Not one of you Follow einer Story

lumii Lumii U.

Naruto era o herdeiro de um dos clãs mais influentes do sul. Costumava ser amado por todos, até seu caso com um cigano ser descoberto. SasuNaruSasu | UA | Delipa18


Fan-Fiction Nur für über 21-Jährige (Erwachsene). © Essa fanfic foi postada no Nyah e no Spirit. Qualquer outro site além desses 3 é plágio. Plágio é crime, não seja um vacilão.

#angst #ciganos #narusasunaru #sasunarusasu #narusasu #sasunaru #naruto #sasuke
Kurzgeschichte
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♤ not one of you

I

Estava bem quente naquele dia. Aliás, estava quente há meses. O céu azul praticamente sem nuvens facilitava para o Sol, que castigava sem piedade quem se aventurasse para fora de casa, mas castigava principalmente os camponeses e as plantações.

Naruto estava incomodado. Adorava andar a cavalo, porém estava há quase uma hora cavalgando com seu pai pelos arredores da área de cultivo do Clã. O calor estava insuportável, mas Minato insistia que ele deveria estar consigo para verificar a situação e aprender a lidar com as adversidades. Afinal, era o herdeiro e um dia seria o líder do Clã Uzumaki.

Naruto acha aquilo uma tremenda tortura. Tinha apenas 8 anos e desejava poder voltar para sua casa e brincar com Sakura, sua melhor amiga e quase prima, já que suas mães se consideravam irmãs. Mas não poderia.

Os danos causados pelo calor intenso e pela falta de chuva eram visíveis até mesmo para ele. As plantações não vingavam e quando conseguiam produzir, grande parte estragava.

Minato analisava os danos e calculava por quanto tempo o estoque de alimentos seria o suficiente para alimentar todo o clã. De forma didática, tentava explicar-lhe o que deveria ser calculado, quais medidas poderiam ser tomadas e que provavelmente seria necessário formar uma aliança com algum clã do Norte, para garantir que, caso as coisas não fossem normalizadas, não haveria falta de suprimentos.

Naruto apenas fingia compreender, mas era verdade que pouco entendia do que estava sendo falado. O calor irritava, as moscas sobre o cavalo também e, principalmente, suas coxas que estavam assadas devido ao suor e ao movimento do cavalgar.

Mas Minato parecia alheio a isso e as horas pareceram se arrastar. Quando adentraram novamente a casa principal, já era quase final da tarde. Sua mãe e Mebuki, mãe de Sakura, conversavam na sala quando pai e filho adentraram o recinto.

Kushina sorriu, mas logo franziu o cenho, olhando de forma reprovadora para o marido:

– Minato, eu não acredito que vocês estavam até agora vistoriando as plantações! Nesse calor! – o patriarca abriu a boca para responder, porém ela continuou a falar – O rosto dele está todo queimado por causa do Sol, pelos deuses!

– Kushina, eu precisava fazer todas as vistorias hoje e Naruto precisa aprender a cuidar do que um dia será dele. Foi assim com meu avô, com meu pai, comigo e agora com ele.

O tom de “esse assunto está encerrado” ficou claro até para Naruto, que franziu o cenho diante da pequena discussão dos pais, observando Minato subir as escadas em direção ao quarto. Olhou de soslaio para sua mãe e Mebuki, mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, viu Kurama adentrar o recinto.

Kurama era o cachorro da família há 2 anos, extremamente apegado a ele. Sentou-se no chão e passou a rolar com o animal pelo tapete felpudo que havia na sala, enquanto prestava atenção no que as duas mulheres conversavam.

– Ele não está certo em levar o Naruto junto, Kushina, mas em vistoriar as plantações, sim. É extremamente importante que ele consiga achar uma solução antes que os alimentos fiquem escassos.

Kushina apenas revirou os olhos.

– Isso em breve vai passar, é só uma seca repentina.

O silêncio tomou conta do cômodo por alguns momentos e Naruto acabou totalmente distraído por Kurama. Porém, quando Mebuki voltou a falar, a conversa tornou a prender sua atenção.

– Eu não tenho tanta certeza disso, já se passaram 4 meses nessa situação. E você sabe o que os ciganos estão dizendo...

Kushina deu uma risada um tanto quanto estranha.

– Agora você acredita em ciganos, Mebuki? Sabe bem que toda vez que essa tribo, ou seja lá qual for a denominação da comunidade deles, aparece por aqui, eles profetizam algo sem sentido.

– E você sabe que muita gente distorce o que eles falam, mas que muita coisa já aconteceu, sim.

