Lobotomia Follow einer Story

xxkillthenoise Francielly Macedo

Ísis achava que ao se mudar para Patrocínio, conseguira fugir dos seus visitantes e deixar o passado para trás. Mal sabia que aquela cidade iria atrair todos os seus medos. O lobo está à espreita. Segundo Artigo 184 do Código Penal copiar ideias do Autor é considerado crime, podendo acarretar pena de reclusão ou multa. Essa é minha primeira vez postando aqui. Tenham paciência comigo. História disponível também em outras plataformas


Thriller Nur für über 18-Jährige. © FRANCIELLY MACEDO

#misterio #lobo #original #francielly-macedo
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Capítulo 1


Eram quase três da manhã, e a terceira vez que Ísis mudava de posição na cama, mais uma insônia rotineira. Os únicos sons que ouvia era o dos ponteiros do relógio, o assovio do vento na janela, o piado da coruja que noite sim, noite não, aparecia para lhe fazer uma visita e a música que tocava baixa no bar em frente. Com o olhar fixo no teto, observava a fluorescente oscilar ainda emitindo pontos de luz, era madrugada de sábado, longa e solitária.

Seus dedos se enrolavam no cabelo em seu auto cafuné, o sono não vinha. Tentava obrigar-se a sonhar, mas nada. Sentia como quem havia tomado energético o dia inteiro, o que contradizia sua única xícara de café pela manhã. Sua mente não fervilhava de ideias, seus pensamentos eram quase nulos. Olhou para a mesa do criado-mudo e sentiu-se tentada a procurar aqueles comprimidos, virou para a parede e encarou o pequeno ponto de iluminação proveniente do neon do bar em frente a casa, que atravessava as pequenas frestas na persiana.

Podia imaginar as pessoas que estariam lá. Era uma cidade pequena e o bar era o mais frequentado, sua rua era central e a maioria dos jovens estudantes dali frequentava semanalmente o “La Notte”. Um bar simples, com belas garçonetes e um barman conhecido como Pato, tão bonito quanto os drinques que ele preparava, mas o seu favorito, chamado curiosamente de ‘arco-íris’ era o que mais condizia com ele.

As paredes do bar eram todas em tijolo e alvenaria, pintadas de vermelho, branco e preto, com quadros antigos e algumas fotos de clientes e do dono dispostas nelas. As mesas de madeira envernizada davam um aroma único de eucalipto e Tinner ao lugar. De segunda a sexta, Eduardo, filho do dono, tocava violão para o entretenimento dos clientes, aos sábados o bar era reservado para poucos apreciadores do bom e velho rock ou algo um pouco mais sombrio.

Izabelle, sua amiga e colega de trabalho, certamente estava lá exibindo sorrisos e partilhando daquele jeito cinestésico que contagiava a todos ao seu redor. Namorava Caio amigo de infância de Ísis, a quem ela apelidava carinhosamente de índio devido à aparência do rapaz, sua pele morena quase vermelha, e seu cabelo extremamente liso.

O casal conheceu-se quando o pai de Izabelle, Rafael David, contratou Caio para a equipe, indicação de um dos professores de Caio, íntimo do seu atual sogro. Era inverno em Patrocínio, num dia muito chuvoso fora do escritório o céu desabava em água e raios iluminavam o céu de instante em instante. A equipe da construtora dava as boas vindas ao novo engenheiro Caio di Luccio, cada um o cumprimentou de maneira formal até a vez de Izabelle, que no momento que segurou sua mão foi surpreendida por uma queda de energia. Seu grito de horror ecoou pela sala, logo o horror se tornou constrangimento quando a energia foi religada e ela encontrou-se com o rosto enfiado no peito de Caio. A sala ficou em silêncio por um bom tempo, enquanto ambos se encaravam estarrecidos.

O primeiro movimento partiu dele, afastando a franja loira bagunçada que escondia parte dos olhos de Izabelle, o segundo movimento pertenceu a ela, veio do instinto de fuga de qualquer ser humano. Com um salto para trás livrou-se das mãos do rapaz, catou sua pasta ao mesmo tempo em que se desculpava e saia como uma ventania pela porta. O primeiro contato. O mais marcante e o inicio de um relacionamento incomum e duradouro.

Uma chuva fina começou a fazer barulho no telhado, pingos e mais pingos caiam mais rápido e mais forte engrossando a dança pluvial, a coruja já não cantava mais e o vento não assobiava. Porém um gelo se instalou no cômodo. Ísis ergueu-se inquieta, parecia um daqueles momentos os quais ela não queria tornar a passar na sua antiga cidade. O frio era nostálgico, lembrava o quarto branco e imundo num pequeno apartamento instalado numa rua onde era um marco de tráfico. Onde pessoas de má índole, ou boa, ou simplesmente perdidas na vida circulavam constantemente.

