You're Human Follow einer Story

ariane-munhoz Ariane Munhoz

“Na margem do outro lado da tristeza Dizem que se encontra um sorriso Quando chegarmos lá O que será que nos espera?” Shino não se lembrava da última vez que havia sorrido ou tirado os óculos, mas lembrava-se da primeira vez em que o desejo irrefreável e compulsivo o havia atingido.


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#yaoi #lgbt #toc #asperger #naruto #fns #shinokiba #shiba #QueroBiscoitoFNS #GincanaFNS #Representatividade #HIV
Kurzgeschichte
9
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You're not alone

* Naruto é um anime e não me pertence. Feito de fã para fãs sem fins lucrativos.

* As imagens usadas nessa fanfic não me pertencem. Foram retiradas do Google e editadas para servir de capa. Deixo os créditos aos devidos artistas.

* O verso da sinopse pertence a musica "Only Human" de K, mas essa não é uma songfic. Só usei porque combina com a história.

* Esta fanfic antecede a história Only Human, escrita por Kaline Bogard. A leitura dela não é obrigatória, no entanto deixarei aqui o link: https://fanfiction.com.br/historia/765852/Only_Human/

* Feita sob as tags #QueroBiscoitoFNS #GincanaFNS
Tema: Representatividade

Existe uma citação sobre um personagem que sofreu abuso sexual durante a infância. Nada é descrito a respeito, mas fica o aviso para quem é mais sensível ao tema. Ademais, boa leitura!

***

Shino tocou o aro dos óculos escuros diante do espelho do banheiro do modesto apartamento onde vivia, em Tokyo, na intenção de tirá-los. O simples tato fez formigar a ponta dos dedos, a sensação frenética subindo através do braço, eriçando os pelos até que atingisse em cheio seu cérebro com a certeza de que seu pai morreria se o fizesse. Era ilógico, sabia, por isso respirou fundo. A compulsão de lavar as mãos o acometeu, mas não faria isso. Sim, seu pai morreria caso tirasse os óculos escuros, então não o faria, era isto. Bastava aceitar a própria condição.

Ligou a ducha fria, deixando que a água escorresse por suas costas, concentrando-se no choque dela enquanto se limpava. Se passasse o sabonete sobre a pele linearmente, debaixo para cima, cinco vezes, seu dia seria bom e seu pai não sofreria um acidente no trânsito. Respirou fundo, sentindo as gotículas caírem por dentro dos óculos escuros, tendo o cuidado de segurá-los para que não caíssem durante o banho. Quando terminou, saiu com o pé direito de dentro do boxe, pegando a toalha e secando-se dez vezes, até sentir a pele vermelha e dolorida pelo atrito do tecido contra a epiderme. Suspirou. Estava na hora de visitar seu terapeuta outra vez.

X

Aburame ainda se lembrava da primeira vez em que o desejo incontrolável de fazer algo apossou-se de sua mente e que conseguiu reconhecer aquilo como uma necessidade básica para a sua sobrevivência. Tinha cinco anos, e havia saído com a mãe para fazer compras no supermercado. Desde muito jovem, sempre gostou de organização e métodos para tudo o que fazia, e não conseguia passar pelos corredores do supermercado e ver algum produto fora do lugar sem realinhá-lo.

Sua mãe achava uma graça! O primogênito era tão organizado que as gavetas de seu quarto eram separadas por coloração gradual, da mais clara para a mais escura – meias brancas à esquerda, cuecas pretas e azul marinho à direita, camisas brancas na primeira gaveta, calças apenas de tecido negro na segunda gaveta – e os brinquedos eram todos alinhados sem nunca ficarem fora do lugar.

Passou a preocupar-se um pouco mais ao notar que isso também acontecia em outros lugares, mas talvez ele só tivesse um pouquinho demais do lado do pai consigo – Shibi era extremamente perfeccionista com suas coisas.

