Cookie and Kiss Follow einer Story

morangochan Saah AG

Às vezes, duas almas estão tão entrelaçadas e destinadas à completarem uma a outra que um encontro furado e um cupom do Subway são suficientes para dar um empurrãozinho.


Fan-Fiction Anime/Manga Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#yuri #bissexualidade #sakuino #shoujo-ai #diadosnamorados #amordefrases
Kurzgeschichte
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Dois cookies e dois beijinhos

Oi, gente. Como vocês estão? Eu estou bem, tão bem que consegui cumprir esse desafio no prazo. Tive a ideia pra essa fic antes do desafio ser lançado, quando vi uma imagem de uma promoção do Subway circulando pela timeline no Face. Coincidentemente, o desafio foi lançado dias depois e uma das frase acabou caindo como uma luva pra essa one. Sim, eu prevejo o futuro.

Essa SakuIno tá um amorzinho, então aproveitem minha vibe yuri e boa leitura.

PS¹: a frase escolhida por mim foi a frase de número seis.

“Seu coração disse a sua cabeça, vá, e sua cabeça disse para sua coragem, vou, e a sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou” - Adriana Falcão.

PS²: Esta fanfic está sendo postada pelas usuárias "Morango-chan" no Wattpad e "Morangochan" no Nyah! ambas são contas que pertencem a mim.

❅❅

Os últimos segundos de música corriam; a melodia tranquila dava seus últimos suspiros até, por fim, silenciar. Rock Lee e eu terminamos agarrando um ao outro, exatamente como havia sido coreografado na semana passada. Lufadas de ar escapavam de minha garganta enquanto as mãos apoiavam-se nos joelhos, pois a coreografia poderia até não ser agitada, mas necessitava de uma precisão tanto nos movimentos quanto na sincronia com os demais participantes. A instrutora nos aplaudiu quase rompendo as barreiras que a impediam de dar pulinhos de alegria, lançando diversos elogios a respeito de como tínhamos evoluído em tão pouco tempo. Lee e eu trocamos olhares de cumplicidade, assim como fizeram Ino e Sasuke entre si e, logo em seguida, conosco. Mordi o lábio para conter o entusiasmo; meu corpo estava exausto demais para pular de alegria. Finalmente os ensaios estavam resultando em algo além de erros e frustração, afinal de contas a festa de aniversário estava cada dia mais próxima e havia urgência em finalizar e aperfeiçoar aquela coreografia.

Como sempre, Lee me acompanhou até o banco, onde largávamos nossas bolsas antes do ensaio. Engatei a alça da bolsa no ombro, louca para sair dali e tomar o banho mais longo de minha existência. Rock Lee falava algo sobre as novas músicas que o Paramore, sua banda favorita, havia lançado naquela semana, todavia, não muito tempo depois, cessou seu comentário de tiete para me cutucar o ombro.

— Saky, olha ali! – ele sussurrou apontando com o queixo (nada discreto, devo dizer) para onde Ino e Sasuke conversavam.

De fato, a loira Yamanaka não era exatamente um mistério ou um resultado imprevisível. Nós, que estamos em plena convivência desde sempre, notamos sua óbvia linguagem corporal. O modo como ela brinca com uma mecha de cabelo denuncia nervosismo, por mais que seu rosto não o faça transparecer. E o jeito que cora enquanto sorri ao falar com um garoto, significa que está completamente na dele. Em circunstâncias normais o fato de Ino estar dando mole para um cara não seria motivo de surpresa, mas acontece que o rapaz o qual ela estava dando sopa era o meu ex-namorado.

— Você tá bem com isso? – Lee perguntou.

— Claro que sim! – disse ríspida, quase ofendida. – Acha o que?! Que eu tô com ciúme?! Tenho mais o que fazer, Lee!

— Não achei que fosse ciúme. – o moreno ergueu as mãos, defendendo-se. – Mas você parece incomodada.

— É claro que estou incomodada. – resmunguei. – Olha só pra Ino; ela é linda, inteligente, engraçada e perfeita. O Sasuke, por outro lado, é um otário. Ele não merece nem um bom dia de uma garota como ela.

As grossas sobrancelhas de Lee se arquearam em surpresa.

— Pensei que você já estava de boa com relação ao término com o Sasuke.

— Mas eu estava, Lee! – retruquei quase num choramingo. – O Sasuke é quem não parece ter superado. Já tem quase um ano que a gente terminou e sempre que eu olho para o lado, ele está lá! Eu troquei de turma e ele me seguiu. Entrei pro time de vôlei misto e ele estava lá. Comecei a ensaiar pro aniversário e ele deu um jeito de iludir a Ino pra ser o par dela na dança.

