Rimas sobre um casal Follow einer Story

sweet-mary Mary

Amores e desamores que podem ter forma de conto, mas podem ser apenas versos da canção que jamais será ouvida.


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#escritora-mary #inspiração #música #banda-de-rock #amor
Kurzgeschichte
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Rimas sobre um casal

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Ela sempre gostou de rock e ainda menina montou sua primeira banda.

Ele aprendeu a tocar violão por conta própria e aos dezesseis dominava o baixo como poucas lendas conseguem.

Ela escreveu sua primeira canção sobre coração partido aos quinze, quando viu o seu primeiro namorado beijando a sua melhor amiga.

Ele nunca quis ser médico, nunca levou a escola tão a sério.

Ela gostava de ler Sidney Sheldon e passou no primeiro vestibular.

Ele nunca foi chegado à leitura, porém de videogame muito bem entendia.

Ela procurava por um novo baixista para a banda.

Ele desejava apenas uma oportunidade de mostrar a alguém o seu talento.

À primeira vista ela o achou um tanto boçal.

Ao vê-la ele até perdeu o ar, que moça sensacional!

Ela não queria mais saber de rapazes, mas não podia esconder de si mesma que se divertia tanto quando estava com ele que perdia a noção do tempo e não pensava nos seus problemas.

Ele pela primeira vez entendeu o que era estar apaixonado, apaixonado de verdade, mas ela era um sonho quase impossível.

Ela merecia o universo todo, ele nada podia oferecê-la, era um vagabundo sem rumo cheio de sonhos e sem um tostão no bolso.

Ela nunca ganhou flores de ninguém e como um pássaro esperava que alguém pousasse no seu galho com a intenção de ficar.

Ele lhe trouxe uma única rosa branca e ela chorou no peito dele.

“Eu sou um nobre vagabundo cheio de sonhos, como tantos outros por aí, cheio de amor pra dar! Você merece o universo e eu não posso te dar.”

“Eu não quero o universo todo, só quero seguir a minha própria estrela.”

“Como te disse, você merece o universo e eu não posso te dar, então te ofereço algo que já é seu: o meu coração!”

“Meu coração também já é seu!”

Ele não pediu nenhuma prova de amor, apenas para que ela zelasse pelo seu coração.

Quando eles assumiram o namoro, todo mundo desacreditou. A água e o óleo se misturaram, contrariaram todas aquelas leis da química e faziam história.

O sonho de fazer sucesso com a banda passou a invadir o coração dele também. Juntos eles compunham com mais amor e entusiasmo, enfrentavam as dificuldades de uma banda independente lutando por uma única oportunidade.

As gravadoras diziam não.

Tanta porcaria fazia sucesso nos rádios e os “artistas de um hit só” sumiam do mesmo jeito que apareciam.

Do nada.

E a inspiração também despontava abruptamente no meio de um jantar, da aula,

Eles tinham algo a dizer, mas ninguém queria ouvir porque no caso o tempo custava dinheiro, algo que eles não possuíam.

Eles riram e choraram juntos milhares de vezes e apesar de todos os ventos contrários, mantinham o sonho vivo, o amor pela música prevalecia sobre as adversidades, a concorrência, o medo do fracasso, de a desistência trazer como herança uma existência vazia.

A persistência aliada à fé trouxe a tão sonhada oportunidade de mostrar que aquela banda tinha muito que acrescentar no cenário do rock nacional.

Aqueles que tantas vezes aclamaram seus ídolos na plateia subiam ao palco para fazer a alegria de um mar de gente que sabia cantar de cor todas aquelas letras que eram históricas por si próprias e ainda mais por se misturarem às trajetórias daquele amado quarteto que abriu portas para tantos outros grupos mostrarem a que vieram ao mundo.

Brilhar.

De norte a sul, de mãos dadas, lá estava o casal que os fãs tanto admiravam.

Água e óleo uma ova, eles eram feijão e arroz, juntos combinavam.

Eles trocaram seus votos de amor numa linda catedral e passaram a lua-de-mel nas Ilhas Gregas, dois amantes apaixonados vivendo o que se entende por “final feliz”.

Dois meses depois ela anunciou a ele que a família cresceria.

Susi ou Bob, de que importaria?

Todavia, antes de uma apresentação ela foi internada às pressas e o sonho de ser mãe feneceu na curetagem.

