Nós contra o mundo Follow einer Story

blues jess and blues

Min Yoongi é clichê, e sabe que é clichê: a começar que é floricultor e metaforiza tudo com flores, fuma e não vê sentido na vida. E mesmo assim, se sente grato pelos girassóis terem trazido Kim Taehyung até ele.


Fan-Fiction Bands/Sänger Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#romance #fluffy #taegi #vsuga #taespringi
Kurzgeschichte
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Capítulo Único

A verdade é que eu queria que isso aqui não fosse tão clichê, mas como eu poderia deixar de ser se tenho esse fato tatuado em minha testa? Bom, não literalmente, mas olha só, eu trabalho numa floricultura. Eu cuido de flores, e dou bom dia para o moço que abre a padaria ao mesmo tempo que rego minhas hortênsias. É uma vida pacata que insisto em deixar rápida, eu corro, corro, corro tanto que não percebo meu pulmão asmático reclamando pela óbvia falta de ar. Eu também queimo cigarros, pedindo inconscientemente misericórdia a Deus pelo meu órgão ruim, por estar sendo um menino mau, e... e... e talvez eu esteja meio triste.

Talvez tenha passado do apenas estar, que agora eu sou. Sempre gostei da vizinhança na qual trabalho, mas é inevitável não me sentir intruso nela. É como se eles fossem um campo cheio de girassóis e eu a margarida deslocada. Elas se viram todas para o sol, e eu não gosto da irradiação.

Como toda sequência de palavras tem um porém, esse jardim também tem. Havia um, apenas um girassol que se recusava a seguir o fluxo. Ele possuía uma pele dourada agraciada pelo sol, incapaz de deixar a derrota lhe penetrar as camadas de melanina. Ele erguia o rosto, mesmo que seus olhos estivessem lacrimejando, para então sorrir tão brilhante e extraordinário em seguida. Ele também era dono de uma voz grave que ficaria boa em qualquer música do Ed Sheeran. 

E eu parei no meio da praça para assisti-lo cantar.

Ao final da apresentação do que achei ser Jaymes Young, me aproximei para deixar alguns trocados em seu chapéu pendente no chão.

— Obrigado — disse gentil — Está meio difícil agradar o pessoal de Gangnam, eu acho que devo tentar cantar algo do BigBang da próxima vez...

— Não. — o cortei — Eles são difíceis de se lidar mesmo. Mas eu não. Eu gosto da sua voz.

Ele sorriu.

— Kim Taehyung — se apresentou.

— Eu sei — eu percebi o que tinha confessado, em circunstâncias normais eu nunca teria coragem de ter lhe dito — Eu quis dizer, Yoongi. É. Min Yoongi. É que... bem... eu te sigo no spotify... e...

Ele riu tímido pelo meu desconcerto, e eu acabei rindo também.

— Por favor, Min. Deixe que eu te pague um café.

Depois de muita relutância por minha parte, desculpas como “tenho que voltar ao trabalho” com um sútil “eu nem te conheço” enfeitando no fundo, aceitei. Suspirei aliviado ao ver que o café onde me levou era de amigos, localizava-se no final do bairro.

— Joon-hyung, coloca na minha conta! — exclamou, ao se jogar desleixado na cadeira de uma das mesas que tinha nos arrumado.

— Vou descontar do seu salário, moleque! — ameaçou — Ah, como vai, Yoongi?

Acenei de volta pra com a cabeça, Namjoon era da minha sala no colegial, expliquei a Taehyung.

— Então, Min, se importaria se eu te perguntasse quantos anos você tem? — perguntou, com uma polidez que eu não estava acostumado.

— Pelo amor, me chama de Yoongi — o disse — e eu sou de noventa e três. Então você trabalha aqui? Pensei que ganhasse a vida com música.

