Um Caminho Para Dois Follow einer Story

valdieblack Valdie Black

(Universo Alternativo)  John Smith sofreu um acidente que mudou toda sua vida, Clara Oswald deseja ajudá-lo mas não sabe como. Duas almas que se encontram por acaso e compartilham do mesmo destino.


Fan-Fiction Series/Doramas/Soap Operas Nur für über 21-Jährige (Erwachsene). © Doctor Who não me pertence, fanfic escrita sem fins lucrativos.

#fanfiction #romance #twelveclara #whouffaldi #universo-alternativo #doctor-who
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Dia e Noite

Consegui escapar de todos, por algum tempo, me escondendo na cozinha. Não suportava os amigos do meu pai. Todo ano ele fazia uma festa de aniversário na casa dele e todo ano era a mesma coisa, só que daquela vez Danny não tinha vido comigo, seria mais fácil aguentar as piadas sem graça e as perguntas intrusivas daquele grupo de homens septuagenários que desconheciam o significado da palavra “limite”.


Abri a geladeira procurando por algo que deixasse a noite mais suportável e encontrei a última garrafa de cerveja ainda fechada. Apanhei-a como se fosse água no deserto. Se Danny estivesse ali diria que já tinha bebido muito, mas ele não estava e portanto eu sobreviveria àquela noite da forma que achasse melhor.


- Olá... você é a Clara, não é? - perguntou uma voz atrás de mim.


Tentei não xingar em voz alta, pensei que estaria segura ali e agora tinha que arranjar assunto com quem quer que tenha chegado. Virei-me para o estranho e desejei que meu sorriso não parecesse tão falso.


- Eu sou... hum... eu sou sim. - minha voz falhou um pouco quando notei que na verdade não precisava fingir um sorriso.


Assim como todos os outros naquela festa ele era muito mais velho do que eu, mas o que chamou minha atenção foram os óculos escuros no seu rosto e o bastão que segurava. Conclui que ele devia ter algum tipo de deficiência visual.


- Pensei que fosse você. Não deve se lembrar de mim, mas eu a conheci quando você era criança.


- Ah... desculpe, não me lembro.


Nem tentei me lembrar. Todos que conversaram comigo disseram a mesma frase, “eu a conheci quando você era criança”, acabei me cansando de tentar lembrar daqueles rostos que só devo ter visto uma vez na vida.


Ele me deu um sorriso bondoso que me fez sentir um pouco culpada por estar sendo tão grosseira com ele. Em minha defesa, aquela estava sendo uma noite muito longa.


- Tudo bem. Meu nome é John Smith.


- Prazer em conhecê-lo.


Quase estendi minha mão, num movimento involuntário, mas minha mente rapidamente avisou que ele não ia conseguir ver aquilo. Como que ouvindo meus pensamentos, John ergueu o braço dele e deixou sua mão estendida no ar.


- O prazer é meu. - disse, sorrindo.


Eu apertei a mão dele e fiquei aliviada por ele não estar me vendo corar naquele momento.


- Como... ? Quer dizer... hum...


- Como eu a reconheci se não podia vê-la?


- Hum... é...


Queria dizer algo com mais de duas sílabas, mas tinha muito medo ofendê-lo.


- Senti o aroma de um perfume feminino quando abri a porta da cozinha, depois ouvi o barulho dos seus saltos no chão de madeira, pelas passadas apressadas concluí que só poderia ser uma mulher jovem e seu nome me veio à mente.


- Ah... nossa... - fiquei genuinamente impressionada com aquilo.


- E também, seu pai me disse que você estava aqui.


Eu ri pela primeira vez naquela festa.


- Certo... boa jogada, John.


- Obrigado. Você faria a gentileza de servir um pouco dessa cerveja na sua mão esquerda?


Fiquei um pouco desconcertada com a pergunta, mas peguei dois copos no armário de cima.


- OK, dessa vez foi assustador. - disse enquanto usava o abridor de garrafas que estava em cima da mesa. - Tem certeza que você é cego mesmo? Quer dizer, deficiente... quer dizer...


- Sim, eu sou cego. Tenho certeza. Seu pai disse que havia cerveja e eu supus que estava na sua mão esquerda porque você apertou minha mão com a direita.


- Mas a garrafa podia estar na geladeira.


Entrei-lhe seu copo e ele meneou a cabeça num agradecimento.


- Pelo seu tom de voz acredito que você não está se divertindo muito.


- Ah, entendi... - voltei a ficar envergonhada. John deve ter notado meu embaraço também.


- É claro que foi só uma suposição, erro muitas vezes.


Nós dois tomamos um gole da bebida, em sincronia.