O silêncio voltou a reinar, mas dessa vez havia certa tensão no ar. Naruto agora tinha Kurama em seu colo e observava as duas mulheres. Sua mãe tinha os lábios crispados em desagrado quando falou, alguns minutos depois.

– Não acredito em uma palavra do que eles falam. São a escória da humanidade, um povo sem terra que vaga por aí blasfemando dos deuses e dizendo fazer profecias. Provavelmente a presença deles aqui seja a grande causadora de toda essa situação.

Mebuki encarava a “irmã” de forma meio chocada.

– Eu não sabia que você os odiava tanto assim.

Kushina levantou-se, o rosto tingido de vermelho devido a irritação.

– Eu não deveria odiá-los? Eles ficam nos limites dos territórios, os furtos aumentam, assim como o número de pedintes nas praças. Dizem vender arte, mas na verdade lotam nossas praças com seu povo esfarrapado tocando instrumentos de forma precária. Vendem profecias e premonições, como se pudessem ter algum tipo de dom que os mantém em contato com os deuses. Aliás, deus, porque eles acreditam que apenas um deus existe. É bem claro, para mim, que estamos sendo castigados por culpa deles.

Naruto observava tudo de forma assustada. Já tinha visto os ciganos pelas ruas, mas o contato nunca fora próximo. Porém, ele vira o estado das plantações, assim como a preocupação no rosto de seu pai. Se aquilo tudo estava sendo causado por eles, era injusto que ainda permanecessem ali.

– Mamãe, por que a gente não tira eles daqui, então?

As duas mulheres lhe encaram surpresas, como se tivessem esquecido que o pequeno garoto esteve ali o tempo todo.

– As coisas não funcionam assim, Naruto. E isso não é assunto para criança. – A mulher se aproximou, pegando-lhe pela mão – Vamos pedir para as servas prepararem seu banho, você está fedendo.

O garoto fez um bico ao ouvir a mãe falar sobre seu cheiro, mas passou a segui-la sem objeções.

II

Olhos negros e um sorriso de canto, era tudo o que Naruto conseguia ver há pelo menos cinco minutos.

Ele estava acostumado a ver a cidade repleta de ciganos naquela época do ano. Antigamente a presença deles ali se resumia ao verão, porém com o passar do tempo era cada vez mais frequente a estadia deles na região, para o completo desespero dos clãs mais tradicionais, que se recusavam a aceita-los como um clã também, principalmente por serem nômades e por terem crenças distintas.

Naruto crescera ouvindo o quão abominável aquela raça era. Seus pais e sua família, em geral, nunca esconderam o ódio que sentiam por aquelas pessoas. Mas Mebuki e Sakura tinham uma opinião diferente, que recentemente ele descobrira o motivo: Mebuki teve uma tia que se juntou aos ciganos através do casamento, fazendo com que elas rompessem a barreira do preconceito.

Naruto agradecia aos deuses, porque elas fizeram com que rompesse suas barreiras em relação a eles também.

Por essa razão, até gostava de vê-los pelas ruas, lendo mãos e tocando instrumentos musicais, os sons harmoniosos trazendo vida para as ruas dos vilarejos. Estava acostumado a visão do acampamento cigano também, embora considerasse-o estranho e desorganizado. A estadia dos ciganos parecia reviver o local.

Estava habituado a vê-los por ali, mas daquela vez foi diferente.

Naruto caminhava pelas ruas em direção a estalagem onde sabia que um importante mercador estava hospedado. Precisava apenas entregar alguns documentos para ele e as negociações do Clã Uzumaki com o Clã Nara estariam finalmente completas.

Foi quando ele ouviu o som belo e melancólico e, por alguma razão que não sabia explicar, quis aproximar-se dos dois homens que tocavam para poder apreciar a música. Ao chegar perto, constatou que eles eram bem parecidos, porém um tinha os cabelos longos, enquanto o outro tinha os fios negros rebeldes e apontando para todos os lados, com tranças longas nas laterais e uma franja que insistia em cair na frente de seus olhos. Justamente os olhos que lhe prenderam de forma inexplicável.

O rapaz lhe encarou e não desviou o olhar em nenhum momento. Continuava tocando com maestria, mas aparentemente tão preso àquela troca de olhares como ele próprio se sentia.

Quando a música chegou ao fim, o cigano quebrou o contato visual para depositar o violão de sete cordas ao seu lado e inclinar a cabeça em agradecimento. Sem a intensidade entre eles, Naruto piscou aturdido e observou envolta. Ninguém realmente assistia ao que ele chamaria de espetáculo, apenas ele. Algumas pessoas passavam e deixavam moedas na caixa que ali havia, outras praguejavam e resmungavam. Mas assistir, realmente, só ele.

