Multiverso Follow einer Story

lasther Lasther B.

As distâncias no espaço tendem ao infinito, e em decorrência a esta teoria, existe a probabilidade de inúmeros universos existirem. Byun Baekhyun é adepto a criação de histórias sem sucesso e acredita ter inventado um personagem lotado de qualidades. Ao sofrer um acidente, o escritor acorda em uma dimensão totalmente diferente da anterior, onde tem uma vida perfeita, porém, no dia seguinte, ele desperta e tudo está de volta ao normal. Logo depois de assinar um contrato com uma editora de livros, ao receber alta, Baekhyun ficará responsável de escrever a biografia de um dos rappers mais mal falados da atualidade, Park Chanyeol, o cara que possui a mesma aparência que lembra vagamente seu personagem e caberá a ele descobrir, a qual cosmo seu coração pertence. (Postado também no SocialSpirit)


Fan-Fiction Nur für über 18-Jährige.

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5233 ABRUFE
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Verso 1: Brevemente infinitos.


Para alguns, segundas-feiras significam recomeço, uma nova oportunidade de ser e de fazer melho e foi naquela segunda-feira específica que minha vida revirou de cabeça para baixo. Assisti-la num ângulo diferente não me dava náuseas ou algo do tipo, pelo contrário, trazia-me a chance de conhecer outra versão minha.

Meus dias monótonos se resumiam a molhar plantas pelas manhãs, as tardes eram dedicadas ao meu emprego em uma livraria que decaía em falência, as noites para escrever histórias e finais de semana para levar Aslan – meu labrador –, para passear pelo parque. Tudo em meu cotidiano era pacato e por vezes até demais. Viver a minha vida jamais seria uma aventura que apareceria como sugestão para outras pessoas. Eu odiava concordar com minha mãe, mas eu era a droga de um solitário arrastando-me pelos dias, fugindo de criar laços com pessoas da minha idade. Nem sexo me parecia um objetivo atrativo quando rapazes me mandavam mensagens nas redes sociais. Eu tinha perdido a excitação em todos os sentidos e até mesmo a esperança de que sentiria o amor queimar em meu peito. 

Eu havia me acostumado a ser sozinho, enquanto minha família sempre voltava a dizer que no fundo eu estava apenas me escondendo de algo que não entendia.

Peguei as chaves do carro, olhei uma última vez para Aslan que estava rebeldemente deitado em cima do sofá e bufei.

– É bom não comer nada não-comestível enquanto eu estiver fora, não quero meus móveis ou chinelos pela metade, estamos entendidos?

Ele deu um latido. Eu revirei os olhos ao pensar que com certeza ele não atenderia ao meu pedido e que como sempre, eu não deveria esperar por uma resposta mais sensata.

O tempo estava fechado, as calçadas vazias e regadas por pós-chuva. Apertei a jaqueta jeans no peito e entrei no meu carro velho. Enquanto o dirigia, meu celular vibrou. Desbloqueei a tela do celular e percebi se tratar de uma chamada da minha mãe. Não era para dar uma boa notícia, provavelmente.

Baekhyun?

– Mãe, eu estou no trânsito. – Meus olhos atentamente analisavam a direção do carro enquanto eu equilibrava com o ombro, o celular em meu ouvido.

Como foi o encontro?

– Eu não fui.

Como assim, não foi? – o tom parecia de reprovação.

Suspirei baixo. E começaria tudo de novo.

– Sinto muito, eu disse mais de cem vezes que não quero namorar, nem casar ou qualquer coisa com fins patrimoniais que esteja planejando fazer pra mim.

Mas ela era linda, você nem chegou a conhecê-la.

– Mãe, eu sou homossexual, quantas vezes tenho que te explicar isso?

É uma fase, vai ver que logo irá querer construir uma família e vai precisar de uma esposa.

– Gays também constroem família, sabia? Por favor, mãe, pare com isso e não me ligue mais. Eu estou bem sozinho, gosto da minha vida assim.

