma avalanche de sentimentos amargos, soterrado-o sob toda a miséria que era a situação. Aquela pessoa ao seu lado ressonava baixinho, as costas subindo e descendo pela respiração. O rosto estava escondido pelos cabelos negros, impedindo que visse os olhos dele. Poderiam muito bem estar abertos, observando-o nesse mesmo momento. Ele poderia estar fingindo dormir, quando na verdade regozijava-se  com o desespero que o acometia.  Ou podia realmente estar dormindo, o que lhe dava tempo para pensar e colocar os pensamentos no lugar. Mas não acendeu luz alguma ao se levantar, não queria correr riscos, então apenas parou ao lado da janela e encarou o corpo em meio aos edredons.

Como podia ter deixado isso acontecer? Como podia ter traído Itachi daquela forma tão suja e vulgar? Onde estava com a cabeça quando decidiu que ele poderia substituir o homem que amava?! Aquilo era um absurdo! Não importava o quão verdadeiras as palavras dele pudessem soar, nem como ele parecia mentir bem sobre lhe amar. Aquele não era seu Itachi. Era um impostor cruel e dissimulado que estava tentando tomar o lugar do seu Ita. Não podia permitir isso, não mais. Passou um mês sendo condescendente, esperando sem saber o que fazer. Aguardando com tanta esperança que chegaria o dia em que Itachi iria voltar para casa, para os seus braços, quando na verdade estava sendo manipulado por ele. Era tudo parte do plano, fazê-lo se esquecer que aquilo não era real e então desistir do que importava realmente. E como uma perfeita marionete, cairá no jogo dele com perfeição. Isso, contudo, não ficaria assim.

Não podia mais esperar. Se queria Itachi de volta tinha de ir atrás dele, tinha que encontrá-lo, mas primeiro precisava se livrar daquele que ocupava o leito que não o pertencia. Não era uma pessoa ruim, mas faria aquilo pelo bem daquele que amava. Era por Itachi e foi por ele quando na escuridão do quarto, agarrou os cabelos negros sobre o travesseiro e puxou o corpo dele para fora da cama. Um grito não muito alto ecoou pelo cômodo quando o corpo magro chocou-se contra o chão. Um som oco acompanhando os murmúrios de dor conforme ele tentava se soltar do agarre de sua mão. Mas não deu tempo para que para outro se recuperasse, tinha que ser rápido. Itachi poderia estar em qualquer lugar por aí precisando de si. E com esse pensamento arrastou o impostor pelos cabelos até o corredor, onde viu os dedos pálidos lutando para segurarem-se em qualquer lugar que fosse. Arranhando o chão de madeira em uma falha tentativa.

Ele esperneava e gritava, brigando para se soltar, mas quanto mais ele sacudida-de, mais força impunha sobre os fios negros. Ignorando os chamados desesperados, os pedidos para que parasse. Não podia ser gentil agora, alguém precisava dele e não podia lidar com mais mentiras vindas daquele que se passava por seu amado. Todavia ele conseguiu segurar nas vigas da escada, o que impediu que o arrastasse para baixo. O impostor chorava e respirava com dificuldade, mas isso não importava.

Ergueu-o pelos cabelos, obrigando-o a ficar de pé a sua frente. Foi quando ele lhe olhou, os olhos banhados em lágrimas, que sentiu ainda mais nojo de ter se deitado com aquela pessoa. Mesmo no final, ele ainda mentia sobre quem era.

— Por que está fazendo isso? Kisame pare, por favor. Kisame… — a voz estava fraca, embargada pelo choro, mas não amoleceu seu coração. 

— Como posso te amar se você mente sobre quem é de verdade? — sussurrou próximo ao ouvido dele, antes de sentir o corpo do outro tensionar e então empurra-lo da escada.

Observou do alto as costas dele se chocando contra os degraus, o som do choque vindo pelo contato com o chão. Não teve pena em olhar enquanto via a cabeça dele bater na escada e deixar uma mancha de sangue no piso. Nem mesmo quando o mentiroso chegou ao primeiro andar, a perna direita em um ângulo torto que desafiava as leis do corpo humano. E não teve piedade alguma perante o grito de dor que eclodiu dos lábios levemente feridos. Simplesmente desceu degrau por degrau até estar em frente ao homem estirado no chão, o mesmo que lhe olhou com medo pela primeira vez na vida e implorou para que parasse, mas não parou.

Voltou a puxá-lo pelos cabelos em direção ao lado de fora, ignorando a corrente gélida que fustigou seu corpo e arrastou-o para a margem do rio, ao lado do píer onde mais cedo o encontrara ao celular. E o verme gritou, clamou por ajuda, a cada novo corte que os cascalhos abriam em seus braços, nas palmas de suas mãos e nos pés descalços. Ainda sim ninguém veio para ajudar, ninguém ouviu o choro do impostor ou viu os olhos avermelhados pelas lágrimas quando atirou o corpo dele na água.

O grito foi ainda mais alto, a água extremamente gelada espreitando por cada corte feito. Isso, porém, não impediu que entrasse nela e arrastasse o outro mais a frente, até se ver com a água a um palmo abaixo do joelho. E, em uma última tentativa de sobreviver, ouviu mais uma vez seu nome sendo pronunciado pelo verme mentiroso. Este que lhe olhou tão cheio de dor e mágoa, antes de fechar ambas as mãos em torno do pescoço pálido e afundar o rosto dele no rio. Viu a cabeça submergir e os cabelos flutuarem ao lado do rosto, e viu as bolhas de ar subindo à superfície quando ele gritou lá em baixo. E num último gesto de misericórdia, apertou com tanta força o pescoço entre seus dedos que não muito mais a resistência restante se esvaia.  As mãos que seguravam seus pulsos caiam na água e mais nenhuma bolha de ar emergia.