O cigano de tranças pegou o instrumento e falou com o homem ao seu lado, antes de sair caminhando tranquilamente pelas ruas.

Naruto piscou aturdido com a atitude repentina e seguiu atrás dele, sem saber exatamente porque o fazia.

– Oe, espere! – O rapaz parou e lhe encarou com as sobrancelhas arqueadas. Naruto sorriu e lhe entregou 3 moedas de ouro – Pelo espetáculo de agora. Vocês estão de parabéns! A propósito, sou Uzumaki Naruto!

O desconhecido pareceu ponderar sobre a quantidade de dinheiro que estava sendo oferecida, mas acabou por aceitar as moedas.

– Alguém do Clã Uzumaki que seja minimamente simpático. Estou surpreso. – Ele não parecia se importar se soaria rude ou ofensivo – Uchiha Sasuke.

Naruto mordeu o lábio ao ouvir a crítica explícita sobre a sua família e novamente se viu preso pelos olhos negros daquele rapaz que lhe observava com intensidade.

– Então você conhece minha família...

Sasuke soltou o riso pelo nariz.

– Tem alguém por aqui que não conheça?

Naruto riu sem graça e passou a mão pelos fios loiros em claro sinal de nervosismo, o que não passou despercebido para o cigano.

– Peço desculpas se minha família já ofendeu vocês de alguma forma. Eles são... complicados.

Durante a pequena conversa, Sasuke não desviou o olhar em nenhum momento. Encarava-o com uma intensidade estranha, porém não desconfortável, mas sim acolhedora.

– Não peça desculpas pelos outros. – O rapaz deu-lhe as costas e começou a se afastar. Naruto passou os olhos pelas costas razoavelmente largas e pelo cabelo rebelde na parte superior, mas cujas traças caiam quase que perfeitamente arrumadas até o meio das costas. O Uzumaki decidiu que gostava do que via – Teremos uma festa daqui a pouco.

Naruto piscou aturdido, parando de prestar atenção no físico do rapaz e tentando entender o que ele dissera. Soou como se ele estivesse lhe convidando, porém aquilo seria um tanto quanto impróprio, não?

Sasuke já tinha se afastado consideravelmente quando olhou para trás e encontrou o outro parado no mesmo lugar com uma expressão confusa no rosto.

– Você está esperando um convite formal?

Naruto franziu o cenho diante da resposta mal-educada.

– Vá para o inferno, Sasuke.

Mas passou a segui-lo.

‘’ ‘’ ‘’

O sol já tinha começado a se por quando adentraram o acampamento cigano. Naruto observava tudo sem disfarçar a curiosidade no olhar. De longe, sempre achara extremamente bagunçado e mal planejado, mas agora podia ver que, apesar de realmente ser um pouco bagunçado, tinha uma certa organização estabelecida.

Seus olhos passaram pelas diversas tendas e pelas charretes, pelas mulheres e meninas dançando, pela roda de garotos tocando pandeiro, pela decoração, pela carne sendo assada, pelas conversas e risadas.

– Surpreso?

A pergunta de Sasuke lhe pegou de surpresa e ele encarou o rapaz, encontrando-o com uma expressão divertida no rosto.

– Bastante. É tão diferente das festas que minha família costuma dar.

Sasuke imaginava que sim. Conhecia a família Uzumaki e sabia que seus membros possuíam condições financeiras e tradições muito distintas das suas. Por alguns momentos, sentiu-se confuso.

“Por que eu o trouxe aqui? ”

Encarou o rapaz ao seu lado, tão oposto a si. Ele também lhe encarava.

– Sasuke?

Os olhos azuis tão claros passavam uma pureza e uma paz que ele sabia que não lhe pertenciam. O sentimento que despertava em si ao olhar para ele era um tanto quando confuso, mas era bom. Era suave, confortável. Algo que decididamente não estava acostumado, levando em consideração a sua dificuldade em relacionar-se com as pessoas em geral.

Inicialmente, pensou em apenas leva-lo para curtir a festa. Porém, teve uma ideia melhor. Voltou a caminhar, dirigindo-se até uma tenda grande de tecido vermelho intenso. Naruto o seguiu, um pouco sem jeito. Suas bochechas levemente avermelhadas pelo constrangimento.

Ao adentrarem, o cigano foi recebido pelos braços de uma mulher pálida de longos cabelos negros.

