Aquela Coisa Com Garotas Follow einer Story

morangochan Saah AG

Após o término do namoro, Hinata acaba tirando alguns sentimentos do armário.


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 18-Jährige.

#yuri #sakura #hinata #shoujo-ai #sakuhina #vemprocrack
Kurzgeschichte
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Oneshot

PS: essa one foi postada pela usuária Morangochan  no Nyah! e por Morango-chan no Wattpad. Ambas as contas citadas pertencem a mim.

***

Ali estavam elas, sob o céu noturno, desfrutando suas últimas horas no acampamento organizado pela escola. As estrelas brilhavam como os olhos tímidos de Hinata nunca haviam visto. A brisa da noite estremecia quaisquer  peles que tocasse. Por isso, todos os quais tinham o céu como teto permaneciam juntos, a fim de perpetuar o calor. Ino e Hinata não era exceção; uma conseguia ouvir a respiração da outra. De fato, a presença de uma terceira facilitava as coisas. Mas, por hora, teriam de aguardar e se entreterem até o retorno da Haruno.

— Como vão as coisas com o Naruto? — indagou Ino despretensiosamente.

— Vão bem. — respondeu a morena. — E você? Se acertou com o Gaara?

Um suspiro saltou dos lábios da garota de orbes azuis, quase como um riso.

— Com o Gaara o buraco é mais embaixo. — explicou. — Eu sou orgulhosa, ele é ainda mais orgulhoso...

— Mas já não faz uma semana?!

— Sim, mas eu conheço essa novela e sei que um de nós dois vai acabar dando o braço a torcer. — ela deu de ombros. — É só questão de tempo.

A testa de Hinata franziu. Por que a surpresa, afinal? Ino e Gaara ficaram conhecidos como o casal do relacionamento “pisca-pisca”. Além de acender e apagar milhares de vezes, tinham que, de tempos em tempos, desembolar os fios. Ambos já cogitaram jogar aquela porcaria no telhado do vizinho, claro. Mas, no final, o amor superava todos os nós e luzinhas queimadas. Um daqueles confusos clichês da vida real.

Com Naruto a história era diferente. Quase nunca brigavam, sempre sorriam um para o outro. Tinham o hábito de andar de mãos dadas em público. Ele a fazia rir, ela o oferecia uma boa companhia. Segundo aos amigos, os dois formavam um casal fofo. Aparentemente, o relacionamento perfeito. Por isso, a morena não conseguia compreender o porquê da despreocupação de Ino ao falar de uma briga.

— Nossa, quanta tranquilidade! Sempre que o Naruto e eu brigamos, sinto como se o mundo fosse desabar na minha cabeça.

— É porque você é dramática! — a Yamanaka rebateu. Em seguida, pôs a língua para fora, sapeca.

Um "ei!" cortou o ar, a loira recebeu uma cotovelada como tréplica. O riso contagiou as duas e, pela primeira vez naquela noite, seus olhares se encontraram por mais de cinco segundos. Os rostos se apagaram, os sorrisos se partiram em pedaços; olho no olho, Ino perguntou:

— Você o ama? — perguntou. — Ama o Naruto?

— Amo. — confirmou a Hyuga. Qual a razão de uma pergunta tão repentina?

As sobrancelhas de Ino ergueram-se perante a incerteza na voz de Hinata. A morena mordeu o lábio. Se tivesse pensado um pouco mais, provavelmente não usaria esse tom. Ter deixado dúvidas sobre seus sentimentos pelo namorado pesou em suas costas; como um milhão de sacos de batata, para ser mais exato. Naruto tornara-se especial num nível tão… não! Ela tinha de mostrar que qualquer desconfiança era um absurdo. A impulsividade, porém, atrapalhou-a. O grupo de palavras escolhido foi:

— E sou grata por isso. 

Ino riu:

— Grata?

O rubor tomou conta do rosto pálido. Frustrada; sua tentativa de parecer firme transformara-se em cinzas. Mesmo sabendo que já estava falida de tanto pagar mico, optou por insistir em sua tese.

— É, grata! Você não se sente grata por namorar o Gaara?

A Yamanaka nem concordou, nem discordou. Porém, sua risada diminuiu. Uma pequena vitória para a Hyuga.

— Existem taaaaantas palavras para descrever o que eu sinto pelo Gaara! — ela gesticulou com os braços, demonstrando no ar a imensidão de nomenclaturas para seus sentimentos. — Sei lá, “grata” soa estranho. Não parece combinar com romance. 

Engolindo a seco, a garota pálida rendeu-se sutilmente. Voltou a olhar para o céu e torceu por silêncio. Não desgostava da amiga por duvidar de seu amor por Naruto, apenas queria evitar que aquele fosse o assunto do resto da semana. Pois ser abelhuda e exagerada eram as especialidades da loira. Talvez ela pensasse que Hinata e Naruto estavam com problemas, ou pior: se separando.

— Por que se sente grata em namorar o Naruto? — Ino insistiu.

Cerrou os olhos por alguns segundos, lamentando a má sorte. Os lábios pálidos puseram-se a falar:

— Ele é gentil, me faz rir, tem gostos muito parecidos com os meus…  

Mesmo com três itens, Ino parecia esperar mais. A lista de motivos poderia até ser extensa, quem sabe precisasse de mais algum tempo para pensar. Quer dizer, quem sabe de cor todos os motivos pelos quais ama o namorado? O silêncio pairou no ar gelado da noite. A Hyuga torceu para continuar assim, diga-se de passagem. Contudo, a loira inflou o peito e impediu a conversa de esfriar.

— Só isso?

Farta, apertou os dentes. Mais uma vez palavras impulsivas escaparam de sua garganta.

— E estar com ele me poupa de muitas coisas desagradáveis.

— Como o que? —  ela quis saber.

Dizem que os dons de grandes sábios são herdados pelos filhos. Ino, por exemplo, herdara a brilhante técnica de interrogatório do pai. Aperfeiçoara, inclusive, de tanto usar as amigas como cobaias. Hinata iludia-se com o interesse expressado pelos olhos azuis, mal percebendo a verdade escapulindo de sua boca. 

—  Sei lá… Flertar. —  a morena deu um exemplo. —  Nunca fui boa nisso. Na verdade, nem sei como fiz para o Naruto me notar.

—  Não existe um outro motivo? 

O olhar perolado e tímido hesitou, mas os orbes ágatas permaneceram firmes, confiáveis.

