Kurzgeschichte
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O cupido

Inspirada pela música “O meu nome é Maria” do filme “Piratas do Caribe”.

Nota: essa história tem cenas fortes, que podem chocar pessoas sensíveis.

***

O conversível vermelho permitia que os cabelos recém-pintados de loiro voassem como um véu de noiva atrás de sua cabeça, que se destacavam na escuridão da noite.

Maria mantinha uma das mãos na coxa do namorado, Derek. Ou deveria ser chamado de amante? Ela não sabia. Tudo o que sabia era que o amava.

Derek era um cafajeste incurável e completamente ganancioso, que usou seu charme para conquistar o coração da jovem. Com os cabelos loiros e bagunçados, lindos olhos azuis e o corpo definido, o surfista tinha todas as mulheres que queria, quando queria, e Maria não foi exceção.

Os pais adotivos da jovem Maria dominavam o comércio da orla do mar californiano graças à rede de lancherias que comandavam desde que vieram do México, quando a garota ainda era criança; além disso, os Ramirez haviam recentemente expandido o negócio e isso era o suficiente para fazer com que gatunos como Derek se aproveitassem da ingenuidade da garota.

Além de uma linda moça, Maria era inocente, uma garota do tipo que se prende ao sonho de contos de fadas, de amor eterno e perfeito, de príncipe encantado, que chega montado em um cavalo branco e te leva para longe de tudo aquilo que você não gosta, fazendo todas as suas vontades.

No caso, o cavalo branco manifestou-se através de uma moto prata, o príncipe através de um vagabundo bonitão e a viagem para longe se apresentou para a garota como um plano especialmente mal agradecido para com seus pais adotivos.

Os pais de Maria logo desaprovaram o relacionamento, pois sabiam (e eles sempre sabem) que Derek era, essencialmente, um interesseiro e a alertaram. Derek a fez acreditar, no entanto, que eles só queriam ficar entre os dois e a convenceu de que precisavam fugir.

Para fugir, precisavam de dinheiro.

Os pais de Maria tinham dinheiro.

Depois de duas semanas planejando, puseram o plano em ação: Maria tirou os pais de casa e Derek invadiu, roubou o cofre de joias da mãe da garota e tirou tudo o que tinha ali, incluindo alguns outros objetos espalhados pela casa, como a prataria da cozinha, as porcelanas pintadas à mão e outras coisas do tipo.

200 milhões de dólares roubados pela própria filha e pelo namorado.

- Amor – Derek tinha um sorriso presunçoso estampado na face; para ele era como se tivesse ganhado na loteria – o que acha de encontrarmos um lugar para passar a noite?

A mão dele subiu pela perna da garota, levantando a saia preta que Maria usava e dando a conotação maliciosa que ele queria para a pergunta.

Maria era virgem. Dizia a quem quisesse ouvir que só dormiria com o homem cujo cupido escolhesse para ela e, àquela altura, ela tinha certeza de que ele era Derek. Assentiu, os olhos brilhantes de expectativa.

O loiro parou o carro em um hotel de beira de estrada, desses que ficam com uma pessoa de plantão durante a noite toda e o casal escolheu um quarto, com vista para o mar.

- Apenas uma noite será o suficiente, estamos de passagem – respondeu o homem para a recepcionista, um dos braços pendurado despreocupadamente nos ombros de Maria.

- Vocês têm direito a um lanche e café da manhã, basta ligar para a recepção e um funcionário irá levar para vocês – a recepcionista lançou um olhar demorado a Derek, que piscou e sorriu.

Maria sequer percebeu quando Derek empurrou na mão da outra moça um bilhetinho com um número de celular rabiscado abaixo de seu verdadeiro nome.

O loiro segura na mão da garota e a puxa em direção ao elevador. A subida foi silenciosa e Maria, que ficava cada vez mais nervosa com a aproximação do quarto, não teve coragem de falar. Estava cheia de dúvidas e curiosa, mas sabia que o namorado não era muito suscetível a perguntas.

Até mesmo o barulho da chave ao destrancar a porta pareceu alto a Maria, mas ela disfarçou a ansiedade e tentou ao máximo possível se acalmar.

Derek fez sinal para que a namorada entrasse na frente e trancou novamente a porta, enfiando as chaves no bolso dos jeans depois.

Ela se preparava para seguir para o banheiro para trocar-se; queria usar algo mais bonito do que a lingerie simples de algodão, mas Derek a puxou para si e a beijou firmemente, tanto que o choque dos lábios chegou a ser doloroso, assim como os dedos entrelaçados nos cabelos na base da nuca doíam ao serem puxados.