Ele ainda se lembrava da sensação que o acometeu naquele dia quando a bolsa da mãe estourou, quando um estranho os levou em um carro – que não era da cor do carro de sua mãe – para o hospital e perguntou a ele sobre o número de seu pai que Shino já sabia de cor. Lembrava-se daquele pensamento que acometia sua mente – preciso de óculos escuros para salvar a minha mãe –, mas ninguém pareceu dar importância quando falou a respeito; em geral, as pessoas não se importavam com essas coisas. Ficou preocupado, o pai não chegava, e, quando o fez, foi direto para a ala de visitas falar com o médico. Teve que se resignar a esperar na creche, sem que nenhuma das tias atendesse ao seu pedido, tentando organizar, por cores, os brinquedos, enquanto os pensamentos persistiam em sua mente. Por que um par de óculos salvaria sua mãe? Isso não fazia sentido algum.

Horas mais tarde, quando vislumbrou o rosto austero do pai na porta da creche ao vir buscá-lo, a sensação ainda não o havia abandonado.

− Shino, filho, nós precisamos conversar. – disse ele, e o pequeno soube que as coisas nunca mais seriam iguais.

X

Uma vez mais, observou o cartão branco com letras pretas e azuis que o outro rapaz havia lhe entregado há cerca de duas semanas quando havia ido no terapeuta e ele havia lhe indicado que voltasse a tomar a Sertralina.

A bem da verdade, é que Shino não gostava de usar aquela medicação. Deixava-o com fortes dores de cabeça, e sua boca secava tanto que precisava beber água em intervalos – corretos – de oito minutos e meio, em pequenos goles para não se engasgar, além de tirar-lhe o sono. Todavia, compreendia que aquilo era necessário para que saísse das fortes crises que, por vezes, o acometiam.

Não gostava de interagir com pessoas, motivo pelo qual evitou frequentar escolas e preferiu ser educado em casa. Embora seu pai fosse contra a princípio, percebeu o quanto aquilo o afetava ao ponto de Shino reprovar um dos anos letivos e fizeram um acordo: se ele aceitasse ir ao psicólogo, poderia ser educado em casa, com o adendo de que retornaria às classes assim que o profissional o liberasse para tal.

Shibi poderia simplesmente ter forçado o filho a frequentar a escola, mas não via vantagem nisso. Shino sentia-se mal, ansioso, e, por vezes, teve que buscar o filho e ouvir da direção que ele não estava bem e tornava-se violento com os outros alunos quando tentavam tocá-lo sem aviso prévio. A terapeuta da escola indicou-lhe algumas sessões, mas não pareciam aliviar o que o garoto sentia.

Após a morte da mãe e do irmão que nunca viu a luz da vida, a criança tornou-se extremamente reclusa, entregando-se ainda mais aos hábitos que antes pareciam apenas rotineiros. Shibi compreendeu a necessidade de procurarem ajuda profissional e culpou-se piamente por não tê-lo feito antes.

No fim das contas, Shino foi diagnosticado com TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo – e passou a ser tratado aos dezesseis anos para tal. A adaptação não foi fácil, mas, com o tempo e com as medicações certas, passou a conseguir ter uma condição quase normal de existência, conquanto permanecesse com os óculos escuros e jamais sorrisse – qualquer uma dessas coisas levaria à morte do pai, disso tinha certeza. Era triste, mas era melhor do que nada. Um avanço, considerando tudo o que tinham passado até então.

Respirou fundo, olhando o endereço impresso no pequeno pedaço de papel. Ainda não compreendia o motivo daquele outro rapaz ter-lhe abordado enquanto esperava para ser atendido, mas sentiu-se empertigado e incomodado. Atualmente, conseguia lidar com pessoas e socializar-se, mas ainda era um passo difícil, tanto que havia escolhido uma profissão na qual podia trabalhar em casa, e pouco saía – apenas para fazer compras e para suas caminhadas matinais, que aconteciam antes das seis da manhã, onde tinha menor tráfego de pessoas.