—  Me evita também de… ah, você sabe! —  as bochechas coraram ainda mais. Deu de ombros e distanciou o olhar, mais uma fraca tentativa de encerrar o assunto. 

—  Hum… Eu sei? O que eu sei, exatamente? 

Por dentro, Hinata choramingou. Por que uma grande amiga a obrigaria a falar sobre algo tão desagradável? Respirou fundo e apenas disse:

—  Você sabe… eu tenho “aquela coisa com garotas”. 

Ino assentiu enquanto tentava se controlar. Mas não foi difícil de perceber sua dificuldade em conter o riso. A Hyuga estreitou os olhos. Ultraje! 

—  Para de rir da minha cara! —  exigiu. 

Porém, o efeito foi o inverso. A enxerida zombeteira deixou todo o riso sair, como se houvessem destruído uma barragem que continha águas traiçoeiras. Cruzou os braços, frustrada. Abrir o coração para alguém dá nisso!

—  Desculpa, Hina! —  Ino pediu. —  Mas é que o modo como você fala disso é bobo demais. 

Apesar de tentar levar na esportiva, tudo o que Hinata pôde fazer foi emitir um riso frustrado. Determinada a prolongar a sessão, a raposa interrogadora lançou mais uma pergunta no ar.

— Você também sente gratidão quando está com a Sakura?

—  Q-quê?! Para com isso, Ino! A Sakura e eu somos só amigas!

—  Oh, é claro! —  ela deu de ombros. —  Mas eu não caio em genjutsus, ok? 

—  Eu tô falando sério!

—  Ah, Hina, o que custa admitir? Você mesma falou uma vez que ficou afim da Sakura. Vai negar, agora? 

—  Eu… não quero falar disso! E além do mais, eu tenho um n-namorado agora!

As pérolas miraram o lado oposto; entrar em contato com o olhar persuasivo da amiga estava fora de cogitação. Poucos segundos corridos e nada. Sentiu os ombros relaxarem. Talvez a conversa embaraçosa finalmente tivesse chegado ao fim. 

Pelas costas das duas, uma voz cortou o ar.

—  Voltei! —  anunciou Sakura. — Sobre o que falavam? 

—  Gratidão. —  alfinetou Ino. 

—  Ah, aquela florzinha do Facebook? - perguntou a Haruno.


Ino Yamanaka adorava festas, menos quando estas se tratavam de seus próprios aniversários. Na verdade, todo evento cujos convidados fossem seus parentes já entrava na lista de desprazeres da garota - qualquer festividade cuja Ino fosse impedida de subir na mesa e cantar não era uma festividade que valesse a pena. Mas para seu azar, os aniversariantes são protagonistas e, consequentemente, obrigados a comparecer ao evento.

Mas e daí que as mesas eram frágeis e os pais quadrados? A comida sempre estava incrível, o DJ arrasava e todos os anos o salão ganhava uma decoração diferente e temática.  Desta vez o tema aparentava ter uma forte influência do cupido, devido a presença de bexigas com a estampa de anjinhos arqueiros. Esculturas de balões em forma de coração e rosas vermelhas e perfumadas por toda parte também completavam a ideia. Além disso, Ino carregava um par de asas de pelúcia nas costas, como se ela mesma fosse a representação do anjo sapeca de cabelos loiros.

Céus! Como Ino podia odiar algo assim? De fato, a festa daquele ano estava demais, mas as anteriores tinham o mesmo nível. Quer dizer, todos sabiam que ir às festas da loira era sinônimo de diversão. O desgosto da Yamanaka continuava incompreensível para Hinata, mesmo depois de tantos anos de amizade. Quem dera pudesse curtir o próprio aniversário com tanto estilo!

—  Hina, você não acha que a Ino está agindo estranho? —  indagou a rosada. —  Da última vez que eu a vi, ela estava tirando fotos com a mãe dela sem fazer cara de bunda. Acredita? 

Que baque! Como assim Ino estava feliz em seu próprio aniversário? Finalmente a loira havia percebido que o aborrecimento de todos os anos era a coisa mais idiota já existente? Viu de relance a própria incredulidade. Mas no minuto em questão, a prova das palavras de Sakura passou pelas duas. O vestido cheio de camadas em tons pastéis, rendas e pérolas rodou pelo salão. Ino deu uma piscadela animada para as amigas. Isto é, sua cara pouco parecia a de um limão azedo: um momento inédito.

Boquiabertas, as amigas viram a aniversariante rir e acenar, balançando os dedinhos graciosamente. O genuíno e belíssimo sorriso ia de orelha a orelha. Sakura e Hinata se entreolharam, confusas. As teorias ganharam espaço ali mesmo.

—  E se ela ganhou um presente muito caro?

— Não… Teve aquela vez em que ela ganhou uma passagem pra Disney e nem piscou. - Hinata desconstruiu. - Você acha que desta vez ela organizou a festa sozinha?

—  Controladora do jeito que a mãe dela é? —  a rosada desdenhou. —  Seria um bom motivo para ficar contente, mas não acho que seja isso. Talvez seja algo a ver com o Gaara! 

A Hyuga mal pôde se posicionar, pois a amiga emendou:

—  Aposto como ela deu uns amassos no Gaara. —  cruzou os braços, confiante. —  Naquele armário do segundo andar, sabe? Isso fez ela sorrir durante o aniversário do Senhor Yamanaka.

—  Eles ainda estão brigados. —  Hinata deu de ombros. —  E não acho que a Ino fique alegre por fazer a mesma coisa pela segunda vez. Ela vive dizendo que figurinha repetida não completa álbum.

O riso contido fez as bochechas de Sakura corarem. Sem pensar muito, soltou.

—  É verdade! Ela tentou usar isso como consolo no dia em que você e o Naruto terminaram. 

Sem resposta. Demorou alguns segundos para a ficha cair e a Haruno perceber o erro que acabara de cometer. Engoliu a saliva, nervosa. Hinata levou uma mecha de cabelo para atrás da orelha; a outra mão apertava fortemente o casaco. Os olhos perolados vagavam entre os balões e as flores, como se estes fossem figuras enigmáticas. No fim, tratava-se apenas de uma tentativa de fingir que nada fora do comum havia sido dito. Uma encarou os olhos da outra apenas quando a vergonha foi soprada por um dos ventiladores do salão de festas. 