O impostor estava morto, mas ainda olhava para si. Ele ainda o observava com aqueles olhos opacos imersos na água gelada. Porém não devolveu o olhar, não ficou para ver o corpo ferido e inerte, ainda tinha que encontrar Itachi. Tinha que encontrar o amor de sua vida antes que nunca mais tivesse a chance de vê-lo novamente.

Deu as costas ao homem morto e foi embora a procura do homem que amava com todo o seu coração. Era por Itachi, sempre seria por Itachi.

Notas finais:

Síndrome de Capgras, também conhecido como Delírio de Capgras é uma doença psicológica que consiste em alguém acreditar na crença ilusória de que algum conhecido, geralmente um cônjuge, foi substituído por um impostor idêntico. 

Algumas pessoas com essa síndrome decidem viver com o tal "impostor", outras não. No caso do Kisame, como podem ver, ele optou por não viver dessa maneira. Claro que foi radical a atitude dele, mas isto é ficção. A pessoa acometida por essa síndrome não tende a se tornar violenta, não à um modo de comportamento específico. 

Essa crença ilusória de Capgras está interligada com a esquizofrenia, e pode ser fruto de muitas coisas. Um ferimento na cabeça causado por alguma fatalidade bruta; sentimentos reprimidos de desejo e amor além do que se espera de um filho para com o pai ou a mãe; esquizofrenia e etc. 

Eu gosto de pensar que o primeiro caso se encaixa aqui. Tenho um headcanon dessa Fanfic onde o Kisame escorregou na margem do rio e sofreu uma concussão mais séria na cabeça. Foi levado ao hospital e liberado não muito depois. E assim começou essa síndrome. 

Ela tem "tratamento" a base de remédios e terapia, mas ele não garante a cura e sim um certo controle a respeito da psicose. Por esse motivo essa Fanfic levou o tema mudanças e não representatividade, que fazia parte do desafio. 

É isso, espero que tenham gostado e desculpem qualquer coisa.

29. August 2018 19:30:58 2 Bericht Einbetten 8
Das Ende

Über den Autor

Caramelo Sama Eu tinha uma frase bonitinha aqui, mas o Inks deu bug com os acentos. Por enquanto vai ser apenas isso mesmo.

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Post!
Rita Gomez Rita Gomez
Que texto incrível! O enredo é poético e denso na medida certa. É fácil sentirmos a intensidade dos sentimentos do personagem, e somos sufocados pela incapacidade de não podermos fazer nada para mudar o desfecho de tudo. Impactada, apenas! Confesso que iniciei a leitura sedenta apenas por uma boa Kisaita, desejando ler algo fofinho... mas não foi bem isso o que aconteceu, obviamente. Fui completamente surpreendida! Não sei muito o que dizer aqui na verdade. Apenas, parabéns!
17. November 2018 07:43:50
Políbio Manieri Políbio Manieri
Amiga pelo amor de deus... pera. Para. Eu to aqui na minha cadeira 2 e 40 da manha tendo que cumprir prazo e tendo que parar uns vinte minutos para absorver o que se aconteceu aqui. Eu baixei meus pés da mesa com a sensação de 'putaquepariu, acordei'. Eu to até sem saber bem o que eu falo porque o sentimento é do coração se contraindo ao mesmo tempo de uma injeção de adrenalina no corpo pelo inesperado, eu to profundamente impressionada. Nao sabia do que a fic se tratava e muito menos o que prometia, mas a gente vai acompanhando a narrativa do Kisame e vai sentindo junto a ele o tamanho amor que ele sente pelo itachi junto com a angustia crescente que vem o tomando com a certeza ficta de que aquele junto dele nao é o verdadeiro. E isso vai se tornando cada vez mais assustador quando se junta o crescente desespero do personagem com a confusão cada vez mais nítida experimentada pelo Itachi. Nao se sabe de onde isso vem, nao se sabe quando isso se vai e assim fluímos pela história com essa sensação de pavor e gosto amargo da incerteza. Itachi se foi de uma maneira muito violenta, sem ao menos desconfiar dos motivos que levaram seu amado a fazer isso e isso doeu bastante de se ler. Eles se importam tanto um com o outro a ponto de matarem um pelo outro e eu tenho uma sensação terrível ao pensar o que se passará pela cabeça do Kisame quando ele descobrir a verdade que tanto procura. Nao sei, a fic te deixa com uma impressao extremamente romântica ao mesmo tempo que te arrebata com uma realidade extremamente trágica, e isso é muito de se impressionar com a riqueza a qual você delata todas essas emoções. A medida que vai se aproximando do final, a gente fica nessa dualidade louca e sentimento de impotência porque tudo o que mais se quer é conseguir entrar na fic a qualquer momento para impedir essa tragédia, mas todos estamos de mãos atados e não podemos fazer nada enquanto o Kisame destrói com suas próprias mãos tudo aquilo que mais ama. Profundo, poético, muito bonito e absurdamente triste. Eu to muito surpreendida por essa abordagem de representatividade e posso dizer que fui tocada por essa história maravilhosa. Meus parabéns!
6. September 2018 00:49:35
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