— Cara, que saco! – Lee cruzou os braços, seu olhar julgava Sasuke de longe. — Por que não manda ele meter o pé?

— Já mandei tantas vezes que até cansei. Dá vontade de jogar ele embaixo do ônibus e mandar pro limbo.

— Oh…! – um ruído de conclusão transpassou os lábios do rapaz. – Então foi por isso que você me pediu pra ficar perto de você nos ensaios e nos treinos de vôlei?

Minhas bochechas ficaram vermelhas. Faltei com a verdade não por desconfiar de Lee, e sim por ainda não me sentia pronta para meter mais uma pessoa no mar de almas penadas que era meu passado com Sasuke. Apesar de que, é claro, havia acabado de metê-lo, mesmo que sem querer. Naquele dia, depois de uma longa conversa sobre esse assunto, Lee se tornou a quarta pessoa a estar a par dos motivos pelos quais Sasuke e eu deixamos de ser um casal.

— Sim. – tive de admitir. – É que eu imaginei que se eu estivesse acompanhada de algum garoto ele deixaria de me perseguir por aí. Sabe… por talvez pensar…

— Que eu sou seu namorado ou algo assim? – ele arriscou.

— Éér… – cocei a cabeça, constrangida. – Mas sem pensar besteiras, ok? Não estou isso como pretexto pra ficar perto de você com segundas intenções. Você nem sequer faz o meu tipo! – mordi os lábios, cada palavra parecia deixar a situação cada vez mais embaraçosa, ao invés de ter o efeito contrário. – Em síntese: quero dizer que não tô a fim.

— Calma, não precisa ficar nervosa. – Lee riu. – Eu não achei que você estava usando isso como desculpa pra ficar perto porque estava interessada. – Lee explicou, mas teve de balançar a cabeça, um pouco reflexivo. – Até porque se estivesse, ia se decepcionar um pouco.

— Por quê? – quis saber.

— Porque eu não curto meninas, Saky. – ele disse num risinho baixo, agarrando minha mão e puxando em direção à porta. – Vamos embora antes que você realmente mande o Sasuke pro limbo.

❅❅

Numa bucólica tarde sábado, encontrava-me em meio aos livros e papéis de bala. Assim que finalizei a última questão de biologia, terminando com minhas atividades pendentes, tomei o celular em mãos e desbloqueei a tela. A primeira notificação que vi foi a de uma mensagem de áudio mandada por Ino. Apertei no botão de reprodução e aproximei o aparelho da orelha. Em resumo, Ino me convidava para ir ao cinema e lanchar, mas disse que entenderia se eu estivesse ocupada e resolvesse ficar em casa. Todavia, o que me pegou de surpresa não foi o convite em si, e sim o tom tristonho na voz da garota.

“Ino, você tá bem?” perguntei a ela.

“Tô, Sakura. Você aceita?”

“É, Ino, eu vou. Como a gente vai fazer? Eu peço pra minha mãe ir te buscar ou o que?”

“Pode vir pro shopping. Eu já estou esperando e já comprei os ingressos”.

Arqueei as sobrancelhas no mesmo instante, o silêncio perdurou alguns segundos até a última confirmação que dei e um “bye-bye” como despedida. O que caralhos estava acontecendo? Ino odiava marcar qualquer programa de última hora, por mais simples que fosse, como ir ao shopping. Aliás, essa neurose era o motivo pelo qual eu não curtia muito sair com a loira, e esta sabia disso, já que disse compreender caso quisesse recusar. Meditei. É claro que eu não poderia deixá-la na mão depois de ouvi-la falar daquele jeito. Parecia alguém que tinha acabado de passar por um ataque de choro. Porém, também não pude me privar de imaginar os porquês daquela situação tão esquisita.

Mordi o lábio, preocupada, respirando fundo por conseguinte. Se começasse a tentar adivinhar os motivos que deixaram Ino daquele jeito, divagaria para sempre, o que não poderia acontecer, pois a garota já estava me esperando. Por isso, corri até a sala e falei com a minha mãe, que deu a permissão e o dinheiro para o passeio repentino. Entretanto, foi me acompanhando até o quarto, ficando à porta enquanto recitava as regras de horário para voltar e me alertando os perigos de ir ao shopping.

— Você pode ser sequestrada, podem atirar em você ou te oferecerem drogas. Tem que me prometer que não vai aceitar nada!