O beijo, no entanto, não durou muito. Segurando-a pelos cabelos, Derek a fez inclinar a cabeça para trás o máximo que o corpo da garota permitia, fazendo com que ela resmungasse de dor.

- Cala a boca, vadia! – o tapa estalou forte na face dela, mas não era a primeira vez que isso acontecia. Na primeira, ele chorara e pedira perdão; depois da terceira, Derek nem se importou mais.

Não demorou muito, no entanto, para que ele empurrasse a garota para a cama e a jogasse ali, com alguma violência, fazendo-a quicar no colchão.

Maria olhou para ele com a mesma expressão de sempre: uma obsessão que transcendia tudo o que ela poderia vir a sentir; raiva; ódio; dor; tristeza. Tudo isso se resumia a ele, Derek.

Ele a manipulava de tal forma, que a fez acreditar que merecia tudo o que fazia com seu corpo e mente. Apesar disso, ela o amava incondicionalmente. E isso seria sua ruína.

- Tira a roupa – Derek senta-se na poltrona de couro marrom e tira a calça e a cueca, começando a se masturbar.

Ela obedece, tentando o máximo possível não ficar nervosa. Alguma parte dela, sua consciência talvez, estava lúcida ainda, o suficiente para que vacilasse. Derek percebeu e isso o deixou furioso.

- Parece que eu tenho que fazer tudo por aqui! – e ia empurrá-la de novo, mas pareceu reconsiderar e a abaixou até deixa-la de joelhos. Ela o olhou, um tanto confusa, e Derek sorriu, não sem alguma maldade – abre a boca, querida.

Assim que Maria obedeceu, Derek estocou sua boca com tudo a fazendo engasgar, mas isso não parecia ter importância para o homem.

Maria sentia ânsia e o fundo da garganta doía, assim como os cabelos, que eram puxados com força.

Porém, essas coisas foram completamente esquecidas quando ele a jogou de bruços na cama e arrancou a calcinha da garota, a costura cedendo pela violência incutida no gesto, e a penetrou sem qualquer cuidado.

Maria gritou, sentindo o sangue escorrer pelas pernas.

- Shh – Derek gemeu, extasiado – vai passar, a primeira vez é assim, você sabe, eu te disse, lembra?

- Mas... – Maria se interrompe, mordendo o lábio com força para não gritar quando ele foi mais fundo.

- Não confia mais em mim? – Derek se debruça sobre o corpo delicado e, até aquele momento, intocado – você sabe o que vai acontecer se não confiar em mim. Eu sou o único homem que poderia te querer. Nem teus pais te aceitariam agora. Eu sou tudo o que você tem.

O medo tomou a garota. Ela não percebia, mas Derek penetrara tão fundo em sua mente que ela não conseguia mais distinguir o que fazia parte de sua personalidade e o que fora colocado em seus pensamentos por ele. Ela havia perdido a si mesma o bastante para aceitar cada estocada dolorida em seu corpo, cada tapa e cada palavra odiosa e nojenta que provinha daquele homem.

Não se sabe em que momento ela sentiu como se estivesse fora de seu corpo, mas aconteceu. Não que não doesse mais. Mas a dor passou a parecer insignificante. Ela parecia insignificante para si mesma.

Quando acabou, Derek a mandou para o banheiro, disse que tomasse um banho enquanto ele buscava algo para comerem. Maria levantou-se, mancando, gemendo de dor, lágrimas secas manchando um rosto vazio.

Derek voltou algum tempo depois, trazendo uma caixinha de joias que pegara no carro.

Dentro, um colar com uma linda safira lançava um brilho azulado pelo quarto ao ser tocado pela luz.

- Maria – ele chamou e a garota mancou em sua direção. Usava uma camisola vermelha e ainda sentia uma ardência horrível em seu interior, mas não reclamaria – quero que use isso.

E pôs a joia no pescoço da namorada.

Aquela era a joia mais cara de sua mãe.

Agora era sua.

- Obrigada – ela murmurou.

Ambos sentaram-se no sofá, Maria com alguma dificuldade, e comeram o lanche que Derek pedira.

Ao ir para a cama ele dormiu rapidamente, mas Maria pôs-se a pensar no que fizera; destruíra o coração de seus pais, os roubara, era uma criminosa que provavelmente seria procurada por um roubo milionário e tudo o que tinha agora era Derek.