—  P-posso estar enganada. — disse Hinata com um certo quê de hesitação na voz. —  Mas a Ino falou algo sobre o Shikamaru e a Temari.

— Sério?!

Envolver na conversa o famigerado casalzinho ajudou a desmanchar o embaraço. Sakura pediu detalhes, mas tudo o que Hinata tinha a oferecer era um resumo de uma vaga conversa e uma teoria na ponta da língua. Supôs que o jogo clássico jogo de “Verdade ou Desafio” depois da festa seria usado, mais uma vez, para tentar unir os dois cabeças duras. Talvez não fosse a melhor das teorias, mas explicava, pelo menos, o porquê daquela decoração.

Com um aceno de cabeça, Sakura concordou.

—  Válido! —  fez sinal positivo com o polegar. —  Sem contar o fato de que a Ino adora se meter na vida dos outros pra bancar o cupido.

—  Seria bem fofo. — observou a morena num tom de quem pedia uma colher de chá. Afinal, Ino estaria fazendo um favor se conseguisse juntar aquelas duas mulas teimosas.

— Só espero que a Temari não fique brava e saia quebrando tudo.

❅ 

Assim como aconteceu com a Cinderela, a majestosidade das vestes de Ino se esvaiu à meia noite.  Belíssima, porém, tornou-se apenas uma loirinha com roupas de primavera. Cruzou as pernas e sentou no chão assim como todos os convidados restantes; sem eles, o salão estaria completamente inerte. Levantou a voz e deu as boas vindas, como boa anfitriã.

— Bem vindos a mais um anual e interessante jogo de “Verdade ou Desafio”. — apresentou a aniversariante toda empolgada. — Este é um sub-evento do evento, logo estamos em número menor. Porque “sub” significa justamente isso: algo menor do que o todo. 

Gaara coçou a garganta sonoramente, com o intuito de apressar a introdução massante da loira. Os presentes apenas esperavam que ela explicasse as regras para o novato e seguisse com o jogo. Afinal de contas, os pais dos convidados não tardariam para contatá-los.

— Ok. — disse Ino, rendida. — “Verdade ou Desafio” é um jogo incrivelmente simples, mas algumas regrinhas podem variar de acordo com as pessoas que jogam. A nossa versão, por exemplo, conta com prendas diferentes das usuais para quem se recusar a responder às perguntas ou a cumprir os desafios. Além disso, mentiras não passarão despercebidas, pois temos uma banca de análise que os denunciará.

— Do que ela está falando? — Naruto cochichou para Gaara. 

— Se mentir, o Shikamaru vai saber e você paga a prenda. - respondeu o ruivo calmamente.

— Quê?! Você só pode estar de zoação. — zombou o loiro. — Como o Shikamaru vai saber quem está mentindo ou quem está falando a verdade?

— Ele SEMPRE sabe! — exclamou a aniversariante.

A atenção do Uzumaki voltou-se para o Nara. Como alguém com uma cara de songa-monga poderia ter a reputação de detector de mentiras? Aquele menino parecia estar no mundo da lua!

— Ei, espera aí! — Naruto interrompeu. — O que é a prenda mesmo?

— Eu estava chegando lá. — respondeu a Yamanaka com o dedo indicador levantado. 

Revelou que, às suas costas, descansava um galão, lar de um líquido rosado. Exposta a prenda, o grupo, de modo geral, não pôde conter a típica expressão de repúdio para com a bebida.

— Este é o suco de groselha concentrado. — apresentou Ino, olhando especificamente para o novato no jogo. — Quem se recusar a responder as perguntas ou a cumprir os desafios deverá tomar duas doses.

— Só isso? - subestimou o loiro.. — Nas outras festas em que fui, eles me fizeram tomar tequila.

— Se tomar essa merda, vai desejar a tequila. — avisou Temari.

O estômago da Sabaku revirava só de lembrar o sabor grotesco da tal groselha; pior do que qualquer bebida ou comida. Mas o trauma advinha mais pela situação a qual fora submetida do que o gosto em si. De bochechas quentes, a menina relembrou o jogo do aniversário passado cujo fora obrigada a receber o castigo. Desde então, questionava-se se ter beijado Shikamaru teria sido uma ideia tão ruim assim...

— Ino, o balde. — cochichou Gaara no ouvido da menina.

— Ah, é mesmo! — berrou a garota trazendo para as vistas do círculo um balde cor-de-rosa. — E este é o balde, caso vocês queiram vomitar a groselha.

Por ainda estar insatisfeita com a expressão do Uzumaki perante às regras e estilo do jogo, Ino suspirou e se pôs a explicar.

— Minhas festas não são alcoólicas. A gente ainda é menor de idade. — deu de ombros. — Então, se ficar, é sabendo que não vai ter bebida alguma. E se não ficar, azar o seu, porque vai perder o privilégio de presenciar o melhor da festa.

Um suspiro e um aceno. Naruto concordou em ficar, apesar das leis de sobriedade. Se bem que não era algo tão ruim se fosse parar pra pensar. Ele não teria de chegar em casa tropeçando ou temendo uma decapitação articulada pela própria mãe, por exemplo.

— Certo, todos já sabem as regras. — a voz da Haruno soou firme, apesar do ainda presente tom divertido. — Será que a donzela poderia fazer a gentileza de começar o jogo? 

Sorrindo, Ino fez as honras e girou a garrafa. Os batuques dos corações uniram-se em um só, enquanto as respirações cessavam por alguns segundos. O gargalo, por fim, apontou para Neji. Ino esbanjou satisfação. Esfregou a palma da mão na outra, como uma bruxa má de unhas compridas e vermelhas. Mostrando o sorriso maléfico, perguntou:

— Verdade ou Desafio?

Neji revirou os olhos. Os três segundos de um lugar silencioso foram três segundos de gritos internos. Por que aqueles palhaços eram tão previsíveis? Ele nem deveria se indignar a responder, deveria sair daqui agora mesmo! Mas resolveu engolir o orgulho e pelo menos uma vez levar as coisas na esportiva. No fim das contas, os dois caminhos acabariam em zoação. Com uma análise curta, escolheu a opção que lhe tiraria o mínimo de dignidade possível.

— Verdade.

— É verdade que você pegou a Tenten antes do treino de vôlei? Tipo, com direito a mão na bunda e tudo? 