A cada sermão meus olhos piscavam com força, loucos para se revirarem de estresse. Criar absurdas situações hipotéticas não era o suficiente, ela também me obrigava a ouvir uma por uma. Acabou que eu levei o dobro do tempo que imaginei que levaria para me aprontar. O celular vibrava vigorosamente com as mensagens de impaciência da loira.


Sakura!

Ei, Sakura!

Sakuraaaaaaaaaaa!

Vc vem?

Vc ainda vem, né?

Eu vou, eu vou!

A minha mãe me atrasou

E me fez pegar o número do vizinho p voltar p casa

Ele trabalha no uber

Porra, eu já tô velha de tanto esperar

Vem logo

Caralho

Ou a gente n vai conseguir ver o filme

Olha, vc n vem com drama

Pq eu não tô bem

Tô de orelha quente nessa merda

Veeeeem!

Já tô saindoooooo!!!!


A sabedoria popular da internet repassa frases e imagens que se flexibilizam à situações comuns, dando às pessoas a capacidade de reproduzi-las em certas situações do cotidiano – esses são mais conhecidos como memes. Existe um em que se diz “Nada de novo sob o sol” e foi o que pensei quando Ino começou a dar seu chilique básico Whatsapp. Ela sempre surtava quando algo saía do roteiro que tinha arquitetado. Provavelmente achou que em dez minutos eu estaria no shopping para dar tapinhas de conforto nas costas enquanto ela chorava em meu ombro, contando o motivo, seja lá qual for, que a fez chorar antes de me mandar a mensagem de áudio.

Quando cheguei ao shopping, porém, o humor da Yamanaka estava bem rascante. Tomou-me a mão e saiu me arrastando até a sala da sessão de um filme muito água com açúcar. Estranhei mais uma vez; Ino sente asco por filmes desse tipo. Já eu, adoro, e, ainda por cima, comento alguma coisa a cada cinco minutos. E por mais que Ino costume a permanecer em silêncio absoluto durante filmes, abriu uma exceção para tagarelar teorias sobre o que viria a acontecer na trama – mesmo que o enredo fosse um clichê com um final previsível.

Aproximadamente duas horas depois, saímos da sala. Eu, com as mãos no peito e animada com o que tinha acabado de assistir; Ino, rindo da minha cara por ser tão impressionável. Ambas demos os braços, como as garotas sempre fazem no colégio ou em passeios no shopping como aquele, e rumamos a caminho da praça de alimentação. Sentamos à mesa por um instante, discutindo o que iríamos comer.

— No Subway. – sugeri.

— Não, não, não. – ela replicou balançando as mãos.

— Como assim “não, não, não”? Você adora comer no Subway.

— Ah, mas eu não tô afim hoje. Vamos comer sushi, sei lá. – ela deu de ombros. – Você gosta dessas porcarias, né?

— É, mas você não gosta. – retruquei. – O que tá havendo, Ino? Você tá tão estranha hoje...

Dito isso, a Yamanaka desviou o olhar, nervosa. Engoliu a própria saliva e tentou contornar o questionamento.

— Olha, eu passei por umas coisas chatas hoje. – cruzou os braços, ainda não me olhando no rosto. – Será que eu tenho o direito de não querer comer no Subway?

Como aquilo poderia fazer sentido? O normal, quando se está frustrado, é que a comida favorita seja o consolo perfeito, e não uma comida que se detesta. Porém, a loira, aparentemente, não queria ser questionada. Mexi os ombros em confusão e concordei. Nos levantamos da mesa, com a intenção de ir à franquia de comida japonesa. Todos os mistérios sobre o que havia acontecido antes de minha chegada ainda não tinham sido solucionados. Mas, como em um episódio do Scooby-Doo, uma pista foi deixada para trás assim que Ino levantou da cadeira. E como Velma Dinkley, com um faro apurado para coisas suspeitas, catei o rastro com destreza e o li com discrição.

“Compre um sub de 15cm, dê um beijinho no seu amor em frente ao caixa, entregue este cartão e ganhe dois cookies”.

Fechei os olhos por um instante, crispando os lábios para conter a risada com a ideia que estava prestes a executar. Enlacei, mais uma vez, meu braço ao dela, puxando com certa força na direção contrária. Ino apenas teve a reação de voltar a se equilibrar nos tamancos para não cair, porém meus passos rápidos faziam ela voltar na estaca zero; Ino ficou ocupada demais tentando não cair e acabou não tendo a chance de me parar.

— Eu vou cair, eu vou cair! – ela avisou enquanto os tamancos ora vacilavam no piso, ora voltavam à posição adequada.