— Oh, você é meu hyung, então! — exclamou surpreso — eu sou de noventa e cinco, quase de noventa e seis. — presumi que seu aniversário fosse no final de dezembro — E, por favor ninguém ganha a vida com música. Não quando se é um artista independente.

Surpreendi-me pelo fato. Como que não havia sido aceito por nenhuma empresa? A voz dele não era perfeita, mas era muito boa para baladas tristes. Certamente faria sucesso, o imaginava no topo de paradas como hot 100 mais dramáticas.

— Eu na verdade — continuou — nunca fiz audição para empresa nenhuma, sei bem de seus históricos abusivos. — Namjoon se intrometeu concordando, nos entregando as xícaras quentes de café — E eu gosto mesmo é da liberdade. Tanto é que sai de Daegu pra ser barista em Gangnam. Te amo hyung! — brincou.

Conversamos mais algumas banalidades, e eu ia esquecendo a hora de voltar pra casa. Nos conhecíamos um pouco mais a cada vírgula trocada, nunca parando no ponto final. A minha cor favorita era branca, e a dele era roxo; eu era a junção de todas as cores pra existir, e ele era chamativo e vivido sozinho. A minha comida favorita era definitivamente carne, e a dele mudava toda semana. Eu gostava de fotografar, e também lhe disse que trabalhava na floricultura de meus tios, depois de ser expulso de casa quando me descobriram gay. Ele não se assustou com minha orientação sexual, mesmo sendo algo tão anormal para existir em um país como o nosso. Dois goles depois, me revelou ser tão extraordinário – pois bem, era essa a palavra certa para descrever a singularidade dele – quanto eu: disse que era assexual arrômantico, e que suas flores favoritas eram as margaridas.

Meu coração falhou duas batidas, e eu sabia o porquê. Eu era a droga de uma margarida em um campo infestado de girassóis, e ele nunca seria capaz de me amar. O cupido não foi nada generoso comigo. Deus nunca foi, a começar que a santidade me deu a porra de um pulmão defeituoso. Mas amigos, sim, eram bons, Namjoon nos informou que estava tendo uma exposição de arte ali por perto, e os olhos de Taehyung se arregalaram de uma forma tão bonita que, pela primeira vez, pude perceber que seus cílios compridos brilhavam ao ser expostos ao sol.

A exposição era de graça, e não foram nem 4 minutos caminhando até lá. Eu contei nossos passos ao mesmo tempo que contei o compasso de meu coração, e ele estava muito mais calmo. Diferente de Taehyung, que ofegou nervoso ao olhar para uma pintura.

— Mesmo que essa seja uma réplica de Van Gogh, eu não consigo evitar de suspirar — comentou.

— Eu não entendo nada disso — confessei — mas é lindo mesmo.

— Eu me sinto tão inferior perto disso, gostaria de ter nascido a séculos atrás — pareceu alheio ao o que disse — quer dizer, nós nascemos numa geração infame. Não tem nada mais a ser descoberto. Perdemos as memórias felizes de nossas vidas passadas, se é que vivemos no passado, ou se é que vivemos como humanos no passado... eu acho que fui um coelho — comentou rápido — e isso é tão... tão triste.

— Viver como um coelho? — muni-me de sonsice.

— Não, seu bocó — ralhou divertido.

Eu tirei uma folha que havia se instalado em seu ombro desde a caminhada até a exposição, e comecei a falar.

— Então vamos fazer arte juntos. — convidei, decidido — Vamos pintar um quadro, recriando esse mesmo estilo romântico de Van Gogh, vamos comprar tintas, e alguns pincéis, e isso pode ser na minha casa. Ou na sua se preferir.

Ele soltou o ar, rindo nervoso.

Pós-impressionismo. — me corrigiu — Você nem me conhece, Min Yoongi.

— Conheço o suficiente pra saber que acha a realidade onde nasceu uma porcaria. E você é amigo do Namjoon, aquele cara tem um bom gosto para amigos.