Tentando bloquear da mente as imagens do que Derek fizera com seu corpo, ela se aninhou mais contra as costas dele e dormiu, sonhando com o futuro que queria ter ao lado dele, ao lado do homem que a fizera sofrer, que a levara a fazer coisas horríveis. Mas era tudo o que ela tinha. Tinha dado as costas a todos por ele. Não podia voltar atrás.

Não podia voltar atrás. Isso foi incrustado com tanta força em sua mente que ela passou a não querer mais voltar atrás.

Derek a fez sentir-se um lixo sem ele por tantas vezes que ela passou a acreditar nele.

Na manhã seguinte, Maria acordou sozinha.

Procurou por Derek e tentou ligar em seu celular, que tocou no quarto, jogado sobre a poltrona, um bilhete embaixo:

“Fui comprar algo para comermos, volto logo. D.”

O alívio a tomou e ela, ainda sentindo dor pela noite anterior, vestiu um robe azul e foi para a sacada do quarto para esperar. No entanto, os cabelos loiros voando ao vento, a pele levemente bronzeada, o porte orgulhoso, eram inconfundíveis para Maria.

Num barco branco e reluzente, Derek sumiu no horizonte, deixando para trás apenas uma linha branca de espuma na água escurecida pelo nascer do sol. Seria uma imagem linda, se não fosse o crepúsculo da vida de Maria.

- Ele vai voltar – ela murmurou para si mesma – ele vai voltar. Ele vai voltar. Ele vai voltar! Ele vai voltar! Ele vai voltar! Ele vai voltar! ELE VAI VOLTAR! ELE VAI VOLTAR! ELE VAI VOLTAR! ELE VAI VOLTAR! ELE... VAI... VOLTAR!

Os gritos ecoavam não apenas no quarto, mas no vazio que Maria sentia, o desespero era visível na expressão, a dor era assustadoramente real, o pânico era perceptível a qualquer um que ouvisse e amedrontava quem quer que olhasse para a expressão desfigurada pela insanidade.

O barulho atraiu atenção.

A joia no pescoço de Maria, mais ainda.

O carro roubado deixado para trás foi o que fez com que chamassem a polícia.

Depois de um longo processo de julgamento, o advogado de Maria declarou que ela não tinha condições de cumprir pena, pois o trauma causara perda quase total da sanidade.

Maria foi para um hospital psiquiátrico.

Dizem que tudo o que ela faz, há doze anos, é sentar em uma cadeira, olhando para o mar, esperando por seu amado. Caso a tirem de lá, ela grita, chora, bate e não para enquanto não a deixarem voltar para a cadeira, onde se senta e canta:

“O meu nome é Maria

Sou filha de um mercador.

Eu deixei os meus pais e 3000 por ano sim, senhor

Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão

E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom

Venham todas, belas damas, aqui deste lugar

Que amam um bravo marujo cruzando o alto mar

Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão

E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom.”

***

* O Brasil registrou 1 estupro a cada 11 minutos em 2015.

* Somente 15,7% dos acusados por estupro foram presos.

* A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima DE VIOLÊNCIA FÍSICA.

* Em 2013, 13 mulheres morreram todos os dias vítimas de feminicídio, isto é, assassinato em função de seu gênero. Cerca de 30% foram mortas por parceiro ou ex.

* 54% da população conhece uma mulher que já foi agredida pelo parceiro. Em todas as classes econômicas.

Um relacionamento abusivo não se caracteriza apenas por violência física. Ele pode se manifestar por ciúmes exagerados, palavras duras, manipulação emocional e, sim, um estuprador pode ser o companheiro. Não se cale. Denuncie.

Se você conhece alguém que passa por isso (ou mesmo se você passa) peça ajuda. Ligue anonimamente para o número 180. Você pode salvar uma vida. 

27. Mai 2018 13:33:31 20 Bericht Einbetten 6
Das Ende

Über den Autor

Daniela Machado Amo ler e sempre gostei de escrever (até na escola) então me interessei quase instantaneamente por fanfictions, o que me levou a querer escrever originais e hoje me dedico quase somente às últimas, mas ainda assim praticamente tudo o que eu escrevo é inspirado em músicas. Talvez pela minha paixão por histórias ou por gostar de ensinar, faço licenciatura em Língua Portuguesa. Amo Rock (e todos seus subgêneros) e Metal (e seus subgêneros).

