Selva de Concreto Follow einer Story

akatsukibarry Barry A.

Passando por uma grande perda e obrigado a suportar uma carga que não acreditavam que iria conseguir carregar, Naruto mergulha em um mundo que só conhecia a superfície. Dentro dessa selva de predadores e presas, em meio aos arranhaceus da cidade que nunca dorme, ele vai descobrir o por que ainda não sucumbiu ao caos, ou por quem.


Fan-Fiction Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

#drama #tragédia #narusasu #sasunaru #sasuke-uchiha #Naruto-Uzumaki #sasuke #naruto #sns
Kurzgeschichte
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Capítulo ùnico

Os personagens encontrados nessa história não me pertencem, são de propriedade intelectual de seu respectivo autor.
O enredo e universo são de minha propriedade intelectual sendo vedada a utilização sem minha prévia autorização.
História sem fins lucrativos feita de fã para fã sem comprometer a obra original.

Olá Pessoal, minha primeira oneshot saindo do forno graças a maravilhosa ThePetiz que betou a minha fic pq sem ela, não sairia nunca kkkkkk
A fic está sendo postada no Wattpad e no Nyah! também.


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Toda cidade grande é movimentada na hora do hush, Nova York é viva. Os carros rodando nas pistas me lembram sangue nas veias, um fluxo contínuo na maior parte do tempo, mas parado no auge. O que em uma pessoa significaria calmaria e sonolência, nessa cidade significa engarrafamento e, consequentemente, tensão. Os prédios emergiam do chão e ilustravam a vista daquele dia com poucas nuvens, arranhavam os céus e moldavam o cenário como árvores definem a geografia das selvas. Para alguém que não está acostumado, era fácil notar como as luzes da Times Square faziam o céu mais negro perder importância, por que Nova York é a cidade que nunca dorme, mesmo olhando lá de cima.

Encarei a janela com as mãos e testa apoiadas no vidro, quando eu era criança tinha medo só de chegar perto, afinal, a visão panorâmica do vigésimo andar é tão bela quanto assustadora, as pessoas eram insignificantes aos pés daquela vista, tanto cinza e ao mesmo tempo tanta cor, o que era o Central Park naquilo tudo? Um grão de arroz?

Eu achava o meu pai o homem mais corajoso do mundo só por tocar no vidro, quem diria que eu perderia o medo — logo eu que tinha medo até de elevador —, quem diria que aquela sala seria minha tão cedo, logo quando ele estava no seu auge.

Quem diria que aquele império iria ser jogado nas minhas costas tão cedo, e ainda assim, eu iria aguentar.

Onze meses e as ações continuavam em alta e os investimentos a toda, nem parecia que Minato Namikaze tinha morrido em um trágico acidente de avião.

Lembro-me como se tivesse sido ontem, ele me olhava com aquele olhar divertido enquanto a pimenta vermelha fazia a minha alma arder com a bronca que me dava, não só em mim na verdade, ele também estava lá naquele dia, tínhamos adormecido na minha cama — Sasuke Uchiha, meu melhor amigo desde a infância, o motivo de a minha mãe sempre me botar de castigo, a pesar de ele dizer o mesmo, no fim nunca descobrimos quem começava a briga ou tinha a ideia mirabolante, a gente só tinha. — Na noite anterior tínhamos bebido tanto que os gritos da minha mãe pareciam sair de um berrante, ligado a uma caixa de som, em um show de rock. As palavras não faziam sentido, eu só sabia que estava encrencado pelo rosto vermelho dela, e aquele cabelo que sempre parecia estar pegando fogo quando se irritava. Quando meus pais saíram do meu quarto eu tentei voltar a dormir — ou morrer — mas Sasuke me deu um tapa na cabeça.

— O que você quer, Teme maldito? Dorme aí, meu cérebro ta derretendo! — falei enfiando a cara no travesseiro.

— Você ao menos escutou o que ela disse? Sabe Tóquio? Então, adeus japonesas gostosas. — Ele falou tacando um travesseiro em mim.

— O que? — Levantei rápido demais para os limites do meu corpo, deitei de novo. — Não era semana que vem? — Esfreguei as mãos nos olhos.

— Tiveram que adiar Dobe, e agora a gente não vai — senti o colchão mexer e abri um único olho, ele tinha levantado e pego uma toalha no guarda roupa — por que você queria encher a cara e dirigiu bêbado. — Ele resmungou.

— Vamos ter a cidade só para a gente? — falei o encarando com um sorriso sacana, ele revirou os olhos da porta do banheiro.