Todavia, nos momentos de crise, não falava com ninguém além de seu pai a quem sempre recorria em casos assim. Havia saído da casa dele aos vinte e dois anos, quando formou-se em administração e passou a trabalhar como Contador, trabalho que não exigia que tivesse muito contato humano, apenas com números, e, na maioria das vezes, podendo resolver tudo através de e-mails ou telefone.

Mas Nara Shikamaru, como havia se identificado, não pareceu se importar. Apenas aproximou-se, ignorando seu espaço pessoal, e estendeu-lhe o cartão sem delongas. Ele não o olhava nos olhos ao fazer isso, mas para os próprios pés, que se moviam para frente e para trás até que cruzou as pernas. Shino viu-se obrigado a aceitar o cartão, pois achou que o outro homem ficaria ali pelo resto da vida se não o fizesse – e estava certo.

− Eu trabalho para uma ONG chamada “Only Human”. Nós temos grupos de apoio de segunda à sexta-feira para pessoas que precisam de ajuda, e você será bem-vindo se quiser participar. – Foi direto, sem apresentar-se ou nada do tipo, e descruzou as pernas com o olhar vagando na direção do teto, onde uma aranha tecia sua teia.

− Não preciso de ajuda. – Shino rebateu. – Mas obrigado. – Estendeu o cartão de volta.

− Se está aqui, é porque precisa de ajuda. Ou estaria em uma padaria, tomando café, não é? – Ele não sorriu ao dizer isso, apenas se colocou de pé. – Sou Nara Shikamaru, e estou lá todos os dias. O meu grupo é às terças-feiras, junto com o seu.

Shino arqueou as sobrancelhas, descrente que ele havia lhe dado as costas após dizer isso, e resolveu morder a isca:

− O que acontece às terças? – O rapaz, que já se retirava com as mãos no bolso, olhando para a própria sombra, encarou-o por cima do ombro.

− Neuróticos Anônimos. Tratam de pessoas como nós. Li sua ficha quando entrei aqui.

− Você o quê? – Não havia arrependimentos na fala de Shikamaru, Shino notou. Ele simplesmente admitiu ter feito aquilo sem se importar. E sequer o encarava! Tudo parecia interessante ali, exceto ele.

− Li sua ficha.

− Não pode fazer isso.

− Não? Não vi nenhuma regra alegando isso.

− Qual é o seu problema?

− Asperger. – respondeu com sinceridade. – Terças-feiras, às dezenove. Temos uma socialização após isso, vai encontrar outros como você. Te espero lá. Como se chama?

− Shino. Aburame Shino.

− Nos vemos lá, Shino-Aburame-Shino.

Saiu com as mãos no bolso, deixando um Shino muito boquiaberto para trás.

X

Foi difícil, mas em algumas semanas, Shino retomou a rotina. Ainda precisava seguir o ritual no banho, mas pelo menos não precisava mais preocupar-se em olhar as trancas dez vezes antes de sair de casa, e nem retornar para lá por isso. Teve problemas para dormir no início, como sempre acontecia, todavia com a dose ajustada as coisas foram melhorando aos poucos, e sentiu-se confortável para retornar ao trabalho.

Naquela semana, ele e o pai iriam até seu restaurante favorito no final da rua onde morava, para jantar. Shibi era sempre pontual, pois sabia que os atrasos incomodavam a rotina impecável de Shino e isso prejudicava sua saúde mental.

Chegaram na hora certa, estacionaram na vaga de sempre e... se depararam com alguém na mesa usual.

− Você não reservou a mesa? – Shino perguntou para o pai, observando um casal que conversava de maneira animada no lugar onde costumavam ficar.

− Deve ter sido algum mal-entendido, liguei com antecedência. – Shibi aproximou-se de um dos garçons. – Com licença, eu havia reservado aquela mesa para jantar com meu filho.

− Ah! Sinto muito, acho que um dos outros garçons fez confusão, mas temos outras mesas vazias. Se quiserem me acompanhar por aqui...