– Mãe, este é Naruto.

– Prazer, senhora Uchiha.

A mulher soltou o filho e encarou o convidado de forma peculiar por longos minutos. Sasuke a observava impassível, porém intimamente estava curioso para ver a reação que ela teria. Naruto tinha uma expressão sem graça e aparentava não saber o que fazer.

Parecia ter se passado um longo tempo quando a mulher finalmente deu um sorriso acolhedor.

– Seja bem vindo, Naruto, pode me chamar de Mikoto. Esperava você há algum tempo – Ela se aproximou e o Uzumaki pode reparar nos traços tão parecidos com os de Sasuke antes de ser abraçado – Só não imaginava que você seria filho de quem é, mas a vida sempre surpreende.

Naruto franziu o cenho ao ouvir o que a mulher dizia e, assim que foi liberto do abraço, sentiu Sasuke aproximar-se.

– Você está assustando ele, mãe. – Apesar das palavras, o Uchiha tinha uma expressão serena no rosto e um sorriso mínimo nos lábios – Vou leva-lo para aproveitar a festa.

A mulher assentiu, sorrindo, e eles saíram da tenda. Atravessaram o acampamento até chegarem em uma parte mais afastada. O som dos pandeiros não era tão alto ali e havia poucas tendas. Sasuke sentou-se em frente a uma tenda razoavelmente pequena. Naruto não esperou ser convidado para sentar-se ao seu lado e questionar:

– O que foi aquilo com a sua mãe?

Sasuke tirou um cigarro de palha do bolso da calça surrada e acendeu-o. Tragou profundamente antes de responde-lo, a fumaça que saía de sua boca espalhando-se na frente deles.

– Minha mãe tem certos dons – O tom de voz dele era hesitante, como se temesse falar algo e ser alvo de chacota – Ela vê mais do que comumente vemos, mas não faço ideia do que ela quis dizer.

Eles permaneceram em silêncio por um tempo. Naruto tentando imaginar que espécie de dom Mikoto teria e se isso era mesmo possível, enquanto Sasuke apenas fumava e encarava o acampamento a frente, pensando que o que quer que sua mãe tenha visto provavelmente poderia explicar o sentimento acolhedor que sentia ao estar próximo do Uzumaki.

Sasuke voltou a tragar o cigarro antes de perguntar:

– A propósito, de quem você é filho?

– Uzumaki Minato e Uzumaki Kushina.

Sasuke virou o rosto rápido demais, encarando-o com uma expressão desconfiada. Naruto sentiu-se ofendido e sustentou o olhar, sem entender direito o que acontecia, pois Sasuke já sabia a qual família ele pertencia.

Eles permaneceram daquela forma por longos minutos, até que o cigano amaciou o olhar e revirou os olhos, antes de voltar a olhar para frente.

– Você é o herdeiro, parece mesmo uma brincadeira estúpida da vida.

– Do que diabos você está falando?

Sasuke tragou mais um pouco.

– Eu jamais convidei alguém para vir aqui. Não é costume nosso fazer isso, não gostamos de misturar o nosso povo. – Ele ergueu os olhos, agora mirando o céu já totalmente escurecido e as centenas de estrelas sobre eles – Mas... há algo diferente em você. Eu senti isso... E minha mãe, aparentemente, também.

Sasuke tragou novamente e voltou a lhe encarar. Naruto sentiu um arrepio subir por sua espinha ao encontrar os olhos negros. Não entendia a crença daquele povo e nem o que ele queria dizer quando falava que “sentiu algo diferente”. Principalmente porque também sentira algo diferente em Sasuke, mas não acreditava que pudesse ter ligação com qualquer dom ou crença. Era algo relacionado àquele olhar. Era um sentimento confortável, quase como se estivesse em casa. Quase como se tivesse voltado para casa.

O que era um tanto quanto estranho, levando em consideração que o conhecia a menos de um dia.

– É irônico que você seja herdeiro de um clã que nos persegue com tanta violência.

A voz de Sasuke não passou de um sussurro, mas Naruto não aguentou mais sustentar o olhar após aquilo. Sentiu as bochechas queimarem de vergonha e agradeceu pela escuridão não permitir que o outro percebesse isso.

Naruto sabia bem das histórias de violência de seu clã contra os ciganos. Alguns adolescentes costumavam sair à noite para perseguir os que ainda não tinham voltado para o acampamento e eram incentivados por seus pais. Era comum também histórias de Uzumakis e de outras pessoas de clãs importantes quebrando instrumentos, roubando o dinheiro que os ciganos conseguiam no dia e, até mesmo, espancamentos e estupros.