— Então é por isso que você consegue sorrir de ressaca? — Ele bateu a porta abrindo uma cratera no meu crânio.

— Não Sasuke, é por que eu não sou um poste mal-humorado que nem você — respondi em um sussurro em meio ao sorriso.

Mas não nos divertimos aquela noite. Eu estava me preparando para sair e ele falando com a mãe no viva-voz, tia Mikoto tinha que dar a parcela de bronca dela, dizer o quanto Fugaku estava decepcionado e que esperava mais de dois adultos de vinte um anos, a pesar de podermos ouvir a risada de Itachi no fundo da ligação.

Fugaku Uchiha era o presidente de uma das maiores empresas de produção bélica do mundo, Uchiha Enterprises. Dá para perceber o porquê de serem tão temidos, fabricantes de armas sempre carregam uma aura pesada, além de Sasuke e Itachi atirarem tão bem quanto um sniper do exército.

Meu pai era dono da Aurum Namikaze, uma mineradora que tem sedes em metade do mundo, talvez esse fosse o motivo pelo qual a minha mãe vivia cheia das pedras e metais mais raros do mundo pendurados nas orelhas e pescoço, mesmo que o meu pai sempre salientava que nada era mais brilhante que a própria, nisso eu tinha que concordar.

Eles se conheceram em uma conferência em Madrid vinte e cinco anos antes, a amizade cresceu desde então. As viagens anuais para Tóquio eram uma oportunidade de as famílias passarem um tempo juntas, já que todos sempre estavam tão ocupados. Era para ser uma semana de reencontro com as raízes ancestrais, já que os Uchihas e a Uzumaki eram descendentes de japoneses, era para ser a viagem que Itachi iria confessar para o pai o segredo que só Sasuke e eu sabíamos, era para os sete se divertirem como faziam desde quando os garotos eram crianças, mas os gritos que sucederam a risada de Itachi acabou com aquele futuro.

Eu corri para o lado de Sasuke enquanto ele chamava a mãe, ouvimos trovões e coisas caindo, eu ouvi o meu pai gritar o nome da minha mãe e ela gritar de volta. Nos encaramos com os corações acelerados e rostos horrorizados, os sons do celular se tornaram mais altos até que a ligação caiu.

Sasuke tentou retornar oitenta e sete vezes, oitenta e sete vezes o telefone caiu na caixa postal.

No primeiro dia sem notícias nós dois ligamos para cada contato que conhecíamos que pudesse nos ajudar. A companhia aérea, a marinha e a aeronáutica se uniram para encontrar aquele avião, no fim conseguiram delimitar uma área no Oceano Pacífico que sofreu com tempestades cruzando o tempo de viagem e a rota. Começaram as buscas.

No terceiro dia eu comecei a quebrar coisas dentro do meu quarto e Sasuke como o melhor amigo que era se juntou a mim. Não sei se foram minutos ou horas, mas até as janelas foram quebradas. Acabamos cheios de cortes encostados no pé da minha cama chorando no ombro um do outro. A falta de notícias me fez cair em um sono inquietante, acordei no meio da noite em cima da cama sem saber como fui parar ali. Ele estava na varanda sentado no chão com a cabeça apoiada nos joelhos.

— Teme… — chamei baixinho andando até ele desviando dos cacos de vidro.

— Eu quero a minha mãe… — Ele sussurrou.

— Eu sei, eu… — Senti meu coração apertado.

— Eu quero ouvir ela cantar Natsuhiboshi pela última vez — Ele bagunçou os próprios cabelos com força.

— Você vai! A tia Mikoto adorava cantar para a gente dormir, sei que ela não negaria mesmo a gente tendo passado dos vinte. — Sorri triste me sentando ao lado dele.

— Dobe eu não sou iludido como você, eu sei a porcentagem de sobrevivência de uma queda de avião no meio do oceano! — Ele falou as últimas palavras gritando e me encarou com ódio, mas eu sabia que aquele olhar escondia dor, a mesma dor que eu estava sentindo. O abracei forte e ele voltou a chorar no meu ombro.

— Eu nunca achei que iria querer aquele velho maldito de volta. — Ele falou entre lágrimas. — O seu pai é legal! Ele gosta de você, mas o Fugaku só sabe me criticar!

— Ele te ama, teme — sussurrei contra o ombro dele. — E eu não sou iludido, eu só tenho esperança…

— Naruto… o Itachi… ele não conseguiu contar...