− Não. – Shino foi incisivo, cerrando os punhos. Havia feito tudo de maneira certa! Tinha seguido seus rituais, e não cedera à nenhuma compulsão que lhe soasse estranha ou bizarra demais. Usara até mesmo o elevador naquele dia! O que estava errado? Por que tinham pego sua mesa?! – Quero aquela mesa, ela foi reservada.

− Senhor, eu...

− Existem outras mesas aqui, Shino, nós podemos tentar...

− Pai. – Shino lançou um olhar significativo na direção de Shibi. Algumas pessoas começaram a olhar na direção deles, fato que o Aburame mais jovem odiava. Sentiu-se incomodado, os pensamentos repetitivos rondando sua mente.

− O que está acontecendo? – O gerente, que reconheceu os clientes de longa data de longe, aproximou-se, e logo captou o problema. Sabia da condição de Shino, revelada pelo pai, e da importância em seguir rotinas. Todo domingo, a cada quinze dias, eles vinham jantar em seu restaurante, conquanto a mesa que se localizava entre as janelas, com melhor circulação de ar, ficasse desocupada, sendo sempre reservada para eles às dezenove e trinta. – Deixe que eu assumo daqui. – Avisou ao garçom. – Sentimos muito pela inconveniência, senhores, e vou pedir para que o casal se desloque para outra mesa. Podem aguardar um pouco?

Shino queria ir embora, incomodado por ser o centro das atenções. Não estava fazendo birra! Por que todos o olhavam como se estivesse?

− Por aqui, por favor, e me desculpem. – O gerente pediu. – Pedirei que acrescentem aquela sobremesa que tanto gosta, senhor Aburame, por conta da casa. Os pedidos de sempre já estão sendo feitos para vocês. Com licença.

Shino nada disse, ainda incomodado com o acontecido, mas mais incomodado com o fato de todos ao redor olharem para ele como se fosse uma anomalia. Já havia recebido aqueles olhares durante toda sua vida, e era bastante ruim. Com o tempo, passou a conscientizar-se que as pessoas eram treinadas para julgar os outros sem compreender o que havia por trás de suas atitudes.

− Não vai comer? – Shibi perguntou ao filho ao notar que ele sequer tocara no prato quando a comida chegou. – Disse que queria falar algo comigo hoje.

O Aburame mais jovem tentou dar atenção ao prato vegetariano feito com saladas de ervas silvestres, mas não conseguia concentrar-se, sentindo que estava beirando à uma crise.

− Eu disse. – Tentou concentrar-se nas palavras do pai. – Conheci alguém estranho quando fui ao terapeuta há algumas semanas.

Shibi arqueou as sobrancelhas, mantendo a concentração no filho enquanto cortava o bife.

− Era um homem mais ou menos da minha idade, talvez um ou dois anos mais novo, não sei. Chegou até mim me abordando e falando a respeito de uma ONG que fazia parte, uma tal de Only Human.

− Nunca ouvi falar. – Shibi franziu a testa, unindo as sobrancelhas. – E o que ele disse?

− Disse que eles têm grupos de apoios para ajudar pessoas... como ele e como eu. Ele tem Asperger. – Shino elucidou antes que o pai questionasse. – São às terças-feiras, às dezenove horas.

Shibi sabia que não adiantava pressionar o filho a respeito das coisas, e se ele estava lhe contando a sobre isso significava que já havia pensado no assunto.

− Acho que quero tentar ir até lá, otou-sama.

− Gostaria que eu te acompanhasse? – perguntou com o tom suave que costumava usar quando Shino era mais novo.

− Só até a porta, para o caso de eu perder a coragem.

Shibi sorriu, fazendo sinal de que tocaria o filho, e segurou sua mão. Shino não sentiu-se incomodado. Não sentiu que iria morrer ou que algo terrível aconteceria com o pai. Mesmo assim, não quis arriscar-se a retribuir seu sorriso.

