I'll Embrace The Fire. Follow einer Story

sunnybunny Sunny Bunny

Inesperadamente, o destino os reuniu uma vez mais. Todas as palavras não ditas, todos os arrependimentos, todo o amor, enfim, os queimava na mesma fornalha. Serão capazes de arder em chamas e abraçar ao fogo? [NaruSasu/Yaoi/One-shot/+18/UA]


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 18-Jährige.

#romance #drama #yaoi #slice-of-life #oneshot #lgbtq+ #lemon #naruto #sasuke #narusasu #sasunaru #angst #shounen-ai #sns
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I'll Embrace The Fire.

Henlooo fren!

Sou participante da Panelinha da Limonada, um grupo fantástico no Facebook onde ocorrem desafios mensais para fanfiqueiros(as) e eis aqui meu desvasilo do DeLiPa21. Meu tema foi LEMON AAAAAA YEEEEY

Perdoa-me pelo vasilo, Great Lemon.

Essa é a história que se passa cronologicamente após as cartas que são conteúdo de Rest In Peace, My Love (https://getinkspired.com/pt/story/46515/rest-in-peace-my-love/) e Once Again, You Haunted Me (https://getinkspired.com/pt/story/46514/once-again-you-haunted-me/). Essa fanfic não está diretamente ligada àquelas como uma continuação. É mais como se aquelas fossem apêndices desta. Sintam-se à vontade para ler, caso queiram plena compreensão da trama que segue, mas a não leitura em nada atrapalhará uma experiência completa aqui.

Não me demorarei muito mais aqui nas notas iniciais. Apenas gostaria de dizer mais uma coisa: FELIZ ANIVERSÁRIO, LUMAAAAAAA! Eu te amo, marida do meu coração. Espero que goste desse presente!

[x]


“O celular vibrou em seu bolso e Sasuke ajeitou a mochila que trazia nas costas. Diminuiu a velocidade de seus passos para ler a mensagem de texto recém-chegada, já sabendo o remetente.

Se acaso demorar um pouco mais, terei 84 anos quando chegar aqui.”

Sasuke controlou um sorriso enquanto digitava uma resposta.

Você realmente reclama como um idoso.”

Calado, Teme. Apenas me diga que já está chegando.”

Posso até dizer, mas não asseguro que seja verdade.”

Sorriu para si mesmo e guardou o aparelho novamente, retomando o antigo ritmo de seus passos. Naruto detestava esperar, tal qual ele próprio, mas a diferença era que Sasuke sempre fora pontual, enquanto Naruto... Bem, Naruto era Naruto e isso era explicação suficiente. Não havia ninguém como ele.

Jamais haveria.

Excepcionalmente, naquele dia Sasuke se atrasara. Claro que ninguém sabia de seus compromissos com Naruto, mas como se tivesse adivinhado, seu pai havia escolhido o horário mais inoportuno para lhe incomodar com aquelas ideias malucas sobre sucessão. Pelo amor de Deus, Sasuke ainda tinha apenas 15 anos!

Suspirou.

Desde que havia deserdado Itachi, o filho mais velho, Fugaku estava enlouquecendo ao mais novo, passando repentinamente todo o peso dos ombros de outrem para um jovem despreparado, como se Sasuke tivesse por obrigação saber tudo aquilo que havia sido ensinado a seu irmão.

Desconforto apertou-lhe a garganta e um formigamento instintivo correu por seus braços até as pontas de seus dedos.

O caso de Itachi era ainda uma ferida aberta em sua família. Para Sasuke, mais do que para qualquer outro, o assunto era delicado. Amava-o como a si mesmo, ou ainda mais. Seu irmão fora guia e mestre em sua vida, representando mãe e pai para Sasuke, desde que essas duas figuras sempre haviam sido ausentes.

Não bastasse o sentimento doloroso que queimava seu peito ao sentir a falta de seu irmão, Sasuke tinha ciência de estar seguindo seus passos, ainda que ninguém o soubesse, ainda que não admitisse em voz alta nem para si mesmo.

Segurou as alças da mochila com força e seus passos diminuiriam o ritmo novamente, ainda que dessa vez fosse involuntário. Como poderia parar-se? Estava em queda livre e atingir o chão seria sua ruína. Não havia nenhum paraquedas. Não havia nenhum lugar para fazer um pouso seguro. Já seria tarde demais para si?

Sentiu o celular vibrar novamente. Naruto havia demorado a responder e aquilo era atípico. Deveria ter pensado muito para chegar a uma resposta.

Verdade ou não, vou te esperar pelo tempo que for.”

Sasuke sentiu que caía mais rápido enquanto apressava seus passos, quase correndo, um sorriso fazendo seus lábios de refém, o rubor em suas bochechas nada relacionado à pressa.

Se fosse cair, que caísse. Se aquilo fosse sua ruína, que fosse. A queda era vertiginosa e aterradora, mas apenas pensar em deixar Naruto fora de sua vida lhe causava desespero.

Ele havia chegado em sua vida junto à uma tempestade de verão.

Ensopado e sorridente, aproximou-se de Sasuke para abrigar-se da chuva repentina sob aquele pequeno ponto de ônibus. Naquele momento, ainda que chovesse, Sasuke via o Sol.

Daquele ponto em diante, nada jamais fora o mesmo e por isso Sasuke quase corria em direção ao ponto de encontro.

Antes de ir embora, Itachi havia parado com suas malas à porta daquela residência que jamais fora seu verdadeiro lar, desde que aquelas paredes frias abrigavam apenas silêncio e ordem, não podendo ser lar para ninguém. Lançando um último olhar em volta, dirigiu-se à Sasuke, segurando-lhe por ambos os ombros para que lhe olhasse diretamente nos olhos.

— Ouça-me dessa vez, Sasuke. Não sei quando poderemos nos ver ou conversar novamente, mas desde já anseio por isso e você sabe. Mas até que esse dia chegue, seja forte. Sei que agora você não entende a minha decisão, mas vai entender. Há momentos na vida em que devemos aceitar o destino que nos é imposto, mas quando algo se torna realmente importante para o seu coração... Isso é algo pelo que vale à pena arriscar todo o resto, mesmo que seja uma aposta perdida. Se há reciprocidade e você queimar por isso, abrace ao fogo.

Sasuke o faria.

— Hey! – a voz conhecida lhe chamou, fazendo-o parar abruptamente e voltar-se naquela direção. – Você se perdeu ou o que? Estava até passando direto! Você por acaso é o Coelho apressado ou a Alice perdida?

Sasuke sorriu, arfante. Idiota petulante. A cada vez que o via, sentia como se o mundo à sua volta esmaecesse e silenciasse por um momento. Os cabelos dourados banhados pela luz do Sol e os olhos azuis tão límpidos e brilhantes roubavam para si toda atenção.

Seu coração parecia prestes a arrebentar, acelerado e descompassado, bombeando um sangue estranho, que lhe trazia dormência às pontas dos dedos e fazia suas pernas tremerem, letárgicas. Suava quente e frio e sentia-se doente, como se fosse morrer a qualquer momento, e Deus... Aquilo o fazia sentir tão vivo!

— Você é tão burro que não consegue nem mesmo me explicar as direções! Me perdi três vezes vindo para cá! – Sasuke aproximou-se, a voz em nada demonstrando o quanto estava eufórico, apesar de suspeitar que sua expressão facial o estivesse traindo.

Claro que era uma mentira absurda aquilo que estava dizendo. Não havia se perdido coisa alguma, mas se dissesse para Naruto o real motivo de seu atraso... Bem, as coisas poderiam acabar em uma conversa delicada que ele realmente não queria ter.

Desde aquele dia no ponto de ônibus, quase um ano passara-se e Naruto era a pessoa que mais sabia à seu respeito, mas não sobre aquilo. Itachi havia sido expulso da família pois escolhera deixar de viver seu romance em segredo para assumir o compromisso abertamente.

O único problema era que Itachi havia se apaixonado por um homem.

Se acaso contasse para Naruto, não sabia como ele poderia reagir. Aquele era o primeiro laço de amizade que conseguira formar na vida e muitas coisas haviam girado vertiginosamente ao redor da mente de Sasuke àquele respeito. A cada dez pensamentos que tinha, nove eram pessimistas e o décimo era uma esperança vazia à qual não conseguia segurar-se.

Sempre temia que Naruto fosse lhe deixar de alguma maneira, mesmo que tivessem se tornado tão próximos ao ponto de esforçarem-se juntos para que conseguissem ingressar na mesma escola de ensino médio.

As aulas começariam na próxima semana e eles estavam na mesma sala. Palavras não poderiam expressar o quão exultante Sasuke estava.

No entanto, apesar da proximidade – talvez, justamente por causa desta – jamais entrara no assunto da sexualidade de Itachi com Naruto, pois se este rejeitasse aquela ideia, além de rejeitar a existência da pessoa mais importante para Sasuke, ainda estaria rejeitando o próprio Sasuke.

Afinal, Sasuke era gay, completamente apaixonado por Naruto e aquele era seu segredo mais profundo e doloroso.

Supunha ainda que mesmo que Naruto não o abominasse, provavelmente rejeitaria a ideia de sustentar a amizade que tinham. Com certeza não gostaria de lidar sequer com a possibilidade de que Sasuke se apaixonasse por ele.

Assim, escondia um assunto que poderia levar a outro e varria aquela sujeira para debaixo do tapete, fingindo que suas paranoias não estavam ali. Tinha funcionado até aquele momento e continuaria a funcionar.

— Você é algum cachorro perdido ou algo assim? Eu pareço com um mapa para você? Encontrar seu caminho para cá não é mais que sua obrigação! – Naruto o acotovelou, expansivo como sempre, começando a caminhar.

— Se você fosse um mapa, seria o mapa mais estúpido do mundo! Que tipo de pessoa não consegue dar as direções à outra? – Sasuke retrucou, já ficando ranzinza. Ainda que não tivesse se perdido, não conseguia desconsiderar as ofensas de Naruto, apesar de que essas eram uma constante na relação dos dois.

— Deixe de ser um velho resmungão. Seu bico está quase arrastando no chão! – Naruto riu-se e enlaçou os ombros de Sasuke enquanto caminhavam lado a lado e este imediatamente retesou-se, causando risos ao loiro. – Mas o que é isso, Sasuke? Você parece um robô.

— Você é espaçoso demais, seu imbecil! – Sasuke reclamou, ruborizando. Antes, quando Naruto fazia aquele tipo de coisa, Sasuke o empurrava e se afastava. Era perigoso para si aquela proximidade toda. No entanto, com o passar do tempo, sua resistência deu lugar ao anseio por aqueles toques e naquele momento, tudo em que conseguia pensar era em como Naruto cheirava bem.