— Eu sei teme, ele não deve ter tido tempo.

— Shisui precisa saber que ele o amava… Ele precisa…

— Ele sabia, no fundo ele sabia. Todos nós sabíamos, até o seu pai — Suspirei fundo — Ele é seu primo de sei lá que grau, você sempre teve essa relação com ele, mas o Itachi não, o Shisui sempre foi tudo para ele — Sorri tristemente — todos os olhares... os sorrisos... os abraços. — Não parecia mais que eu estava falando deles.

No sétimo dia estávamos recebendo ligações e e-mails a respeito de transações financeiras e contratos de sócios e clientes. As empresas eram independentes da nossa dor, o mundo não parou de girar, as coisas não pararam de acontecer.

Então engolimos nosso sentimento e vestimos nossas máscaras, eu era o cara sorridente de sempre e Sasuke era uma perfeita cara de tédio. Nos armamos de ternos Armani e sapatos Prada para enfrentar nosso mártir. Antes de entrarmos nos nossos respectivos carros, nos entreolhamos.

— Vai dar certo — falei sorrindo.

— Acreditaria mais se seu sorriso não fosse tão falso. — Ele me encarou.

— Ninguém percebe a diferença, Teme.

— Eu sim, Dobe.

Aquele dia pareceu durar uma eternidade, cheguei em casa 23h e me joguei no sofá. Desbloqueei a tela e o plano de fundo era uma selfie minha com Sasuke e minha mãe, ela tinha prendido o cabelo em um rabo de cavalo e eu e o Teme usávamos algumas mechas como bigodes, ela estava no meio segurando o celular e nós ao seu redor, como sempre foi, por que ela era o sol e nós apenas planetas na sua órbita. Arremessei o celular longe e soltei um grito de fúria, por que tudo aquilo estava acontecendo?

Só notei que estava chorando quando fui despertado pelo toque do meu celular em algum lugar da sala. Corri atrás do som, era a música do Darth Vader, era Sasuke.

— Teme!

— As pessoas normalmente não atendem o celular gritando usuratonkashi.

— E nem ofendendo os outros, mas aqui estamos - falei sorrindo.

— Estava chorando?

— Que? Não! Claro que não, só estou cansado. — Suspirei pesado.

— O que foi Naruto? — Ahh… Naruto, era sempre assim, eu era Naruto quando ele estava puto, quando estávamos na frente de estranhos, ou quando ele estava preocupado. Por que era o segredo que nunca foi verbalizado, ele pronunciava o meu nome com tanto cuidado que sempre me desmontava.

— ...a tela do meu celular.

— Onde está aquele idiota esperançoso? Achei que teria esperança por nós dois.

— Teme, eu… — Prendi a respiração junto com as lágrimas.

— Chego em quinze minutos.

Duas semanas para encontrarem a droga de uma caixa de plástico laranja, talvez não fosse mais a minha cor preferida.

O avião tinha caído, disseram que foi pego em uma tempestade. No fim, só encontraram alguns destroços com quilômetros de distância e a caixa preta, que informou falhas no sistema do jato por conta de uma sobrecarga. Os técnicos disseram que foi um raio, um raio deixou eu e Sasuke órfãos, um raio virou nossa vida ao avesso.

Nós fomos o suporte um do outro, fizemos um pacto de não chorar na frente de ninguém além de nós mesmos, por que não era só a nossa vida de bebedeiras e noitadas que tinha acabado, era também a morte de Naruto Uzumaki-Namikaze e Sasuke Uchiha como a sociedade os conhecia. Por que os investidores não aceitariam crianças na liderança da empresa, os conselhos não aceitariam órfãos tristes, as empresas não precisavam de garotos, por que aquele era um mundo onde só os fortes sobreviviam, onde existiam as presas e os predadores. Fomos afogados em um mundo de sangue e poder que só tínhamos visto a superfície.

Fizemos o funeral um dia depois, uma cerimônia vazia, tanto por ser aberto somente para pessoas próximas, tanto por estarmos enterrando cinco caixões ocos, por que os corpos da nossa família — No singular, por que era uma só — Estavam perdidos no fundo do oceano.

Sasuke me deu um celular novo, o outro tinha quebrado o visor, tinha a mesma foto de fundo de tela.

— Não sinta raiva, ela amava essa foto, e agora só temos fotografias deles. — Ele me disse quando me entregou o aparelho.