− Terça-feira às dezenove horas então. – Shibi limitou-se a dizer e fizeram o restante da refeição em silêncio, levando a sobremesa extra de Shino para casa.

X

Uma eternidade pareceu transcorrer-se até que a terça-feira chegasse. Shino organizou as planilhas do trabalho, sentindo-se mais confortável agora que o efeito do remédio havia assentado. É claro que não conseguia tirar os óculos escuros ou fazer algo do gênero, mas ao menos não se sentia mais tão pressionado com coisas corriqueiras como checar as bocas do fogão ou ter que amarrar os tênis nas pontas dos pés apenas para sentir-se mais confortável.

Uma hora antes, seu pai chegou de carro para buscá-lo e foi com ele até o endereço sem maiores problemas. Pararam diante da faixada do prédio que parecia bastante comum aos olhos dos dois Aburames. Shino cerrou os punhos, sentindo-se mais ansioso do que o normal.

− Tem certeza de que não quer que eu o acompanhe? – Shibi ofereceu uma última vez, mas Shino negou com a cabeça.

− Acho que essa é uma daquelas coisas que preciso fazer sozinho, pai. – Shino comunicou, trazendo orgulho a Shibi.

− Tudo bem. Estarei esperando sua mensagem para vir buscá-lo caso precise.

Shino acenou com a cabeça, caminhando na direção do prédio. Cada um dos passos parecia difícil, mas sentia que finalmente estava fazendo a coisa certa para si mesmo.

X

O processo todo foi gradual. Naquela primeira reunião, apenas observou enquanto os outros se manifestavam. Como havia dito, Shikamaru fazia parte do grupo e chegou até mesmo a levantar-se para dar seu testemunho.

Ele dissera que possuía Síndrome de Asperger, e que por isso tinha certas dificuldades e até mesmo algumas inabilidades sociais. Havia sido diagnosticado cedo, aos três anos de idade, e por causa disso tinha tido uma vida quase normal, embora para ele não fizesse diferença, já que aquele era o único estado de normalidade que conhecia. Contou, ainda, que não era fácil para ele reconhecer quando ultrapassava alguns limites e que tinha tido vários problemas com isso, mas foi o fato que o levou a conhecer o namorado, Hyuuga Neji.

Neji, ele contou, era o advogado responsável pela ONG, e não possuía nenhuma condição psicológica como eles, mas tinha sido vítima de abuso sexual durante sua infância, o que o fazia frequentar o grupo às quintas-feiras. Shino achou chocante que ele revelasse isso com tamanha facilidade, mas para ele não parecia grande coisa. Não que desdenhasse da condição do namorado, mas Neji aceitava o que havia acontecido como parte de seu passado e sabia que aquilo não era culpa sua. Enfim, os traumas o levaram a vários problemas e distúrbios com agressividade ao decorrer de sua infância, além de sentir uma intensa necessidade de agradar a todos ao seu redor possuindo uma personalidade bastante submissa.

Shikamaru explicou a eles que Neji foi acolhido pela ONG aos dezesseis, vítima de espancamento e abuso, e que eles o ajudaram a se reintegrar à sociedade, até mesmo ajudando-o a pagar a faculdade. Como forma de agradecimento, ele agora fazia vários pro bonos ajudando pessoas que passavam pelo mesmo sofrimento que ele ou semelhantes; ou apenas pessoas que precisavam de algum apoio legal.

Neji era um dos outros coordenadores, como ele, e era responsável por recrutar pessoas que precisavam ser reabilitadas, fazendo isso diretamente da cadeia, onde a ONG também possuía certa influência e poder. Era, inclusive, lá que havia recrutado Uzumaki Naruto, um jovem stalker que havia recebido medidas restritivas do ex-namorado ao qual havia colocado em perigo algumas vezes apenas para que pudesse salvá-lo.