Você não me parece convincente. Não entende que eu... eu quero netos, Baekhyun? Você está quase na casa dos trinta e minhas vizinhas não param de esfregar na minha cara o quanto é bom cuidar de crianças.

– Elas estão mentindo, quem gosta de trocar fraldas e ouvir gritos pela noite? No fundo apenas tratam os netos como troféus. Tire essa ideia da cabeça e me deixa viver como eu quiser.

Desliguei. Outra ligação.

– Mãe, eu estou dirigindo – insisti –, não podemos falar outra hora?

Desculpe, Senhor Byun. – Ouvi um riso logo após a voz masculina. – Não é a sua mãe, é de uma editora de livros.

Desviei a atenção. Um barulho de buzina de caminhão foi o suficiente para eu tentar frear meu carro. Segundos depois, tudo se tornou luz.


Park Chanyeol era meu personagem favorito. Ele tinha cabelos negros, altura maior que a minha, era dono de uma empresa de finanças, vinte e sete anos bem vividos, conhecimento estrondoso em filosofia e formação em Contabilidade. Eu o tinha criado para mim, unicamente baseado no que eu idealizava. Adorava quando a criatividade apenas me importunava e sua personalidade me fazia pular da cama unicamente para escrever suas frases em qualquer papel que encontrasse pela frente.

Minhas únicas invenções postadas eram um fracasso total, contos curtos e sem sal, vendidos para um jornal do bairro com um pseudônimo qualquer. Tudo se resumia a mesmice e meus textos depois de um tempo já não continham nenhum valor, e por conta disso, resolvi que eles ficariam trancados dentro da minha gaveta, escondidos do mundo, pois talvez fosse melhor assim.

Em meus melhores sonhos, dá-lo vida era um costume, uma obra em movimento. Seus olhos castanhos falavam comigo, seus toques não eram reais, mas ainda assim, eu sentia-os de algum jeito e não tê-lo comigo me enlouquecia. Era uma realidade sem graça e com juízo.

Naquele instante, eu estava com sua imagem em minha frente, no mesmo local clássico de meus devaneios. Ele andava pelo escritório com um montante de papéis em mãos de um lado para outro, concentrado nas planilhas, passando por mim e sem perceber minha presença. Eu o acompanhava em silêncio, não porque queria, mas porque era obrigado a continuar sem voz.

Chanyeol sentou-se em sua cadeira de empresário. Parecia impaciente e cheio de seriedade pelo cenho franzido, massageou a testa e largou os papéis sobre a mesa de forma brusca. Eu desejei dizer uma palavra acolhedora, ou ao menos, tentar achar algo próximo disso.

Aproximei-me da estante lotada de livros ao lado de sua mesa. Os títulos eram desconhecidos, tentei anotar os títulos e seus criadores em mente, mas sempre que acordava, as palavras pareciam um borrão em minha mente.

Virei-me, Chanyeol girou uma caneta em mãos. Eu tossi, sentia algo puxar meu ar para fora e uma angústia em minha garganta não me permitir de respirar direito. Ouvi gritos, meu nome era chamado desesperadamente por minha mãe.

E surpreendentemente, Chanyeol se assustou e olhou em minha direção. Eu estava desesperado, a tosse me consumia, mas minha confusão era ainda maior. Ele estava realmente me vendo? Seus olhos pareciam tão fixados aos meus, focados na minha alma. Eu estava ficando louco.

Acordei num assombro. Minha mãe segurou-me pelos braços para que meu corpo não caísse da maca. Eu estava na sala de um hospital e o cheiro de remédio não me deixava mentir.

– Ainda bem que acordou, eu fiquei tão preocupada.

Minha visão ainda estava bloqueada.

– Por que eu estou no hospital? – sussurrei com dificuldade em deixar a voz audível – Não me lembro de nada.

– Você sofreu um acidente, meu filho. Não se force tanto, ainda está fraco. – Ela massageou meus ombros.