Ele se esforçou para não chorar na frente dela, mas não conseguia fazer de conta que lidava bem com aquela perda porque queria aquele bebê tanto quanto ela.

Eles adiaram várias apresentações e pediram para que respeitassem o momento difícil do casal, todavia ela se ensimesmou e ele na bebida se refugiou, para sentir vontade de tocar, para aquela perda superar.

Era apenas para ser uma aventura da parte dele, divertir-se com uma fã e depois seguir em frente, no entanto, ela mal o encarava e ele, ávido por romper com aquela muralha que se ergueu entre eles, fracassou em todas as tentativas.

Ele passou a voltar para casa quando ela já estava dormindo.

Ela se levantava ao raiar do sol e caminhava nas pontas dos pés para não fazer nenhum ruído.

Em volta da mesa, de ponta a ponta, eles brincavam de marido e mulher.

Ele nunca foi à criatura mais ligada a datas, contudo se lembrava do dia em que se viram pela primeira vez, do primeiro beijo, de quando começaram a namorar, do aniversário de casamento.

Ela tinha muito orgulho de não precisar pressioná-lo nesse sentido ou pelo menos acreditava ter.

Ele simplesmente se esqueceu do aniversário de casamento deles e não era nenhum estratagema para promover uma surpresa estratosférica ou coisa do tipo.

Ela esperou até o último minuto do dia por qualquer sinal de que aquela data significava para ele o mínimo que fosse e adormeceu sentada numa cadeira abraçando os joelhos para conter a torrente de lágrimas.

No estúdio, a cada ensaio, a sintonia entre eles se minimizava até afetar a harmonia do conjunto como um todo.

Ele voltou a encontrar aquela fã e eles passavam o tempo todo trocando mensagens.

Ela não sabia mais o que era ser desejada com ardor, havia muito tempo que eles não faziam amor.

A fã não era a única, ele colecionava outras aventuras a cada check-in, iludindo partindo corações, o grande rockstar por quem todas dobravam os joelhos.

O piano era o único capaz de entender quão triste é ter a certeza de que aos poucos um amor deixa de ser amor para se converter em costume, porque apesar de eles ainda compartilharem uma cama de casal, não eram mais dois em um, eram dois mundos vivendo um conflito silencioso que se nutria justamente da indiferença.

Lado a lado no palco, sorrisos combinados, cumprindo todas as cláusulas do contrato.

Em que esquina do universo esse amor se perdeu?

Ele tomou a decisão de dormir noutro quarto, ela nem sequer protestou, mesmo que mentalmente se repreendesse por isso e tivesse respostas hábeis para sanar as tréplicas tangenciais dele.

As formalidades se restringiram a um voto de silêncio impetrado por ambas as partes.

Eles estavam separados, de certo modo, mas juntos por outro.

Numa noite ele chegou cambaleando e ela o acomodou no sofá. Enquanto ele dormia, o celular vibrava no bolso da jaqueta dele e a curiosidade falou mais alto que a integridade, era a hora da verdade.

Havia outra pessoa fazendo o coração dele bater mais forte e essa pessoa não era mais ela.

Aquela intimidade que um dia eles tiveram, ele tinha com aquela fã, não mais com ela que um dia foi sua melhor amiga.

Na tarde seguinte, enquanto ela estava no estúdio, ele fez as malas, pensou em escrever uma carta de despedida, porém não teve coragem de rabiscar “adeus” num bilhete, fez as malas e se foi.

Ela sentiu o cheiro dele pelo corredor e foi até o quarto dele disposta a quebrar a muralha, o voto de silêncio, qualquer tabu, não queria brigas nem escândalos, apenas ouvir dele que o sonho de amor se esfarelou.

Abriu os armários e encontrou apenas os cabides vazios.

Ele tinha partido.

Seu grande amor tinha partido.

Não havia nem sequer um bilhete rabiscado com um “adeus” e aquela casa era grande demais para uma pessoa viver só.

Os compromissos profissionais foram mantidos, todavia o novo disco pela crítica foi mal recebido e com a ascensão do funk no cenário musical, as bandas de rock foram perdendo espaço.

Ela se incentivou a seguir adiante, tentou sair com outros homens, mas em nenhum daqueles corpos encontrava a mesma paz que sentia quando encostava a cabeça no peito dele e descansava do mundo.