— Ao menos minha insistência em me aproximar curou a alergia que você sentia de mim. – Naruto riu-se, mas aos ouvidos tão atentos de Sasuke, aquele riso soava oco, como se tentasse mascarar um resmungo dolorido.

— Não seja ainda mais estúpido do que já é. Eu nunca fui alérgico a você. – Sasuke rolou os olhos, mas finalmente sentiu-se confortável em fazer aquilo pela primeira vez: aproveitou a proximidade de Naruto e seu braço que ainda enlaçava seus ombros casualmente para passar um braço pelas costas do loiro e puxá-lo para mais perto, apertando-o pela cintura e mantendo-se daquela forma enquanto caminhavam quase aos tropeços, completamente desconsertados com a situação.

Pararam por um momento e se encararam. Sasuke precisava olhar ligeiramente para cima se quisesse encarar Naruto nos olhos. Quando ele havia crescido daquela forma? Quase um ano antes, ele era o mais baixo dos dois.

Por quanto tempo conseguiriam sustentar aquele olhar tão sério? A resposta veio em forma de um riso de Naruto, daqueles que fogem através dos lábios, involuntário. Sasuke acompanhou o riso contagiante.

— Anda direito, seu idiota! – Sasuke ralhou, recomeçando o caminho enquanto ria. O riso junto de Naruto e por conta dele era surpreendentemente fácil, como se toda a leveza da alma do loiro fosse transmitida através do timbre de voz, do toque, do cheiro, do olhar.

— Por que você está tentando ir na frente? Você nem sabe pra onde tá indo e eu sou o idiota? – Naruto riu-se e suas palavras fizeram com que Sasuke olhasse ao redor.

De fato, não se lembrava daquele lugar. Uns poucos passos ao lado de Naruto o haviam feito desatentar-se do caminho que seguiam. Naruto era como um feitiço para sua mente.

Tinham marcado o distrito comercial que costumavam frequentar depois das aulas como ponto de encontro, - apesar de Naruto ter escolhido uma área desconhecida deste para encontrarem-se – mas o haviam deixado para trás em algum momento e adentrado um parque que aparentava ser tão antigo quanto o próprio país. Não por que fosse velho ou malcuidado, mas por que emanava uma energia duradoura, atemporal. As árvores antigas sussurravam junto ao vento, como se cantassem em harmonia, seus galhos grossos e repletos de folhas e flores delineando-se contra o céu claro, estalando e farfalhando.

— Eu nunca tinha visto esse lugar antes. – Sasuke sussurrou, o olhar perdendo-se nos tons seguros de verde e marrom e na profusão dos chamativos das flores, efusivos. A Primavera estava sendo anunciada.

— Eu encontrei enquanto você esteve fora. – Naruto explicou referindo-se ao tempo que Sasuke passara no exterior durante o recesso escolar. Não fora muito, mas Sasuke havia sentido uma falta dolorosa da presença de Naruto ao seu lado. – Mas me lembrei de você quando cheguei aqui.

Sasuke respirou fundo enquanto era guiado pelos passos de Naruto, pois se dependesse de si, ficaria parado, estático, apenas absorvendo a visão com a qual fora presenteado. Incontáveis cerejeiras seculares formavam um círculo, seus galhos entrelaçando-se muito acima como a mais bela e acolhedora claraboia do mundo.

A luz do Sol passava por entre os galhos e flores perfumadas criando um jogo de sombras que só poderia ser descrito como magia. Algo na atmosfera que aquele lugar criava os punha em outra realidade, outra época; isolados do mundo, invencíveis, intocáveis. Ali, nada os poderia ferir.

Talvez fosse aquela falsa segurança que desencadeara os próximos acontecimentos. Talvez fosse a saudade pungente, a compreensão juvenil do sentimento de vazio ocasionado pela ausência. Talvez fosse por que aguentar-se já não era mais uma opção.

Fosse como fosse, o primeiro passo fora dado naquele ponto de ônibus, o segundo fora a aproximação corajosa do desconhecido, mas o terceiro... Este deveria ser mais profundo; demandava a entrega de si, abrindo mão do controle, do medo, da insegurança, de todos os pensamentos e apenas se permitindo aproveitar a queda livre por ao menos um segundo, ainda que o fatídico encontro com o chão fosse inevitável, tão inevitável quanto aquilo que tomaria lugar no tempo naquele momento.

— Estou em casa. – Sasuke voltou-se para Naruto com um raro sorriso gentil e genuíno, felicidade brilhando em seus olhos negros e a expressão que encontrou ao fazê-lo era desconcertante: um sorriso grande, olhos brilhantes, bochechas coradas. Algo dentro de si derreteu-se não pela primeira vez, e assim como em todas outras, espalhou-se como formigamento por seu corpo enquanto seu coração, acelerado como estava, propagava aquilo de um canto a outro.

— Bem vindo de volta. – Naruto disse em voz alta, segura. E tão seguro estava que suas ações não foram nada erráticas ao abaixar-se apenas ligeiramente para tomar os lábios de Sasuke nos seus.

A princípio, Sasuke permaneceu sem reação, os olhos muito abertos encarando o rosto de Naruto colado ao seu. Passado aquele segundo de surpresa, antes que percebesse aquilo que fazia, seu corpo já reagia de acordo.

Não havia nada de estranho nem desajustado naquele toque de lábios quente e úmido que protagonizavam sem qualquer testemunha além daquelas cerejeiras que já deviam ter visto cenas como aquelas incontáveis vezes ao longo do tempo. Aquilo que acontecia entre eles era tão natural quanto tudo o que os cercava e não era nada como um primeiro beijo deveria ser.

Claro, Sasuke sentia suas mãos suando, seu coração acelerado, sua pele febril e suas pernas bambas, mas aquilo o acometera todas as vezes em Naruto o olhara, desde a primeira. Aqueles olhos o despiam e aqueles toques ocasionais o tomavam muito antes daquele beijo acontecer, então quando os lábios de Naruto finalmente se encontraram com os seus, foi como se já estivessem em meio àquele beijo por um longo tempo, imersos um no outro.

Ainda assim, ainda que o beijo estivesse acontecendo há tanto tempo, era uma sensação incrível finalmente sentir em seus lábios aqueles que havia desejado em segredo por tanto tempo. Naruto era tão incandescente, tão brilhante e aconchegante que seu beijo havia começado no olhar, no toque, na presença, na proximidade, no interesse, no cuidado, no carinho, e então acontecia de fato, como se fosse a primeira vez, mas como se todas as vindouras prometessem ser primeiras vezes.

Não havia nada além daquele toque de lábios casto, que denotava todos os sentimentos que vinham nutrindo um pelo outro secretamente, mas era aquele mesmo toque de lábios singelo que selava o destino de ambos.

Todos os segredos e todas verdades omitidas haviam se desnudado quando os dois mundos haviam se tornado um, quando todas as juras eram feitas em silêncio e quando as preces eram ditas sem que qualquer palavra precisasse ser proferida.

Como se a magia que todos os livros de ficção juravam existir se derramasse sobre a história que apenas começava, as flores de cerejeira choveram.

***

Os passos eram firmes e a postura perfeita enquanto caminhava por aquela rua conhecida abaixo. Trazia as mãos nos bolsos da calça social, perfeitamente alinhada com a camisa, a qual dobrara as mangas até a altura dos cotovelos.

Era verão e o Sol caminhava para seu poente, mas os óculos escuros que usava nada tinham a ver com a luz. Escondia-se na farsa que era.

Não sentia-se nada seguro como demonstrava sentir-se; pelo contrário, voltar àquele lugar o punha uma pilha de nervos.

A mesma máscara de indiferença que o ajudava a fingir um estado de espírito que dificilmente se assemelhava ao seu atual era aquela que o tinha feito fechar-se dentro de si como o covarde que era e afastar a única pessoa que queria junto de si.

Experimentara a solidão por longos anos antes de conhecê-lo e apenas então percebera que estivera sozinho aquele tempo todo. Então, nada na vida o havia preparado para estar só novamente e aquele estado que causara a si mesmo lhe doía nos ossos.

As ruas estavam vazias naquele bairro àquelas horas, portanto seu ritmo firme cedeu para passos calmos, como se seu corpo tentasse encontrar um gesto de paz em meio à guerra que era seu espírito.

Encarou calmamente o cruzamento que atravessava. Não havia nem mesmo uma única pessoa caminhando por ali além de si, mas ainda assim Sasuke via adolescentes barulhentos caminhando em bandos, rindo e brincando, despreocupados. E ali, perdidos naquela horda, estavam um moreno e um loiro, os corpos tão próximos que ninguém poderia notar suas mãos juntas ou o olhar cúmplice que trocavam. Seguiam para o costumeiro distrito comercial, onde todo os rostos eram conhecidos, mas a história que escreviam juntos poderia continuar em segredo.

Ali jaziam as memórias de sua adolescência. Ali os fantasmas de seu passado faziam morada.

Seguiu caminhando rua abaixo, apressando seus passos novamente.

As quatro horas da tarde aproximavam-se como se o tempo devorasse sua liberdade com voracidade. Tinha aproximadamente duas horas até que seu telefone começasse a tocar, seus pais – ou os assessores destes – enlouquecidos por não saber onde ele estava.

Que ligassem.

Que tentassem.

Sasuke não pretendia ser facilmente encontrado.

Parou em frente àquele prédio conhecido que nada tinha mudado ao longo do tempo; era a escola que Naruto tanto havia se esforçado para ingressar junto de Sasuke. Naquele lugar tantas coisas haviam acontecido...

Não demorou-se ali. Não encontrava, em si, forças para lidar com a avalanche de memórias que ameaçava afundar-lhe. Seguiu rua abaixo e virou na primeira à direita, como havia feito tantas e tantas vezes com Naruto ao seu lado.

Trilhava a sombra passada de seus próprios passos e a cada um destes que tomava, um flash de um tempo perdido naqueles dias brilhantes lhe acometia. Um perfume, um sabor, uma sensação, um gesto, um lugar, um olhar, um beijo... E tudo era tão vívido quanto a dor pungente que acometia seu coração.

Não sabia mais dizer há quanto tempo estava caminhando, mas poderia facilmente dizer quantas quadras havia percorrido para chegar àquele ponto onde estagnou por um momento.

Podia ver.

Ali, a alguns passos de distância, estava o templo no qual seu coração havia sido tomado pelas virtudes do amor, onde seus dias ensolarados haviam começado e se mantido firmes mesmo em temporadas de chuva e neve.

Retomou a caminhada e cada passo que o levava para mais perto daquele ponto de ônibus era mais pesado que o anterior, como se os demônios que atormentavam sua alma tentassem lhe arrastar para longe daquele local que era solo sagrado para o seu coração.