Ao voltar pra casa, deparei-me com meus tios transbordando de orgulho. Era a primeira vez que eu largava o trabalho para aproveitar um pouco a juventude, nada teria os animado mais que isso.


No dia seguinte, fui a papelaria e me vi diante de uma variedade de cores. Apesar de ter conversado a noite inteira pelo celular com Taehyung, não tinha me ocorrido perguntar quais tintas que ele queria. Comprei, por fim 7 bisnagas, e ele viria com a tela e pincéis.

Ele chegou quando eu arrumava meu quarto, colocou a tela grande atrás da porta e me ajudou a dobrar algumas roupas.

— Você não precisa fazer isso — o avisei, envergonhado.

— Eu quero ajudar, aliás, nesse momento, qualquer coisa pode me ajudar a ter inspiração.

— Ah, ainda não sabe o que pintar?

Ele negou com a cabeça, e eu comecei a cantarolar uma melodia, que não me lembrava da onde que ouvira, enquanto dobrava as roupas restantes.

— Essa música... é minha — afinou a voz, muito tímido.

E eu me dei conta que era realmente dele a música que cantarolava, pudera também, havia passado a noite ouvindo a sua única música no spotify.

Acabou que não havíamos pensado em nada, e ele precisava voltar ao trabalho. Eu também. Nesse dia, não havia regado ainda as minhas hortênsias, céus! O que o rapaz da padaria iria pensar?

Dias depois quando ele voltou, era domingo. A maioria das lojas não abriam, tampouco a minha floricultura ou a cafeteria dele. Quando Taehyung chegou, eu o entreguei uma única e singela margarida, e a face dele pareceu se expandir de alegria. Florescência. Efeitos causados por uma margarida, flor – não margarida, eu.

— Já sei o que vamos pintar — falava animado, enquanto subia correndo as escadas para meu quarto. — algumas margaridas. E uma mão. Uma mão segurando elas. É. Uma mão segurando margaridas. Você é um gênio, hyung, obrigado pela flor! — quando finalmente o alcancei, encontrei a dita cuja descansando em sua orelha. E ele sorrindo. E Ele era tão lindo.

Então, eu lhe contei a minha ideia sobre os girassóis. Que os ordinários eram girassóis esbeltos virados para o sol, e que eu era uma margarida deslocada. Ele pegou as minhas mãos e colocou entre as quentinhas dele, e sorriu ainda maior. Eu não me atreveria a tirar o sorriso dele. Eu não me atrevo.

— Podemos fazer o fundo com pinceladas raivosas de amarelo-laranja-marrom — falou assim, tudo grudado mesmo — e depois pintar a mão com as margaridas por cima e...

Eu estava prestando atenção, juro que estava, mas a curiosidade era maior. Tive que perguntar.

— Desculpe Taehyung, eu estou prestando atenção, mas pra quê esse IPad gigante?

— Ah! — ele exclamou surpreso, como se tivesse acabado de se lembrar de algo super importante. — Que bom que você perguntou, eu ainda estava arrumando coragem pra te mostrar... é que... bem... euqueriacantarumamúsicapravocê.

Taehyung tinha pressa também, mais pressa que eu. Ele era precipitado, e eu tinha muito medo de olhar pro precipício.

Eu pedi para que ele o fizesse, e ele abriu o piano virtual. A música se chamava Stigma, e eu poderia muito bem ter chorado.

— Porra... — xinguei — Você canta bem pra caramba, o que você quer que eu faça pra receber um áudio seu cantando como mensagem de bom dia? — eu brinquei, depois de ter dito o que disse que percebi a inconveniência nas minhas palavras.

— Pare de fumar. — ele disse seguro, e eu olhei de relance para a minha escrivaninha com dois maços de cigarros.