Seus cabelos ruivos bagunçados moldavam-se no seu peitoral enquanto ela descia as escadas. Pegou o moletom do Mudyvane pendurado ao corrimão e o vestiu enquanto seguia para a cozinha. Acendeu a luz e se deparou com uma figura masculina parada em frente ao armário. Seu grito agudo ecoou pela casa seguido por um palavrão:

porra, Caio! Vai assustar a puta que o pariu!

O moreno coçou a cabeça enquanto mordia o último pedaço do bolo que comia, segurou o riso ao notar a expressão realmente irritada dela.

Desculpa. Izabelle não me deixou entrar. Está chateada e não sei o que fiz desta vez.

Minha Casa não é hotel para toda vez que vocês brigarem você vir se acomodar aqui. - bufou irritada. Enquanto enchia o copo de vodca.

bem, então deveria parar de esconder a chave reserva por entre as samambaias.

Ah! - Caio tomou o copo das mãos dela ― eu achei que tinha dito que iria parar com isso, Ísis.

Eu disse.

Caio havia vindo de São Bernardo junto com Ísis por questões de trabalho. Contratado para supervisionar a construção do Hospital em Patrocínio ele acabou a levando para lhe auxiliar como gerente de orçamento. Mas a intenção do rapaz não era essa. Era apenas uma desculpa para tentar afastá-la da última cidade e seus males, depressão e insônia. Por um lado havia funcionado, a depressão tornou-se um fantasma que não aparecia para visitar. Mas pela insônia nem tanto, essa era uma companheira que aparecia todo mês.

Há mais de três anos vivendo em Patrocínio, Ísis não continuava tão reclusa como era em São Bernardo. Ela não mudou cem por cento, mas estava mais aberta ao relacionamento com as pessoas. A ruiva havia sido contratada por Izabelle para ser diretora de orçamento da Construtora David, mais pelo ótimo trabalho dela do que pela influência de Caio. Embora que desajeitada em todas as áreas da vida, no setor financeiro ela se dava bem, sempre viveu para aquilo, mas perdeu a capacidade de se relacionar com humanos quando se afundou nos números, e agora aos vinte e seis anos sente falta de seu lado mais humano, embora ache que nunca possuiu esse lado.

O olhar dela permaneceu apenas alguns segundos nos olhos negros de Caio, notou seus cabelos molhados lembrando-se da chuva que a pouco caia. O relógio alarmou as quatro da madrugada e ela ergueu-se da cadeira fazendo barulho.

Todos tem algum vício. Os de Ísis eram se desculpar, agradecer, e álcool. E morar em frente a um bar não é algo motivacional para alguém precisa parar de beber. Porém, por ela ser pouco sociável, raramente saia para bares ou qualquer outro local:

lembre-se de ligar para a Belle depois, índio.

certo.

O líquido que antes estava no copo, agora escorria na pia. Enquanto o aroma do álcool penetrava nas narinas ela subida as escadas lentamente fazendo os degraus rangerem. Quando ela chegou ao topo o cheiro desapareceu assim como a Luz da cozinha que foi apaga. Tateou no escuro em busca do quarto, mais um passo e seu dedo mínimo encontrou a quina da cômoda. Ísis conteve o grito para não alarmar os vizinhos. Entrou no quarto resmungando cinco ou seis palavrões e enfiou-se em baixo das cobertas frias. Seus dedos cianóticos encontraram mais uma vez seus cachos acobreados.

O bar havia fechado, e o neon não entrava mais no quarto, estava tão escuro que ela sequer via a própria mão. O sol raiva tarde, e pelo horário aquela era chamada a alta madrugada, o fim da hora morta em Patrocínio. O frio permanecia, o que não era comum já que no alto Sertão as noites eram tão quentes quanto o dia.

ainda bem que é sábado” - pensou virando de bruços, posição que não durou muito tempo devido à sensação sufocante promovida por seus seios fartos. Encarou a parede, quando sentiu algo frio tocar seu tornozelo, olhou para baixo e não viu nada além do negrume:

Índio? - perguntou em vão. O moreno já dormia no sofá na sala.

Sentiu a ponta de o seu colchão afundar como se alguém tivesse sentado junto aos seus pés. Olhou novamente para o negrume e a única coisa que conseguia ver eram as nuances no escuro de uma silhueta sentada junto à cama. Todo seu corpo esfriou e sua única reação foi puxar as cobertas. Eles voltaram.

Ísis nunca havia sido religiosa, mas sabia de cor todas as orações das quatro religiões que havia seguido. E rezou. Imaginou o terço da misericórdia em suas mãos e começou a rezar. Sentia o olhar ‘dela’ sobre ela e apertou ainda mais os olhos, intensificando a reza. Seus dedos compridos entrelaçados tremiam, tal como quando ela recebera suas primeiras visitas.

Se foi. Finalmente se foi.