- Estou só cansada. - expliquei. - Tive um longo dia no trabalho e meu namorado não está bem então eu tenho que cuidar dele.


- Você soa cansada, e também rouca. Professora? Babá? Nardole?


- A primeira opção. O que é “Nardole”?


- Ele é meu assistente. Grita muito comigo.


Ri novamente.


- Você é muito perceptivo, John.


- As coisas mais óbvias são fáceis de serem ignoradas, não escutamos as pessoas quando elas falam, preferimos ficar apenas com a imagem. Então minha cegueira foi uma benção pois passei a entender melhor os outros.


- Hum... sim, acho que perdemos muita coisa quando dependemos muito da nossa visão.


- Consegui te convencer assim tão fácil? Minha terapeuta iria adorá-la, ela está tentando me convencer disso há anos.


- Então você não acredita nisso?


Ele tomou outro gole.


- Eu não costumo ir à festas. - disse, mudando de assunto. - Mas seu pai é um amigo antigo meu, e não se faz sessenta anos todos os dias.


- Vocês são muito próximos? - estranhei, já que tinha quase certeza de que nunca vi aquele homem na minha vida.


- Não nos falamos há tempos, mas começamos nossas carreiras juntos. Fizemos residência no mesmo hospital.


- Então você é... digo, era médico também?


- Eu era sim, mas agora estou aposentado. Sabe, já tenho cinquenta e nove anos... e com a cegueira e tudo mais... pensei que era a hora certa.


Eu ri de novo, muito embora não achasse apropriado. Minha madrasta entrou na cozinha naquele momento.


- Clara, me ajude a pegar o bolo, está na geladeira. - ela disse. Então notou que eu estava bebendo de novo e me lançou um olhar reprovador. - Não beba tanto assim! Fica feio, você é uma mulher.


Ela tomou a garrafa da minha mão e eu me senti como uma criança que foi apanhada fazendo algo ruim.


- Cerveja engorda. Não é, John?


- Toda comida engorda, ainda bem.


Dei as costas para eles e fui pegar o bolo. Tinha aprendido que era melhor não discutir com minha madrasta, mas isso não queria dizer que não ficava chateada com ela.


- Não seja tão dura com a Clara, Linda. - disse John. - Ela estava me servindo, fui eu quem a influenciou.


- Tem certeza que você deveria estar bebendo, John? - Linda falou com a voz mansa, quase condescendente.


- Eu não vou dirigir, se é essa sua preocupação. - ele respondeu, um tanto ríspido. - Aliás, hoje em dia eu não dirijo nem carrinho de supermercado.


- Merda! - exclamei, sem pensar.


- Clara, isso são modos? - criticou Linda, espantada.


Eu tinha o bolo em mãos, havia algo escrito em glacê mas não conseguia ler. Estava vendo tudo embaçado.


- Esqueci que tenho que dirigir hoje. Geralmente é o Danny quem faz isso. - expliquei.


- Posso pedir ao Nardole que lhe dê uma carona.


- Bobagem, John! Não queremos incomodá-lo. - Linda respondeu por mim. - Eu mesma levo a Clara pra casa.


- Não! Quer dizer... você vai ficar exausta, ainda tem que arrumar a casa depois da festa...


- Você poderia passar a noite aqui e me ajudar então.


- É verdade... - aceitei meu destino, não conseguia pensar em uma desculpa convincente.


- Clara, você não me contou que seu namorado precisava dos seus cuidados? - perguntou John. - Ele pode passar a noite sem você?


- Não, não pode! - exclamei, tentando não parecer muito feliz com aquilo. - É verdade. Danny ainda está se recuperando do acidente, ele insistiu que eu viesse pra festa mas acontece que não posso deixá-lo sozinho por muito tempo.


- Então me parece que vamos ter que incomodar o Nardole, mas tudo bem, ele é pago pra isso.


- Obrigada, John. - sorri para ele, mesmo sabendo que não iria ver.


********

 Nardole estava me dando um daqueles sermões que eu fingia não ouvir mas o fato era que não havia muita opção pra mim, ele falava alto demais e tinha uma voz nasalizada irritante.


- Não acredito que você bebeu! John, quantas vezes preciso dizer isso? É muito perigoso.


- Ah, então não é perigoso pra quem consegue enxergar? Só eu tenho fígado?


- Você sabe do que eu estou falando. Toda vez que bebe acaba se machucando. Principalmente naquele seu prédio infernal cheio de escadas, já lhe disse pra se mudar pra um lugar com elevador.


- Escadas são boas pra circulação do sangue.


Encontrei o botão na porta do carro e abri a janela. Senti o ar gelado bater no meu rosto e o cheiro do sereno. Nardole deu um muxoxo.