Veja bem, eu não fumava por prazer. Foi o jeito que encontrei para encarar a tristeza, depois que meus pais me rejeitaram. Peguei meu medo do precipício aí, nesse instante. Acho que todo mundo, alguma vez na vida, mesmo que pense em morrer, tem medo de morrer. Eu tinha, ao menos. Mas Taehyung queria me mostrar que eu simplesmente não precisava encarar o fundo. Não precisava. Eu podia andar tranquilamente nessas tardes sépias, e não era de todo ruim. Na verdade, não era nada ruim. Mas ele? Ele continuava a correr porque gostava de sentir o vento lhe bagunçar os cabelos, que lhe fizesse cortes na bochecha, porque a ardência o avisava que ele estava vivo. Vivo e livre.

Começamos com as pinceladas. Taehyung alternando entre laranja e amarelo e eu com o marrom, sem saber saber exatamente o que fazer. Após terminarmos o fundo é que percebemos que podíamos ter desenhado as mãos primeiros, para podermos nos guiar. A essa altura já estávamos cansadas e sujos demais, e o sol iria se por – aposto, daqui a 20 minutos.

E então ele de repente soltou, comigo deitado em sua barriga, e ele encostado na minha cama. Eu juro que achei que poderia explodir naquela hora.

— Eu... eu acho que amo você. Assim, sabe, no sentindo mais puro da coisa. Não em um interesse romântico, sabe, mas ainda assim tão sincero quanto. — eu quase ri com a sua distração, era tão bonitinho o jeito atrapalhado dele.

— Se isso foi uma declaração, eu também gosto de você. Muito. Na verdade, foi amor à primeira vista. — ri, tão abobalhado quanto, e pus uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.

Ele estava nervoso. E vermelho. Suas feições indicavam que não sabia o que fazer, e procurava manter o olhar fixo na mancha de tinta que havia me feito – eu soube no momento que ele me tocou no rosto que foi com más intenções – ao invés de olhar no precipício dos meus olhos.

— Posso? — perguntei, enquanto acariciava sua bochecha.

Faça.

Soou meio imperativo, meio desesperado. Meio apaixonado. E, naquele instante, eu percebi o turbilhão de coisas que aceitamos carregar em nossas costas com um simples beijo. Um tempo atrás – ou em vidas passadas, mesmo que eu fosse um coelho, um cogumelo, ou o que for – eu teria pensado que o amor se encaixa bem em minha boca, quem me dera se fosse no coração. Mas agora era diferente, não era eu contra o mundo, ou apenas ele. Era a gente. Dois. Nós contra o mundo. Eu atacaria com minha natureza clichê e Taehyung era afortunado de tanta gentileza que parariam a guerra por ele.

O sol se pôs, e o dia terminou ameno. Sépia. Mas eu mal percebi, estive ocupado assistindo ao meu girassol se fechar. Dessa vez, não chorei desejando desejar o sol também. Eu sabia que Taehyung se curvaria para me beijar quantas vezes fosse preciso pra eu entender que margaridas eram bonitas e muito bem-vindas também.

2. Juli 2018 23:33:41 4 Bericht Einbetten 8
Das Ende

Über den Autor

jess and blues apaixonada pelas palavras e por suas várias formas. taegi. no social spirit como @fluchtig

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Alice Alamo Alice Alamo
Olá, sou Alice e venho pelo Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história possui uma ótima narrativa e com uma escrita fluida e sem erros. Logo, está verificada! Parabéns pelo trabalho ;)
15. September 2018 17:11:44

  • jess and blues jess and blues
    MEUS DEUSES DO MONTE OLIMPO ainda não consigo acreditar SOCORRO AAAAAAAAA fico muito feliz por apreciar o meu trabalho 9. Oktober 2018 07:38:58
uanine oliveira uanine oliveira
Esplêndida! Toma aqui sua coroa uwu. Sim, você é uma rainha, Jess.
2. Juli 2018 19:34:47

  • jess and blues jess and blues
    rainha não sei, but ill take all of your uwus 2. Juli 2018 19:42:18
~