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Karimy Karimy
Olá, autora! Nossa, é difícil dizer alguma coisa sobre esse conto, mas prometo que vou tentar dar o melhor que posso para mostrá-la como me senti enquanto o lia. Primeiro de tudo; eu fiquei encantada com a progressão dos acontecimentos. Em determinado momento, já dava para saber o que aconteceria, mas mesmo assim não foi cansativo ou menos impactante quando aconteceu, porque você soube medir bem a construção de sucessividade que torna uma história... bem, uma história. Senti um pouco de falta das descrições; por exemplo, sei como é o Derek, mas não como é a Maria; mas também não atrapalhou a leitura, principalmente por se tratar de um conto pequeno e com características psicológicas. Achei seu texto muito coeso e coerente e de fácil compreensão. Um alerta e também um tapa na cara com o "eles sempre sabem" — que é a mais pura verdade que existe. A sua escrita, como ia dizendo, é muito fluida e gostosa. Em alguns pontos faltaram vírgulas, mas nada sério também (e foram poucos os casos), mas gostaria de chamar sua atenção, em especial, para o uso de dois tempos verbais diferentes na narração, como em "O loiro segura a mão e a puxa em direção ao elevador" ou "tudo o que ela faz" e assim por diante, em várias partes da história, em que você usa o presente no lugar de pretérito (que é o tempo verbal predominante da história). Aconselho que dê uma revisadinha e escolha apenas um tempo verbal; isso incomoda um pouco a leitura. Bom, mas isso é apenas um detalhe gramatical. No mais, sua história está mesmo divina e merece ser espalhada para todas as gurias do Inkspired e também as que sequer conhecem a plataforma. Precisamos de mais conscientização, sim! Infelizmente, ainda tem gente que não sabe identificar um relacionamento abusivo, seja ele amoroso ou não. Bjs enormes!
16. März 2019 12:15:52

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Olá! Obrigada por todos os elogios e todos os puxões de orelha (vou consertá-los assim que tiver um tempinho livre haha) Sobre a descrição da Maria: foi de propósito. Por mais que a Maria tenha a sua história, ela pode ser qualquer uma de nós, por isso ela não tem um rosto, nem uma cor, nem um peso específico, e mesmo que os pais tenham uma nacionalidade, ela é adotada então a falta de características é a maior característica dela; Inicialmente, o Derek seria assim também, mas todos nós sabemos que a justiça tem cor e, justamente por ele ter se safado ileso, resolvi que ele seria exatamente o contrário do que a sociedade julga como a aparência de um estuprador: loiro, de olhos azuis, bonito e de aparência adorável, ou seja, uma fachada perfeita para encobrir um idiota. Derek tem uma face para mostrar que o estuprador nem sempre parece nojento em um primeiro olhar. Maria não tem uma para mostrar que ela é todas nós u.u Bjos e obrigada novamente <3 9. April 2019 12:43:21
Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Olá! Gostei muito que você quis fazer uma denúncia social com a música, E, nossa, que denuncia! Essa realmente foi pesada. É sempre importante estarmos falando sobre abuso, não apenas sexual como psicológico também. A história é psicologicamente impactante ainda mais no final triste da Maria que enlouqueceu. A manipulação que o Derek fez nela foi muito impactante de se ver, tão ingênua ela, coitadinha. E o pior é pensar que muitas pessoas passam por alguma coisa parecida na vida real, quantas Marias não estão por aí, precisando de ajuda. Muito boa a sua iniciativa com a história, parabéns. Apesar disso, não acho que seja possível existir alguém tão ingênuo a esse ponto, ficou um pouquinho irreal nessa parte, ainda mais sobre ela ter concordado em fugir com ele deixando os pais para trás, óbvio que não é culpa dela, mas acredito que o abuso poderia ter sido retratado de uma maneira diferente, não do dia para a noite. Apesar disso, você escreveu tudo isso sem fugir da letra da música e em um contexto totalmente diferente da letra, isso foi muito legal. Teve alguns erros de digitação, ortografia ou concordância, nada que teria passado batido em uma revisada um pouco mais atenta ou por um beta. Você também tem o costume de repetir muitas vezes o nome dos personagens, você pode substituir por pronomes para deixar a leitura mais fluida, então se atente á isso, ok? Obrigada por ter acolhido o desafio <3
24. Juni 2018 10:17:12