- Circulação do sangue... você já caiu umas doze vezes naquela escada. E nunca me deixa chamar a ambulância.


- Não quero voltar pro hospital.


- Ah, é? Pois é o que parece do jeito que você se comporta.


- Nardole, eu só tomei um gole no máximo. Pareço bêbado?


Voltei a cabeça para o meu lado direito.


- Pra ser sincero...


- Com certeza estou com uma aparência horrível, só perguntei da minha estabilidade.


- Hum... não parece... - disse, contrariado. - … mas que ideia foi essa de ir atrás de uma mulher?


- Não fui atrás de ninguém. Clara é filha de um amigo e precisa de ajuda.


- Espero que seja só isso mesmo porque você não está em condições de...


Ele parou de falar de repente e entendi que Clara tinha chegado. A porta de trás se abriu e senti o cheiro do perfume floral dela.


- Desculpem a demora, minha madrasta queria falar comigo...


Ela soava tão deprimida que imaginei que aquela conversa tinha sido menos amistosa do que a minha com o Nardole. Ouvi a porta bater quando ela a fechou.


- Não faz mal. Clara, esse é o Nardole. Minha babá.


- Oi!


- Olá, prazer em conhecê-la. - ouvi-o dizer ao meu lado. Era sempre mais gentil com os outros. - Na verdade, eu sou o assistente dele.


Na verdade, ele era meu cuidador mas para preservar minha dignidade nós tínhamos um acordo tácito de chamá-lo de “assistente”.


- Eu sei, ele já tinha me contado. Obrigada pela ajuda.


- Tudo bem. - eu disse. Sabia que ela se referia a algo mais do que a carona.


Nardole ligou o carro. Eu encostei a cabeça e voltei os olhos pra janela, não que fosse fazer alguma diferença. Clara dava o endereço dela e foi agradável ouvir aquele sotaque do norte da Inglaterra.


- Esse carro é lindo. - ela elogiou. - É uma Tardis, não é? Nunca vi uma de perto.


- Ah, sim. Comprei assim que recebi meu primeiro salário de cirurgião. - sorri pelo canto da boca. - “Bessie”.


- É o nome que ele deu ao carro. - explicou Nardole. Ele sempre achou aquilo idiota.


- O meu se chama “Ashildr”.


Ergui as sobrancelhas.


- Que original! Muito nórdico.


- Sim. - ela riu. - Danny me deu um livro sobre vikings e acabei me interessando pelo assunto. Ashildr foi uma garota que nunca morreu, dizem.


- Espero que a doença do seu namorado não seja tão grave. - disse Nardole. Eu sabia que ele queria me lembrar o fato de que ela tinha namorado.


- Ah, não é. Ele teve um acidente no trânsito e quebrou a perna, mas está se recuperando bem.


- Seu prédio tem elevador, Clara? - perguntei. - Estou procurando um lugar com elevador.


- Você está? - Clara e Nardole perguntaram ao mesmo tempo.


- Sabe, acho meu vizinho está planejando se mudar. - ela disse, animada. - É um ótimo prédio. O elevador sempre funciona.


- Veja só, Nardole! - falei, brincando com ele. - Sério, veja só, porque eu não posso ver esse lugar.


- Os botões do elevador também estão braille? O piso do apartamento é liso? Eles permitem cachorros de grande porte? - Nardole disparou.


- Eu... não sei...


Clara parecia se sentir culpada. Provavelmente nunca reparou naqueles detalhes.


- Nardole só está sendo chato. Braille! Quem diabos usa braille? - falei, tranquilizando-a. - E chega dessa conversa de cachorro, eu não vou arranjar cão-guia nenhum.


- Seria mais fácil andar na rua com um cão-guia... senhor.


Ele sempre me chamava de “senhor” quando estávamos na frente de estranhos, mas a raiva continuava lá.


- Eu não vejo ninguém com cão-guia na rua. Aliás, eu não vejo ninguém.


Clara riu de novo. Aquele riso contido que as pessoas davam porque não sabiam se iam me ofender ou não, quando ela fazia era agradável. Tateei até achar onde ficava o porta-luvas, quando o abri não consegui encontrar o que procurava.


- Haha! Não, senhor, sem mais cigarros pra você. - disse Nardole, presunçoso. - Joguei todos fora.


- Seu...! - ia xingá-lo, mas me contive pela Clara. - Nós tínhamos concordado com um maço por mês, Nardole.


- Sim, mas aí encontrei uns dez maços escondidos debaixo da sua cama e agora não confio mais em você.