Dentre a explosão de risadas, estava a trêmula Hyuga que pôs as mãos na boca para abafar sua surpresa. O primo encarou-a com vergonha, logo em seguida voltando sua face revoltada para a anfitriã. Embora metralhada com o olhar, Ino não fez nada além de balançar os ombros. Os arrependimentos ausentes: ela era a abelha rainha, as operárias tinham mais é que pagar mico mesmo! Quem estivesse em sua posição não poderia ter escrúpulos!

— Me recuso a responder isso. — disse Neji, por fim.

A loira fez beicinho, ambiciosa. Questionar-lhe já tinha dado o efeito desejado, mas o que custava uma confirmação? Seria muito melhor se todos ouvissem da boca do próprio Neji. O salão ecoou as vaias e até o Uzumaki pôs a boca no trombone.

— Seu corta clima! 

Sakura, porém, não conseguia fazer nada além de gargalhar compulsivamente. Dividida entre o trágico e o cômico, a morena de olhos perolados sentiu o toque da amiga. A cabeça rosada apoiava-se em seu ombro, assim como a mão pressionava a sua. Ouviu um “Eu tô sem ar. Me segura, Hina!” entre risos ofegantes e o disparo do próprio coração. Quente, rubra, tudo o que Hinata pôde fazer para não denunciar a si mesma foi manter a boca tapada com as mãos e simular um risinho em conjunto.

Engolindo a saliva e o pudor, Tenten bateu as mãos contra as próprias coxas. O olhar firme, apesar da voz embargada que disse:

— É verdade, sim!

As bocas ovais de surpresa não puderam conter-se e logo estavam apertando as mãos do mais novo casal. Neji deu uma tapa na própria testa; por que Tenten simplesmente não ficava quieta? Eles deram uns amassos e tal, mas apenas isso. Não havia a necessidade de contar pra todo mundo como se os dois precisassem assumir o que tinham feito. As pessoas se beijam sem compromisso; eles se beijaram sem compromisso.

Hinata engoliu a saliva, a única face dentre as demais a demonstrar empatia. A morena sabia o que era estar fora da zona de conforto, pois todo dia vinha sendo assim desde o término com Naruto. Mordeu o lábio, sentindo o roçar ingênuo da mão da rosada. Algum dia, talvez, tivesse o coração estilhaçado de tanta palpitação. Mas esse tornou-se o risco mais gostoso que já correra na vida.

— Não estou desconfiada, longe disso. — Ino advertiu cinicamente com a mão rente ao peito. — Mas… o que a banca diz a respeito?

Todos os rostos do círculo voltaram-se para Shikamaru, o juiz. O rapaz fitou a garota de coques e, sem pestanejar, assentiu com a cabeça. Uivos de comemoração, gritinhos e palmas. Mais alguns segundos de constrangimento e Neji cavaria um buraco para enfiar a cabeça. Todavia, o sofrimento do Hyuga foi atenuado pelo fato de que o jogo precisava continuar, embora todas aquelas revelações divertissem a todos. Bom… quase todos.

— Certo, Neji. Gire a garrafa. - Ino orientou. 

— Ei! Você vai considerar a resposta da Tenten? — Naruto questionou. — A pergunta nem foi pra ela.

— Ai, Naruto, cala a boca! — Ino disparou revirando os olhos. — Vamos continuar, gente!

Emburrado com o fora, o loiro cruzou os braços. Em seu rosto, a expressão de birra típica era um pouco meiga se fosse parar para pensar. Sutilmente, Hinata suspirou. O antigo relacionamento com o Uzumaki já era página virada, mas ainda assim… 

— Hina. Tá tudo bem? - Sakura sussurrou. — Você sabe que não está sozinha nessa, né?

Balançou a cabeça positivamente para as duas perguntas. Forçou um sorriso para Sakura e virou-se para Neji, encorajando-o a continuar o jogo. A última coisa que queria era estragar a noite de todo mundo com um choro. Aguentou firme; Naruto estava feliz, e ela… bom, estava em busca da felicidade. Embora o caminho para esta fosse tortuoso, cheio de curvas perigosas e possibilidades de rejeição.

As pálidas mãos do Hyuga mais velho aproximaram-se vagarosamente da garrafa, hesitando.

— VAMOS, NEJI! — berrou Temari com toda a potência de suas cordas vocais. Shikamaru, que estava logo ao lado, esfregou o próprio ouvido, declarando surdez logo em seguida. — Se esse jogo vai ser água com açúcar, me avisem. Pelo menos volto pra casa mais cedo!

-—  Ai, que saco! — resmungou Shikamaru. — Além de gritar como uma maluca, ainda fica reclamando.

Mesmo com relâmpagos, trovões e os raios que batalhavam entre os olhares de Shikamaru e Temari, Neji girou a garrafa para  acabar de vez com as exigências dos colegas. Todavia, o inesperado aconteceu. Visivelmente surpreso, fitou com atenção para quem o gargalo da garrafa apontava. O Uzumaki em pessoa; os pelos do pescoço de Hinata se eriçaram quando o primo perguntou:

— Verdade ou Desafio? 

— Verdade.

— É verdade que você gosta do Sasuke?

Sem nem pensar duas vezes, Naruto deu a resposta padrão.

—- O quê?! Você tá louco, Neji? Mas é claro que não!

De sobrancelhas retraídas e região glabelar rugosa, Neji lançou um olhar de desafio. Concentrado, ocupado demais para notar a expressão da prima que muito provavelmente o implorava para não prosseguir com aquilo. Mas era o que ela sempre fazia, não? Hinata sempre defendeu Naruto com unhas e dentes, mesmo depois de ter sido abandonada por um motivo bem específico. 

— Tem certeza disso? — Neji indagou mais uma vez.

Todos os rostos se moveram na direção de Shikamaru, sem exceção. O Nara disse “Mentira” como se fosse a resposta mais óbvia do mundo e todos concordaram logo em seguida. Constrangido, o Uzumaki ainda queria rebater. Sobretudo, gritar. Então foi para isso que Ino o chamara? Para que alguém o acabasse indagando sobre Sasuke na presença de sua ex-namorada? Engoliu a seco, acima de tudo. Com cara de cachorro sem dono, implorou silenciosamente pelo perdão de Hinata. E para sua surpresa, não encontrou lágrimas nos olhos perolados. Apenas um sorriso discreto e um dar de ombros sutil. Qual novidade havia sido esfregada em sua cara? Nenhuma. 