Ino só parou de berrar e eu só parei de arrastá-la quando chegamos ao caixa do Subway.

— Boa tarde, moça. – eu disse a atendente. – A gente vai querer um sub de 15 cm, aquele de frango bem basiquinho.

O rosto da loira se contorceu em desespero no instante em que percebeu onde estávamos; primeiro tentou fugir, depois, ao constatar que minha força seria muito mais do que o suficiente para segurá-la ali, corou violentamente. Quando percebeu meu domínio sobre o cupom púrpura, sequer deu-se ao trabalho de olhar para outro lugar que não fosse o chão. Eu, apesar do desconforto evidente e hilário de minha amiga, estava completamente serena, como se estivéssemos acabado de chegar em um campo para colher flores silvestres.

—Certo… – ela disse anotando o pedido. – Qual será a bebida?

— Hum… Coca. – olhei para Ino com a cara mais lavada do mundo, que, mais uma vez, tentou outra fuga fadada ao fracasso. O curioso é que eu esperava que ela, naquela altura do campeonato, estivesse me derrubando no chão com algum golpe de luta livre, e não aceitando tudo tão passivamente. – É, a minha garota adora Coca. Não é, minha florzinha? – sorri para a loira.

O rosto de Ino estava tão passado de vergonha que, se houvesse algum buraco perto, ela pularia nele de cabeça como um nadador olímpico - arrisco até a dizer que a atendente também estava um pouco constrangida com a minha atuação afetuosa, mas nada comentou a respeito.

— Ah, sim. – disse despretensiosamente, como se houvesse esquecido. – Eu tenho esse cupom.

Reconhecendo na hora o cupom da promoção de dia dos namorados, a atendente nos olhou de cima a baixo.

—Vocês são um casal?

— Sim. – respondi com um sorriso aberto, quase genuíno.

Sem muita cerimônia ou tempo para discutir a respeito disso – porque Ino poderia perder a vergonha de barracar e quebrar o shopping todo em cima da minha cabeça – aproximei meus lábios do rosto pálido. Depositei um beijinho rápido, mas tão rápido que o alvo não acabou sendo apenas a bochecha. A Yamanaka burra tentou se desvencilhar quando me aproximei; por pouco não acabei lhe beijando a boca.

— Ela é meio tímida. – dei de ombros.

A atendente assentiu com a cabeça, sorrindo pelo “feliz casal”. Martelou algumas vezes uns botões no teclado e nos deu a nota contendo a senha do pedido. Estava tudo feito, e antes que Ino pudesse começar a reclamar, deixei-a plantada numa mesa como uma boneca de pano e corri para a franquia a qual vendia os meus queridos sushis.

❅❅

Depois de ter arrastado Ino pro Subway contra a vontade dela e de dar um beijo no canto da boca, vim me dar conta de que tinha feito merda. Por que há algumas ocasiões na vida as quais só percebemos a merda quando esta já está feita. Quer dizer, a garota estava triste e me chamou para ajudá-la, mas tudo que eu fiz foi envergonhá-la na frente de todo mundo. “Eu sou uma bosta de amiga” foi o meu mantra durante o mês inteiro em que Ino sequer olhou para minha cara.

Todavia, fazer merda não quer dizer que não se possa correr atrás do prejuízo. No final de um dos ensaios arrastei Lee para o canto e contei o meu drama do dia, disse que não aguentava mais aquela situação e estava determinada em resolver aquela besteira. O problema é que eu não sabia como, por isso pedi a ajuda do rapaz. Ele concordou e, dias depois, como um detetive nato, veio com uma informação valiosa. Não resolveria meus problemas com Ino, de fato, mas ter ciência daquilo acabou me dando um norte.

— Eu descobri o porquê dela ter te chamado. – ele disse baixinho, olhando para os lados em desconfiança. – A Ino chamou o Sasuke pra sair e ele disse que sim, mas deu bolo no último segundo.

Um pouco chocada com a informação, demorei a processá-la.

— Quem te contou isso?

— O Sasuke.

— Quê?! Por que ele faria isso?

— Não sei. – o rapaz foi sincero ao dizê-lo. – Mas acho que ele me disse pra que houvesse mais possibilidade de você ficar sabendo e… sei lá, acho que ele quer mostrar que ainda está esperando por você.

— Como se houvesse, na galáxia, a possibilidade da gente voltar! – fui curta e grossa.

Fechei os olhos e respirei pesado, como se acabasse de levar uma tijolada na cabeça.

— Eu falei pra ela que eu Sasuke é um merdinha, não falei?!

