Black Pages: Antiquário Follow einer Story

C
C Clark Carbonera


Lis Calla começou a trabalhar em um antiquário. Ela achava que seria tarefa fácil até conhecer seu colega irritante e mal educado e descobrir que o antiquário guarda mais coisas do que parece...


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Prefácio


Lis desceu da sua bicicleta e tirou a correia do bolso do casaco verde que usava. O metal frio era quase uma afronta para suas mãos naquele início de inverno e o fato de passar das 18:00 horas não ajudava muito. Depois de fazer a segurança do seu único meio de locomoção, ela tirou do bolso traseiro da calça jeans um papel amassado. Avenida do Café, nº 2580, era o que dizia. Lis olhou com uma sobrancelha arqueada para a minúscula porta vermelha e para a placa preta com dizeres dourados pendurada ao lado: Black Pages: Antiquário, onde tudo é encontrado e para a janela com grades, cuja vista interna era bloqueada por uma cortina bege.

A loja ficava em um desnível de pouco mais de meio metro e, enquanto descia os cinco degraus para sua entrevista de emprego, Lis respirou fundo e pediu ardentemente para que ela não corresse o risco de ser estuprada naquele lugar úmido e parcamente iluminado por um lampião velho de luz amarela. O céu escurecia rapidamente e as luzes dos postes ainda não tinham sido acesas. Lis tremeu levemente ao olhar para a entrada da loja: não tinha muito o que ser visto, era apenas cimento gelado e úmido e a grade que separava a calçada da avenida acima era negra como piche, a única coisa que se destacava ali era a porta vermelha.

O pé de Lis bateu de leve como um coelho amedrontado, ela mordeu os lábios e olhou para a bicicleta, imaginando se devia voltar para casa e desistir daquela entrevista. Mas depois ela se lembrou da noite passada com os amigos no bar.

– Dane-se. Pior do que cantar cirandas de infância na frente dos outros não pode ser.

Dizendo isso, ela guardou o papel no bolso traseiro da calça e abriu a porta vermelha.

O barulho alto de um sino percorreu toda a loja quando Lis abriu a porta e entrou. A primeira coisa que ela notou foi o cheiro de coisa velha e poeira, depois, as centenas de coisas que se entulhavam por todo o lado numa organização de dar arrepio a qualquer desorganizado de carteirinha, e só depois ela se perguntou se eles não tinham uma luz mais forte para por ali.

Seus olhos se acostumaram com a luminosidade das lâmpadas amarelas penduradas no teto, enquanto ela andava lentamente pelo primeiro corredor, olhando e tocando levemente os objetos empoeirados nas prateleiras e mesas.

Ela ouviu o som de uma porta se abrindo e uma pessoa alta apareceu no fundo do corredor.

– Você é Lis Calla? – perguntou o sujeito.

– Sim.

Ele fez sinal para que ela seguisse pela porta aberta atrás dele. Lis deu uma corridinha no final, o corredor era mais longo do que ela pensava, e fechou a porta depois de entrar. No vidro esfumaçado, ela leu: Escritório Administrativo.

– A-hãm, muito bem. Vamos acabar logo com isso – disse rispidamente o homem alto, sentando-se na cadeira de couro atrás de uma mesa grande de mogno.

Lis, ainda de costas para ele, fez uma careta irritada. Mais um chefe arrogante que ela deveria bajular para conseguir um emprego... Virando-se para ele com o melhor sorriso de que dispunha, seus olhos foram diretamente para o olhar de pupilas felinas que estava atrás da mesa e Lis quase deu um grito. Depois piscou os olhos e continuou a encarar confusa o homem atrás da mesa.

Ele estava encostado na cadeira, as mãos cruzadas na frente do corpo e sua expressão era de tédio.

– Ora, vamos. O lugar não é assim tão horrível... – disse ele, apontando para a cadeira à frente dele, convidando-a a se sentar.

Lis sacudiu a cabeça levemente e estudou com cuidado os olhos do sujeito. Eles estavam normais, mas ela tinha certeza de que se pareciam com os de um gato ou de uma serpente momentos antes...

Lis puxou a cadeira para se sentar de frente ao homem e segurou a língua para não perguntar o que havia de errado com os olhos dele. Ela se lembrou de ter feito semelhante pergunta em uma entrevista que não foi muito bem recebida. Ela realmente acreditava que não tinha conseguido o emprego por causa daquilo.

O homem sorriu, mas o sorriso não chegou aos olhos, ele olhou brevemente para um papel na mesa e continuou a falar com voz entediante e monótona igual aos caixas de supermercado do bairro dela:

– Meu nome é Roger. Eu trabalho aqui na Black Pages desde o começo e conheço o lugar como a palma da minha pa-... mão.

Lis acenou com a cabeça em silêncio. Ela aprendeu a ficar quieta e não interromper ninguém numa entrevista, isso demonstrava ansiedade e insegurança. Ela também acreditava que por isso não tinha conseguido permanecer no último emprego.

– A Black Pages abriu uma vaga aqui para secretário ou secretária, não fazemos distinção de sexo. Só me diga que sabe soletrar ‘Black Pages’ e atender telefones e o emprego é seu.

Lis arregalou os olhos animada, e o homem emendou rapidamente, abrindo uma gaveta e tirando alguns papéis:

– E se você disser que sabe fazer as duas coisas e depois eu descobrir que você é uma farsa, as coisas vão ser piores para o seu lado, capiche?

– Ah, claro! Eu nunca fiquei tão aliviada por saber atender telefones – ela riu aliviada e nervosa. Mas ao ver o silêncio do homem e o olhar afiadíssimo que ele lhe dava, ela emendou com pressa – ... e saber soletrar... Black Pages. B-L-A-C-K P-A-G-E-S. Black... ah, bom, você já sabe o resto…

Roger encarou Lis com olhar entediado, mas atento, e lançou para ela um papel.