Ainda permanecia o mesmo; colunas, telhado, banco, cor, forma. Em nada era diferente de qualquer outro dentre os numerosos que se espalhavam através da cidade, e ainda assim Sasuke sentia como se houvesse reaprendido a sorrir como naquele dia em que Naruto lhe sorrira pela primeira vez.

Aquele poderia parecer idêntico a todos os outros, mas era único para Sasuke.

Fora ali que sua vida havia começado.

Ali, renascera quando o amor lhe chamara pelo nome.

“- Olá. Sou Naruto. Uzumaki Naruto.

— Ahn, sim, sou Uchiha...

— Sasuke. Sim, eu sei.”

Sasuke não fora uma criança de muitos sorrisos, tampouco havia se tornado um adolescente que o faria facilmente, mas naquele momento algo dentro de si fora lavado pela mesma chuva que havia trazido Naruto até si e um sorriso que não sabia ser capaz de dar tomou-lhe os lábios.

Talvez fosse para fazer reflexo àquele sorriso deslumbrante que lhe fazia frente ou talvez fosse por que naquele momento começava a tornar-se uma pessoa diferente dado àquilo que, silenciosamente, sentia tentando criar raízes em seu coração, mas fosse como fosse, aquele gesto fora seu primeiro passo para aproximar-se da felicidade.

Felicidade... Naquele tempo não sabia que esta poderia acabar, ainda que esse fosse seu maior temor, mas quando Naruto saíra por aquela porta, esta saíra com ele.

Perguntou-se o que estava fazendo ali, não pela primeira vez. Estava louco, provavelmente; escrevendo uma carta que jamais seria entregue, rezando para um Deus no qual não acreditava, pedindo por um milagre.

Lembranças e sentimentos turbilhonavam em sua mente. Não mais sabia como sentia-se. Nem tristeza, nem felicidade, nem nostalgia poderiam descrever. Era tudo aquilo, mas nada daquilo. Lhe dilacerava, eviscerava, devorava, queimava. Lhe salvava, curava, restituía, restaurava.

Por toda a sua vida fora alguém que abdicava das emoções e era uma piada cósmica que sentisse tudo de uma única vez; aquelas ondas de dor e calor, felicidade e sofrimento alternadas, todas juntas, lhe lavando e desnudando a alma, despindo-o de suas máscaras e pondo-lhe frente à frente com a farsa que era.

Sentiu as lágrimas renegadas de uma vida apertando-lhe a garganta como uma mão invisível que o sufocava. Seus olhos ardiam e sentia a umidade quente nublando sua visão.

Depois de tudo, era aquilo. Nada de milagre; apenas o sofrimento que carregaria por todo o tempo em que vivesse.

— Então você veio. – um arrepio subiu pela espinha de Sasuke como uma onda de choque, uma inspiração cortada pela metade quando girou em seus calcanhares para voltar-se na direção daquela voz tão conhecida que era como se fosse a primeira que ouvira na vida.

Sua aparência não havia mudado nada; os mesmos cabelos dourados, a mesma pele bronzeada, a mesma postura despojada. No entanto, Sasuke podia sentir a mudança em Naruto tal qual podia sentir uma tempestade se aproximando. Era instintivo.

— O que faz aqui? – Sasuke pegou-se perguntando ainda que não tivesse planejado. Sua mente reagia como se estivesse operando automaticamente, desde que a maior parte de si ainda não havia se recuperado da presença impactante de Naruto.

Não se viam há quase meio ano. Para ambos, que se viam quase todos os dias durante anos à fio, aquele tempo havia se arrastado como éons. Seis meses ainda eram seis meses, mas sentia a velhice e a fragilidade em sua alma, como se houvesse vivido demais e estivesse prestes a quebrar.

— O mesmo que você, eu acho. – Naruto suspirou e levou a mão direita em direção ao rosto enquanto dava a volta em Sasuke, obrigando-o a mover-se para acompanha-lo enquanto adentrava a cobertura do ponto de ônibus.

Apenas então percebeu que fumava. Naruto nunca fumara, nem mesmo uma única vez; nem durante aqueles quinzes anos que haviam compartilhado, nem antes.

— Não sabia que você fumava. Sempre me disse que isso acabaria me matando algum dia... – Sasuke recordou, um passo em frente como se Naruto fosse o Sol e ele se inclinasse conforme sua luz, ainda que, naquele momento, pudesse ver as nuvens turvando, nublando, carregadas por uma chuva que ansiava por chover. Talvez fosse o mesmo Deus no qual não acreditava, mas para quem, ainda assim, rezara, que estivesse brincando com sua percepção, mas podia ver a alma de Naruto refletindo-se no clima, nas nuvens que acumulavam-se no céu.

— “Por que não apressar o inevitável, quando todos os dias já se morre lentamente?”— Naruto citou e Sasuke sentiu as pernas fracas diante daquela lembrança.

Era um poema antigo que Sasuke havia declamado em um festival escolar e que Naruto alegava ter sido feito com tamanha propriedade que decorara e declamara apenas à Sasuke anos antes, ainda que a lembrança fosse tão vívida quanto no dia após o acontecido. Sasuke esforçou-se em manter o beijo que viera após a declamação longe da superfície de sua mente.

— “Tal qual a flor murcha e cai na ausência do Sol, deixa-me definhar.” – Naruto tragou profundamente e exalou, o rosto voltando-se em direção ao Sol. Usava óculos escuros tal qual Sasuke e este suspeitava que Naruto talvez se sentisse da mesma forma que ele, temendo uma troca de olhares que poderia desencadear o caos.

— “Deixa-me aproximar de minhas feridas, deixa-me lembrar do amor que um dia foi meu.” – Sasuke sussurrou aproximando-se mais um passo. – Eu me lembro.

— Sim, por isso estamos aqui, não é? – Naruto voltou-se em sua direção, mas desde que não podia ver seus olhos - aqueles mesmos dos quais sentia saudade mortal - Sasuke não era capaz de dizer o que se passava em sua mente. – Para nos lembrarmos; para nos permitirmos esquecer.

Sasuke engoliu em seco e algo dentro de si estilhaçou-se. Naruto estava errado, eles não estavam ali pelo mesmo motivo. Sasuke estava ali para redimir-se, mas Naruto estava ali para deixar o passado para trás e seguir em frente.

— Eu não estou aqui para esquecer. – Sasuke não sabia aonde havia reencontrado sua voz para dizer aquelas palavras, ainda que soasse como um estranho aos seus ouvidos.

— Então para que está aqui, Sasuke? – Naruto deu um passo em sua direção, a expressão insondável, o timbre de sua voz frio e cortante como aço.

Sua voz havia se perdido novamente e ainda que não pudesse ver os olhos de Naruto, sentia-os como agulhas em sua pele, como uma sensação fria em sua nuca, como fogo a lhe consumir dos pés à cabeça.

Um momento de silêncio prolongou-se enquanto Sasuke tentava encontrar naquele momento as mesmas palavras que haviam lhe ajudado a se expressar enquanto escrevia a carta que jamais conseguiria entregar, que jamais seria lida por seu destinatário.

Pensara que conseguiria colocar seus sentimentos à limpo se acaso visse Naruto uma última vez, mas não era tão simples. Enquanto Naruto parecia sempre ter voado livre, Sasuke fora o pássaro incapaz de deixar o ninho e que, sem jamais ter aprendido a voar, caíra para sua morte.

— Você não sabe o que está fazendo aqui, Sasuke, assim como jamais soube o que estava fazendo comigo ao longo desses 15 anos que você me roubou. – Naruto disse em voz baixa, mas firme. Soava venenoso como Sasuke jamais imaginara ser possível, mas talvez todo o veneno que corria em si houvesse afetado Naruto depois de todo aquele tempo. Sasuke quebrava tudo o que tocava e Naruto, talvez, não fosse a exceção que ele imaginara. – Se fosse para me deixar, você jamais deveria ter aceitado estar ao meu lado.

Naruto passou uma mão por seus cabelos em claro sinal de nervosismo. Atirou o cigarro no chão e pisou com força sobre o restolho, sentando-se no banco do ponto de ônibus com as pernas abertas bem separadas, os cotovelos apoiados nos joelhos e o rosto escondido entre as mãos.

Sasuke podia ver a fragilidade que sentia em si refletida em Naruto. Como sempre, lidavam com os mesmos sentimentos de formas opostas. Sasuke escondia-se dentro de sua concha e envenenava sua própria alma, enquanto Naruto colocava tudo para fora, falando, gritando, chorando ou qualquer coisa que o ajudasse a se expressar.

— Eu falei contigo pela primeira vez bem aqui. – a voz de Naruto soava abafada por conta da forma como sentara-se, mas Sasuke podia ouvir claramente. Então Naruto apoiou o queixo sobre os dedos entrelaçados juntos e apontou com um dos mínimos para pontos específicos enquanto falava. – Eu te beijei ali, naquela esquina. Ali, do outro lado da rua. Sob aquela árvore. Atrás desse ponto de ônibus. Eu me apaixonei quando te vi pela primeira vez e te amei quando realmente pude te enxergar, com todos os seus defeitos e em todas as vezes em que você me deixou louco de todas as maneiras possíveis.

“Eu te disse uma vez e agora te digo uma vez mais: você foi meu primeiro e último amor. Agora, adiciono: último por que jamais permitirei que qualquer outra pessoa alcance o mesmo lugar que você alcançou. Nunca vou deixar que outra pessoa faça comigo o que você fez, por que você me construiu e me abrigou, mas quando a tempestade realmente chegou para nós, você me demoliu e minha alma adoeceu sozinha.

“Eu achei que nosso amor era bálsamo, mas era veneno, Sasuke, e você me envenenou. Eu vivi por você, mas você deixou-me morrer quando eu precisei que você me ressuscitasse. Eu estava disposto a abrir mão do mundo por você, mas você estava mais disposto a abrir mão de mim para o mundo.

— Cale a boca! – Sasuke viu-se gritando e agarrou Naruto por seu colarinho, obrigando-o a levantar-se ainda que fosse centímetros mais alto que Sasuke. Arrancou os óculos escuros que usava e jogou-os no chão. – Olhe nos meus olhos, Naruto!

O vento soprou murmurante naquele silêncio cortante enquanto Sasuke desnudava sua alma dilacerada para Naruto.

— Você enche sua boca para falar que nunca te amei da mesma forma que você me amou e age como se te deixar tivesse sido a coisa mais fácil da minha vida. Você diz que eu o envenenei e o abandonei, mas ao menos eu conheço você, seu estúpido! E você? Pode dizer o mesmo? Não, não pode, por que a pessoa que você está descrevendo não sou eu! – Sasuke gritou permitindo que todos os sentimentos transbordassem em forma de fúria. – Você diz que eu fui veneno, mas veneno são suas palavras! Você diz que eu o quebrei, mas eu jamais seria capaz de te eviscerar da forma como faz comigo agora!