— Falou. – Lee deu de ombros.

— E falei pra ela não se meter com ele, não falei?

— Falou.

— Mas ela me ouviu?!

— Não, ela não ouviu. – ele disse, simplesmente.

— Ai, que raiva! – bradei.

— Xiu! Fala baixo!

Rock Lee me arrastou para um canto da sala de ensaio ainda mais isolado. Notei um quê de preocupação em seu rosto, assim como a hesitação que lhe prendeu a garganta por alguns segundos antes que uma inusitada pergunta fosse feita:

— Você ainda tem aquela, hum… “afeição”, vamos chamar assim, pela Ino? – o choque pela pergunta me atingiu o peito com potência máxima. Minha reação à pergunta deveria ter sido exatamente o que Lee estava esperando, pois já emendou com um argumento. – Porque foi isso no que eu pensei quando te vi olhar para aqueles dois no ensaio anterior ao seu encontro com a Ino e foi isso no que eu pensei agora com todo esse seu mau humor.

— Em primeiro lugar, não foi um encontro. – retruquei. – Em segundo lugar, eu não estou de mau humor. E em terceiro lugar, para de insinuar que eu tô afim da Ino.

— E você não está mais? – ele arqueou as grossas sobrancelhas, como se duvidasse de mim. – Se não está, desculpe-me, então. Eu pensei que ainda estivesse, já que você fala tanto que a Ino é perfeita, isso e aquilo e várias coisas do gênero. – ele deu de ombros. – Mas é uma pena, né? Acho que vocês fariam um ótimo casal.

Cocei a cabeça, impaciente.

— Lee, por que você tem essa habilidade tão mágica de tangenciar tudo?

— Só porque eu sugeri que você tá perdidamente afim da Yamanaka?

— Não tô falando disso, seu palhaço! Eu te pedi pra descobrir se a Ino estava brava comigo, e não o porquê dela ter me chamado pra sair.

— Ah, Sakura, mas a minha informação é importante. Você é que não parou pra analisar. – ele disse de braços cruzados, quase ofendido. – Se a Ino te chamou quando estava num momento tão vulnerável, significa que ela tem plena confiança em você. E se ela tem plena confiança em você, não vai ser uma coisinha como aquela do shopping que vai fazê-la te odiar pra sempre. É só você ir conversar com ela a respeito disso.

— Ah, Lee! Você não tá entendendo porque não conhece a Ino tanto quanto eu. – bati o pé. – Ela sempre perde a cabeça facinho, assim como demora a perdoar bolas fora como essa que eu dei com ela.

— Bom, pelo que você me contou por aquela chamada de vídeo, disse ter achado estranha a reação da Ino, porque ela não te picotou em um milhão de pedacinhos lá no balcão do Subway. É provável que haja uma uma justificativa para tudo isso, mas você deveria correr atrás da resposta, e não ficar andando em círculo, batendo as asas como uma galinha.

Por um minuto eu calei a boca.

— Você me chamou de galinha… – resmunguei. – Eu te mato, mas não agora. Preciso correr atrás dessa resposta de imediato.

❅❅

No corredor vazio da academia meus passos ecoaram num tom irritante, já que a sola dos tênis faziam um ridículo som de borracha escorregando no piso. Segui à procura de Ino numa corrida tão estabanada que poderia equiparar-se ao voo de fuga de uma galinha. Quando cheguei ao banheiro, ofeguei por vários segundos seguidos, encarando a loira que se olhava no espelho.

— O que houve, Sakura? – ela quis saber, sendo esse seu primeiro diálogo comigo em dias a fio. – Você parece que foi atropelada.

— Vem comigo.

Minha resposta veio num tom acelerado, puxei-a pela mão, arrastando-a, mais uma vez. Entramos na maior cabine do banheiro, destinada à cadeirantes, e nos tranquei lá dentro. Porém, demorei a começar o assunto, pois minha respiração ainda tentava se acalmar. No instante em que me vi capacitada a falar mais do que algumas sílabas engasgadas, iniciei:

— Você andou distante. – as palavras ainda saíam como num sopro longo e contínuo. – Deve estar brava pelo que aconteceu no shopping, né? Não precisa mentir pra fazer com que eu me sinta bem, pois já estou péssima com a possibilidade de ter te deixado chateada.

— Não, eu… não fiquei chateada com aquilo. Não foi por isso que eu andei distante esses últimos dias.

— Não? Então pelo que foi? – ela pareceu hesitante, mas tomei sua mão entre as minhas e disse, em meus últimos suspiros que procuravam alívio - Vamos, Ino, eu não quero que as coisas fiquem assim entre a gente.