– Leia tudo antes de assinar. E tire todas as dúvidas agora, antes de assinar, porque não haverá outra oportunidade.

Lis viu o papel branco deslizar sobre o tampo da mesa enorme e sentiu uma certa estranheza no ar. Que coisa era aquela de não haver outra chance de tirar dúvidas? E se o telefone der algum problema e ela não souber arrumar e ter que perguntar para ele? E se ela tiver que soletrar alguma outra palavra tosca como ornitorrincolaringologista e tiver alguma dúvida?

Lis piscou várias vezes e coçou abaixo do nariz como sempre fazia quando estava nervosa. Era ridículo pensar naquelas coisas agora. Pegando uma caneta azul que estava na mesa, ela começou a ler o contrato de emprego. As coisas estavam indo muito bem, aquele era um contrato padrão de emprego como tantos outros que ela já tinha visto, a não ser pela última cláusula:

O empregado não deverá e nem poderá, independentemente das circunstâncias, falar sobre seu trabalho na empregadora, ora Black Pages: Antiquário, com qualquer pessoa que não trabalhe na empregadora, sob pena de demissão imediata, podendo ser sujeito a outras penalidades.

Lis ergueu as sobrancelhas e olhou para Roger, que estava brincando inocentemente com uma caneta, rolando o objeto de um lado a outro da mesa.

– A-hãm, – Lis pigarreou e Roger olhou para ela, com olhos novamente cheios de tédio – pelo que eu posso ver desse contrato, o dono daqui não é você, é... – ela releu o nome no início do contrato – Herman Fitz...

– Uau – Roger a interrompeu sem ânimo algum, voltando a atenção para a brincadeira de rolar a caneta, – você lê melhor do que o último sujeito que sentou nessa cadeira...

Lis passou a língua pelos lábios e trabalhou um sorriso simpático. Aquele cara já estava passando dos limites do senso comum sobre como tratar uma pessoa. “Se ele não está a fim de contratar, então não anuncia na porra do jornal que está precisando de ajuda!

– O que eu quero dizer é que, claramente, o sr. Fitz não é daqui, então é capaz de ele não saber como algumas coisas funcionam por aqui. Talvez seja totalmente legal colocar uma restrição dessas no país dele, mas nesse aqui... isso daqui – ela levantou o papel e o sacudiu – é ilegal. A não ser que estejamos falando sobre sigilo profissional, mas não é o caso. Isso aqui, com todo o respeito, é só uma loja, um antiquário. Não estamos falando de uma empresa enorme que possui uma fórmula de algum remédio ou coisa do tipo...

Roger, que no meio da fala dela retornou a atenção para Lis, pendeu a cabeça para o lado, as sobrancelhas se ergueram bem de leve. Lis se perguntou se aquilo era o máximo de curiosidade que conseguiria ver na expressão daquele homem. Roger se inclinou por sobre a mesa, chegando mais perto de Lis. Daquela distância ela podia distinguir a cor dos olhos dele, marrom escuro, quase preto. De onde ela tinha tirado que os olhos dele eram verdes?

– Só porque algo é contrário a uma lei, esse algo é errado? – perguntou Roger, as palavras saindo com uma lentidão de domingo. Lis estreitou os olhos, imaginando se aquilo era uma pegadinha. Ele continuou. – E se uma coisa errada se torna lei, ela deixa de ser errada?

Lis encarou o sujeito de olhos escuros com suspeita. Se aquilo não fosse uma pegadinha, aquelas eram perguntas muito estranhas para se fazer numa entrevista de emprego, ainda mais num antiquário.

– Você, melhor do que eu, sabe que existem muitas leis inúteis e erradas por aqui. Às vezes não dá vontade de quebrar todas elas, as boas e as más, e começar do zero? Criar nossas próprias leis condizentes com a nossa própria realidade?

Lis desviou os olhos para o contrato novamente, pensando, pensando, pensando...Por mais que aquele sujeito de olhos suspeitos fosse bizarro, ela não podia negar algumas coisas da sua vida presente. Fazia mais de três meses que a Sam, sua amiga, estava segurando as pontas sozinha, porque Lis tinha sido demitida do trabalho. E Lis não queria incomodar seus pais, pedindo dinheiro. Se fizesse isso, eles ficariam preocupados com sua situação e provavelmente fariam campanha para ela voltar a morar com eles, coisa que ela não queria fazer de jeito nenhum.

– É muita loucura ver as coisas dessa forma – ela respirou fundo, pensando em como não queria mais ouvir seus amigos falando em como a vida deles era maravilhosa por causa do emprego que tinham, pensando em como ela tinha que arranjar dinheiro para pagar o aluguel do apartamento e a comida da semana. Roger estreitou os olhos, não perdendo de vista qualquer movimento de Lis. Com um suspiro, ela pegou a caneta e fez sua assinatura em tinta azul ao final do contrato. – Mas talvez eu seja tão louca quanto...

Roger abriu um sorriso torto e seus olhos pretos como a noite mais escura brilharam maliciosos:

– Bem-vinda ao Black Pages.



25. Juni 2018 15:01:02 2 Bericht Einbetten 2
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Marurishi Paz Marurishi Paz
Adorei esse início! Sempre com mistérios! Já quero ler logo o próximo e saber como vai ser esse trabalho da Lis, o que será que acontece nesse antiquario? Quem é esse realmente esse Roger? Adorando!
27. November 2018 17:10:30

  • C C C Clark Carbonera
    Obrigado!! Que bom que esse início te instigou também! Agora, sobre o Roger, uhhh...talvez mais pra frente, quem sabe... 28. November 2018 07:37:57
~

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