Inspirei fundo. Minha vontade era de gritar com ele, mas Clara estava ali e não queria que ela soubesse como minha vida era ridícula e tivesse pena de mim.


- Senhor, você é um médico, devia saber que...


- Eu não sou um médico. Não mais.


Usei um tom de voz tão rude que ninguém mais disse nada. Me segurei na cadeira e contei de cem à zero, em ordem decrescente. Era um truque idiota que minha terapeuta tinha recomendado para usar quando sentisse raiva.


Não podia gritar com Nardole, ele estava me ajudando, e com certeza não podia gritar com Clara, ela não fez nada. Seria melhor esperar até ficar sozinho em casa e gritar comigo mesmo. Infelizmente meu comentário já tinha estragado o clima e só ouvi a voz de Clara de novo quando tínhamos chegado no prédio dela.


- Muito obrigada, à vocês dois.


- Não tem de quê. Amanhã vamos pegar a “Ashildr” de volta. - eu disse, tentando amenizar as coisas. - Ou... ou... eu poderia...


- Não se preocupe. Minha madrasta disse que vem trazê-la.


De repente senti algo gelado na bochecha. Clara tinha me dado um beijo.


- Obrigada. - disse perto do meu ouvido.


Queria ter dito algo em resposta mas ela saiu do carro muito rápido ou eu demorei muito tempo pensando.


- Isso foi legal. - Nardole comentou quando ficamos sozinhos. - Ela gostou de você.


- Isso foi pena.


- Acho que ela gostou de você.


Grunhi qualquer coisa porque não queria discutir.


- Bom, não vá criar ideias. Ela tem namorado.


- Está gostando de me torturar, Nardole? Diga logo que ela é linda e bem mais jovem que eu.


- Sabe, se você se esforçasse para melhorar poderia encontrar uma mulher que...


- Cale a boca, Nardole. Me leve pra casa.


Enfim o Nardole me obedeceu. Ele estava acostumado com meus modos rudes então não me incomodei. Sentia falta de muitas coisas. Claro que sentia falta das mulheres, eu nunca me casei e nunca tive um relacionamento que durasse mais de uma semana, isto porque tinha muitas opções. As mulheres gostavam do médico rico que tinha uma Tardis e sabia falar as coisas certas. Agora tudo isso foi embora e elas só me viam como um velho cego que mal conseguia subir uma escada.


Sentia falta de fumar e de beber. Sentia falta de dirigir a Bessie. Sentia falta de ser médico, operar, salvar vidas, ganhar prêmios. Acima de tudo sentia falta da Bill, mas não podia encontrá-la. Não naquele estado deprimente.


Nardole era louco se pensava que eu iria melhorar algum dia. Aquilo não era uma perna quebrada, o namorado de Clara voltaria a andar, mas eu seria cego para sempre.


********


 Quando entrei no quarto, Danny já estava dormindo. Eu estava tão cansada que nem me dei ao trabalho de trocar de roupa, tirei os sapatos e me deitei na cama.


- Como foi a festa? - ele perguntou com a voz sonolenta.


- Desculpe, eu acordei você.


- Bobagem.


Ele me deu um beijo no topo da cabeça. Me aproximei dele tomando cuidado para não encostar na perna engessada.


- Foi boa...


- Boa?


- Sim, sabe... Linda gritando comigo, os amigos do papai fazendo piadas sem graça e comentários sexistas... mas eu conheci esse cara que era simpático.


- Agora eu estou ciúmes. Não devia ter insistido que você fosse.


- Calado. - eu bati de leve no peito dele e deixei a mão lá. - Não, ele era só um cara. Acabou me dando carona porque eu bebi muito.


- Eu sabia que você ia fazer isso, só não esperava que você iria deixar um homem se aproveitar da sua fraqueza.


- Não foi assim!


- Estou só brincando, amor.


Ele me envolveu nos braços e beijou minha cabeça de novo.


- Ei, o vizinho vai mesmo se mudar?


- Não sei... por que pergunta?


- Não é nada. - suspirei longamente. - É só... esse cara... ele é cego e está procurando um lugar pra morar e eu sugeri o apartamento ao lado...


Danny não respondeu, então continuei falando.


- Acho que ele é muito solitário... mas é tão engraçado e legal... ele era médico, então não nasceu cego. Isso é difícil. Muda tudo.


Ouvi Danny roncar o que queria dizer que ele voltou a dormir. Apesar do cansaço não dormi imediatamente, me sentia mal pelo John. Não era pena, era como se eu estivesse no lugar dele, sentindo a dor dele. Gostaria de poder ajudá-lo como ele me ajudou.


29. April 2018 23:44:14 0 Bericht Einbetten 2
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