“Você não sabe quão difícil foi para mim não poder dizer as coisas que eu sentia por medo de mim mesmo, por medo de viver a vida que era meu sonho, por medo de que se tornasse um pesadelo! Você não sabe quantas noites em claro eu passei ao seu lado remoendo as palavras que eu queria te dizer, os sentimentos que eu queria te mostrar, mas que minhas amarras jamais permitiram! Você não sabe o quanto me matou ver você saindo por aquela maldita porta!

— Então você deveria ter me impedido! – Naruto gritou de volta arrancando os óculos de seu rosto e segurando-os com tamanha força que quebraram-se e ele os jogou, ambas as mãos agarrando Sasuke pela camisa e puxando-o para perto. – Eu fui por que você me disse para ir e nunca mais voltar! “Não seja estúpido! A vida que nós idealizamos nunca vai acontecer, Naruto! Se ainda é a mesma criança de 15 anos atrás que acredita que nós podemos deixar tudo para trás e vivermos como se nada disso importasse, é melhor que saia por aquela porta e nunca mais volte!” – Naruto o relembrou de suas palavras amargas aos gritos.

— Eu estava desesperado! – Sasuke gritou de volta, a mão que não segurava o colarinho de Naruto socando-o no peito com força. Sua voz tremia e ameaçava quebrar e a ponte de vidro sobre a qual caminhava dentro de si estalou, rachaduras espalhando-se sob seus pés. Estava trilhando um caminho sem volta ali, fosse como fosse.

— Eu também! – Naruto sacudiu-o e o trouxe para mais perto em um puxão, os rostos a milímetros de distância, as respirações arfantes misturando-se naquele espaço ínfimo. Outras vezes, aquela proximidade levaria a um beijo; naquele momento, apesar de tão próximos, jamais haviam se sentido tão distantes um do outro. – Eu estava te pedindo socorro! Foi a única vez na minha vida em que fiz isso e você deu suas costas a mim! Você me deixou, Sasuke! Você nunca me amou!

— Você saiu por aquela maldita porta, não eu! – Sasuke praticamente cuspiu aquelas palavras, mas aquelas que realmente queria dizer ainda estavam trancadas em seu peito. Era escravo de si mesmo e prisioneiro do calabouço que seu pai havia construído naquela máscara que usava.

— Eu fui aquele que saiu, Sasuke... Mas você foi aquele que me deixou antes de mais nada. – Naruto suspirou e toda a sua raiva pareceu ter se esvaído junto à exalação. Restara apenas cansaço e dor, como um moribundo. Sua voz era quase um sussurro quando continuou. – Essa discussão é sem sentido. Eu devo ter sido nada mais que mero capricho seu durante esse tempo todo. Você apenas não suporta a ideia de me ver com outra pessoa, assim como nunca foi bom em dividir suas coisas quando éramos mais novos. Você nem sequer se dá ao trabalho de refutar minha negativa...

Naruto soltou o colarinho de Sasuke e agarrou sua mão que o mantinha preso firmemente, obrigando-o a soltá-lo.

— Ainda que não passe de mentira o tempo que vivi contigo, eu vim aqui para relembrar pela última vez, para que eu possa enterrar o passado e jamais velá-lo novamente. – Naruto afastou-se e não mais olhava para Sasuke enquanto falava. – Eu vim aqui para dizer adeus. Considere dito.

Um passo.

Sasuke estava vendo-o ir embora mais uma vez e estava tão estático quanto da última. Não era capaz de dizer ou fazer coisa alguma para impedir que o passado se repetisse.

Dois passos.

Talvez a vida fosse feita de repetidas tentativas afim de reparar erros que jamais poderiam ser consertados.

Três passos.

Talvez Sasuke estivesse tentando se convencer de que era diferente durante todo o tempo, mas na verdade estivesse apenas se recusando a aceitar quem ele realmente era. Não seria capaz de mudar, por que não era questão de deixar uma máscara de lado e vestir seu verdadeiro eu, mas o oposto.

Quatro passos.

— Covarde! – Sasuke pegou-se gritando para as costas de Naruto em um ímpeto que desconhecia. Desesperado ao ponto de tentar novamente, sua voz reverberou em seu interior e expandiu as rachaduras que estalavam ameaçadoras enquanto caminhava mais rápido.

— O que? – Naruto virou-se lentamente, a voz tão baixa quanto um murmúrio, mas com um olhar afiado e cortante que fixou diretamente em Sasuke.

— Eu... – Sasuke respirou fundo, buscando a própria voz e a coragem para dizer aquilo que o envenenava há anos. Sentiu sua garganta apertando e seus olhos queimavam, embaçados. Sentiu algo quente descendo pelas maçãs de seu rosto abaixo. – Eu sou um covarde.

Naruto ficou ali parado por um momento, apenas olhando para Sasuke, um brilho fugaz em seus olhos, num misto de esperança e desespero. E então, assim como surgira, extinguiu-se quando piscou e balançou a cabeça em negativa, voltando a fazer seu caminho.

— Eu... – Sasuke engoliu em seco, mas não permitiu que sua voz fosse roubada novamente. – Eu não posso seguir em frente sem você. – suas palavras fizeram Naruto parar novamente, mas não virou-se. – Eu tenho seguido dia após dia às cegas sem você, Naruto. Eu não sei para onde estou indo. Eu não sei o que estou fazendo. Mal como, mal durmo, e quando o faço, tenho pesadelos onde você me assombra com o seu sorriso que já não é mais meu.

“Eu sei que meu egoísmo te devorou, mas eu tenho me devorado também. Eu sou autodestrutivo e tenho te arrastado ladeira abaixo comigo. Eu tenho ciência de que você merece mais e eu quero o melhor para você, mas... Eu não consigo te deixar ir. Eu não posso te ver partir mais uma vez!

“Então fica, Naruto... Fica comigo! Por favor...

Suas lágrimas haviam encontrado o caminho de saída depois de tanto tempo e Sasuke não sabia como fazê-las parar. Sua voz, de trêmula, havia passado para soluçante, retratando o desespero que queimava em seu peito.

— Sasuke... – Naruto disse, ainda sem virar-se. – Por favor... Deixe-me livre desse amor que se tornou minha ruína. Eu... Só quero paz.

Aquelas palavras eram a prova de que havia sido derrotado. Naruto não poderia mais ser alcançado por suas palavras.

Percorreu a curta distância que os separava em passos largos e abraçou Naruto ainda que este ainda estivesse de costas, ainda que soubesse que não seria correspondido. Junto das próximas palavras que diria, a ponte sobre a qual corria cedia sob seu peso, estilhaçando-se e deixando-o cair em direção à escuridão insondável.

— Eu amo você.

Um silêncio dolorosamente longo seguiu-se àquelas palavras ditas como um pecador que confessa seus pecados.

— Nossa situação... Não pode ser resolvida com palavras, Sasuke. – Naruto disse, suas mãos agarrando-se às de Sasuke, mas não para obriga-las a soltar-lhe. Antes, segurava-as com força, os dedos entrelaçando-se.

— Eu sei... – Sasuke murmurou, o rosto apoiado contra as costas de Naruto. Parecia fazer uma eternidade desde que pudera tocá-lo e sentir seu calor, seu cheiro, como podia naquele momento. – Mas eu ainda quero tentar. Não importa o que me custe, desde que tenha você ao meu lado... Eu sei que tudo vai ficar bem.

“Você me deu uma vida de amor e declarações. A cada momento que você podia, provava aquilo que sentia e o quanto sentia. Eu nunca fui capaz de fazer o mesmo. E ainda que eu só tenha sido capaz de dizer que te amo agora, quando talvez já tenha te perdido, ainda assim... Ainda assim, eu peço que me deixe tentar mais uma vez.

“Você disse que não te amo, que jamais te amei... Mas sabe que não é verdade. Eu sei disso e você sabe. Eu não disse e eu não me declarei, mas... Eu sei que você tem visto isso em mim... Eu quero acreditar nisso.

Lentamente, Naruto soltou-se do abraço de Sasuke e virou-se para ele, enlaçando-o com ternura e aconchegando-se contra seu corpo, beijando-lhe os cabelos. Encaixavam-se com perfeição no abraço um do outro, como se houvessem nascido para pertencer um ao outro, ainda que tudo no mundo indicasse o contrário.

— Eu sei... Eu disse aquilo tudo por que eu pensei que, se sentisse raiva o suficiente, se negasse tudo, seria mais fácil de deixar ir. Mas você está certo, eu realmente vi seu amor ao longo dos anos... – Naruto suspirou. Sasuke o abraçou com mais força e rezou para um Deus no qual começava a acreditar.

Queria que aquele momento jamais acabasse, queria que a esperança que sentia germinar naquele abraço pudesse enraizar, crescer, dar flores e frutos.

Caíra dentro de si e ali encontrara aquilo que havia sido reprimido pelo sangue de seu sangue. Ali, havia tudo aquilo que aprendera a ser ao lado de Naruto. Ali estava o seu amor.

Era livre, enfim.

— Em cada um dos olhares que você me lançava quando pensava que eu estava desatento, nos beijos e carinhos que você me dava quando achava que eu estava dormindo, nas pequenas notas que você deixava em meio aos meus cadernos e, depois, nos bolsos das minhas camisas ou sobre a minha mesa no escritório, nas mensagens tarde da noite... Vi seu amor em cada dia que passou ao meu lado e foi isso que me tornou quem eu sou. – Naruto terminou de dizer com voz embargada, rouca, e Sasuke levantou os olhos para o seu rosto. Naruto chorava com as sobrancelhas ligeiramente franzidas, um meio sorriso nos lábios. Sasuke estremeceu sem entender bem o motivo... Aquela era uma expressão que jamais vira Naruto fazer em todos aqueles anos.

“Mas você estava certo e eu acho que isso é o mais assustador de tudo. Nós não podemos continuar a viver aquele sonho. Essa é a realidade, a nossa realidade, e nós temos que seguir em frente. Eu sei que você mudou de ideia, mas... Não deveria. Por favor, não tente me dissuadir disso. Foi muito doloroso ter que aceitar que esse é o único caminho. Tem alguém esperando por mim assim como há alguém que espera por você. Nós dois precisamos ir agora.

As palavras de Naruto roubaram o ar dos pulmões de Sasuke e o sangue esvaiu-se de seu rosto. Estivera tão perto, tão perto de conseguir... Mas Naruto estava soltando-se do abraço.