A face da loira se contorceu por uns instantes, como se sentisse que o toque das mãos houvesse derrubado uma barreira entre nós. Um longo suspiro saltou dos lábios rosados antes que estes revelassem:

— Mês passado eu chamei o Sasuke pra sair. Fiz planos, escolhi o filme mais meloso que encontrei e passei noites em claro arquitetando um plano que me desse a chance de roubar um beijo dele através daquela promoção do Subway. – ela jogou a cabeça para trás e soprou o ar angustiado em seu peito. – Mas o imbecil me deixou plantada feito uma idiota e cancelou o encontro no último minuto. Fiquei arrasada… por isso te chamei, porque não queria ficar sozinha. – Ino deu de ombros, enrolando uma mecha do cabelo com o dedo. – Quer dizer, foi uma situação muito humilhante e eu precisava de alguém que pudesse levantar meu ânimo. – dito isso um sorriso se formou nos lábios da Yamanaka. – Você foi a única pessoa em que eu confiei naquele momento de fragilidade. E apesar do seu atraso irritante, tudo foi tão...
— Patético? – arrisquei, mas ela negou.

O silêncio nos cercou até que Ino encontrasse em sua mente as palavras que pudessem definir nosso cômico, trágico, bucólico e paradoxal passeio.

— Foi muito, muito legal, apesar de eu ter ficado muito confusa com o que aconteceu. – ela coçou a testa, nervosa, apesar de implementar a fluidez no discurso. Sempre que ela ficava assim, acabava por tirar o filtro e deixava passar algumas coisinhas que não deveriam, exatamente, serem ditas. Por isso ela nunca conseguia esconder segredos de mim. – Sempre que andávamos de braços dados pela escola e o Sasuke cruzava nosso caminho eu via a cara de nojo que você fazia pra ele. Antes de namorarem vocês se davam tão bem, eram praticamente melhores amigos. – e suspirou. – Fiquei com medo de acontecer algo parecido com a gente.

— Espera aí, como assim você ficou com medo de acontecer com a gente o que aconteceu entre Sasuke e eu?

Ino mordeu os lábios, só então caindo em si. As bochechas pálidas enrubeceram com rapidez, a medida que sua mão livre remexia entre os fios loiros, tão trêmula que era incapaz de enrolar alguma mecha com o dedo indicador. Apertei os dentes, concedendo ainda mais tensão ao ambiente. Meu coração batia tão forte e ansioso, parecia que viraria do avesso a qualquer instante. Logo a vi desviar o olhar para o vazio, abandonando minhas mãos que, até então, seguravam a dela.

— É que… quando você fingiu ser minha namorada pra atendente do Subway – os olhos azuis encaravam os azulejos do banheiro, onde buscava coragem e talvez ordem mental para formar as frases. — você… fingiu tão bem que eu senti, por alguns segundos, que era mesmo verdade. Desde então, não consigo parar de me perguntar se, realmente, estar com alguém pode ser algo tão negativo quanto eu costumava ver. – e massageou a têmpora, num tom arrastado, como se estivesse exausta. – E quando você me beijou, mesmo que tenha sido um beijinho de nada, fiquei imaginando o mês inteiro como seria te beijar de verdade. – com tanta coisa dita agora era eu que estava a tremer. – Eu achei que se você soubesse de tudo isso, a gente acabaria mal como você e o Sasuke.

Nunca, em nenhuma vez na história, arregalei os olhos tanto quanto naquele momento. Ino estava parada na minha frente segurando o coração desprotegido na mão e eu não conseguia emitir uma palavra sequer a respeito de toda aquela confissão; meu queixo caído demorava a retornar à posição adequada para que, assim, conseguisse dizer algo. Enquanto isso, os olhos de Ino, com os cílios cobertos pelo caríssimo rímel cujo ela odiava desperdiçar com lágrimas, brilhavam – restava saber se o brilho era esperança ou as lágrimas soturnas que se acumulavam. Mas antes que eu pudesse tirar uma conclusão, suas pálpebras fecharam em desgraça.

— Isso foi muito esquisito e errado – sussurrou. – A gente não deveria ter tido essa conversa.

Assim que a loira girou os calcanhares e pôs os delicados dedos no ferrolho da porta, minha mão agarrou a sua. Vi seu rosto mover devagar em minha direção, como se aquele momento estivesse ocorrendo em câmera lenta. Puxei-a pelo braço e capturei-a pela nuca, beijando os lábios macios por completo, dessa vez. Ino e eu, ambas, estátuas, catatônicas com a minha reação inesperada. Todavia, nossas respirações aceleradas denunciavam o desejo oculto, que explodia no ar como milhares de fogos de artifício.

