Testemunhas da Noite - Episódio 2 Follow einer Story

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C Clark Carbonera


Neste novo episódio de Testemunhas da Noite, Priscila percebe que o dever a chama! Depois de ler a breve carta deixada por Nicolas Galla, Priscila decide verificar o que de fato está ocorrendo no Parque dos Três Lagos. Será mesmo mais uma criatura demoníaca que está atacando sua cidade? Venha descobrir nessa nova novela de Testemunhas da Noite!


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Parte I


In an unhappy heart,

love and hate do not

differ from one another.

– Zachary Hastings


Se há tantas cabeças quantas são as maneiras de pensar, há de haver tantos tipos de amor quantos são os corações.

– Liev Tolstói


   Fazia sete dias que a casa de Priscila fedia a vinagre. Sete dias desde que Nicolas Galla deixou o bilhete em sua mesa de descanso ao lado do seu chapéu verde. Agora a vida de Priscila voltara ao normal, isto é, o mais normal que poderia depois de Lúcia, sua colega de trabalho, ser assassinada por um Ch’Iang Shih.


   Depois de conhecer Galla, o passado de Priscila lhe aparecia em flashes na mente fria e calculista. Por vezes, ela se pegava observando as memórias como quem observa um quadro antigo cujas bordas se esvanecem pela passagem dos anos. Nesses momentos, Priscila estalava a língua em irritação e afastava o mais rápido possível o passado do seu presente. Fazia anos que ela largara seu ofício, o ofício para o qual, segundo sua família, ela estava destinada. E relembrar a razão de tudo aquilo rasgava o pouco da alma que lhe sobrara, algo que ela não podia deixar acontecer.


   Todavia, com o surgimento de Nicolas Galla e a caçada que ela perpetuou junto a ele na semana passada, Priscila sentia, por mais que ela não quisesse admitir, uma sensação agradável a cada dia que levantava para ir ao trabalho, a cada vez que passava por uma viela escura ou mal iluminada, a cada vez que seus olhos clínicos miravam as pessoas ao seu redor. Ela sabia da existência de outros seres vivos, desconhecidos para a maioria dos seres humanos, que viviam entre eles, ou melhor, ao redor deles, esperando apenas a melhor oportunidade para satisfazerem seus prazeres mais primitivos. Na realidade, disso Priscila tinha conhecimento desde muito cedo na vida, mas agora, após sua missão com Galla, a sensação de pertencimento foi arrebatadora, como se ela tivesse, afinal, reencontrado o seu lugar no mundo, depois de anos longe da família e dos conhecidos, depois de anos tentando afastar seu passado com todo o ódio e o pesar do seu ser.


   A avenida estava cheia de transeuntes e carros da última moda que dividiam espaço com as carruagens e cavalos de passeio. Ela cruzou a avenida. O Parque dos Três Lagos estava lotado de famílias e casais enamorados, afinal, era um sábado. Crianças corriam, brincavam e gritavam cheias de vida e alegria.


   Priscila suspirou e ajeitou o chapéu marrom claro a fim de olhar os novos portões de ferro que guarneciam a entrada principal do parque. O ferro brilhava no Sol daquela manhã. Ela tocou de leve o adorno do mesmo material que tomava a forma de uma dama da noite ainda em botão e sentiu a energia que emanava daquele trabalho espetacular. Priscila sorriu de leve, ela sabia quem era o escultor daquele portão de ferro. Domenico Lisboa era o único naquela cidade a trabalhar com tamanha precisão e todos os servidores do ex-círculo de trabalho de Priscila também sabiam disso.


   Isso significava que ela não era a única a ter conhecimento de que algo estranho estava ocorrendo no Parque dos Três Lagos. Se o trabalho de Domenico Lisboa estava ali na sua frente, de duas uma: ou ele tomou a iniciativa sozinho (o que era pouco provável já que o escultor de ferro devia beirar os 70 anos agora) ou ele foi associado a outro servidor. Mas quem?


   Priscila se afastou dos portões e andou pelos caminhos de pedra branca que serpenteavam pelo gramado bem aparado. Ela tentou se lembrar de quantos servidores tomaram domicílio naquela cidade antes de se afastar daquela realidade macabra. A maioria tinha se aposentado, apenas alguns ainda permaneciam por lá na ativa e Priscila era a única residente a ter aberto mão do ofício consagrado. Sendo assim, ela podia se limitar a sete ou oito servidores que poderiam ter contatado Domenico... Mas quem?


   Perdida em pensamentos, ela enrubesceu. O que faria se avistasse um dos servidores? O que eles fariam? O que pensariam dela?


   “Ora!”, Priscila estalou a língua irritada. Desde quando se importava com o que os outros pensavam dela? Aquela situação era simples, bem simples, afinal.


   Um vento frio soprou pelo Parque dos Três Lagos, fazendo com que centenas de folhas outonais voassem pelo ar. Priscila apanhou uma folha de bordo vermelha como sangue e respirou o outono, sentindo uma energia quase sobrenatural tomar conta do seu âmago.


   Com a folha vermelha nas mãos, Priscila seguiu o caminho de pedra branca, desejando silenciosamente que naquele dia iluminado de Sol e de risos juvenis ela encontrasse a criatura sórdida que atacava, uma a uma, as donzelas da sua cidade.


25. August 2018 13:25:52 0 Bericht Einbetten 1
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