Na primeira festa entendemos por que Mikoto e Kushina viravam outras pessoas quando falavam com aquelas cobras, entendemos por que as vezes não reconhecíamos nossas mães. Por que elas não eram mais mães, eram mulheres poderosas, dissimuladas e frias. Entendemos por que Minato sorria cordialmente mesmo quando estava possesso de ódio, ou por que Fugaku assustava até os mais velhos empresários com aquele olhar duro.

Eles nos observavam com pena, vinham nos cumprimentar e dar pêsames com semblantes tristes, mas poucos segundos depois o assunto já estava esquecido e eles rindo de alguma coisa qualquer.

Quando fui pegar uma bebida ouvi um homem e duas mulheres cochichando, as vezes apontavam discretamente e gesticulavam em uma direção. Prestei um pouco mais de atenção na conversa e descobri o assunto, eles falavam do dono de uma empresa nova que tinha entrado em falência recentemente.

— Isso foi punição de deus! — A loira ria cobrindo a boca. — Se ele tivesse expulsado aquele encosto de casa isso não teria acontecido.

— Um filho como aquele é até uma ofensa para mim! Aquele menino brincava com meu filho! Imagina se tivesse influenciado ele? — falou a ruiva.

— Foi falta de umas boas porradas! Deixava ele comigo duas semanas que eu o ensinava a ser homem! — falou o outro.

As mulheres sorriram quando me viram, a ruiva me olhou dos pés à cabeça como se quisesse me comer, apesar de eu saber não ser só impressão minha.

Imagino como aquele olhar ia mudar se ela soubesse a quantidade de garotos que já peguei quando estava bêbado nas festas, algumas vezes até sóbrio. Era um segredo que só Sasuke sabia.

Agora éramos donos de multinacionais, estávamos no mundo de ricos e poderosos, e descobrimos que éramos a carne nova.

Mas nossos pais jogavam aquele jogo, e nos ensinaram a jogar. Sasuke era o mal humor em pessoa, mas seus olhos e ouvidos captavam tudo. Eu já bati tantos carros que era para estar preso, mas eu tinha lábia, e nós dois não iríamos deixar nossos impérios serem destruídos em uma guerra de informações.

Eles nos subestimavam nas reuniões, e quebravam a cara. Logo perceberam que não iríamos ser devorados, éramos predadores.

Mas no fim, sempre estávamos juntos. Eu ligava para ele quando o dia tinha sido cheio, e ele aparecia lá em casa para comer besteira e falar mal daqueles idiotas. Durante onze meses ele foi o meu refúgio, seria tolice que fosse continuar assim. No fundo eu sempre soube, mas ele era meu melhor amigo, parceiro de pegação, não podia estragar aquele laço só por que meu coração acelerava toda vez que ele sorria.

Mas agora era diferente, eu não tinha mais ninguém, só ele, tudo o que fazíamos nos deixava mais próximos, tudo o que fazíamos esfregava na minha cara o quanto ele não era só o meu porto seguro, ele era mais do que eu queria admitir.

— Dobe, se você continuar encarando esse vidro com tanta intensidade, ele vai quebrar, e tu vai parar lá embaixo — ele entrou na minha sala e o ouvi se jogar no sofá, não me virei.

— Quando foi que paramos de ter medo dessas janelas? — falei em um suspiro, não obtive resposta, mas ouvi os paços dele o guiando até o meu lado.

— Quando paramos de olhar para baixo, e começamos a olhar para o horizonte. — Ele tocou o vidro, eu fechei os olhos. — O que foi? Nenhuma reunião te deixa tão deprê. — Ele se jogou na minha cadeira atrás de mim.

Encostei as costas no vidro e o encarei, o cabelo tinha crescido nos últimos meses, as roupas antes de playboy, foram substituídas por Armanis e Givenchys. E ele estava tão bonito nelas... Sorri derrotado olhando para os meus sapatos.

— Parece que ser imperadores custa caro, não é? — falei por fim.

— Contanto que tenha whisky, eu posso sobreviver. — Ele se levantou e foi em direção a garrafa que ficava na mesa ao lado, serviu dois copos e me entregou um. — Vamos lá usuranotonkachi, se continuar assim as pessoas vão achar que está virando eu. — Ele deu um gole na bebida e sorriu.

Eu respirei fundo e fechei os olhos, bebi o conteúdo do copo tão rápido que a minha garganta queimou.

— Wou! — Ele riu nasalado. — Acho que alguém está puto.

— Danem-se esses imbecis, eu só queria fazer o que eu quero uma vez na vida! — Bati o copo na mesa com mais força do que deveria.