Quem era aquela mulher que me chamava de filho com a voz lotada de carinho? Ela tinha a aparência da minha mãe, mas era gentil demais para ser ela de verdade. Fazia-se mais de meses que ela não me chamava de filho, principalmente depois que contei sobre minha sexualidade.

– Acidente? Como isso é possível? Eu estava indo para o trabalho.

– Disseram que você estava no celular na hora que um caminhão passou no vermelho. Ficou em coma e acordou só agora.

– Céus! – Me forcei a ficar sentado na cama. Gemi ao sentir as dores pelo corpo. – Quanto tempo eu fiquei desacordado?

– Três semanas.

– Três? – repeti.

Ela concordou com a cabeça.

– Semanas?

– Exatamente.

– Isso é loucura.

– Seus amigos ficaram desesperados quando souberam. Seu pai veio correndo me trazer no hospital e seu namorado?! Nossa, ele ficou bastante preocupado com você.

– Não deveria, eu sou forte... espera, quem?

Desde quando eu tinha amigos? E um namorado?

– Park Chanyeol, seu namorado. Ah, não! Não vai me dizer que se esqueceu dele? Os médicos me afirmaram que seu cérebro não tinha sofrido nenhuma sequela.

– Mãe, pare de falar bobagens, você mexeu nas minhas gavetas, não foi?

Não existia outra justificativa a não ser essa. Ela tinha fuçado minhas coisas e encontrado minha história, afinal, eu nunca tinha contado sobre meu personagem para ninguém, sequer citado qualquer história minha. Não seria possível que algum de seus amigos tivesse o mesmo nome, ou seria?

– Eu não sei do que está falando. Ah, sim! Deve ser o efeito dos remédios – comentou para si mesma.

O beijo na testa me assombrou. Não era minha mãe, enquanto eu estive em coma alguém tinha a trocado com uma cópia mais arrumada e de sorrisos sutis. Não era ela.

– Precisarei sair, Chanyeol me ligou dizendo que está vindo pra cá e que ficará com você até amanhã. Trarei panquecas com goiaba quando voltar, seu prato favorito.

Fiz uma careta. Ela saiu do quarto e me deixou sozinho. Eu odiava panquecas, quando era criança, repetia a ela todas as manhãs que não comeria se caso fizesse.

A porta se abriu e eu me virei, sem paciência para possíveis enfermeiras. E então ele apareceu bem na minha frente e eu gritei. Gritei tão alto que o rapaz teve que colocar a mão sobre minha boca, tapando-a enquanto pedia com o dedo pressionando os próprios lábios para que eu ficasse quieto.

– Pare de gritar, Baekhyun. – pediu – Por favor, podem achar que eu estou te matando! – Sorriu. E que sorriso.

Balancei em positivo a cabeça e ele retirou a mão de minha boca, dando-me espaço.

– Como... isso... é possível?

Ele cruzou os braços.

– Três semanas longe de mim. Sim, como isso é possível? Você me assustou.

Me ergui, ficando de joelhos sobre a cama e tentei tocá-lo com a mão. Ele acompanhou meu dedo indo ao encontro de seu peito. Quando senti a textura de seu sobretudo, meu coração disparou de vez. Era Chanyeol, em carne e osso. Que loucura era aquela?

Ele me abraçou sem avisos. Me apertou tanto que achei que fosse ficar sem ar. Quando se separou de mim e me fitou, eu achei que fosse desmaiar.

– Não sabe o quanto eu estive preocupado. – Os olhos brilharam. – Achei que nunca mais fosse te ver. Perdi as esperanças, eu estava a ponto de sei lá... enlouquecer de saudades. Como pôde fazer isso comigo?

– Isso não é possível. Como saiu das minhas histórias? – O encarei.

Ele riu.

– Do que está falando?

– Você não é real, nunca foi.

– É claro que eu sou real. – O sorriso parecia franco, mas aquela situação era inacreditável demais pra mim. – Sou tão real que eu quero me casar com você. Agora, se possível.