Neji e ele haviam se conhecido dentro da ONG, trabalhando juntos, e foi um contato gradual que permitiu que se conhecessem até que passassem para a próxima fase. Shikamaru explicou que, apesar de todas as dificuldades e diferenças, eles encontraram uma maneira confortável de se relacionarem, aprendendo a lidar com os próprios conflitos, e que agora até mesmo dividiam um apartamento, o que era muito significativo para alguém com a condição de Shikamaru.

Nos piores dias, Shikamaru prosseguiu, sentia que estava sendo perseguido pelas sombras alheias, não conseguia manter a concentração em nada que não fossem os números, fator muito predominante em sua vida. Fez até mesmo uma pequena demonstração a pedido do coordenador daquela reunião, pedindo para que lhe perguntassem qualquer cálculo complexo e ele o resolveria em questão de segundos. Shino aceitou o desafio, questionando-o sobre uma conta especialmente difícil que resolvera naquele dia, e qual não foi sua surpresa ao ver que ele respondeu sem nem sequer hesitar?! Em outra demonstração, cerca de 30 dados foram lançados na mesa inox, e Shikamaru calculou o resultado antes de Kurenai-sensei com a calculadora! Foi mesmo impressionante!

− Isso é para demonstrar para vocês que com o apoio certo, vocês também podem seguir com suas vidas. – Kurenai se pronunciou. – Aqui, não realizamos nenhum milagre, mas demonstramos o mais importante: somos todos humanos e ninguém aqui está sozinho.

Aquela frase marcou Shino fortemente, e, a partir daquele momento, ele decidiu que também queria fazer a diferença.

X

− Caralho, Shino, sua história é mesmo muito incrível! – Kiba estava chocado ao saber tudo pelo que o outro homem havia passado! Ele mesmo tinha sofrido muito, mas saber da história de Aburame havia lhe tocado profundamente. – Sinto muito pela sua mãe e pelo seu irmão.

− Tudo bem. – Shino respondeu, olhando para o milk-shake inacabado de Kiba. – Posso?

Ele sentiu-se um tantinho incomodado com aquilo. E se Shino pegasse HIV por conta daquilo?

− Acho melhor não, você sabe...

− Não existe nenhuma confirmação médica de que o HIV é transmitido através da saliva. – Shino pegou o milk-shake de Kiba sem medo e deu uma grande golada. – Além disso, − prosseguiu – como eu poderia fazer isso sem troca de salivas?

Estavam em seu terceiro encontro após as reuniões quando Shino selou os lábios deles com um beijo. Kiba ficou sem reação, completamente em choque! Não estava esperando por algo assim! Lágrimas se concentraram nos cantos de seus olhos, mas retribuiu ao beijo dele, ambos ocultos pelo lugar estratégico que Aburame havia escolhido para se sentarem na lanchonete.

Pelo visto, aquela relação seria deveras duradoura, era o que Kiba esperava. E Shino também!

Notas:

Primeiramente, façam sexo seguro com camisinha! Ela não existe apenas para não engravidar, mas para prevenir as DST. É isso aí, pessoal!

Em segundo, não existem mesmo relatos sobre a saliva como via de transmissão do HIV, se informem com seus médicos!

Terceiro, e talvez o mais importante, eu gostaria de agradecer à parceira Kaline Bogard por ter me ajudado com essa fic, com o tema, e por ser sempre parça! É por essas e outras que continuamos aí, sou muito grata pela sua amizade e por tudo o que construímos até então! Nossos bbs são lindos demais!

É isto, eu quis abordar o lado do Shino, com TOC, e o lado do Shikamaru, com Asperger, para vocês verem os outros lados da representatividade também. Já vi coisas muito boas no desafio, espero que curtam essa! E ainda vai ter a versão com o Kiba!

Nos vemos nos comentários!

15. August 2018 21:30:21 6 Bericht Einbetten 6
Das Ende

Über den Autor

Ariane Munhoz Dona de mim, escritora, louca dos pássaros, veterinária e mãe dos Inuzuka. Já ouviram a palavra Shiba hoje?