Separamos os lábios num súbito instante, mesmo que nossos corpos não houvessem se distanciado no processo. Tudo havia sido tão rápido que paramos por um segundo e grudamos nossas testas a fim de processar o acontecido; para comprovar que aquilo era real. Meu interior não podia mais esconder aquele segredo de Ino, não depois de ouvi-la falar todas aquelas coisas, não depois de nos beijarmos duas vezes.

— Eu era afim de você no ano passado, mas resolvi não falar nada porque achei que seria estranho.

— Eu sempre te achei gata. – sua confissão saiu acompanhada da respiração entrecortada. Os orbes azuis brilhavam como safiras e a pele em volta deles estava vermelha como um rubi. – Mas não entendia direito essa sensação até o mês passado.

Eu compreendia todo o embaraço dela. Afinal, além de sermos amigas, Ino estava acostumada a sair com caras, e não com garotas. Admitir, pela primeira vez, atração pelo mesmo gênero pode ser um pouco conflitante e até meio embaraçoso nas primeiras vezes - para alguém que acreditou ser hétero por muito tempo, pelo menos. Foi assim que me senti quando contei a Lee sobre minha “afeição” para com Ino, após terminar com Sasuke e decidir dar um tempo com caras.

— Fiquei afim desde o shopping, mas resolvi me isolar porque não consigo esconder segredos de você por muito tempo. Fiquei quieta todo esse tempo porque achei que seria estranho. – ela disse docemente, num tom tão baixo quanto o de quem conta um segredo.

Sorrimos uma para outra em cumplicidade. Nossos lábios se tocaram mais uma vez, enquanto uma mista sensação de alegria por está-la beijando e alívio por ter resolvido aquele entrave invadia meu peito. Ino era a minha primeira garota desde que me descobri e estar dividindo sentimentos e experiências tão parecidas fazia florescer todos os botões existentes em meu coração. Ela segurava meu rosto com uma mão e me enlaçava pela cintura com a outra, sedenta por nos manter unidas pela pequena eternidade que juntas criamos. Agarrei-a pela nuca mais uma vez, aprofundando meus dedos nos fios loiros, tão sedenta por aquele momento quando a linda loira a qual beijava.

Pouco a pouco, a chama que consumia nossos corpos foi se acalmando, permitindo que nos afastássemos, cessando o beijo. Ino e eu, ainda insistindo na ideia do nosso pequeno infinito, trocamos olhares e sorrisos mais uma vez, com sentimentos nunca vistos aos olhos nus uma da outra.

— Obrigada por não mais guardar esse segredo de mim. – falei.

— Obrigada por me encorajar a não guardá-lo de você.


19. Juni 2018 22:20:24 12 Bericht Einbetten 6
Das Ende

Über den Autor

Saah AG Nasci em Fortaleza, sou aquariana e adoro inovar. Entrei em contato com o universo fanfiction aos nove anos e passei a ser leitora e autora desse meio. Adoro tramas bem construídas, reviravoltas são incríveis, mas alguns clichês também chegam a me emocionar.

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JU Juvia Uchimaki
Eu sempre shippei InoSaku, exatamente desde o clássico. Sua fic é linda demais e é sempre bom ler uma história fofa do OTP. Parabéns😍
15. Februar 2019 15:12:49

  • Saah AG Saah AG
    Eu adoro esse casal de paixão! Certamente teria terminado as fanfics em andamento que eu tenho desse shipp se eu tivesse mais tempo. Obrigaaada por ler <3 15. Februar 2019 16:53:48
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Achei a escolha do ship amorzinho kkk Legal também você usar algo cotidiano, como a promoção do Subway, na sua história, porque aproxima mais da gente, né, da nossa realidade. Só não consegui ver muito a relação com a frase, porque o primeiro beijo da Sakura passa a impressão de que ela estava só brincando, sem fazer algo sério. O segundo okay, mas o primeiro que deveria ser o da frase, certo? Fiquei em dúvida. Mas a escrita está ótima! Envolvente, te prende na narrativa. Parabéns pelo bom trabalho! Esperamos que tenha gostado de participar do desafio ;) Até mais!
28. Juni 2018 20:43:54

