thekatsukishiro Theka Tsukishiro

Embalados pela doce e triste melodia partilharam seu último momento.


Fan-Fiction Anime/Manga Nur für über 21-Jährige (Erwachsene).

#Titanic #ua #Degel #Kardia
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Capítulo I

Fic originalmente postada em 13/12/2010
Projeto Need for History, AU de CdZ – Lost Canvas do Fórum Need for Fic

Presente de Natal para Nana.

Beta: Minha querida amiga, Chesire Cat! Minha amizade forever! <3


oOoOoOo


Paris, a cidade luz

Março de 1912

Sentado em sua poltrona confortável ao lado da janela, o homem de longos cabelos esverdeados tentava concentrar-se em sua leitura. Os óculos pequenos, quase na ponta do nariz afilado, haviam sido empurrados pela segunda vez.


De banho tomado, aproveitou os poucos minutos que teria sozinho para terminar aquele capítulo. O livro, de Morgan Robertson, havia sido adquirido dias atrás. Apesar da narrativa trágica (o naufrágio de um transatlântico), a história conseguia cativá-lo.


Voltou seus olhos para a porta quando esta se abriu. Foi brindado com um sorriso exuberante, sedutor talvez. Arqueou as sobrancelhas.


- Boa noite, Dégel. – Saudou o recém chegado. Nas mãos, um estojo de madeira forrado com couro curtido por fora e alças curtas. – Trouxe sua encomenda. – Disse, ao mostrar o objeto que segurava como se fosse seu maior tesouro.


- Merci, Kardia! – Agradeceu. Deixou o livro de lado e levantou-se para ir ao encontro do grego. Assim que tentou pegar o pequeno estojo, não conseguiu. O galante homem parado a sua frente deu um passo para trás, retirou a cartola e a casaca, colocando ambos no mancebo e, somente aí, achegou-se novamente ao francês que o mirava indignado.


– Senti saudades suas também, ágape (amor). – Gracejou. Puxou o objeto para trás de seu corpo, não deixando que o amante conseguisse realizar seu intento. – O quê? – Reclamou. – Nada de beijinho de boas vindas?


- Kar... – Dégel iria protestar, mas não havia por que. Não estavam nas ruas e ninguém os veria na segurança de seu lar. Deixou-se abraçar e recebeu o beijo exigente. Correspondeu à altura e deslizou as mãos de dedos finos para as madeixas levemente encaracoladas do amado. Em um movimento rápido das mãos, conseguiu pegar as alças do estojo e soltou-se do amado.


- Ora Dégel... Você parece importar-se mais com seus livros e com esse... – Parou de falar ao reparar que estava sendo fuzilado pelo outro.


- Non termine a frase se non quer se arrepender depois. – Pediu enigmático. A voz baixa, ponderada e um tanto sem emoção. Não queria brigar, mas também não admitiria que aquele grego amalucado e belicoso colocasse novamente seus sentimentos à prova. – Já lhe falei várias vezes que nunca duvide de meus sentimentos. Non há necessidade.


- Eu sei... – Respondeu. Era verdade, deveria parar com aquilo, mas Kardia adora provocar o amado para vê-lo sair do sério, coisa que por vezes era muito difícil de se ver. – Me desculpe, ágape.


- Tudo bem. – Dégel virou, dando-lhe as costas. Apoiou o estojo na mesa e abriu os fechos de metal.


- O senhor Cornelius pediu para que experimente para saber se não há nada de errado. Principalmente se a cravelha não está como antes. – Informou. Serviu-se de um pouco de Cherry e bebericou sem perder por um momento sequer os movimentos do amado.


Sem nada dizer, Dégel mirou-o nos olhos. Arqueou as sobrancelhas e voltou sua atenção para o estojo. Abriu-o, revelando o veludo escarlate, protetor de tão valioso instrumento. Pegou o arco com delicadeza. Observou se a crina de cavalo estava bem afixada. Sorriu de lado. Buscou pelo instrumento. Ajeitou-o no ombro e passou lentamente o arco sobre as cordas. O som o desagradou.