A reza terminou e seu visitante havia partido. Ela não conseguiria dormir novamente, mas também não conseguiu levantar. Aos poucos o barulho na cidade recomeçava, a cidade acordava enquanto ela sequer havia pregado o olho. O movimento de entrada e saída de pessoas na padaria se tornava cada vez mais intenso, e ela conseguia ouvir bem as pessoas conversarem:

Ísis. – Caio tocou a perna da moça que num puro extinto de fuga o chutou com força.

O que eu fiz agora?! - Caio reclamou enquanto levantava.

Desculpa! Eu só…

Você não dormiu não é? – ele sentou-se a beira da cama e segurou a mão dela.

cochilei. – ela mentiu.

Durma. – disse o rapaz enquanto a cobria com o lençol.

Caio sentou-se mais junto a ela, afagando seus cabelos volumosos. Ísis fechou os olhos. Suas olheiras contrastavam com sua pele pálida, seus lábios rachados lhe davam uma aparência doente. Há algum tempo ele não a via assim, sentia que tudo recomeçaria. Toda a perturbação, todo o pavor vivido antes e ela teria que voltar para o local de onde ele a retirou.

Ísis dormiu. Dormiu e sonhou com a noite em Patrocínio. Sonhou que estava sentada na calçada brincando com Aomine, seu cachorro, enquanto observava uma tempestade se formar no final da tarde. Nuvens cinzas carregadas se juntavam pouco a pouco, mudando o alaranjado da tarde numa pintura de tirar o fôlego. O La Notte acendia seu letreiro e a letra “N” tinha queimado. Eduardo saiu do bar e praguejou alguma coisa para o letreiro fazendo-a rir, riu ainda mais quando a placa da entrada caiu e ele voltou para praguejar e chutá-la. Porém outra coisa entrou no plano de sua visão, um ponto branco no meio da rua. Aomine começou a latir em direção ao pequeno coelho.

O animal fugiu para trás de um carro que acabara de estacionar ali, enquanto Ísis se erguia da calçada na tentativa de conter o labrador pela coleira.

Aomine! – Ísis gritou enquanto o cachorro avançava para a rua.

Mas o cão logo retornou acuado ao se deparar com as botas do passageiro do Galaxie Landau antigo nada comum naquele lugar. Um desconhecido, alto, magro, vestido num jeans surrado e uma jaqueta de couro mais surrada ainda. Seus cabelos loiros quase brancos, compridos e bagunçados escondiam seus olhos, ou simplesmente Ísis não conseguia vê-los. Uma barba mal feita não escondia alguns dos pontos negros os quais se assemelhavam constelações que desciam do seu rosto até seu pescoço, onde carregava um cordão cujo pingente era uma bala de prata pendurada que balançava destacando-se na estampa da camiseta cinza que estava escrito “Innocence Lost”. Na mão direita alguns anéis nos seus dedos magros e um cigarro, e na mão esquerda o coelho.

Ísis assustou-se ao ver o animal, e levantou o olhar para o rosto do homem, porém agora ela não conseguia enxergá-lo. Ele começou a caminhar lentamente em direção a ela, mas ainda não conseguia ver seu rosto. A cada passo que ele dava o som de um martelo num prego ecoava cada vez mais alto e mais forte. Um pânico crescente tomou conta dela, mas ela não podia se mover. Sentia-se presa como o coelho que se debatia nas mãos do desconhecido, seu cão gania ao seu lado e antes que o homem chegasse à calçada ela sentiu um impacto contra o lado direito do seu corpo. O Chão frio.

Caíra da cama. O quarto estava claro e o calor da tarde era barrado pelos 19º C do ar-condicionado. Ergueu-se esfregando o cotovelo dolorido, depois apanhou o calendário de Agosto que provavelmente derrubara do criado-mudo com a queda. O observou pela janela Eduardo martelar os pregos da placa na porta do bar. Um arrepio percorreu sua pele, era mais que o frio do ar-condicionado. Lembrou-se do sonho:

Aqui. – Caio apontou junto a ela entregando-lhe um copo de suco de laranja. – o que está vendo?

A placa caiu. – respondeu sem desviar os olhos da janela.

Fixou o olhar à porta do bar enquanto Eduardo descia da escada, a placa estava no lugar certo, mas não havia nenhum indício de que um Galaxie Landau havia passado por lá. Nem coelho Branco e muito menos Aomine que estava trancado no quintal.

Algum problema? – Caio tornou a chamar a atenção.

Nenhum.

8. Juli 2018 20:45:10 4 Bericht Einbetten 2
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Victor  Ribeiro Victor Ribeiro
Isso tá honestamente bom. Gosto muito de como eu não entendi quase nada sobre o que há de estranho na protagonista. Cativante.
26. Juli 2018 12:04:43

  • Francielly Macedo Francielly Macedo
    Olá! Eu nem sei como responder! (Risos) Há algo estranho nela que nem eu compreendo. Obrigada por comentar! 27. Juli 2018 17:07:54
Elloo Izy Elloo Izy
8. Juli 2018 22:39:42

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