E os ciganos não tinham a quem recorrer. Eram clãs numerosos e poderosos, dificilmente alguém ousava ir contra eles.

– Me desculpe, eu–

– Não se desculpe pelos outros. – Naruto voltou a encará-lo e surpreendeu-se ao não ver raiva e nem julgamento em seu olhar – Só peça desculpas se fez algo contra nós.

– Não, eu não fiz. Mas não por falta de incentivo da minha família. Por isso, peço desculpas. E agradeço tia Mebuki e Sakura por ser quem eu sou hoje.

Diante do olhar curioso de Sasuke, Naruto passou a narrar sua infância. O ódio de Kushina contra os ciganos, a forma como os mais jovens eram incentivados a fazer “brincadeiras” contra o povo nômade, brincadeiras que nunca tinham nada de engraçado, mas que rendiam piadas nos jantares. Falou sobre as festas de comemoração quando o povo cigano partia e nas orações e maldições feitas quando eles retornavam ao território.

Contou também sobre Mebuki e Sakura. Sobre a tolerância e o respeito que elas cultivavam, ainda que em segredo. Sobre a forma como a amiga lhe confrontou e lhe ensinou, no início da adolescência, que estava sendo extremamente preconceituoso e se tornando alguém ruim.

Em algum momento durante a conversa, foram servir vinho a eles. Ambos aceitaram e Sasuke sorriu ao ouvi-lo falar sobre a melhor amiga.

– Você parece gostar bastante dessa Sakura.

O tom malicioso não passou despercebido para Naruto.

– Gosto, mas não dessa forma que você está insinuando.

Os olhares voltaram a se encontrar com aquela mesma intensidade de antes e, dessa vez, Sasuke começou a falar.

Falou sobre a infância, sobre as dificuldades e o preconceito. Falou também sobre as festas, a alegria e sobre como amava tocar. Falou sobre os lugares que conhecia, sobre as andanças, sobre seus pais e seu irmão. Falou também sobre sua raiva contra os clãs de elite, contra as injustiças que eles cometiam.

Emendaram assunto atrás de assunto, passando por músicas, mulheres (o que rendeu um constrangimento estranho em Sasuke, mas que Naruto resolveu deixar para lá), lutas e até mesmo dança. O Uchiha chegou a se levantar e realizar alguns passos de uma das danças mais populares entre seu povo, fazendo Naruto rir e tentar imitá-lo.

Após o longo caneco de vinho acabar, ambos estavam um pouco embriagados. Suas risadas se misturavam ao som da música e dos risos dos outros ciganos. As diferenças entre eles não tendo mais importância nenhuma.

Não importava mais se eram opostos em tudo. Na criação, nos hábitos, na fé. Se Sasuke usava roupas surradas e Naruto vestia seda e tecidos caros. Se Sasuke tinha tranças, usava colares e diversos anéis, enquanto Naruto usava apenas o anel da família e tinha o corte de cabelo que um jovem de 19 anos deveria ter, de acordo com a cultura local. Se Sasuke conhecia o mundo e Naruto conhecia apenas o sul.

Nada disso impediu o laço que se formou naquela primeira noite de Naruto no acampamento cigano. A primeira de muitas, durante os 3 meses que o acampamento permaneceu no sul.

Inicialmente, houve certa relutância em aceita-lo ali. Seu pai, Fugaku, queria que ele mantivesse distância do acampamento, enquanto Madara, seu tio, queria expulsá-lo com a mesma violência que os Uzumakis tratavam os ciganos. Porém, isso não durou muito tempo. O sorriso de Naruto conquistou a todos e, em poucas semanas, ele já era bem-vindo no clã, quase como se fizesse parte dele.

Obviamente, suas visitas eram mantidas em segredo. Sasuke e ele tinham o cuidado de darem a volta no vilarejo e adentrarem o acampamento por trás, para não correrem o risco de que alguém visse Naruto na companhia de ciganos.

Com aquela nova rotina estabelecida, o tempo passou rápido demais e o dia que os ciganos deixariam o território chegara antes que qualquer um pudesse realmente prever.

No momento da partida, Naruto segurou as lágrimas da melhor maneira que pode, mas Sasuke já o conhecia bem demais e não se deixou enganar. Mesmo porque, ele mesmo sentia muito em ter que se despedir.

– Não chore, usuratonkachi. Isso não é um adeus.

E não foi. Cerca de 6 meses depois, o acampamento retornou ao sul. Na mesma noite, Naruto já estava lá.