- Desafinado? – Kardia perguntou. Torceu um pouco os lábios.


- Uhum... um tanto. – Respondeu-lhe. O musicista deixou de lado o arco e com calma e dedicação passou nas cordas um pouco de resina. Apertou um pouco as cravelhas dando novamente afinação ao violino. Experimentou tocá-lo, agora dedilhando uma melodia qualquer. O som perfeito e agudo tomou conta de toda a sala. – Maravilhoso! Espero que nonaconteça de ir ao chão novamente. – Desde que havia derrubado seu precioso violino no chão que o francês não conseguia concentrar-se nem em seus livros. Ávido leitor, possuía uma pequena biblioteca que deixaria qualquer amante da arte literária de queixo caído.


- Foi um acidente, Dégel... Uma fatalidade! – Kardia apressou-se em dizer. – Ninguém esperava que um tapete mal fixado o faria tropeçar e derrubar o seu instrumento. – Realmente havia sido algo trágico.


Dégel voltou seus olhos indignados para o amante. – Kardia, é um Stradivarius, tem idéia de como é algo de extrema importância para mim? – Perguntou. Sem contar que o instrumento tem valor sentimental: Pertencera a avó do musicista, uma excelente violinista reconhecida em Paris.

- Oui. – Kardia respondeu. – Eu sei da importância, Dégel. Então, por que em vez de ficarmos nos perdendo em lembranças ruins, que tal se tocasse um pouco para mim? – Pediu descaradamente. Sorriu sedutor e, tirando o livro da poltrona, sentou-se. Os olhos fixaram-se nos do outro que brilharam incontidamente.


Sem nada dizer, o francês posicionou o violino em seu ombro e, com um suspiro resignado, começou a tocar uma melodia calma e que transmitia paz e tranqüilidade.


Prestando atenção ao namorado, Kardia nem reparou que o livro posto de lado tratava de um naufrágio. Fechou um pouco os olhos para melhor apreciar a música. Lentamente voltou a olhar para o amado, olhos nos olhos, gelo polido brilhando esplendorosamente.


O grego levantou-se de onde estava sentado e aproximou-se do outro tão logo os últimos acordes foram executados. – Divino... – Murmurou ao cingir-lhe a cintura com um braço e tomar-lhe o arco com a outra mão. – Agora que tal você e eu tomarmos um banho juntos? – Mordiscou-lhe o pescoço. Tentava-o.


- Hmm... é tentador, mas eu já me banhei. – Respondeu. Deixou o violino em seu estojo e abraçou o amado. Sorriu de lado ao percebê-lo desapontado. – Bem, mas nada impede que eu tome outro banho, non é?


- Isso é bom. – Kardia sorriu malicioso e ainda abraçado a ele, guiou-os para o banheiro.


oOoOoOo


Alguns dias depois...

Final da apresentação da Orquestra de Paris


Sentado a um canto nos camarins, Kardia esperava pacientemente por seu amado. A cartola sobre o colo, o olhar perdido em um ponto qualquer. Os dedos tamborilavam sobre a indumentária masculina. Os longos cabelos cascateando-lhe soltos pelas costas, fugindo um pouco aos ditos da moda. Estava perdido em pensamentos, naquela hora agradecia por ter escolhido ser um policial. Como chefe tinha algumas regalias, podia contar com algumas extravagâncias e uma delas era poder esperar nos camarins pelo lindo e desejoso Dégel.


O barulho de uma porta se abrindo tirou-o de seus pensamentos. Kardia voltou seus olhos para a direção de onde partira o ruído a tempo de começar a ver o resto dos musicistas saírem. Levantou-se assim que avistou o elegante francês, dono de seu coração. Abriu um sorriso lindo, que assim como surgira, desapareceu tão logo reparou nas feições de seu amado.


- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou baixo só para Dégel ouvir.