Como se vinda com a brisa, uma onda de calor espalhou-se pelo corpo de Sasuke e o sangue rugiu em seus ouvidos, seu coração batendo acelerado em seu peito.

Nada mais importava, apenas aquele momento, e Sasuke não deixaria aquela oportunidade passar. Havia uma certeza reverberando em si e motivando-o a seguir.

Talvez a esperança que ansiara tanto por enraizar houvesse se agarrado a algo, afinal.

— Não, seu idiota. – Sasuke segurou Naruto pelos pulsos e fixou seu olhar no dele. Como pudera ser tão estúpido? Estava ali o tempo todo, então como pudera simplesmente não ver? Aprofundando-se nos olhos azuis de Naruto, podia ver claramente aquilo que deixara passar uma vez. – Você estava gritando em silêncio por socorro, mas eu deveria ter sido capaz de ouvir. Todas as vezes em que eu não fui capaz de dizer que precisava de você, ainda assim, você ficou. Me deixe fazer o mesmo por você. Eu ouço você agora... Não há maneira de eu te deixar ir.

Naruto soltou-se de Sasuke e escondeu o rosto entre as mãos. Ainda que não fizesse nenhum som, Sasuke podia ver seus ombros encolhidos tremendo e sabia o quanto ele estava chorando.

O coração de Sasuke parecia ter encolhido ao tamanho de uma ervilha, dado quão grande era o aperto que sentia no peito. Ele havia feito Naruto sofrer daquela forma e seria ele a consertar tudo daquela vez.

Há momentos na vida em que devemos aceitar o destino que nos é imposto, mas quando algo se torna realmente importante para o seu coração... Isso é algo pelo que vale à pena arriscar todo o resto, mesmo que seja uma aposta perdida. Se há reciprocidade e você queimar por isso, abrace ao fogo.”

Sasuke lembrou-se daquilo que seu irmão lhe dissera uma vez.

Muita coisa havia mudado desde então, mas Sasuke percebeu que aquela verdade jamais deixaria de sê-la. Algumas coisas deveriam permanecer sendo como eram, afinal.

Segurou as mãos de Naruto e afastou-as para que pudesse ver seu rosto, ainda que houvesse encontrado resistência. Enxugou suas lágrimas e sorriu brando. Fora cego e não pudera ver que aquele era seu destino, e ele tinha nome e sobrenome, e o sorriso mais lindo do mundo, que ele havia sido responsável por roubar.

Olharam-se por um tempo que pareceu durar anos, como se tentassem se conhecer novamente através do olhar. Ali, naquele mesmo lugar onde haviam nascido juntos, renasciam, da mesma forma, através do mesmo olhar.

Um trovão soou distante, ou talvez estivesse perto. Nenhum dos dois saberia dizer naquele momento, quando o mundo parava apenas para que pudessem se olhar.

Havia uma verdade a ser dita depois de tudo, na calmaria, e Sasuke finalmente estava apto a dizê-la.

— Eu amo você, e se eu tiver que queimar por isso... Deixe-me arder em chamas. Eu abraçarei ao fogo.

O que ocorrera primeiro? O beijo, saudoso, ou aquela repentina chuva de verão que os encharcava até os ossos, levando-os para um passado distante, onde tudo começara?

***

Sem se importarem com os olhares tortos que recebiam, correram de mãos dadas e aos risos através da rua sob a chuva fria que caía em gotas grossas e pesadas.

Como se houvesse recebido um milagre após uma vida inteira de preces, Naruto permitiu-se apreciar a tarde chuvosa ao lado de Sasuke pela primeira vez em muito tempo, puxando-o para perto, agarrando-o pela cintura e rodopiando ao som de uma música que apenas os dois podiam ouvir.

Tomaram o próprio tempo observando os raios dourados e avermelhados do sol poente iluminando as gotas de chuva, tornando-as em gemas preciosas. Como se o mundo houvesse passado por um longo período de preto e branco, Naruto admirava as cores vibrantes que enchiam a realidade com vida novamente.

Dirigir até aquele lado da cidade fora uma prova árdua. Ambos queriam chorar e rir ao mesmo tempo, gargalhar e gritar para o mundo sem saber ao certo as palavras que gostariam de usar, mas também queriam se beijar loucamente, se agarrar para nunca mais soltar.

Naruto não queria pensar no dia de amanhã, portanto não pensaria. Queria desfrutar da felicidade e plenitude que o inundavam naquele momento. Estava com Sasuke e tudo estava bem. Deixaria para pensar quando fosse inevitável, e apenas então.

Havia uma noiva se arrumando para ele e outra para Sasuke enquanto corriam e gargalhavam juntos, como loucos desvairados, mas elas que os desculpassem... Não haveria cerimônia alguma com elas, desde que, para ambos os homens, apenas um par de votos seria trocado naquela noite, e este seria dito entre quatro paredes, apenas para que eles ouvissem. Não precisavam de testemunhas para aquilo que estava prestes a acontecer.

Digitaram a senha apressadamente no pequeno painel à entrada do prédio e, com um estalo, a porta pesada abriu-se. Adentraram o lobby vazio deixando um rastro de água em seu encalço em direção ao elevador.

Assim que o indicador de Sasuke encontrou-se com o botão que numerava o andar para o qual iriam, Naruto o empurrou contra a parede do elevador e segurou suas mãos acima da cabeça, prendendo-as em um aperto. Os corpos molhados roçavam-se, ansiando pela proximidade, pelo toque.

Naruto encostou a testa na de Sasuke e, olhando-o com intensidade, pressionou sua coxa contra a ereção que sentia formar-se dentro das calças do moreno, um gemido rouco escapando por entre os lábios finos.

Como a praga que assola uma população repentinamente, os celulares de ambos começaram a tocar ao mesmo tempo, fazendo-os sobressaltarem quando a bolha na qual haviam se escondido espoucara. Checaram o identificador de chamadas e mostraram um ao outro.

Sorriram ainda que soubessem que não deveriam.

Pai.

Aquilo só poderia ter um significado: seus pais estavam reunidos tentando encontra-los, suspeitando ou sabendo de fato que os dois estavam juntos. Desligaram os aparelhos ao mesmo tempo em que as portas do elevador se abriam ao som de uma campainha e, agarrando Sasuke por um dos pulsos, Naruto puxou-o para fora.

O tempo havia passado e isso era inegável, porém eles ainda eram os mesmos jovens imprudentes que juravam ter deixado para trás há muito.

O número na porta era tão conhecido que havia se tornado um código entre os dois depois que haviam comprado aquele loft de uma amiga, ainda que no registro da propriedade não constasse o nome de nenhum dos dois.

Aquele era o lugar que usavam para fugir da realidade sempre que a vida se tornava muito tumultuada e as famílias não paravam de aparecer nos apartamentos de ambos sem qualquer aviso prévio. Portanto, quando viam os números 3-0-3 em um post it ou uma mensagem de texto, sabiam exatamente para onde deveriam ir.

Sasuke retirou um molho de chaves do bolso e abriu a porta com mãos trêmulas. Pensara em arrancar aquela chave e atirar longe tantas, tantas vezes durante aquele tempo em que haviam passado separados, mas sequer conseguira tirá-la do chaveiro. Todas as vezes que tentava, seu coração doía como se fosse feito de osso e estivesse a partir-se.

Naruto podia ver a ansiedade de Sasuke no lábio inferior que prendia entre os dentes, nos olhos negros que brilhavam em expectativa, no rubor em suas bochechas e nos gestos erráticos. Os anos que compartilharam e as vezes em que haviam dividido aquele lugar não haviam diminuído em nada o tesão que sentiam um pelo outro.

Tomou as chaves das mãos do moreno e empurrou-o porta adentro, fechando-a com um baque e trancando-a apressadamente, alcançando o colarinho molhado de Sasuke com ambas as mãos e puxando-o para perto, girando e invertendo as posições, empurrando-o contra a porta.

— Pelo que lembro, paramos aqui. – sussurrou ao pé do ouvido de Sasuke com a voz rouca e mordeu o lóbulo da orelha avermelhada. Não estava muito certo do motivo que levara o moreno a arrepiar-se: se as roupas encharcadas ou se seu toque, mas dado ao calor abrasador da pele de Sasuke, tinha grandes suspeitas de que era a segunda opção.

Sorriu com malícia.

Sentiu as mãos de Sasuke subindo por seu abdome sobre a camisa molhada, passando espalmadas sobre seu peito e alcançando seu pescoço, agarrando os cabelos em sua nuca e puxando-os, obrigando Naruto a expor seu pescoço.

— Não deveríamos ter parado em momento algum. – Sasuke sussurrou contra a pele do pescoço de Naruto, mordendo-o com força e fazendo-o rosnar, a respiração arrastando-se quando agarrou Sasuke pelos quadris com força, friccionando pélvis contra pélvis, atiçando a centelha de desejo entre os dois que lentamente tornava-se fornalha.

Sasuke lambeu a linha do maxilar bem demarcado de Naruto e sentiu pulsando o volume que se pressionava contra si. Com meio sorriso, beijou-lhe o queixo e, subindo as mãos através das madeixas douradas nuca acima, trouxe o rosto de Naruto para mais perto do seu. Trocaram um olhar intenso e cúmplice antes dos lábios se encontrarem.

Sedentos um do outro como estavam, o beijo foi o mais desejoso que já haviam compartilhado durante todo aquele tempo que estavam juntos. Começara como um cálido toque de lábios molhados e febris em um encaixe perfeito, tal como havia sido desde a primeira vez. Porém, quando os dentes de Sasuke morderam o lábio inferior de Naruto e puxaram ao mesmo tempo em que seus dedos se fechavam nas mechas dos cabelos loiros, foi como se uma barragem se rompesse e os inundasse com um desejo que havia sido contido por demasiado tempo, como se as algemas fossem abertas e os grilhões viessem por terra.

Com um movimento preciso, as mãos de Naruto libertaram os quadris de Sasuke e agarraram-se ao colarinho da camisa que este ainda usava. O fogo que queimava em seu olhar o denunciava e Sasuke riu-se gostosamente, jogando a cabeça para trás quando Naruto puxou o tecido em direções opostas e arrebentou todos os botões, as mãos conhecedoras daquele caminho familiar trilhando de cima a baixo lentamente, deixando a pele de Sasuke arrepiada por onde passava.

Naruto havia estragado várias de suas camisas favoritas ao longo do tempo fazendo exatamente a mesma coisa e Sasuke jamais reclamara. Pelo contrário... Sabia que todas as vezes em que Naruto fazia aquilo, algo maravilhosamente excitante se daria em seguida e seu instinto lhe dizia que aquela vez seria diferente de todas as outras até então.

Não que algo já houvesse sido ordinário com Naruto. Muito longe disso.