Abruptamente, Tenten disse:

— Agora o Naruto toma a groselha, né? 

— Mas é claro! — Temari confirmou de braços cruzados e queixo erguido. Emanando sadismo, diga-se de passagem. — Capriche nas doses, Ino! Groselha nele!

As noites do aniversário da Yamanaka mais popular da família nunca traziam apenas diversão, mas também descobertas. Ela descobrira seu amor por Gaara em uma de suas festas, por exemplo. Porém, aquela noite em especial ofertara muito mais descobertas do que qualquer outra. 

Nas rodadas seguintes trotes foram passados, Neji e Tenten foram obrigados a simular o que fizeram antes do treino de vôlei e Hinata, entre gaguejos, disse que estava gostando de alguém. Sakura revelou que estava dando um tempo com garotos desde o fiasco com Sasuke, Gaara confirmou que havia reatado o namoro com a anfitriã e Shikamaru, por acaso, comentou que adorava meninas loiras de olhos verdes.

Em pouco tempo, o relógio correu até às duas da manhã.

— Gente, está ficando meio tarde.  Sakura anunciou.  Daqui a pouco a minha mãe vai pensar que eu morri. Ou que vocês me ofereceram drogas e agora eu estou incapacitada de telefonar pra ela.

— Olhe pelo lado bom. — observou Temari com os braços cruzados, apontando para Naruto enquanto completava sua frase. — Pelo menos você não vai chegar em casa com cara de quem vomitou trinta vezes. 

— Ai, pessoal, calma! — Ino aumentou seu tom de voz sobre os demais. Levantou-se e ergueu as mãos como alguém muito importante fazendo um discurso para cessar o caos. - Se quiserem, falo com os pais de todos vocês. Faço os meus pais, inclusive, confirmarem que vocês estiveram aqui o tempo inteiro. Peço apenas que fiquem pra mais uma rodada, por favor. É a última, prometo!

A concordância foi geral, apesar da impaciência por verem os ponteiros do relógio correrem e seus celulares vibrarem. Ignoraram as chamadas em troca da rodada final. Girou a famigerada garrafa vazia. Claro que tudo podia dar errado, mas, naquela noite de aniversário, milagres aconteciam e o universo sempre conspirava a favor das boas intenções. Por dentro, a Yamanaka soltava fogos de artifício. Por fora, apenas sorria, o que levou Hinata questionar o motivo do risinho, pois o gargalo apontava para si.

— Verdade ou desafio?

— Verdade.

-— É verdade — pausou a garota. Mal conseguia falar direito, segurar o riso exigia demais de suas forças. Mas não estragar o plano era o mais importante naquele momento. — que a pessoa pela qual você está apaixonada é uma garota?

— O q-quê?! — gaguejou a morena.

Executando seu papel de espectadora, Temari cutucou o braço de Shikamaru com o cotovelo e cochichou em seu ouvido.

— Presta atenção que agora é a hora da onça beber água.

Por que coisas embaraçosas sempre aconteciam com Hinata? Sentiu a voz falhar, sem saber o que dizer ou como agir. O nó causado por mais um mico voltou a dificultar sua fala. Apenas chiou:

— Quero trocar!

Frente a frente com a garota, Ino encarava o fluxo seguir para onde o êxito residia. O pânico da Hyuga alimentava sua feroz fome de leoa. Mas mesmo em uma situação tão crítica, ambas tiveram de ouvir um:

— Eu protesto! — disse Naruto erguendo o braço. — Ela não pode trocar!

— Pode, sim! A festa é minha, cala a boca! — berrou Ino na resposta mais apressada que dera na vida. Emendando, praticamente sem respirar, soltou. — Então vai ser desafio, hein?! Pois eu te desafio a beijar alguém! — a loira cruzou os braços como se tomasse a vitória para si. — E não um alguém qualquer! Precisa ser, necessariamente, a pessoa que está ou a sua direita, ou à sua esquerda. — por fim, deu três estalinhos em locais diferentes no ar, como as abelhas rainhas de filmes americanos. 

Para a desgraça de Hinata, não se tratava bem de uma escolha. Ambas as pessoas que o desafio apontava eram garotas. De um lado, Temari, do outro, Sakura. O estômago revirou, como se muitas borboletas estivessem dançando um tango muito quente ou um forró eletrônico. No fim, Temari estava certa: era a hora da onça beber água. 

— Vou logo avisando que meu lance é com rapazes. — antecipou Temari. 

— Menos, Temari, é só um beijo! — Ino retrucou. — A sua boca não vai cair se ela te escolher. 

Definitivamente não beijaria alguém que não queria ser beijada. Mas ao acatar essa filosofia, refletiu um pouco mais sobre sua decisão. Dois menos um é igual a um. Isto é, se Temari estava fora de cogitação, sobrava apenas…

— Hina… — a doce vozinha foi captada à sua direita. — Eu topo, relaxa.

Quantas noites Ino deve ter perdido apenas para arquitetar aquele plano? Provavelmente mais do que conseguia contar. A morena de olhos perolados, porém, encontrava-se impossibilitada de odiar a Yamanaka. Na verdade, estava impossibilitada até mesmo de respirar. Com o rosto em chamas, encarava a Haruno perguntando a si mesma se aquelas palavras eram, de fato, verídicas. Afinal de contas, o que “eu topo” significava? Queria dizer que Sakura queria beijá-la ou que estava apenas topando porque não desejava ser a segunda a negar antecipadamente? 

Balançou a cabeça, tentando se recompor. Sakura era sua amiga, elas eram apenas amigas. De onde Ino havia tirado aquela ideia tão estúpida? Perder o namorado pra outro cara não estava bom o bastante? Tinha que ficar sem namorado e sem amigas? Não! Definitivamente, não! E era isso que ela estava prestes a dizer, pois que se dane o desafio. Que se dane a groselha e tudo mais. Que se danem todos daquele jogo idiota! Mas o que não estava em seus pensamentos tempestuosos era o detalhe de que o beijo de uma sereia clarearia todo o céu como se as nuvens negras nunca houvessem existido. 

As mãos macias e os lábios quentes; ambos vieram completar um ao outro no rosto da Hyuga que encontrava-se praticamente em processo de fusão. Bom, não era como beijar um cara. Havia algo de diferente, mesmo não sabendo exatamente o que. E embora não fosse um provocante beijo de língua, o coração disparava como louco. Enquanto a cabeça girava e o estômago formigava, Hinata perguntava-se qual fora a última vez que sentiu tal adrenalina. 

