O menino e o cinema Follow einer Story

C
C Clark Carbonera


Quando um menino se apronta para ir ao cinema com sua mãe, a única coisa que ele deseja é se divertir com essa mulher única e maravilhosa, mas ele descobrirá que dentro de uma sala escura de cinema, um filme é não a única coisa que se passa por lá.


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Capítulo único


Minha alegria era imensa, ia ao cinema com minha mãe. Enquanto esperava, observava a mãe maravilhosa que eu tinha, linda e jovem, cheia de vida, a mulher perfeita. Ninguém tinha uma mãe mais bonita e vaidosa que a minha!

Fomos para o cinema de mãos dadas. No caminho, passamos em frente à casa do meu amigo Júlio, cuja mãe era imensa e sem graça. Corremos muito para chegar à sessão, compramos os ingressos e ficamos na fila gigante para comprar meus docinhos. O cinema estava bombando de gente, eu realmente pensei que o lugar fosse cuspir todas aquelas pessoas para fora, como a gente vomita quando come demais e a barriga não aguenta.

Mas mesmo se o cinema vomitasse toda a gente, eu me agarraria com o máximo de força na pilastra da frente dos banheiros e seguraria a minha mãe também, só para não perder o filme! Eu estava muito animado para entrar na sala escura e meus pés dançavam de um lado pro outro, enquanto saíamos da fila dos doces e íamos para a da sala. Mas minha mãe perdeu todo o interesse em entrar e me puxou para fora da fila. Pedi, implorei que voltasse e nada! Quando o filme estava para começar, ela resolveu entrar.

Havia vários lugares para nós e eu ia mostrando: “lá, olha aqui, mamãe, achei mais dois”, mas ela não queria nenhuma das minhas sugestões. Não entendia o que estava acontecendo com minha mãe, até ela resolver escolher três lugares vazios. Nos sentamos e um homem acabou sentando do outro lado de minha mãe.

O lugar era horrível, na minha frente uma mulher se mexia o tempo todo e o filme era uma história chata de amor enjoada e sem graça como a mãe do Júlio. Minha mãe começou a me explicar o filme e eu, feliz com a sua atenção, comecei a comer meus doces. Foi aí que vi minha mãe pousar sua mão no joelho do homem desconhecido ao seu lado. Tudo perdeu a graça. O filme se tornou um inferno e eu queria matar aquele homem.

A sessão acabou. Minha mãe se levantou, olhando uma vez para o homem, e saiu me levando como se nada tivesse acontecido durante o filme. No caminho de volta para casa eu estava péssimo, não queria conversar e dei a desculpa de estar com dor de dente.

Passamos em frente à casa de Júlio e diminui meus passos, vi a sombra da mãe dele pela janela; ela estava lá, colocando a mesa do jantar, cuidando de sua casa e de sua família.

Quando chegamos em casa, papai estava lendo jornal na sala de tv como sempre fazia antes do noticiário. Não sabia o que fazer. Minha vontade era contar tudo o que eu vi, gritar com o máximo de força tudinho o que eu vi naquela sala escura cheia de gente!

Minha mãe, sem me entender, foi pegar uma aspirina para o que ela acreditava ser dor de dente, falando alto para o meu pai, com voz animada, que eu não tinha entendido o filme, que eu não tinha entendido nada.

Depois que engoli a aspirina com um pouco de água, me sentei no meio do sofá, entre papai e mamãe, para ver o noticiário. Olhei o rosto do meu pai, grisalho e feio. Prendi as lágrimas e lhe dei um braço apertado, apenas o mais apertado que conseguia, exatamente da forma como me agarraria à pilastra do cinema se eu fosse vomitado.



30. April 2018 14:46:58 0 Bericht Einbetten 0
Das Ende

Über den Autor

C Clark Carbonera “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

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