Aquela fã era apaixonada pelo personagem dele em cima dos palcos, a convivência matou a paixão. Para ele, diversão não faltava, todavia a tristeza oriunda da solidão o fez lembrar-se daquela que acreditou nele antes de todos os outros, que lhe ofereceu o ombro para chorar quando para o mundo ele não passava de um nobre vagabundo.

Uma música triste ressoava nas caixas de som. O número dela estava na sua agenda e ele, com os dedos trêmulos, discou sem erros dígito por dígito.

E esperou, esperou...

Ela atendeu.

“Alô?”

Tantas coisas ele queria dizer, mas não se identificou.

“É você?”

Ele respirava profundamente, tragando a emoção de ouvir aquela doce voz depois de tanto tempo.

Por favor, fala alguma coisa!”

Sem coragem para pedir perdão, ele encerrou a ligação.

Ela retornou na manhã seguinte.

“Como você está?”

“Eu vou indo... E você?”

“Também estou indo...”.

“É tão bom ouvir de novo a sua voz...”.

“Digo o mesmo!”

Eles voltaram a trocar mensagens como se fossem apenas conhecidos, mas uma fagulha de esperança acendia a alma.

Numa tarde qualquer, eles combinaram de se encontrar na mesma lanchonete onde tantos anos antes ele a pediu em namoro.

Ela mudou o corte de cabelo e estava levando a academia a sério, ainda não sentia que era hora de voltar para o estúdio, porém tinha em mente que aquela fase era muito importante e a viveria da forma que se apresentasse.

Ele passou no barbeiro e no caminho mexia no celular que estava no banco do carona, distraído com as mensagens dela.

“Já estou chegando.”, avisou ela, animada, a prometer que guardaria aquele lugar especial para ele, de frente para a janela de onde antes viam as gotas de chuva e toda a movimentação da rua, onde saíram tantas letras que estavam nas playlists de muitas pessoas pelo país afora.

“Querida...”

“Fala, meu bem...”

“Você se lembra de que dia é hoje?”

Estava ela a espera-lo na lanchonete, perdoando o fato de ele sempre chegar atrasado porque pontualidade nunca foi o ponto forte dele. A batata-frita dele esfriou no pacote, as lágrimas dela choveram no guardanapo.

Quando já estava no caixa, cansada de esperar uma resposta, um plantão televisivo terminou de partir o seu coração.

Anunciada era a morte de uma lenda.

De norte a sul, o país se inundou em comoção.

Uma morte repentina sempre abala até o mais inflexível dos corações.

“Você se lembra de que hoje faz quinze anos que nós começamos a namorar?”

Ela não precisava lembrar porque jamais havia se esquecido.

Pouco depois de enviar uma mensagem a ela — que seria a última e ficou no rascunho, o carro dele colidiu de frente com um caminhão e ele morreu na hora.

“Você não merece o universo, você é o meu universo. Procurei pelo meu coração, corri o mundo em busca da liberdade que eu pensei que pudesse me preencher, mas onde quer que eu esteja, meu pensamento nunca saiu de você porque meu coração fez do seu minha morada, meu viver. De joelhos vou me colocar diante de você, disposto a te pedir perdão e não da boca para fora. Tive você por perto mesmo sem merecer a dádiva que tive. Eu te amei quando te vi pela primeira vez, te amei mais ainda quando te conheci e te amei até quando não mais quis. E continuo a te amar. Meu sorriso é triste, meu olhar é triste, cada centímetro de mim anseia por cada centímetro seu. Eu quero ser seu outra vez. Eu sempre serei apenas seu. Você me enxergou quando para o mundo eu era apenas um vagabundo com skate debaixo do braço, cheio de sonhos e sem recursos. Você me estendeu sua mão quando ninguém queria me dar uma chance de mostrar que eu tinha talento. Você não merece um buquê de rosas, frases feitas e desculpas esfarrapadas. Você merece alguém muito melhor do que eu e se eu fosse menos teimoso entenderia isso, mas não me peça para te esquecer porque é o mesmo que apagar simplesmente o motivo pelo qual a minha história fez todo o sentido até hoje.”

Apesar de já fazer tanto tempo que ele partiu, ela ainda sente o cheiro dele nos travesseiros, nas camisetas e relê aquela última mensagem certa de que apesar de todos os pesares que se colocaram como obstáculos diante deles, viveu uma história de amor.

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7. August 2018 16:11:14 0 Bericht Einbetten 0
Das Ende

Über den Autor

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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