Naruto segurou-o pelos passadores da calça e pelo cinto e puxou-o com força, os dentes cerrados, a respiração rasa. Entreabriu os lábios num convite mudo para os de Sasuke, que cedeu calorosamente.

Naquele beijo eles perceberam que não havia tempo ou distância que poderia fazê-los viver longe um do outro. A promessa silenciosa que o primeiro beijo havia feito provava-se verdadeira em todos os seus sucessores, mas especialmente naquele, quando Naruto tocou o lábio superior de Sasuke com sua língua apenas brevemente e Sasuke sentiu todo o seu corpo incendiar em resposta ao ardente de Naruto.

E como se aquele toque houvesse feito um convite, as línguas se encontraram naquele beijo ansioso que havia demorado demais para acontecer.

A intensidade e a saudade eram incineradoras e quando separaram os lábios, arfantes, não houve tempo para segundos pensamentos, quando uma das mãos de Naruto rumou para o rosto de Sasuke, encaixando-se perfeitamente entre a curva de seu pescoço e sua nuca, o polegar na linha do maxilar empurrando o rosto para cima e expondo o pescoço de Sasuke, a pele clara um convite mudo e erótico para Naruto, que lambeu desde a clavícula saliente até alcançar a base da orelha de Sasuke.

— Me diga o que você quer. – a voz de Naruto assumia um tom completamente diferente de qualquer outro usado em qualquer outra ocasião. Sasuke sentiu-se estremecer ao ouví-lo e saber que era apenas dele, apenas para ele... Não era?

— Fode comigo como fodeu com ela. – antes que percebesse, as palavras se atropelavam para fora de seus lábios e o olhar que recebeu de Naruto era um misto de confusão e raiva.

— O que você quer dizer...? – Naruto perguntou lentamente e Sasuke percebeu que ainda que tentasse consertar a besteira que acabara de fazer, apenas tornaria tudo ainda pior. – Você acha que eu... Transei com a Hinata. – não era uma pergunta. O olhar duro e frio que recebeu estava repleto de uma compreensão muda. – Claro que você pensaria isso, por que foi exatamente o que esteve fazendo, não é? Fodendo com a Sakura esse tempo todo...

— Naruto... – a voz de Sasuke era um fio. Como pudera ser tão estúpido? Por que sempre tinha que estragar tudo? O ciúme que até então fora incapaz de verbalizar manifestava-se como veneno destilado em sua língua ferina.

— Não tente se explicar. – a mão de Naruto que estava em sua nuca e pescoço seguraram seu queixo em um aperto firme, obrigando-o a olhar para cima afim de encará-lo nos olhos. – Nós não estávamos juntos... Não é como se você tivesse me traído. – um suspiro de alívio escapou por entre os lábios de Sasuke, mas o olhar sádico de Naruto fê-lo arrepender-se de imediato. – Mas eu vou te foder até que você se esqueça... Dela, do seu nome, de tudo... Até que você só possa se lembrar de mim e que as únicas palavras saindo desses seus lábios sejam para dizer meu nome e para pedir, implorar por mais.

Sasuke engoliu em seco e mordeu o lábio inferior com força, o corpo trêmulo, os batimentos cardíacos acelerados. As vezes passadas nas quais Naruto ficara enciumado haviam rendido vários dos melhores orgasmos de sua vida.

Jamais dissera, mas Naruto demostrando seus ciúmes e tornando-se exigente, algo entre sádico e necessitado, era um dos maiores fetiches de Sasuke.

Controlou um gemido quando Naruto o virou de costas para si, puxando a camisa aberta e desnudando completamente o peito de Sasuke, empurrando-o com força contra a porta e livrando-se de sua própria camisa, o peito largo encaixando-se às costas de Sasuke.

Naruto mordeu o ombro de Sasuke com força, arrancando um gemido alto e trêmulo dos lábios entreabertos, os cabelos negros um tanto compridos e molhados lhe fazendo cócegas na lateral do rosto quando o moreno jogou a cabeça para trás enquanto suas mãos buscavam pelos pulsos de Sasuke, levando-os acima de ambos contra a porta. Segurou-os lá com uma das mãos enquanto a outra agarrava o tecido da calça de Sasuke e puxava seus quadris para trás, subindo espalmada pelas costas esguias de Sasuke em seguida e agarrando-o pelos cabelos da nuca, os lábios colados a um dos ouvidos emitindo uma ordem clara:

— Você fica assim. Você obedece. – segurou Sasuke pelo queixo e virou seu rosto de lado, os dentes mordendo o lábio inferior com força. – E você geme pra mim, sem se controlar, da forma como costumava fazer, sem pudor... Alto e claro, eu quero ouvir quando você sentir vontade de chamar meu nome.

Sasuke cerrou os dentes ao sentir o corpo de Naruto afastando-se do seu. Cada poro de seu corpo implorava por contato, ainda mais pela posição na qual se encontrava, com as costas arqueadas, as pernas separadas, os quadris elevados, exatamente da forma como Naruto o deixara. Estava excitado em antecipação...

Sentiu as pontas dos dedos de uma das mãos de Naruto arrastando-se caminho acima em suas costas, um arrepio subindo no encalço do toque, e então esta passou sob um de seus braços erguidos, o polegar esbarrando em um de seus mamilos intumescidos enquanto descia por seu abdome e fazendo-o arfar.

Não estava há muito tempo sem sexo, mas estava há tempo demais sem Naruto e a situação toda o punha ainda mais sensível do que estaria sob circunstâncias normais. Sentia vontade de mandar aquilo tudo aos caralhos e foder com Naruto da forma como bem entendia, mas também ansiava por saber o que Naruto reservara para ele... Ansiava tanto que doía, literalmente.

Sentiu quando a mão de Naruto alcançou o fecho de seu cinto e começava a trabalhar para abri-lo enquanto a outra mão, forte em seu aperto, o segurava na região do ilíaco esquerdo, puxando-o ainda mais para trás e fazendo-o sentir a ereção de Naruto. Todo aquele tecido estava no caminho dos contatos pelos quais realmente ansiava, mas não negava que ser privado destes ainda que estivessem à um gesto de distância o punha em um estado de expectativa delicioso.

Com uma maestria que Sasuke sempre admirara, Naruto abriu seu cinto e desabotoou suas calças em questão de instantes e ambas as mãos estavam dentro de suas roupas remanescentes tão rápido quanto um piscar de olhos.

— Feche as pernas. – a ordem veio de perto, mas não sentir o corpo de Naruto colado ao seu o fazia sentir como se estivesse a milhas de distância. Gemeu de frustração enquanto o fazia, mas ainda mantinha o lábio inferior entre os dentes.

Então sentiu quando Naruto começou a descer suas roupas, o contato dos dedos frios e das palmas quentes em um contraste arrepiante e fazendo-o pulsar em prazer. Assim como livrou-o das peças de suas roupas, Naruto também o fez com os sapatos e segurou Sasuke por ambos os tornozelos, uma ordem muda para que os afastasse.

Sasuke engoliu em seco enquanto o fazia. Sentia-se envergonhado, repentinamente. Não havia nada ali que Naruto nunca tivesse visto e tocado e feitos as maiores loucuras de suas vidas, mas desde a última vez... Havia feito coisas das quais se arrependia. Lembrava-se da única vez em que ele e Sakura haviam feito sexo, ainda que estivesse bêbado como um gambá.

Eu não sei quem é essa pessoa que não sai da sua cabeça mesmo agora, mas quando olho para você... Tudo o que vejo é só essa pessoa.”, Sakura lhe dissera acendendo um cigarro. E estava dolorosamente certa.

Naruto levantou-se lentamente, suas mãos jamais abandonando a pele de Sasuke, subindo por suas panturrilhas, coxas, quadris, cintura, costelas, ombros, braços e, por fim, suas mãos estavam junto das de Sasuke novamente, segurando-as com força, mas com ternura.

Com o peito colado às costas de Sasuke, Naruto suspirou na curva de seu pescoço, inspirando o perfume de Sasuke profundamente.

— Porra, Sasuke... Você está ainda mais gostoso. – a voz rouca que Sasuke sabia, agora, ser apenas para ele, soou próxima novamente e podia sentir o coração acelerado e forte de Naruto batendo contra suas costas dada à proximidade. Um gemido baixo e trêmulo escapou por entre seus lábios... A forma como Naruto falava consigo era o suficiente para colocar-lhe em um estado completamente entregue.

Sentiu os lábios e a língua de Naruto em sua nuca e arrepiou-se, contorcendo-o ante o toque. Apenas aquele loiro conhecia cada ponto fraco de seu corpo e Sasuke sentiu-se cedendo mais e mais a cada novo contato que vinha de Naruto enquanto este descia por suas costas, as mãos seguindo-o de ambos os lados em um toque firme, como se Naruto quisesse segurá-lo e jamais largar, mas ao mesmo tempo desejasse conhecer novamente cada polegada de seu corpo.

Então, sem qualquer aviso ou indício, Naruto mordeu-lhe dolorosamente em suas costas logo abaixo da linha da cintura, sobressaltando-o e lhe arrancando um gemido diferente daqueles baixos que vinha insistindo em conter. Era de um prazer sincero e desejoso, libertador.

O tapa em uma de suas nádegas veio certeiro junto de uma pegada forte, as pontas dos dedos cravando-se em sua carne e o gemido que lhe foi roubado soou quase choroso aos seus próprios ouvidos, as mãos espalmadas contra a porta.

A cada vez que o golpe se repetia, Sasuke gemia mais alto, mais entregue, mais ansioso. Quando sentiu os dentes de Naruto se cravarem em sua carne, suas pernas estremeceram e ameaçaram deixar-lhe cair, mas manteve-se firme, apesar de arfante e corado.

Sentiu ambas as mãos de Naruto segurando suas nádegas separadas e tentou segurar-se à porta quando sentiu a língua quente e úmida naquele ponto que vinha pulsando desde que Naruto começara o processo de lhe roubar a sanidade. Naruto chupou, lambeu e mordeu com fome lasciva, as mãos agarradas às carnes macias de Sasuke com força tamanha que ali deixariam suas marcas; pertenciam um ao outro, afinal.

Seus lábios desenharam o nome de Naruto antes mesmo que pudesse pensar naquilo que fazia e, com uma facilidade absurda, Naruto virou-o de frente e Sasuke apoiou uma das mãos na maçaneta da porta, mas bastou olhar para baixo e notar os olhos azuis tenazes fixados em seu rosto para levar seus braços acima da cabeça novamente.