- Vamos deixar para conversar em casa, está bem? – Pediu. O musicista precisava pensar em como contar-lhe a novidade.


- Está bem. – Kardia respondeu. Tomou-lhe o estojo tão logo entraram em uma rua vazia e levou-o.


Em silêncio rumaram para a pequena casa onde residiam. Tão logo viram-se protegidos entre as quatro paredes de seu lar, não foi preciso dizer nada. Como bom chefe de polícia, Kardia já desconfiava do que poderia vir.


- Kar... – Dégel ajeitou-se melhor no sofá ao lado dele. – Fui convidado para tocar em Nova Iorque. Sabe que isso é um sonho e... – Parou de falar, pois seus lábios foram selados pelos dedos do grego.


- Shh... não diga mais nada. – Pediu. Já há algum tempo ele percebera que o amado andava um tanto diferente. Parecia querer esconder-lhe algo. – Eu já havia desconfiado de que alguma coisa estava acontecendo.


- Desculpe por esconder de você, mas eu non tinha certeza se seria mesmo convidado. Non queria gerar uma briga ou algo pior.


- Loucos seriam eles se não o chamassem! – Sorriu. – Você batalhou muito para chegar a primeiro violinista da orquestra e seria um descaso da parte deles se chamassem outro. – Sentia orgulho dele. Dégel merecia cada conquista, pois sempre lutara muito por seus ideais.


- Você non está chateado? Ficarei pelo menos alguns bons meses longe daqui... de ti. – Mirou-o um tanto triste.


- Porque devo ficar? – Perguntou. Nos lábios um sorriso matreiro. – Estou precisando de um descanso de minhas obrigações... Quando partimos? – Abraçou-o possessivamente e beijou-lhe a testa.


- Bem, tenho direito a uma passagem de segunda classe no Titanic. Tenho de partir daqui alguns dias. Quiseram aproveitar a viagem inaugural, tem idéia disso? Imaginou viajar em um transatlântico que já tem fama antes mesmo de sua primeira viagem? – Sorriu. Estava feliz e não poderia esconder isso da única pessoa que já deixara conhecer seus verdadeiros sentimentos.


- Não é esse que toda a imprensa está se referindo como ‘inafundável’? – Perguntou o grego.


- Oui... ele mesmo. Se quiser podemos tentar trocar minha passagem por duas de terceira classe. – Novamente foi forçado a parar de falar, quando um par de olhos indignados fincou-se nele.


- Não... não será necessário. Onde já se viu, o primeiro violinista da orquestra de Paris na terceira classe. – Disse isso e revirou os olhos. – Não se preocupe, amanhã mesmo irei até a companhia White Star Line e comprarei uma passagem para a mesma classe que a sua. – Sorriu decidido. – E não me olhe assim, eu tenho meus meios e condições financeiras.


- Kar... non faça nada que possa arrepender-se.


- Dégel... vou me arrepender se não for contigo para Nova Iorque e, ademais... eu quero conhecer o ‘novo mundo’. – Gracejou. – Que tal agora, se comemorássemos em nosso quarto, hã? – Mordiscou-lhe o lábio inferior e com um olhar devastador ficou de pé e puxou o amado consigo.


oOoOoOo


Explicações:



O livro citado nesta fic, “Futilidade”, ou “O naufrágio de Titan” (“Futility”, or “The Wreck of the Titan”) de Morgan Robertson, foi lançado 14 anos antes da trágica viagem do Titanic. Este livro narra a história de Titan, um transatlântico, considerado indestrutível, que em uma noite fria de Abril – tal e qual como foi com o Titanic – chocou-se com um iceberg e afundou. O mais assombroso é que tanto o número de mortes referido na história, como a capacidade do navio fictício, e a maioria das características técnicas do Titan eram exatamente iguais às do Titanic. Para muitos, não passou de uma estranha e arrepiante coincidência e, para outros, terá sido uma premonição e, consequentemente, um aviso deixado por Morgan sobre o desastre.