– Eu realmente gosto da ideia, mas casar com pessoas que não existem não é algo muito saudável e bem visto lá fora.

Outro riso. Ele estava brincando comigo?

– Isso é um elogio ou eu devo ficar preocupado?

– Minha mãe voltou a me chamar de filho depois de quase dez anos me chamando apenas pelo nome, o único contato que ela tinha comigo eram ligações e agora ela diz que veio me visitar todos os dias, fora que acabei de ser pedido em casamento por um personagem. Quem deveria ficar preocupado aqui sou eu, não acha?

– Está delirando. Deve ser os remédios.

Revirei os olhos.

– Precisam parar de falar isso, eu não tomei nada, inferno!

– Está rabugento, estou começando a ficar realmente preocupado.

Tentei me levantar da maca, ele buscou me ajudar doando equilíbrio em seus braços. Quando o senti, eu não sabia se tentava colocar forças nas pernas para ficar de pé ou se tentava pensar em uma teoria convincente do motivo para eu estar ali, sentindo-o.

– Estou te sentindo. – acabei dizendo – Com certeza serei internado.

– Mas já está internado, Baekhyun.

– Você tem cheiro de perfume caro.

Ele sorriu.

– Foi você que me deu esse perfume no meu último aniversário. Eu viciei tanto nele que está acabando, aliás.

– Eu te dei um presente?

Certo! Eu poderia ter escrito aquilo, sim, poderia ser isso, não havia outra explicação para se mostrar tão real, além do mais, algumas coisas quando escritas em grande quantidade, acabam não sendo decoradas pelos próprios criadores.

Todos os meus sentidos detectavam algo dele, o aroma forte, meus dedos sobre seus braços e a minha visão que era agraciada por suas madeixas negras e seus olhos castanhos claro. Ele era lindo demais para existir de verdade.

– Tantos que parei de contar – respondeu.

– Onde trabalha?

– O efeito dos remédios ainda não passou?

– Não – entrei no jogo.

– Certo, eu contarei. Trabalho na empresa do meu pai, eu e você compramos uma casa em frente ao mar há três anos, nos conhecemos desde pequenos.

– Estamos juntos há tanto tempo assim? Caralho!

Ele arregalou os olhos.

– O.k., você acabou de falar um palavrão.

– O que mais? Qual sua cor favorita?

Amarelo. Eu sabia.

– Amarelo. – Bingo!

Cádmio?

– Amarelo cádmio – completou e meu queixo caiu.

– Música favorita?

– Chanks, de Upside Down. Tudo porque você me apresentou a ela.

Chanks era uma mistura de Chanyeol com thanks, uma idiotice que criei. A música nem existia.

– Filme preferido?

– Os nórdicos.

Outra invenção minha.

– Qual sua pior lembrança de quando era criança?

– Quando torci o pé na escada de um escorregador. Era como se minha alma tivesse saído do corpo.

– Certo! Então até os detalhes você sabe. – Forcei um sorriso. – Puta que pariu!

– Pare com isso!

– Com o que?

– Os palavrões.

– Então pare de existir.

Ele sorriu pra mim.

– Não dá. – Passou o dedo sobre meus lábios. Eu me assustei com a ação.

Ele se aproximou enquanto encarava minha boca.

– Posso te perguntar outra coisa?

Ele pressionou os olhos.

– Pode, mas vai logo que eu estou morrendo de vontade de te beijar.

– Essa história de casamento é real?

– Obviamente. Eu nunca estive tão certo na minha vida.

– Você não me conhece, sou um cara comum demais pra você.

– Eu amo cada normalidade sua.

Revirei os olhos.

– Ta’ vendo? Você é exatamente o que eu quero e isso me assusta, eu só... te crio de algum lugar que nunca compreendi direito porque é longe demais para ser real.

– Pare com isso. Você não me criou, eu estou bem aqui na sua frente agora, a ponto de te beijar e tirar um anel de casamento do meu bolso, não invente desculpas.