  • Saah AG Saah AG
    Oi! Desculpa ter demorado tanto pra responder o comentário. Eu viajei, voltei às aulas e meio que acabei me desligando do Inks por uns tempos. Na realidade, essa fic tava meio que em andamento quando eu aceitei o desafio. O segundo beijo era para ser o da frase. Pelo visto não consegui ser tão bem sucedida com o lance da frase, mas sinto que fiz um bom trabalho. Muito obrigada por organizar o desafio e por comentar na minha humilde fanfic <3 9. August 2018 12:02:06
Hime  Hime
Cara eu tô rindo muito da minha própria desgraça em não ter alguém assim na minha vida. A história tem um enredo simplório, mas com as palavras certas você a transformou em algo completamente novo, confesso que me impressionei bastante com isso. Muito bem escrita :)
24. Juni 2018 09:56:35

  • Saah AG Saah AG
    Oi! Mil perdões por estar respondendo seu comentário só agora. Eu não sou o tipo de autora que não responde os comentários que recebe, tá? Eu só me afastei do Inks por conta de umas pedrinhas no meu caminho, mas já estou de volta. A intenção foi fazer um romance água com açúcar, sabe? Um romance fofinho que tem gente que diz que odeia, mas ta mentindo quando diz isso :v Todo mundo adora um clichê. Muito obrigada pelos elogios, prometo continuar sempre a evoluir. Beijos <3 9. August 2018 12:05:10
Ayzu Saki Ayzu Saki
Eu preciso de uma promoção dessa na minha vida, tipo, urgente ^^' Adorei a estória :*
22. Juni 2018 09:57:41

  • Saah AG Saah AG
    Mil perdões por demorar a responder. Andei meio afastada do inks, mas já estou de volta <3 Todo mundo tá precisando de uma promoção dessas :v Ah, se a vida real fosse uma fanfic... Obrigada por ler e comentar :3 9. August 2018 12:08:14
Ariane Munhoz Ariane Munhoz
Olha essa fofura! Esse ship É muito precioso e eu vou defender! Adorei a ideia da fic, o bom uso da frase e a promoção do subway! Droga, queria eu estar com minha namorada quando rolou essa promoção =/ enfim. Achri muito fofo o desenvolvimento do casal, a confiança das duas, os receios e como tudo acabou bem! Alguns clichês simplesmente nos deixam com um quentinho no peito. Adorei a história!
20. Juni 2018 05:52:23

  • Saah AG Saah AG
    Eu vi um meme (aqueles que o pessoal fabrica no twitter) sobre essa promoção e tive a ideia pra fazer essa fic. Nossa, vei, queria ter ido com meu namorado pro subway nessa época tb, uma pena que a gente mora longe um do outro T^T Siim! A intenção dessa fic era de ser um desses clichês que todo mundo ama, mas alguns não admitem. Obrigada por ler e comentar. Espero te ver em minhas outras ones :3 PS: mil perdões por ter demorado a responder seu comentário. Eu não sou o tipo de autora que não responde os comentários dos leitores. É que aconteceram umas coisas e eu meio que acabei saindo do inks por uns tempos, mas já estou de volta <3 9. August 2018 12:13:43
Nathy Maki Nathy Maki
AAAAAAAAAAAAAAA. HUHEHEHEHEHEHE. MORRIDA. Essas foram as três reações que eu tive durante a história. MDS MDS, agora eu vou shippar eternamente as duas. Menina, tu tem noção que a escrita esta de outro mundo? Era como se eu tivesse no lugar da Sakura falando diretamente com os personagens! Amei muito o Lee é a parte da galinha huehhehe pq de galinha só precisa de uma só :v A cena do shopping eu rachei de rir com o "minha florzinha" mais uma vez, referências... E esse final?! Foi segurando o coração na mão na hora que elas se trancam no box. Putz ficou tão incrível que nem deve ter elogios suficientes no mundo. E vc me fez shippar Yuri! Logo Eu! Ah depois de tanto amor como esse, e da minha cara vermelha de felicidade, eu posso dormir plena. Pq você calçou os tamancos e sambou! Lindíssima, escreve logo a próxima! Beijinhos ^3^♡
19. Juni 2018 21:08:00

  • Saah AG Saah AG
    Miga, como vc é muito miga nem preciso pedir desculpas por ser uma autora lixo e não ter respondido seu comentário ainda :v Considerando que você é você, sei que tudo o que você disse é elogio, até que minha escrita pertence aos ets u.u O final? hahahaha a essa altura do campeonato (pq vc sabe todos os meus planos malignos) já deve ter percebido por que elas se encontraram no banheiro para conversarem sobre o que aconteceu no shopping. Eu te amo, tá? u.u Te espero na próxima one. 9. August 2018 12:16:13
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