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Bem, vamos lá haha para mim, é importante escrever sobre as partes sombrias da vida e não só sobre as coisas lindas e maravilhosas que ela oferece, por isso escrevi "Maria" com a intenção de mostrar que nem tudo é tão maravilhoso quanto parece. A ingenuidade da Maria foi justamente por causa da letra da música. Na verdade, relendo a história, acho que não ficou bem claro que eles namoraram por um bom tempo e tal, que ela já tinha alguma insegurança, o que abriu uma brecha para o Derek. Sobre a repetição do nome dos personagens: pois é, conversei com minha professora há um tempo e tenho que corrigir isso a todo custo, vou revisar a história u.u Eu amo os desafios do Inks, justamente por, ainda mais como futura professora de português, saber o quanto é difícil motivar alguém a ler/escrever. Vou participar sempre que puder, me divirto muito escrevendo, pensando em aspectos que posso melhorar e esse cuidado que a equipe demonstra com cada um dos desafios me faz querer ainda mais ver esse site crescer! Vou fazer tudo o que eu puder para ver essa maravilha brilhar! Obrigada, tanto pelos elogios como pelas críticas, vocês são incríveis <3 24. Juni 2018 15:52:30
Caramelo Sama Caramelo Sama
Eu nem sei nem o que falar. A narrativa é fluída, simples de compreender e envolve de um jeito que te faz e ler e absorver o que está sendo contado. E por tratar de um tema mais pesado, um abuso físico e psicológico dentro de um suposto relacionamento, essa abordagem encaixou bem. Por que pra mim é mais fácil a compreensão do tema quando ele não é narrado de um modo que vá trazer uma angustia ao leitor que ele vai ter que interromper a leitura para depois retomar. Simplesmente seguiu, e seguiu maravilhosamente bem. Pontuou os traços certos de um relacionamento abusivo, de como a vítima foi manipulada e de como isso não é mera bobagem. É sério e acontece, e isso relamente mexe com a mente de alguém. As vezes, como no caso da Maria, é irreversível. É triste pensar em como ela acabou, sozinha e na constante espera por alguém que não vai voltar (e nem deve, cetino). Ai que ódio. Mas amei a história. Coragem para abordar um tema pesado e concentizar a respeito. Parabéns
19. Juni 2018 15:25:13

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Tentei deixar a narrativa o mais leve possível, já que o tema é pesado, então me esforcei para usar uma linguagem mais simples justamente para facilitar. É bem mais fácil de escrever sobre abuso usando esse tipo de linguagem porque é complicado escrever sobre assuntos do tipo. Eu sempre achei ridículo ver o jeito que as pessoas agem, como se fosse super fácil se livrar de um relacionamento abusivo. É um desafio, mesmo porquê a pessoa fica completamente dependente do outro. Derek é, de longe, o personagem mais detestável que eu já criei. Nojinho ¬¬ Obrigada por comentar <3 21. Juni 2018 18:57:07
Crazy Clara Crazy Clara
Você foi corajosa, mulher. Esse tipo de conto é difícil de escrever, imagino como deve ter sido desconfortável. Confesso que tive dificuldade para ler a parte do estupro, sempre tenho, mas li. Bom, essa é uma das músicas da Disney (que nem sei se é original do filme ou faz parte de alguma cultura) que eu vi primeiro o lado sombrio antes do fofinho. É duro pensar que há mulheres que se entregam dessa forma para relacionamentos abusivos. Mais ainda quando não enxergam o que estão vivendo e pensam ser algo romântico. É doloroso, é triste e é assustador. Espero que sua história ajude alguém a ver que não é um romance, como você salientou no início. Que bons tempos venham para as Marias.
16. Juni 2018 20:31:22

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Honestamente, não me sinto tão corajosa, mas não gosto de me calar para esse tipo de coisa horrível, acho que falar de assuntos polêmicos e defender os oprimidos faz parte da minha personalidade. Quer saber? Foi horrível escrever a parte do estupro. Eu costumo me colocar demais no lugar dos meus personagens e com a Maria não foi diferente, então me senti muito mal escrevendo, quase desisti (tanto de terminar quanto de postar depois de pronta). Eu sempre vi algo muito errado nessa música, apesar de amar a franquia, e realmente, eu conheço tantas Marias que chega a doer em mim e acho que isso foi uma das coisas que me motivou a continuar escrevendo. E que venham os bons tempos para essas Marias, elas merecem. Obrigada por comentar <3 16. Juni 2018 21:05:38
  • Crazy Clara Crazy Clara
    Moça, sua frase me fez querer mandar aquela frase clichê, mas que não deixa de ser verdade: coragem não é a ausência de medo, mas ter medo e enfrentar mesmo assim. Vou frisar que foi sim muito corajosa. Poucos fazem o mínimo e a gente precisa apontar mesmo as pequenas coisas feitas. 16. Juni 2018 22:09:13
  • Daniela Machado Daniela Machado
    Nossa, obrigada, de verdade <3 17. Juni 2018 15:00:44
Hime  Hime
Caramba, e pensar que isso pode estar ocorrendo agora... estou chocada. O mundo realmente é um lugar pelo qual o dinheiro muda tudo. Mano, eu estou muito surpresa ainda ashahsa. Eu adorei, parabéns pelo talento :)
15. Juni 2018 09:13:06