III

Naruto observava a água a sua frente com certa devoção. Era um riacho belíssimo que ficava localizado alguns quilômetros a noroeste da casa principal do Clã Uzumaki. A água límpida, o sol exuberante refletindo nela e a flora intocada fizeram com que o local se transformasse no seu lugar preferido, assim como no de Sasuke.

Eles tinham descoberto o local juntos em uma semana particularmente tediosa em que Naruto estava ajudando seu pai nas plantações, o que reduziu drasticamente o tempo que passaram juntos. Decidiram, então, se encontrar em um local próximo da onde Naruto passaria o dia trabalhando, mas fora das terras do clã Uzumaki.

O riacho era perfeito e tinha se tornado o lugar deles, ainda que Naruto apreciasse passar seu tempo no acampamento com os Uchihas. 5 anos de amizade fez com que se tornasse praticamente da família, inclusive sofrendo pelas eventuais separações quando o acampamento partia para outra região.

“Não é da nossa natureza criar raízes, dobe. ”, Sasuke vivia lhe dizendo sempre que pedia para que não fosse. Ainda assim, ele conseguia ver a hesitação e o pesar nos olhos negros sempre que se despediam.

– Pensando em mim, usuratonkachi?

A voz alta e sarcástica fez com que voltasse a realidade de forma brusca e Naruto franziu o cenho pelo susto que levou.

– Vá para o inferno, teme. – Sasuke deu o costumeiro sorriso de canto e se sentou ao lado dele, encarando a água cristalina e o sol da tarde com a mesma devoção que Naruto encarara anteriormente, antes que o cigano tivesse tomado conta de seus pensamentos, algo que era muito mais frequente do que gostaria de admitir. – Você realmente demorou hoje, o que aconteceu?

Sasuke pareceu hesitar antes de responder.

– Saori aconteceu.

Uchiha Saori era uma prima distante de Sasuke e também fazia parte do clã. Com recém completados 19 anos, via no primo um pretendente promissor há pelo menos 6 meses. O real problema consistia no fato de que tanto os pais da garota, quanto Fugaku e Madara, achavam a ideia do casamento entre eles algo interessante. Curiosamente, apenas Mikoto não gostava muito da ideia.

O semblante de Naruto fechou na hora, sem que ele conseguisse disfarçar o desagrado. Não entendi bem o porquê, mas a ideia de Sasuke casando com Saori, ou com qualquer outra pessoa, lhe incomodava profundamente.

– O que aconteceu dessa vez? – O cigano nunca ficava feliz quando esse assunto era colocado em pauta, mas parecia extremamente desconfortável naquele dia em particular. – Teme?

Sasuke mordeu o lábio, sem saber ao certo como responder aquilo. A situação já fora complicada o suficiente no acampamento e ele não sabia se estava pronto para lidar, mais de uma vez no mesmo dia, com os olhares incrédulos que vinham logo após aquele tipo de revelação.

Ele não sabia se estava preparado para ver aquele tipo de olhar vindo justamente dele. Poderia lidar com seu pai olhando-o de forma estranha, com seu tio tentando disfarçar o embaraço e com o resto do clã tentando se adaptar àquela revelação, mas Naruto era diferente.

Ele não saberia lidar com Naruto lhe olhando daquela forma. Não conseguiria aguentar o julgamento presente nos olhos claros. E, principalmente, não conseguiria vê-lo se afastar se ele realmente contasse toda a verdade.

Virou o rosto parcialmente, encontrando com os olhos azuis que transbordavam preocupação.

“Merda. ”

– Meu tio e meu pai me chamaram para uma conversa juntamente com o pai de Saori. Eles queriam formalizar a união e marcar a data do casamento.

Enquanto falava, não desgrudou os olhos do rosto de Naruto e pode ver, claramente, quando a expressão dele se contorceu em algo que ele identificou como um misto de indignação e, talvez, dor.

– O QUE?

A voz de Naruto reverberou pelo local e ele aproximou-se em um ímpeto, segurando o queixo do cigano com a mão direita e encarando-o de perto. Sasuke ofegou com o movimento repentino, tomando consciência do quão próximo eles se encontravam ao sentir a respiração quente do amigo mesclar-se com a sua.

“Merda. ”

– O que você respondeu, Sasuke? – Eles estavam tão perto que o Uchiha conseguia identificar as sardas espalhadas pelo rosto bronzeado do amigo. Os olhos negros percorreram todo o rosto conhecido, apreciando sua beleza em cada traço, mirando os lábios carnudos por alguns segundos antes de voltar a encarar a imensidão azul clara nos orbes do outro – SASUKE!