Sorri. Ele ergueu uma das sobrancelhas em resposta, retirou um anel de ouro do bolso e me apontou este na palma da mão.

– Diz que aceita, por favor!

– Está realmente achando que precisa implorar pelo meu sim?

– Olha! – Ele ajoelhou e eu sorri. – Se for preciso, aqui estou.

– Não acredito que irei fazer isso. – Apontei a mão.

Ele colocou o anel no meu dedo anelar, levantou-se e me abraçou pela cintura.

– Aslan mora com a gente?

– Quem? – Me olhou.

– Aslan, meu cachorro.

Ele se mostrou perdido.

– Achei que tivesse alergia de cachorros. É algum de brinquedo?

– Se fosse, talvez meus móveis estivessem inteiros. Acho que está confundido porque ele não é um cão, parece mais um monstro que come tudo que vê pela frente.

Ele deu um sorriso, me ajudou a sentar numa poltrona e se agachou ao meu lado, analisando e alisando meu dedo que continha o anel.

– Fica lindo em você.

Aproximei-me de seu rosto e assisti as minúcias apresentadas. Ele tinha a pele tão magnífica, os cílios grandes e a boca era o que mais chamava a atenção. Desejei uma caneta para anotar todas as novas minúcias que aprendia apenas o observando.

– O que acontecerá se isso for um sonho?

Ele virou os olhos pra mim, sorriu e me deu um beijo rápido.

– Então, que seja um sonho infinito – sussurrou entre meus lábios.

A voz parecia tão suave em minha audição e a proximidade de seu rosto me ludibriava. Eu tentei beijá-lo, mas ele se afastou em provocação.

– Quando se lembrar de nós, promete dizer sim para meu pedido de casamento de novo?

Sorri.

– Eu não seria louco de não aceitar.

Puxei-o e o beijei como se eu realmente fizesse parte de suas habituais decisões certas quando as minhas sempre eram erradas, grande parte das vezes, pensando unicamente em mim, nas consequências boas ou ruins que causariam em minhas acomodações. Eu queria ser tão corajoso quanto ele, tão concentrado quanto suas ações.

Passei a tarde toda conversando sobre o quanto a vida de Chanyeol era emocionante, o quanto seus funcionários tinham orgulho do chefe que tinham e como seu jeito de guardar todas as roupas em ordem de cor, era estranho.

No cair da noite, eu já estava em meu décimo nono beijo com ele. Sim, eu havia contado. Peguei na sonolência enquanto Chanyeol segurava minha mão, respirando calmamente contra minha testa.

Talvez eu me acostumasse com aquela loucura e ser louco parecia aceitável naquele momento. Dormi pensando que nada até então tinha sido tão doce quanto os lábios daquele cara e tão amargo quanto o medo dele sumir das minhas linhas.

Eu acordei na manhã seguinte e ele não estava.

– Ficou maluco? – Minha mãe surgiu na porta aos gritos. Minha cabeça latejou uma dor aguda. Era provável que eu tivesse ficado maluco sim.

Impulsionei força nas mãos para me levantar e ela nem se importou em me ajudar.

– Está louco, Baekhyun! Falar no celular enquanto dirige? Eu deveria te dar uns socos pra ver se aprende.

Franzi o cenho, confuso.

– Mãe, acalme-se!

Os gritos me deixavam surdo.

– Isso provavelmente é um plano para testar meu autocontrole, certo, Baekhyun? Seu pai fez isso durante um ano antes de nos separarmos e ir com a amante para outro país, agora você sofre um acidente e vem parar num hospital mais caro que dois meses do meu salário. O que eu faço com você?

Droga, havia sido um sonho! Estava perfeito demais, era de se esperar.

– Por enquanto, apenas pare de gritar. Minha cabeça dói.

– Três dias, terei que pagar três dias.

– Dias? Não foram três semanas?

– Vira essa boca pra lá, se fosse mais de um mês eu sairia daqui cheia de dívidas.