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Meu objetivo era exatamente chamar a atenção das pessoas para essa situação e que bom que consegui te surpreender haha. Fico feliz que tenha gostado e obrigada por comentar. Bjos ❤ 16. Juni 2018 09:22:30
Sam Park Sam Park
Gente... eu tô muito sensível, socorro. :'''') E pensar que isso acontece na vida real...
6. Juni 2018 18:14:06

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Fico feliz em saber que a história te tocou ^^ Infelizmente, isso acontece e muito, é uma realidade muito triste... Obrigada por comentar <3 7. Juni 2018 13:26:47
Vinne Irineu Vinne Irineu
A história em si é muito chocante e acaba de alguma forma ou outra retratando algo que acontece e pode acontecer com muitas pessoas no mundo, é importante evitar isso com o incentivo a uma Denúncia. Vindo de voce , eu sempre espero uma boa escrita.
27. Mai 2018 22:39:21

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Infelizmente é a realidade que vivemos e ela pode chocar, mas isso não quer dizer que não precise ser contada u.u Obrigada por comentar maninho <3 28. Mai 2018 16:01:57
Nathy Maki Nathy Maki
Nossa, estou completamente sem palavras. Não sei dizer o quanto eu me vi no lugar da Maria, tendo passado por algumas coisas que ela passou, eu entendo como isso pode destruir alguém. Na verdade, estava are pensando em escrever sobre isso para esse desafio, mas fico muito contente que alguém já tenha feito. Agradeço muito por expor essas coisas, as pessoas realmente precisam ser conscientizadas que esse ripo de relacionamento não é certo é e toda ajuda é necessária porque, na sua cabeça, ele tem toda a razão e você, nenhuma. Parabéns pela história! Beijinhos ^3^
27. Mai 2018 10:49:55

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Eu gosto de trazer a realidade e eu sinto muito que tenha se identificado com a personagem, espero que as coisas estejam melhores, de verdade <3 Essa música sempre me pareceu deixar muita coisa aberta para criar e eu quis trazer uma interpretação diferente, algo que as pessoas nem sempre reparam. Sei que existem muitas Marias por aí que se calam ou são caladas ou mesmo que acham normal o que passam e essa história está aqui por elas. Obrigada por comentar ^^ Bjoos '3' 27. Mai 2018 16:39:02
Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Quando me mandou a história guardei todos os meus comentários para poder escrever aqui, e sim fiz isso de sangue frio quando queria te enviar um áudio berrando... HAHAHA Ahhh pegar uma música tão "fofa" como "O meu nome é Maria" e transformar em uma história sobre relacionamentos abusivos ficou realmente maravilhoso, e o assunto não é maravilhoso nem de longe... Isso é um retrato do que nós mulheres vivemos desde sempre nessa comunidade patriarcal machista, o abuso não vem apenas de forma física, agressões, sofremos dia após dia, seja na procura de emprego ou até mesmo com esse tipo de homem escroto que você retratou.. E o pior é que mulheres sem um pingo de amor próprio se comporta com essa Maria que coloca um embuste desse num pedestal como se fosse Deus... Mano isso dói machuca a alma saber que existe pessoas assim.... E você está de parabéns ao escolher esse tema tão delicado e encaixar com essa música maravilhosa. ♥️
27. Mai 2018 09:41:59

  • Daniela Machado Daniela Machado
    Estou entrando em uma mania de escrever sobre coisas realistas desde que comecei Croatoan (que é inspirada na ditadura) e tenho certeza de que abuso é um tema que tem que ser abordado. Eu acho que as pessoas se apegam àquela crença de que estupro é só um estranho, mas eu sei que existem muitas Marias por aí, que se calam e aguentam em silêncio. Essa história está aqui por todas elas. Fico radiante em ver um comentário como esse, você nem tem idéia do quanto a sua opinião é importante pra mim ❤ 27. Mai 2018 09:55:58
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