Ino não conseguia esconder sua empolgação, só aplaudia. E foi esta comemoração que fez a Hyuga recompor algumas das nuvens em seu céu, encerrando aquele desafio de vez. Um leve desapontamento surgiu no rosto de Ino, de fato, mas nada poderia apagar a satisfação do fato presenciado.

Mal pôde se recuperar e todos já estavam indo embora. As pernas de Hinata tremiam tanto que precisou de uns segundos a mais para levantar-se. O restante dos presentes se despediam de Ino e trocavam algumas últimas palavras antes de partir. Sakura já havia sumido de suas vistas, então era a hora perfeita de puxar Ino num canto para um papo reto.

— Ai, que grossa! — reclamou a loira, resistindo aos puxões da amiga. — Nem parece que acabou de beijar.

— Isso não tem graça, Ino! — avisou Hinata com a seriedade que jamais pusera na voz antes. - O que foi aquilo? 

— Um empurrãozinho. — a loira piscou.

— Para com isso, Ino. Quantas vezes eu tenho que dizer que a Sakura é só minha amiga? 

— E quantas vezes eu tenho que dizer que não caio em genjutsus? 

— Ino, eu tô falando sério!

— Ai, quanto drama desnecessário! Pra que retrucar, negar, perder tempo? A gente tem que aproveitar a vida enquanto é jovem e feliz. Porque quando formos velhos e chatos, não vai ter mais jeito!

— Sem piadas! — a morena exigiu. — Por que tinha que fazer essas coisas na frente de todo mundo? Eu confiei em você! Você é a única pessoa que sabe que eu sinto... aquela coisa com garotas.

— Pelo amor de Deus. Você é bissexual! — Ino exclamou em alto e bom tom.

Automaticamente as mãos de Hinata cobriram seu rosto envergonhado. Os lábios pálidos pediam aos céus para que todos já tivessem ido embora. 

— Eu sei que seus pais são conservadores, mas do que adianta dizer que não gosta de algo se você gosta? 

— É muito fácil falar quando não é você que está passando por isso! Tudo parece tão estranho, tão errado e tão confuso. Desde o Naruto, o mundo parece estar de cabeça para baixo. Pode parecer muito simples pra você, mas pra mim não é bem assim! 

— Hina, esqueça tudo isso. Esqueça o Naruto, esqueça os seus pais. Se tivesse parado de preocupar com eles e gastasse mais tempo tentando entender seus sentimentos, talvez não se sentisse dessa forma! Eu conheço você desde a academia. Quer falar na minha cara que eu não sei quando a minha amiga está a fim de alguém? 

Hinata não pode conter as lágrimas e apesar disso, Ino não pareceu querer voltar atrás com suas palavras. A morena girou os calcanhares, seguindo na direção a porta. Não olhou por cima do ombro, não foi seguida. Não que faltasse, da parte de Ino, vontade de segui-la, mas a loira achou que seria melhor deixá-la tirar as próprias conclusões. De todo modo, o plano ainda estava em curso e nem todos os colaboradores estavam ausentes.

A noite parecia ser o esconderijo perfeito, pois a escuridão ajudava a esconder as lágrimas e a dignidade ferida. O vento frio chocou-se contra o rosto da garota, o que a fez estreitar os olhos e esconder as mãos nos bolsos do casaco.

Pretendia ir para casa, já que esta ficava um quarteirão subindo a rua. Não importava se eram quase duas e meia da manhã ou se poderia se deparar com dois caras numa moto no meio do caminho. Desejava sumir daquele lugar, do mundo. Por que Ino havia feito isso com ela? Por que uma briga entre elas tinha de ter caído justo no aniversário de Ino?

Enxugou as lágrimas e apanhou a dignidade do chão, mas quando estava prestes a tomar o trajeto para casa, avistou a pessoa que menos desejava no momento.

— Eu tô bem, mãe! Será que dá pra parar de me tratar como criança?! Não! Eu não usei drogas na festa da Ino! Ai meu Deus! Eu vou desligar, tá?

De corpo paralisado, a oportunidade de fuga furtiva lhe escapou das mãos, rolando pela grama. Virou as costas no instante em que Sakura a fitou, mas a rosada pediu rapidamente:

— Ei, Hina! Venha cá! 

Hinata olhou por cima do ombro. A possibilidade de fugir ainda estava de pé, mas como conseguiria fugir daquela carinha? 

— Eu queria falar com você. 

A morena cedeu, aproximando-se da amiga. O nó sufocante que ainda entalava a garganta fez suas glândulas sudoríparas contraírem como loucas — suas mãos suavam. Elas sempre suavam em situações de extrema tensão. 

As duas ficaram em silêncio. Sakura escondeu as mãos nos bolsos do vestido de alcinhas. Provavelmente sentia muito frio. Ou pelo menos foi o que Hinata deduziu. Todavia, assim que pôs as mãos no casaco a rosada logo advertiu:

— Não quero o seu casaco. — a primeira vista poderia parecer grosseria, por isso reformulou, apressada. —- Eu não preciso do casaco. Daqui a pouco minha mãe vai aparecer pra me levar pra casa. 

— Não quer entrar, então? 

— Não é uma opção. — ela retrucou. — pra você. Olha, eu não gostei do rumo que a noite tomou. Quero dizer, não acho que um aniversário tão legal deva terminar com assuntos mal resolvidos. 

Os olhos de Hinata pesaram, assim como sua consciência. Discutir com Ino já havia sido o fim da picada. Não suportaria brigar com Sakura também. Hinata respirou fundo e prometeu para si que o que quer que fosse dito pela rosada, ela concordaria. A morena conhecia o gênio da amiga e sabia que qualquer discussão poderia deixá-la com os nervos à flor da pele. Isto é, ceder seria a única forma de evitar mais uma discussão.

— Certo. — Hinata concordou.

—  Quero te fazer apenas duas perguntas, nada mais. — explicou Sakura. Hinata assentiu com a cabeça mais uma vez. — Quero que você responda a primeira coisa que vier a mente, ok? 

— Ok. 

— Se você estivesse apaixonada por alguém, o que sentiria quando estivesse perto dessa pessoa?

A pergunta mal tinha sido digerida e Hinata logo devolveu. 

— Felicidade.