A resposta para aquela pergunta estava na ponta de sua língua, porém responder sinceramente seria cruzar uma linha tênue que ele conservara por todos esses anos. Ao mesmo tempo, Naruto ficaria sabendo de qualquer forma, porque todos do acampamento já sabiam.

Inspirou profundamente, sem saber bem como dizer aquilo em voz alta, quando encarou o rosto avermelhado de irritação de Naruto. O Uzumaki o encarava realmente irritado, a mão apertando seu queixo e os olhos parecendo temer a resposta.

“Mas que diabos...? ”

Lembrando-se das conversas anteriores que tiveram a respeito desse pedido de casamento, percebeu que realmente havia algo estranho na forma como Naruto reagia. Ou ele fugia do assunto, ou ficava extremamente estressado. Aquele tipo de atitude fazia com que algo parecido com esperança assolasse seu peito. E esperança era algo perigoso.

– Por que a ideia de me ver casando com a Saori te irrita tanto?

A pergunta pareceu desarmar Naruto, porque ele soltou seu queixo e encarou-o um pouco surpreso, ainda sem se afastar.

– Eu... Não me irrita. E-eu só não queria te ver preso a alguém que não ama.

O tom de voz baixo e incerto não convenceu Sasuke.

– Mas esse é o seu futuro também. Eventualmente escolherão alguém para casar contigo, alguém que corresponda ao status da sua família.

Diante disso, Naruto não teve o que responder. Ficou parado, simplesmente encarando os olhos negros que transmitiam a mesma incerteza e agonia que os azuis. As respirações ainda se mesclavam e nenhum dos dois saberia precisar quanto tempo permaneceram naquela estranha troca de olhares. Aquele persistente sentimento de esperança, que o Uchiha cultivou por anos, aquecia seu peito de vez.

E foi esse sentimento que fez Sasuke finalmente confessar, em um tom de voz que não passava de um sussurro:

– E-eu gosto de homens. Eu só... falei isso para eles.

Naruto arregalou os olhos, afastando-se um pouco, chocado pela revelação. Quando conseguiu pensar em algo para responder, sua voz saiu extremamente baixa e hesitante.

– Por isso você sempre fica desconfortável quando falamos sobre mulheres...

Sasuke não negou e nem falou mais nada. Sabia que aquilo já era informação demais para o momento. Então, ao invés de falar o que já estava há um bom tempo engasgado em sua garganta, ele apenas observou as expressões de Naruto. Mais do que tudo, temia a rejeição dele.

Porém, logo o Uzumaki sorriu, daquela forma que mostrava todos os dentes e fazia seus olhos quase fecharem. Aquele sorriso bonito que conquistava a todos e que fez quase todo receio desaparecer.

– A melhor parte disso é não te ver casado com a Saori.

“E nem com ninguém. ”

O pensamento egoísta não chegou até Sasuke, que apenas riu aliviado. Mas Naruto assustou-se consigo mesmo. A ideia do amigo permanecer solteiro era estranhamente reconfortante e ele tinha a noção de que isso não era algo normal.

Já para Sasuke, o sentimento de esperança estava ali, mais forte do que nunca.

“Quem sabe um dia, dobe...”

IV

O passar das semanas foi crucial para que o clã Uchiha se acostumasse com a revelação de Sasuke e para que o tratamento direcionado a ele voltasse ao normal. Foi difícil no início e, por mais que o cigano mantivesse a expressão estoica e aparentasse estar tranquilo, Naruto o conhecia bem demais para detectar a turbulência em seu olhar.

Mas passou, na medida do possível. E ambos agradeciam demais por isso.

Naquela noite, estavam sentados em frente a tenda de Sasuke. Devido sua natureza pouco sociável, a tenda de tecido escuro ficava localizada um pouco mais afastada do centro do acampamento, garantindo mais paz e privacidade para eles.

Sasuke dedilhava seu violão de 7 cordas, os dedos passando tranquilamente pelas cordas sem preocupação alguma em dar origem a alguma melodia. Apenas pelo prazer de senti-lo.

Naruto estava ao seu lado e o observava com uma expressão serena. Há muito sabia o quanto o Uchiha se sentia em paz ao sentir a textura de seu instrumento, o som das notas reverberando baixinho pelo ambiente, sem pretensão alguma.