Naruto apertou suas coxas com força e plantou beijos e lambidas enquanto subia. Sasuke gemeu em expectativa conforme Naruto se aproximava de seu membro pulsante, mas gemeu de frustração quando este foi completamente ignorado. Com um sorriso sádico, Naruto lambeu seu baixo ventre, subindo por sua barriga e lhe enlouquecendo.

Então sentiu-se sendo envolvido pela mão hábil de Naruto, que lhe acariciou o membro lentamente, subindo e descendo em velocidade torturante. Não bastasse isso, assim que o polegar deslizou sobre a glande molhada de baixo para cima e então de cima para baixo, Naruto mordiscou-lhe um dos mamilos e Sasuke fez força para manter-se de pé enquanto gemia sem qualquer pudor. Suas forças estavam sendo roubadas pelas carícias, sim, mas também pela energia vibrante de Naruto que parecia a ponto de obrigar-lhe a derreter e evaporar. Era mesmo Sol.

A língua e os dentes de Naruto alternavam em mordidas e lambidas, primeiro em um, depois em outro mamilo enquanto a carícia que recebia de sua mão tornava-se mais e mais torturante. Bastaria mais um pouco e...

— Não. – Naruto sentenciou firme, apertando o membro de Sasuke para impedí-lo de gozar. A ordem curta, emitida com tal firmeza, apenas fez com que Sasuke desejasse o orgasmo ainda mais. Gemeu frustrado e encarou Naruto com olhos marejados, os lábios avermelhados entreabertos, a face corada, e deparou-se com um meio sorriso e olhos brilhantes extremamente satisfeitos. – Ainda não. Vai gozar comigo dentro de você, te fodendo do jeito que você pediu.

Naruto alcançou uma das mãos de Sasuke e a trouxe para perto de seus lábios, plantando um beijo carinhoso nas costas desta e a guiando para suas calças, as quais ele abrira em algum momento.

— Faça. – ordenou e recebeu um meio sorriso malicioso de Sasuke, que adentrou as roupas e colocou o membro de Naruto para fora, colocando-o junto do seu e segurando-os juntos, masturbando-os como já havia feito diversas vezes antes, mas por alguma razão, jamais fora tão intenso.

Ver o prazer nublando os olhos de Naruto e ouvir seus gemidos chegando aos seus ouvidos era ainda mais prazeroso do que Sasuke se recordava. Um dos braços de Naruto lhe envolvia a cintura, uma mão firme juntando ainda mais os corpos, enquanto a outra segurava sua nuca, puxando-o para um beijo quente e voluptuoso, os gemidos soando abafados pelos lábios unidos.

Assim que romperam o beijo, Sasuke sentiu dois dos dedos de Naruto acariciando seus lábios e tocou-os com a língua, chupando-os quando Naruto os colocou dentro de sua boca como se estivesse mais abaixo, tendo o membro para chupar ao invés dos dedos.

Assim que Naruto os tirou de sua boca, Sasuke sabia exatamente o que estava prestes a acontecer e quando o loiro tocou sua entrada úmida, forçando passagem, Sasuke abraçou-se à Naruto com força e apertou os membros juntos com mais força, aumentando a velocidade dos movimentos repetidos. Deitou sua cabeça em um dos ombros de Naruto, escondendo o rosto na dobra de seu pescoço ao sentir a testa de Naruto encostar-se em um dos seus ombros, seus gemidos mais altos enquanto movimentava seus dedos para dentro e para fora de Sasuke.

— Ah, porra... Vou te foder até você gritar meu nome, Sasuke! – Naruto rosnou, levando ambas suas mãos às coxas de Sasuke e levantando-o de uma vez, obrigando-o a enlaçar-lhe com os braços e pernas afim de não cair enquanto cruzava o cômodo em poucos passos e colocava Sasuke sobre a mesa de jantar vazia.

Naruto puxou Sasuke pelos quadris e colocou as pernas do moreno sobre seus ombros, encarando-o longamente antes de forçar-se para dentro em uma única estocada que fê-los gemer juntos.

Sasuke alcançou o rosto de Naruto com suas mãos e puxou-o para perto beijando-o com necessidade, como se este fosse o ar e ele estivesse morrendo afogado. E de fato, estava.

Naruto o segurava com força pelos quadris, investindo cada vez mais forte dentro de Sasuke, os gemidos de ambos criando uma linguagem de prazer própria.

Então, em um movimento brusco, Naruto o puxou da mesa e o virou de costas para si, penetrando-o novamente enquanto Sasuke apoiava-se em seus cotovelos. Naruto agarrou seus cabelos e puxou-o para trás, obrigando-o a apoiar-se com suas mãos contra a superfície da mesa. Sasuke estava extasiado e, quando Naruto tocou sua próstata, um gemido lânguido acompanhado do nome do loiro abandonou seus lábios. Fechou os olhos com força e podia sentir que estava à beira do orgasmo.

— Sasuke... Goza pra mim. – Naruto murmurou entre gemidos próximo ao seu ouvido e beijou seu pescoço enquanto Sasuke gemia o único nome que seus lábios desejavam proferir.

Então, como se uma corrente de eletricidade percorresse seu corpo todo, abriu os olhos e desvencilhou-se de Naruto, agarrando-o pelos ombros e empurrando-o sobre a mesa, subindo sobre ela de seguida. Decidiu de pronto que não deixaria toda a diversão do controle para Naruto, afinal.

Era uma ânsia mais forte do que qualquer outra que se apossava de si, uma urgência que o obrigava àquilo, por que estivera pensando em como sentia falta de fazer exatamente daquela forma, e bem sabia que Naruto estivera esperando por aquilo também. Lembrava-o da primeira noite...

— Você é inacreditável. – Naruto sussurrou em um meio sorriso, parcialmente deitado sobre a mesa de madeira nobre, apoiado em seus cotovelos e deleitando-se com a visão de Sasuke sobre si, as pernas ladeando seu corpo, uma das mãos sobre seu peito e a outra segurando seu membro e pressionando-o levemente contra sua entrada.

— Deixe para dizer isso depois que eu sentar gostoso. – Sasuke mordeu o lábio inferior, contendo um sorriso de prazer e, com um gemido que caracterizava entrega genuína, concretizou a promessa que recém fizera.

O gemido de êxtase de Naruto chegou aos seus ouvidos e o envolveu, como um banho quente depois de um longo dia. Era confortante e prazeroso, como deveria ser. Sasuke pertencia àquele momento, àquela pessoa, e sabia que a recíproca era verdadeira.

Nada ali era falso, nada ali era fingido. Aquelas paredes haviam testemunhado todas as verdades de ambos ao longo dos anos e as testemunharia ainda muito mais. Ouvira suas confissões em forma de juras de amor ditas com meias palavras e seus incontáveis gemidos através de noites e dias, calmarias e tormentas, primaveras e outonos. As ouviria explícitas a partir daquele dia, pois aquele lugar havia se tornado santuário e ambos estavam finalmente dispostos a devotarem-se de corpo e alma àquela religião.

As mãos de Naruto seguravam os quadris de Sasuke com força, os lábios proferindo o nome de Sasuke como quem faz uma oração, uma prece sincera em meio a gemidos, rosnados e ofegos. Aquele aperto que mantinha seguro ajudava Sasuke em seu movimento de subida e descida, e para frente e para trás e quando rebolava os quadris demoradamente, as costas arqueadas, a cabeça jogada para trás, as mãos deixando marcas de unhas profundas no peito de Naruto.

Em algum ponto daqueles movimentos perfeitamente sincronizados, Naruto passou a ocupar uma de suas mãos com o membro de Sasuke, masturbando-o de forma extasiante, como só ele poderia fazer, pois apenas ele era o maior conhecedor das fraquezas de Sasuke.

Então, com a sinceridade de um devoto que alcança arrebatamento, Sasuke desenhou as letras do nome de Naruto com seus lábios e permitiu que sua voz se libertasse por completo em um gemido que bem poderia passar-se por grito, ou por ofego, ou por petição, espalhando seu sêmen pelo peito de Naruto enquanto sentia-o continuar a estocar, ainda que seus movimentos tivessem falhado no ato do orgasmo. Sua entrada pulsava, apertando-o dentro de si, até que sentiu, viu e ouviu que Naruto atingia o mesmo ápice que ele.

Ficaram parados por um longo tempo, com Sasuke pouco se importando que estava deitado sobre o peito sujo de Naruto enquanto ambos tentavam recuperar o fôlego que há muito não perdiam daquela forma. Deus, parecia fazer uma eternidade desde a última vez...

Um dedo médio de Naruto subia e descia lentamente pela espinha de Sasuke, passeando em um carinho sobre a pele suada e febril, enquanto sua outra mão entrelaçava seus dedos aos compridos e finos e Sasuke, o peito subindo e descendo com aquele peso familiar sobre ele.

Ambos temiam falar qualquer coisa e arruinar todo o processo que os levara até ali naquele dia. Aquela era muito mais que uma foda de reconciliação. Significava que haviam deixado suas vidas para trás e que, ao sair por aquela porta, fosse quando fosse, deveriam enfrentar as consequências de suas escolhas.

Era isso... Não era?

Aquela dúvida os corroía.

Como seria?

Voltariam para suas vidas, com inúmeros pedidos de desculpa por terem perdido seus respectivos casamentos e continuariam seu romance longe dos holofotes, às escondidas como sempre?

Até quando?

Até que o próximo casamento fosse arranjado?

E então o que?

A certeza de que pertenciam um ao outro que os havia levado até ali lentamente se tingia com as cores do temor. Quem diria as palavras que quebraria aquela magia? Quem seria o responsável por leva-los de volta a realidade? Não havia um cenário possível sequer em que eles pudessem seguir suas vidas como eram e permanecerem juntos sob olhar público.

Suas famílias chegariam a um fim. Suas carreiras seriam enterradas...

— Sasuke. – a voz de Naruto ecoou sobre as águas da incerteza, conquistando a atenção de Sasuke, que respondeu monossilábico. – Nós vamos dar um jeito nisso, não vamos?

— Não viemos até aqui para isso? – Sasuke respondeu com outra pergunta. Era temor demasiado para que conseguisse proferir uma afirmação.

— Você quer deixar tudo às claras? – Naruto perguntou após uma breve pausa. Eles sabiam o que aquilo significaria para as companhias de seus pais, para suas vidas... – Por que eu quero. Você sabe que eu sempre quis, sabe que sempre odiei me esconder e, principalmente... Esconder você.

Sasuke moveu-se, apoiando seu rosto sobre uma das mãos, o cotovelo contra a mesa. Seu olhar era penetrante, afiado, como se estivesse pronto para cortar qualquer um em seu caminho. Naruto o vira daquela forma vezes sem conta, a maior parte destas quando preparava-se para encarar uma reunião de negócios importante.