– Não veio me ver antes?

– E por que eu viria? Estava desacordado, que diferença faria?

Bufei alto, recostando a cabeça na parede.

– Onde está Chanyeol?

– Quem? – Ela me olhou imersa em julgamentos.

– Deixa pra lá.

Enrolei o lençol entre os dedos. O anel havia sumido. Por que eu ainda respirava esperança de revê-lo?

– Pode me fazer um favor?

Ela suspirou pesadamente.

– Diga.

– Vá até minha casa e veja como Aslan está, tenho medo dele ter destruído tudo por lá.

– Certo! Mas terá que ser rápido, eu não irei arrumar nada, ainda preciso trabalhar hoje.

– Tudo bem.

Ela saiu, sem beijo na testa nem despedidas. Apenas saiu. Aquela sim era minha vida de merda.

Alguém bateu na porta minutos depois e eu me alertei. Talvez fosse Chanyeol. Quando esta se abriu, um homem todo vestido formalmente surgiu com alguns papéis em mãos.

– Senhor Byun?

– Acho que sim. – Ninguém nunca me chamava assim.

– Trouxe minha proposta. Infelizmente quando ligamos pela primeira vez a ligação caiu e ficamos sabendo que sofreu um acidente no mesmo dia. Mas, ficamos felizes que esteja se recuperando bem.

A editora de livros, pensei. A lembrança piscou na minha mente.

– Ah, claro! Me lembrei da sua voz.

– Nós queríamos marcar um horário, mas acho que vai gostar de saber o quanto antes da proposta que temos.

Tudo que envolvia livros me interessava, não seria diferente daquela vez.

– Escreve histórias, certo?

Pressionei os olhos.

– Escrevo?

– Encontramos uma cópia de um dos seus livros. Mandou-nos faz pouco tempo por e-mail e felizmente temos um trabalho pra você.

Ele só podia estar mentindo.

– Eu aceito!

Ele riu.

– Mas eu ainda nem disse do que se trata.

– Não importa, eu preciso de dinheiro, qualquer emprego está ótimo, ainda mais em uma editora.

– Precisamos de um escritor que faça um livro biográfico sobre um cantor, que fique encarregado de fazer pesquisas com fontes confiáveis, descobrir mais sobre o passado dele e outras coisas que achar necessário.

Certo! Não parece uma tarefa impossível, eu me achava capaz.

– É só assinar aqui! – Me apontou um dos papéis que tinha em mãos.

Peguei o contrato no colo. Havia tanto texto e minha cabeça lateja que apenas passei os olhos no início, lendo que eu aceitaria ficar responsável por informações confidenciais e que deveria ter a ética de saber julgá-los como dignos de uma leitura universal. Tanta abobrinha que resolvi pular tudo e assinar em cima da linha que tinha no final da folha.

Assim que terminei, notei que outra pessoa surgiu na porta.

– Esse será o rapper que servirá de personagem principal do seu primeiro livro. – O homem apontou para o lado e eu o segui com os olhos.

Era Chanyeol, mas ao mesmo tempo não era, pelo menos não completamente. As tatuagens no pescoço, algumas que começavam nas mãos e se escondiam por dentro do moletom me surpreenderam. Era Chanyeol, mas cheio de piercings no rosto e alargador na orelha. Era Chanyeol, mas um Chanyeol sem a aura charmosa, um Chanyeol sério e com as mãos dentro do bolso da calça larga. Era Chanyeol, mas com o cabelo vermelho, olhos negros e com uma alma que parecia carregar as mesmas cores. Era Chanyeol, mas sem o infinito.

25. Juli 2018 07:44:52 0 Bericht Einbetten 4
Fortsetzung folgt… Neues Kapitel Alle 30 Tage.

Über den Autor

Lasther B. ❀ㅡ 950708 | ♋ | pseudônimo de isabelle | ficwriter since 2013 | chanbaek fã ㅡ❀

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