— Como se a opinião desses imbecis te impedisse de fazer algo. — Ele bebeu o resto do próprio copo. — Faça logo o que quer homem, depois manda eles se foderem. — Encostou na mesa.

— Me lembro vagamente do meu pai dizer isso para Itachi uma vez, isso é plágio.

— Me processa. — Ele sorriu enquanto bebia outro gole de bebida.

Eu o encarei, caminhei até a mesa e apoiei minhas mãos no móvel uma de cada lado do seu corpo, encarei aquelas orbes ônix que retribuíam meu olhar com um misto de surpresa e curiosidade.

— Sasuke... — Respirei fundo — O que estamos fazendo com as nossas vidas? — Fechei os olhos.

Ele uniu as sobrancelhas — Eu estou tentando voltar a viver a minha, e você?

— Isso não responde a minha parte da pergunta...

— Então deixe-me reformular a pergunta, Dobe — Ele tocou dois dedos na minha testa para chamar a minha atenção, um gesto corriqueiro de Itachi. — O que você quer fazer com a sua vida? O que este homem na minha frente quer — Ele segurou o meu rosto com as duas mãos para encarar os meus olhos — Me diga o que quer, que eu te dou o mundo.

Aquela afirmação fez meu cérebro precisar de alguns segundos para processar, o que eu não estava captando? Ele falou com aquele sorriso sarcástico de canto, que significava brincadeira a maior parte das vezes, mas no olhar dele brilhava uma súplica, como um pedido, como quando éramos crianças e ele tinha medo.

Antes do pequeno Sasuke precisar esconder seus sentimentos, antes dele precisar usar aquela eterna máscara de tédio, ele demonstrava. Demonstrava medo das tempestades, dos filmes de terror que Itachi nos mostrava escondido, e principalmente, ele não escondia o temor de perder as coisas, ou pessoas que amava. Nunca pensei que veria aquele olhar quinze anos depois, e ele estava em mim, só para mim, como se o resto do mundo não importasse.

— Eu quero te beijar. — Encarei os lábios entreabertos dele, que soltou um suspiro entre surpresa e alívio — Eu quero te sentar nessa mesa e te beijar até te fazer esquecer o próprio nome, e quero fazer isso pelo resto da vida. — Suspirei. — Mas a vida não é tão fácil, né? — Me afastei dele e voltei a encarar a janela, o sol já estava indo embora, dando ao céu um tom laranja de que eu tanto gostava.

Eu senti o peito dele encostar contra as minhas costas e suas mãos em minha cintura, ele apoiou o queixo no meu ombro — E o que te impede? Achei que já tinha percebido que eu não quero ser só o seu melhor amigo a tempos.

Eu ri com a testa encostada no vidro, aquilo não poderia estar acontecendo.

— Você ouviu quando eu disse “pelo resto da vida”? Sasuke, isso é mais complicado que uma noite quente, eu não posso estragar tudo com você, é tudo o que eu tenho. — Não era para ele levar a sério, onde foi parar a piadinha para mudar de assunto?

— Eu ouvi dobe, eu sei o que significa. — Ele me encarou pelo reflexo do vidro, meu corpo estava gritando em êxtase, meu coração batia com tanta força que eu sabia que ele podia sentir. — Não era só piadinha de mãe quando elas sorriam enquanto diziam que éramos feitos um para o outro, pelo menos não hoje.

— Você acha que o presidente da Aurum Namikaze pode ser bissexual? E você? Você tem uma empresa de armas, sabe que mundo é esse? Eles vão nos caçar, a mídia vai... — sussurrei ainda encarando aqueles olhos tão negros.

— Nos caçar? — Ele deu um sorriso ladino. — Nessa selva de concreto, uma pantera e um tigre não tem predadores Naruto. — Ele me virou e tocou meu rosto. — Que dirá quando eles se unem, não somos novatos.

Encarei aqueles olhos que conseguiam transmitir tudo o que o rosto escondia, eles brilhavam, encostei a minha testa na dele e suspirei pesado.

Eu o beijei como queria ter feito a muitos anos, meu corpo sabia exatamente o que fazer depois de tanto tempo imaginando aquele momento, e ele correspondeu com a mesma intensidade. De repente o mundo não estava mais tão morto, Sasuke Uchiha era mesmo o meu porto seguro.




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Iawe minha gente, como foi? kkk

Espero que tenham curtido, foi meu primeiro plot que realmente foi escrito.


26. Mai 2018 04:09:37 0 Bericht Einbetten 1
Das Ende

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