— Nós nunca mais teremos que nos esconder, Naruto. Nós vamos encontrar uma saída. Eu estou contigo e você está comigo. Nada mais importa. – dito isso, segurou o rosto de Naruto com uma de suas mãos e beijou-o com ternura.

***

Franziu o cenho para a luminosidade excessiva quando abriu os olhos preguiçosamente, piscando para ajustar-se à luz. Sentou-se na cama e, por um momento, perguntou-se que lugar era aquele.

Então, com a lucidez do dia dando lugar à letargia do sono, Naruto lembrou-se. Suspirou ao olhar ao redor, pesaroso, porém não surpreso. Nem Sasuke nem suas roupas poderiam ser encontrados em qualquer lugar daquele loft, ele apostava.

Sabia que aquilo aconteceria. Conhecia-o há tempo suficiente para conhece-lo mais até do que a si mesmo. Ainda assim, não conseguia impedir-se de sentir dor.

Levantou-se e, com pouca ou nenhuma vontade, procurou por seu celular nos bolsos de suas calças jogadas próximas à mesa de jantar. Obrigou-se a afastar as lembranças da noite anterior de sua mente e ligou seu aparelho, pronto para afundar-se em qualquer outro problema que não aquele. Não tinha estrutura alguma naquele momento para lidar com as merdas que Sasuke fazia em sua vida. Como pudera permitir novamente?

Sabia que havia colocado a empresa de sua família em uma situação extremamente complicada ao simplesmente desaparecer no dia de seu casamento que firmaria o acordo com a Hyuuga Enterprises, mas preferia lidar com isso do que com a ausência de Sasuke.

Ele fora embora e nem sequer se dera ao trabalho de deixar um bilhete...

Sobressaltou-se quando o aparelho em suas mãos começou a tocar assim que se estabilizara. Franziu o cenho para o nome no identificador de chamadas.

— Ino? – atendeu cauteloso, não sabendo o que esperar do contato repentino em um dia como aquele. Esperava ligações furiosas de seus pais ou mesmo da família Hyuuga ou de seus advogados, mas sua amiga deveria estar ocupada como o inferno justamente por conta disso, desde que era uma jornalista e deveria estar de plantão em frente à residência de qualquer das quatro famílias envolvidas naquele escândalo.

— Finalmente, seu burro! Embaixo de que rocha você foi se esconder? Por acaso virou eremita para passar tanto tempo com o telefone desligado? – Ino metralhou palavra após palavra sem dar qualquer chance para Naruto responder. – Eu já estava ficando louca! Primeiro vocês dois desaparecem no dia do casamento! Os dois grandes amigos, herdeiros das duas empresas aliadas que cresceram juntas ao longo dos últimos dez anos, simplesmente desapareceram! E o pior, não avisaram nada para essa amiga aqui! E agora isso! Sinceramente, Naruto, eu imaginei que vocês tivessem mais consideração por mim! O que tem a dizer em sua defesa? Hm? Hm?

Naruto esfregou os olhos. Estava cansado e, honestamente, sentia-se incapaz de entender do que diabos Ino poderia estar falando.

— Ino... Isso o que, exatamente? – deu voz à sua falta de entendimento.

— Como assim, “isso o que”? – Ino estava quase histérica do outro lado da linha. – Como se eu fosse acreditar que você não sabe nada sobre! Eu estava à par da história de vocês até ontem, mas de repente... Olha, eu não tenho tempo de falar agora, okay? Eu preciso pegar um bom lugar. Aliás, onde diabos você está? Ah, não importa! Se você realmente não sabe de nada, só... Liga a TV, certo? Certo! Te ligo depois!

E sem qualquer tipo de esclarecimento para a bagunça que trouxera, Ino desligou.

Naruto suspirou e passou uma das mãos pelos cabelos. Precisava de um banho e de um café, mas se Ino estava eufórica daquela forma, alguma coisa realmente deveria estar acontecendo. Apostava que algum grande escândalo entre as famílias havia tomado proporções gigantescas, fugindo ao controle com alguém contratando um assassino de aluguel, ou algo assim. Não duvidava nada conhecendo os Hyuuga e os Uchiha.

Alcançou o controle remoto da TV e ligou-a, digitando o número da emissora para a qual Ino trabalhava e retesando-se ao tentar compreender o que exatamente poderia estar acontecendo quando uma cena completamente inesperada tomou lugar diante de seus olhos.

Sua mente trabalhava, frenética, tentando processar a imagem de Sasuke vestindo seu melhor terno, os cabelos bem penteados para trás emoldurando seu rosto sério, nenhum esforço tendo sido desperdiçado na tentativa de esconder várias marcas de mordidas e chupões em seu pescoço. De pé atrás de um púlpito em frente à Uchiha Company, cercado de microfones, a expressão em seu rosto parecia ter sido esculpida em pedra e seus olhos ônix faiscavam, desafiadores.

A manchete na parte inferior da tela trazia os seguintes dizeres: “Após fazer o papel de noivo em fuga, Uchiha Sasuke solicita coletiva de imprensa.

Que diabos estava acontecendo?

Naruto estava prestes a levantar-se para vestir-se e correr até onde Sasuke estava, mas a voz tão conhecida soou e tudo o que pode fazer foi aumentar o volume da TV.

— Bom dia a todos. Não serei hipócrita ao ponto de começar essa coletiva pedindo desculpas a vocês, desde que os únicos a quem devo pedidos de desculpas, os ouvirão de mim pessoalmente. Estou aqui fazendo algo que jamais imaginei... Jamais, até essa madrugada, acordado ao lado de alguém, insone. – um breve sorriso desenhou-se nos lábios de Sasuke. – Como se eu estivesse correndo em círculos por anos, dessa vez encontrei uma saída, e hoje estou aqui para compartilha-la com vocês.

“Sinto que estive fugindo minha vida inteira, ainda que mentisse a mim mesmo, enganando a ninguém todas as vezes em que dizia que algumas coisas eram melhores quando não ditas. Se me dissessem há um ano que eu estaria aqui agora, eu sentiria pena da pessoa que dissera. Porém, ontem eu libertei-me... De mim, de vocês, do mundo. E só há uma pessoa com quem eu desejo compartilhar dessa liberdade.

“Sendo livre, então, eu gostaria de dar voz a mim mesmo pela primeira vez. Eu estou, sou e estarei até o fim de meus dias completa e perdidamente apaixonado por Uzumaki Naruto.

Uma explosão de vozes subiu dos jornalistas abaixo, com seus microfones agitando-se, o vozerio incompreensível, porém Naruto nada era capaz de ouvir. Seus olhos, muito abertos, não acreditavam naquilo que viam.

Seu corpo todo tremia e Naruto juntou as mãos em um aperto abaixo do queixo, uma tentativa vã de fazer-se parar de tremer, os lábios apertados em uma fina linha, as lágrimas controladas marejando seus olhos.

Não podia acreditar que aquilo estivesse acontecendo.

Sem deixar-se intimidar pela aglomeração agitada que gritava inúmeras perguntas, Sasuke prosseguiu:

— Não apenas sou apaixonado, como o amo. – sorriu para si mesmo, olhando para as próprias mãos sobre o púlpito. E então encarou as câmeras novamente, o sorriso iluminando seu olhar. – Eu finalmente disse... Eu o amo. O amo. O amo. E isso jamais vai mudar.

“Talvez a caça às bruxas tenha início assim que eu descer daqui, mas medo algum me impedirá nunca mais. Afinal, eu já abracei ao fogo. Então venham com suas tochas e forcados... Eu estarei ocupado demais me casando com o amor da minha vida.

“Naruto... Acho que você está vendo isso tudo agora. Eu sinto isso. Sempre soube quando você estava me olhando, mesmo quando eu não podia te ver. Então, tenha uma resposta pronta para essa pergunta quando eu chegar em casa, na nossa casa: você se casaria comigo?


[x]

Deixem reviews. Críticas construtivas são bem vindas!

AMÉM DESVASILO!!!

Até mais (ainda tenho que desvasilar mais uma vez aaaaaa)

1. August 2018 01:29:27 6 Bericht Einbetten 8
Das Ende

Über den Autor

Sunny Bunny 22yo/Paulista/ENFJ/Escrevo para dar vazão ao sobejante da alma.

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KL Kitsune Lyra
O App do Inks me enganoooou, nao tem próximo (bem que eu estranhei devido a tag ahaha) mas eu agora vou ler as fics que vc falou nas notas iniciais pq eu quero mais desde casal *--*
10. April 2019 22:07:28
KL Kitsune Lyra
Socorro Brasil eu estou chocada! que negócio mais lindo foi esse que eu li? alguém por favor embala o Naruto e manda pra minha casa? Que quenturaaaa, que esse Sol me queime pq pqp, adorei esse Naruto ciumento e mandao hahhaa incapaz de comentar algo mais decente, só quero ir pro próximo cap. Mas eu amei, a fic ta maravilhosa!
10. April 2019 21:55:02
Cecilia Jarske Cecilia Jarske
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA CACETE, EU TÔ MUITO "AAA" AQUI DEPOIS DE LER ESSA ONESHOT! SEM OOOORRRR! PORRA, EU TÔ EM ÊXTASE POR ESSE FINAL... SEM CONTAR ESSE LEMON DELICIOSO E CHEIO DE TESÃO QUE VOCÊ NOS PRESENTEOU! EU TÔ QUENTE, TÔ PLENA E FELIZ PARA CARALHO POR FINAMENTE SASUKE TER ASSUMIDO TODOS ESSES ANOS DE AMOR ENRUSTIDO PARA COM NARUTO! Eu quase não consegui desligar a "caixa alta" porque eu continuo sorrindo de orelha a orelha aqui, de verdade! MUITO OBRIGADA por essa oneshot! Eu amei com força! ❤ Um beijão! *-*
19. November 2018 20:11:42

  • Sunny Bunny Sunny Bunny
    MEEEEEEEU DEEEEEEUS se não é a primeira pessoa a ter pedido que eu escrevesse yaoi nessa vida aaaaaaaaaaa mulhé, eu mudei de nick há eras, porém sou eeeeeeu, Pents~ a Raquel :3 obrigada pelos elogios, é um imenso prazer te fazer feliz com a minha escrita novamente. AAAAAAAAAAAA EU TO TÃO FELIZZZZZ 20. November 2018 08:46:11
Enai lask Enai lask
aaaaaah finalmente já estava chorando d vontade d ver meus bbs juntos estou apaixonada por esta escrita maravilhosa que cativa tanto *0* mau espero por mais hist sua
8. August 2018 11:55:15
Larissa Mármore Larissa Mármore
Ahhhh que perfeito! Depois das cartas, esse final foi maravilhosamente surpreendente! ❤️
1. August 2018 18:00:26
~