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karvie spero karvie spero
Meu amor, que fanfic! Quanta qualidade de escrita e sensibilidade! Você tratou desses temas muito bem aqui e tudo se encaixou bem com os personagens. Gritei com o Naruto stalker? gritei sim. É inegável a importância de histórias como essa porque o senso comum sobre essas doenças todo mundo tem, mas entender um pouco mais de como elas afetam a pessoa... Eu mesma sinto que estou com uma visão ainda mais apurada do TOC após ler isso. Meu coração apertou imaginando o Shino sem poder SORRIR porque se o fizer acredita que o pai vai morrer. Nem tirar os óculos. Caramba. É difícil até imaginar uma coisa dessas... Enfim, eu gostei muito da história, nenê! Você é foda ❤️
18. September 2018 18:43:11

  • Ariane Munhoz Ariane Munhoz
    Aaaaa minha bb Lost aqui comentando na minha fic, quanto amor que eu recebi! Eu fico muito feliz de ter conseguido expor um pouco desses temas, porque acho que são deixados de lado. A Kaline fez a história antes de mim, mas ela aborda mais o lado do Kiba contra o HIV. Se você não leu, eu recomendo muito. Chama Only Human! Eu to muito feliz que você tenha gostado, meu amor! Obrigada pelo lindo comentário! 18. September 2018 18:59:32
KaguyaFalandoAtravesdo Ouija KaguyaFalandoAtravesdo Ouija
AAAAAAAAAAAAAAAAH SOCORRO! Acabei de terminar e ainda tô nos feelings, nem sei como não comentar sem ficar nada com nada. Vou tentar falar de modo que faça sentido, vamos lá! Meu Deus, tadinho do Shino. Deve ser maior barra encarar isso, o medo de não poder pisar fora da linha que todo o seu mundo desaba. Não consigo nem me imaginar vivendo como ele, coitado. Estou compadecida. Achei super foda como você relata as dificuldades que ele passa no seu dia a dia, como a cena do restaurante. Cara, bateu uma angustia aqui. Eu fico pensando em como ele deve ter sofrido na vida com os julgamentos. Ainda to chocada com o Naruto como stalker.
3. September 2018 23:25:49

  • Ariane Munhoz Ariane Munhoz
    Ah, eu fico muito feliz que você tenha gostado! Acho que a gente não dá muita importância no ramo da literatura pra outros tipos de problemas que também merecem representatividade como é o caso do Shino vivendo com o TOC! Eu fico muito feliz que eu tenha conseguido passar um pouco disso através dessa história! Obrigada por ter lido e por ter comentado! Se quiser saber mais sobre o Naruto stalker, eu recomendo a Only Human da autora Kaline Bogard. Você encontra aqui no site mesmo. Nossas fics são contínuas e lá ele é citado, mas também fala um pouco mais do Kiba! Beijos e obrigada por comentar! 7. September 2018 09:32:56
Blue Martell Blue Martell
Oláá, eu adorei demais esta história aqui. É uma das primeiras Shibas que eu leio e gostei bastante mesmo, a descrição do TOC e do Asperger ficou bem sucinta e real, a escrita é fluída e bem detalhada. Parabéns, Ari, trabalhou muitíssimo bem. Nada que não fosse o esperado também, né? Haha Adorei 💙
15. August 2018 18:25:11

  • Ariane Munhoz Ariane Munhoz
    Olha essa bb azul mais linda do mundo! ShiBa é muito amor, quando você começa a ler e perceber a dinâmica do casal, é um caminho sem volta! Recomendo muito! Lá no Nyah a gente tem até um perfil que tem todas as ShiBas nos acompanhamentos. Eu não quis partir muito pro lado médico de TOC e Asperger, mas também não quis deixar tudo no ar só citando as doenças. To tentando melhorar nesse lance dos detalhes, fico feliz de estar colhendo frutos! Obrigada por aparecer aqui e me incentivar, bb lindo <3 15. August 2018 18:33:10
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