O silêncio soprou assim como o vento gelado que carregava folhas rua acima. Nenhuma resposta lógica lhe habitava o cérebro. Os olhos de Hinata estavam carregados de medo e incerteza. Muito diferente dos de Sakura, que pareciam contentes com a resposta.

— Certo. — ela disse, aproximando-se.

Os joelhos de Hinata tremiam. Aquela conversa não era sobre o que estava pensando, era? Cara a cara. A visão do rosto de Sakura era nítida, apesar do semi cerrar de olhos. A Haruno esticou o braço e empurrou uma mecha azulada para trás da orelha. Pós a mão no ombro esquerdo da amiga e debruçou-se levemente. Seus lábios quase tocavam o lóbulo da orelha de Hinata que, aquelas alturas do campeonato, estava a beira de um desmaio.

Num tom bem humorado, a última pergunta fora lançada. Mesmo que o rosto de Sakura só estivesse visível perifericamente, Hinata não precisou se esforçar para identificar um sorriso ainda maior nos lábios rosados.

— O que é "aquela coisa com garotas"?

Hinata sentiu o sangue gelar; a cabeça explodir como uma decolagem de foguete em direção ao espaço. Milagrosamente, algumas palavras conseguiram se formar.
 

— Você ouviu a conversa? 

— Acho que não preciso responder. — Sakura disse num sussurro. Um arrepio percorreu todo o corpo da Hyuga. — Ainda bem que recebemos um empurrãozinho, não é?

— Sakura…

A rosada agarrou o casaco e puxou a morena para si. Seus lábios se tocaram, mas não da mesma forma de minutos atrás; era ainda melhor. Sem nenhum espectador, sem nenhum julgamento. A confusão, o medo, a incerteza, tudo tinha sumido. A mente de Hinata estava clara, como se tudo fosse óbvio desde o começo. Aquilo finalmente fazia sentido, as peças se encaixavam assim como seus lábios e corpos conectados naquele momento de ternura.

Hinata agarrou a cintura de Sakura, as duas agarravam-se tão forte como se fossem ser separadas a qualquer segundo. Já era de se esperar, afinal quando uma paixão platônica morre, um vendaval se forma. As pessoas precisam agarrar umas às outras para que seus sentimentos continuem conectados. E foi neste momento que Hinata percebeu que por mais frio que o vento fosse, seus sentimentos por Sakura continuariam aquecidos por muito tempo.

22. April 2018 03:12:30 18 Bericht Einbetten 3
Das Ende

Über den Autor

Saah AG Nasci em Fortaleza, sou aquariana e adoro inovar. Entrei em contato com o universo fanfiction aos nove anos e passei a ser leitora e autora desse meio. Adoro tramas bem construídas, reviravoltas são incríveis, mas alguns clichês também chegam a me emocionar.

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MaahHeim MaahHeim
AAA o famoso crianças não podem saber sobre homossexualidade, bem Rússia skdofsodk tô ligada, acho que eu nunca vi essas coisas por sempre usar sites americanos (que não tinham isso) Vou ver se depois leio sua SakuIno <3
8. November 2018 14:32:19

  • Saah AG Saah AG
    Sim, é bem isso mesmo! Então, eu comecei a ler fanfic com nove anos, então não me estimulei muito a ir pra site onde tinha mais fic gringa se eu não sabia inglês. Acabei me acomodando nos sites onde a maior parte era br e tinha essas regras escrotas (que alguns sites insistem em manter). Ain, a SakuIno tá um amorzinho, só pra constar! Obrigada por dispor seu tempo pra ler minhas fics <3 8. November 2018 15:04:06
MaahHeim MaahHeim
Oi, oi! Que adorável hahaha <3 AQUELA COISA COM GAROTAS~~~ Hinata é muito fofa. ♥ Achei muito engraçada, e adorei o Sasunaru ali pelo meio. Gosto assim, bastante romance LGBT. <3 Não entendi o 18+ tho!
5. November 2018 12:26:28

  • Saah AG Saah AG
    Obrigaaaada <3 Acho que foi pela força do hábito, vim de outros sites em que a gente tinha que por +18 se tivesse LGBT no meio, mas modificarei. 7. November 2018 17:04:48
Katharina  Santos Katharina Santos
É arrependimento que chama? MANO POR QUE EU NÃO LI TUDO ANTES???Eu amei, confesso que yuri não estava em primeiro lugar nas minhas leituras, mas eu AMEI isso aqui hahaha Também não sou lá a maior fã de Naruto e nem acompanho, mas conheço boa parte dos personagens e gente, shippei como louca isso aqui! Tinha drama, romance e comedia na medida certo e eu tô muito apaixonada <3
1. August 2018 08:06:30

  • Saah AG Saah AG
    AAAAAA KAT, VOCÊ CHEGOU!!! Muito obrigada por ter dado uma chance aos meus novos trabalhos. Obrigada pelos elogios e por vir ler uma fic dum anime que você nem curte mt xD Beijooooooos <3 9. August 2018 12:08:14
Sonne Sonne
Aiii eu gosto TANTO de SakuHina que fiquei dando pulinhos de alegria quando vi que alguém tinha escrito, sério mesmo! A única coisa que me deixou brava foi a Ino, porra Ino, uma coisa é ajudar as amiga, outra coisa é empurrar desse jeito na frente de todo mundo (mas inclusive gostei da Hinata ter ido dar uma dura nela) aaa Mas a história ficou muito boa e divertida de ler, sério mesmo! <3
7. Mai 2018 21:39:09