* Dados tirados do Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/RMS_Titanic



Cravelhas: são as peças de madeira (quatro, uma para cada corda), onde se fixam as cordas, e são usadas para afinar o instrumento girando-as em sentido horário ou anti-horário, a fim de retesar ou afrouxar as cordas. Os violinos desafinam com facilidade, especialmente com mudanças de temperatura, ou em viagens longas. Um violino precisa ser afinado muitas vezes até que as cordas novas se acomodem.



O Arco é feito de madeira (os melhores em Pau-Brasil pernambucano). Fios de crina de cavalo (ou de plástico tipo nylon) são ajustados às duas extremidades desta peça de madeira, longa e curva, com cerca de 75 cm de comprimento. A crina de cavalo dá uma maior qualidade ao som e o ajuste da sua tensão é feito por um parafuso colocado no talão, a parte segurada pela mão direita do violinista. A outra extremidade do arco denomina-se ponta. O arco do violino é como a respiração para os cantores ou instrumentistas de sopro. Os seus movimentos e sua articulação constituem a dicção dos sons e a articulação das células rítmicas e melódicas. Todas as nuances sonoras, colorido e dinâmica musical do violino estão intimamente ligadas à relação existente entre a condução do arco e a precisão dos movimentos sincronizados da mão esquerda junto com a mão direita.



* Dados tirados do Wikipédia - http://pt.wikipedia.org/wiki/Violino



Momento Aquariana no Divã:

*Ficwriter maluca sentada no divã, divagando sobre a vida enquanto espera o doutor. Sente a presença de alguém e começa a desabafar*

Doutor, tenho sentido umas...

Kardia: Doutor... gostei disso. *sorriso devastador* Diga minha cara, por que demorou tanto em achar um nome para essa fic?

Hein? Hein? Como é? *voltando os olhos para a cadeira onde o psicólogo deveria estar.* Você!

Kardia: *sorrio sedutor* Sim eu. Agora continuando... Como ousa colocar meu lindo e gostoso aquariano e eu no Titanic? Você por um acaso perdeu a noção do perigo? *agulha escarlate a mostra*

Ora, mas que audácia, Kardia! Eu sou a ficwriter e tenho direito de colocar vocês onde eu quiser. O que você queria? O ‘Barco do Amor’, sabe qual é né? O seriado de mil novecentos e setenta e pouco.

Kardia: É seria legal... mais romântico.

Dégel: Insaciável.

Kardia: Ora você já me chamou disso em algum lugar.

Ah! Podem parar... sem spoiler por favor. *empurra os chars* O momento histórico sou que estou escrevendo, então, saí pra lá. Quero agradecer as pessoas amigas que chegaram até aqui e, como sempre, vocês dois estão me atrapalhando. *olhar mortal para os dois*

Obrigado a todos por chegarem até aqui. Sei que é estranho não verem uma de minhas fics monstro, mas eu não estou com tempo suficiente para fazer minhas obras desmedidas. XD Agradeço quem chegou até aqui e... e façam uma pessoa amalucada feliz... Comentem!

Beijos
Theka

31. März 2018 17:27:31 4 Bericht Einbetten 1
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Post!
Lady Giovanni Lady Giovanni
Vai se cansar de mim aqui. Kkkkk Shot maravilhosa.
March 31, 2018, 17:35

  • Theka Tsukishiro Theka Tsukishiro
    Tudo bem, mon ange! Não tem problema... ela tem continuação ainda! ^^ essa pretendo terminar o 4 capítulo hoje ainda... e que São Yaoi me proteja... breve trago o segundo capítulo dela. bjs March 31, 2018, 17:41
  • Lady Giovanni Lady Giovanni
    Ah, é vdd. Hauahau sorry. Eu vou acompanhar. Bj March 31, 2018, 17:45
  • Theka Tsukishiro Theka Tsukishiro
    Sem problemas! ficarei feliz por estar acompanhando. March 31, 2018, 17:47
~

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