  • Saah AG Saah AG
    Hi, girl. Seu nickname por acaso é baseado no nome do fandom das SNSD? Nossa, mas eu criei a Ino pra ser abelhuda MESMO! É muito desconfortável receber uma tapa na cara assim, principalmente quando alguém te expõe. Mas a vida é um tapa na cara, e quando vc é LGBT sai mais como um soco mesmo. Normalmente a descoberta não é tão "Meu Deus, quero me esconder" (pelo menos não a minha), mas é mt esquisita e vc leva um tempo pra aceitar. A Ino foi o único artifício que eu pensei pra dar uma acelerada no processo. Foi maldade, eu sei, mas eu tinha que fazer algo pra essas duas acabarem juntas no final :v 14. Mai 2018 14:12:08
Alice Alamo Alice Alamo
Olá! Demorei um pouquinho, mas cheguei! Nossa, quando vi que teríamos Yuri no desafio, eu amei! Gostei muito da conversa inicial da história, achei interessante você trazer à tona o motivo que levam as pessoas a manterem um relacionamento e fazer com que a Ino e a Hinata debatessem sobre isso e analisassem os próprios namoros. Ah, e eu gostei também da diferença entre os namoros, da Hinata analisando como o relacionamento da Ino com o Gaara era diferente do modo como ela e o Naruto agiam um com o outro. E o "grata" me doeu, eu realmente seria a Ino nessa hora perguntando "Grata??". E foi legal ver a Hinata caindo em si devagarzinho com as perguntas da Ino, às vezes a gente precisa de alguém para nos fazer pensar no que estamos mesmo nos metendo. A Sakura bancando a desentendida foi ótimo tbm, falando da flor do Face hahahaha. Verdade e Desafio é um jogo antigo, mas sempre casa bem com adolescentes, não tem como negar. Teve um problema nos diálogos da história, não sei se notou, alguns travessões estão com hífens ligados, tem lugar que acabou faltando travessão e a fala se juntou com a narração, e a formatação do texto também ficou irregular, há espaço entre texto e fala e em alguns lugares não, acho que seria legal dar uma olhadinha depois ;) Achei um pouco maldade a forma como a Ino revelou a sexualidade da Hinata, não gostaria que fizessem comigo, por exemplo. Realmente fiquei surpresa pela Hinata ser correspondida no final! Não achei que a Sakura gostasse dela. Eu senti falta um pouco do ship em si, aliás, queria que a fic mostrasse mais um pouquinho a Hinata e a Sakura interagindo, meu lado fã de Yuri quis mais hahahaha. Enfim, parabéns pela fic! Espero que tenha gostado do desafio ;)
6. Mai 2018 18:57:30

  • Saah AG Saah AG
    Nossa, Alice, eu tava muito ansiosa pelo seu comentário (vim responder agora, mas eu já tinha lido há muito tempo, tá? :v). Bom, sempre que eu escrevo uma fic, tenho algo a retratar. Quis retratar, a partir da Hina e o Naruto uma visão evidentemente negativa de pessoas que se mantêm juntas por comodidade. E no caso deles, se mantinham juntos pelo conforto que era estar em algo familiar, e não se arriscando em outros relacionamentos, descobrindo ao certo suas respectivas sexualidades. É uma merda essa época de descobrimento, porque como bissexualidade, homossexualidade, panssexualidade e etc, não são colocadas como "normais", a gente se sente completamente deslocado quando percebemos que não somos heteros (eu falo por mim e alguns amigos que disseram partilhar a mesma opinião). Apesar de ter trabalhado os temas que eu quis e como eu quis, acabei também acabei percebendo essa falta de interação entre elas duas. Porém, eu tava de molho com essa fic tinha tempo, faltavam poucos dias pro desafio terminar (e eu sobrecarregada com o cursinho) e eu tentando fazer outra crack pra postar, mas não deu tempo. Mas claro que ainda pretendo publicar. Sinto muito por essa falta de desenvolvimento x.x Foi minha primeira yuri e eu quero fazer melhor da próxima vez! Sim!!! Eu super percebi o problema com a formatação, mas é que eu não sabia mexer no formato sem cagar a edição. Foi muito estranho, as letras ficaram maiores, ficou ridículo. Daí eu deixei uns com hífen e outros com travessão pra não ficar a letra desregulada. Mas irei atrás de consertar isso tb. Muuuuito obrigada pelo seu comentário. Se quiser, uma outra hora, dar uns pulinhos críticos em outras fics minhas eu agradeceria imensamente às suas críticas :3 Beijos e até mais. 14. Mai 2018 15:07:20
Grid Pudim Grid Pudim
Ahhh eu adoro fic dessas duas e sua narrativa é otima! Parabens <3
2. Mai 2018 14:38:26

  • Saah AG Saah AG
    AAAAAI, muito obrigaaaada <3 Isso significa muito pra mim. 14. Mai 2018 14:54:18
Gabriela Garcês Gabriela Garcês
Ótima escrita. Eu nunca tinha lido fic's delas duas. E apesar de para mim, é estranho, eu gostei. Não sei... Acho que foi como você colou a história
28. April 2018 19:08:46

  • Saah AG Saah AG
    Muito obrigada, Gabriela <3 Se por acaso você estiver disposta a dar uma chance a outras ones yuri com casais que provavelmente você nunca leu a respeito, estarei lançando outra ainda esse mês. O plano era lançar pro desafio crackshipp, mas não consigo fazer a tempo, infelizmente. Obrigada por ler e comentar, sua linda. Beijos e até a próxima :3 1. Mai 2018 15:24:12
Lumii U. Lumii U.
Que coisa linda aaaaa ❤️ SakuHina é tão precioso né? E você conseguiu encaixar as duas de uma forma tão delicada e em um contexto bonito. Eu confesso que queria muito ler como a Hinata vai ljdar com isso, porque ela não se aceitava, né... Então vai ser toda uma mudança de pensamentos e atitudes. Gostei muito da fic! Uma das melhores que li no desafio 💕
26. April 2018 07:19:31

  • Saah AG Saah AG
    aaaaaaaaa Lumii, SakuHina é precioso siiiim! Acredita que foi minha primeira fic yuri? Tava planejando estrear com uma long, mas o desafio veio e eu pensei "por que não?". Eu tava planejando fazer outras ones yuris, mas posso pensar na ideia de fazer uma continuação dessa one sob a perspectiva a qual você citou. Caso esteja disposta a dar uma chance a outras ones minhas estarei lançando em breve uma outra (que era pra ter ido pro concurso, mas tive problemas técnicos e não deu certo). Obrigaaaada por ler e comentar. Beijos e até a próxima <33 1. Mai 2018 15:27:07
Mori Katsu Mori Katsu
Escrita maravilhosa, parabens! Você acredita que é a segunda vez que eu leio algo delas??? E gostei bastante.
22. April 2018 16:08:46

  • Saah AG Saah AG
    AAAA MUITO OBRIGAAADA <3 Bom, se por acaso você estiver disposta a dar uma chance a mais ones como esta estarei publicando mais esse mês (já era pra ter saído, mas tive uns problemas de saúde e não deu certo ;-;). Obrigada por ler e comentar. Beijos e até a próxima <3333 1. Mai 2018 15:53:40
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