Ajeitando-se, Naruto deitou de costas. Os braços atrás da cabeça garantindo um maior conforto. Naquela posição, conseguia ver a luz da lua cheia incidindo contra a pele pálida de Sasuke e o Uzumaki só conseguia pensar no quão ridiculamente bonito ele era.

Aliás, era esse tipo de pensamento que lhe ocorria o dia inteiro, desde o dia que descobrira que Sasuke não casaria com Saori devido a sua sexualidade.

Bufou alto e o som fez o cigano olhar para ele de forma questionadora. Naruto apenas revirou os olhos, mas acabou respondendo à pergunta implícita:

– Quando foi que percebeu que gostava de homens?

Naruto observou as costas de Sasuke ficarem tensas e ele largou o violão, depositando-o com cuidado ao seu lado no chão, antes de se virar e sentar de frente para o amigo.

– Por que está perguntando isso?

Naruto sentou-se também e deu de ombros.

– Curiosidade. – Uma meia verdade. Curiosidade advinda das suas próprias dúvidas. Advinda do ciúmes que admitiu para si mesmo que sentia. Advinda do vazio que sentia em seu peito sempre que era obrigado a ficar sem ver o cigano e da felicidade que o assolava ao vê-lo sorrir.

Naruto teve uma semana para refletir sobre os sentimentos que o assolavam e, apesar de ainda não conseguir entende-los direito e ter certo medo de nomeá-los, sabia que não era apenas amizade, como a que tinha com Sakura. Era algo a mais.

Encarando o homem a sua frente, conseguiu identificar o conflito nos olhos escuros. A expressão normalmente estoica mostrava certa apreensão e, talvez, medo.

– Eu tive curiosidade e me envolvi com um rapaz quando tinha 15 anos. Ficamos juntos por um tempo, mas não deu certo. Depois disso, ninguém mais me interessou e eu pensei que tivesse sido só curiosidade, apesar de nunca ter sentido isso em relação a mulheres – Sasuke encarou a lua por um tempo, antes de voltar a fixar o olhar nos olhos claros – Até que eu me apaixonei por outro cara, então tive certeza.

A intensidade do olhar de Sasuke parecia lhe queimar e ele sentiu um arrepio ao constatar o que estava implícito na frase. Subitamente ficou consciente demais da proximidade em que se encontravam: sentados um de frente para o outro, seus joelhos se tocando minimamente. O rosto de Sasuke sob o luar e sua expressão oscilando entre receio e determinação.

O lado racional de Naruto já tinha entendido que Sasuke estava apaixonado por ele, porém o seu lado emocional, aquele que estava causando borboletas em seu estômago e que aquecia seu peito, sentia-se mais inseguro do que nunca. E se estivesse entendendo errado e Sasuke amasse outra pessoa? Isso mudaria algo entre eles? Ele conseguiria suportar aquilo?

Sentiu os lábios ressecados e umedeceu-os com a língua. Viu quando o olhar do cigano seguiu o movimento, demorando-se um pouco antes de voltar a olhar para os seus olhos. Foi quando percebeu que Sasuke tinha se inclinado para frente, assim como ele próprio, e agora suas respirações se mesclavam.

Inspirou profundamente antes de questionar baixinho:

– E onde está esse cara?

Não houve resposta, pelo menos não uma resposta verbal. Sasuke inclinou-se ainda mais e capturou os lábios de Naruto em um beijo que não tinha nada de gentil. Era intenso, quente, necessitado.

Ao sentir o toque meio desesperado, Naruto sentiu seu peito explodir. O misto de sensações e sentimentos nublou todos os seus pensamentos e ele só conseguiu gemer ao sentir a língua de Sasuke contra a sua, como se desejasse aquilo há tempo demais e só agora tivesse conseguido.

Talvez fosse isso mesmo.

Sem entender direito como chegaram naquela situação, encontrou-se dentro da barraca do Uchiha, deitado sobre Sasuke, que lhe encarava sorrindo. Seus lábios estavam inchados e ele sorria em um misto de felicidade e desejo.

Naruto não resistiu e se abaixou, capturando o lábio inferior dele com os dentes, fazendo-o gemer. Sua ereção pulsou ao ouvir o som e ele estava bem consciente do membro de Sasuke roçando em sua coxa.

Pelos deuses, ele o queria. Ele o queria como nunca quis outra pessoa. E agora sabia que o tinha.

‘’ ‘’ ‘’

Aquela foi a primeira vez que Naruto passou a noite com Sasuke e no acampamento dos ciganos. A sensação de acordar um nos braços do outro, da pele nua e quente se tocando, das carícias suaves e gentis que eventualmente se tornavam mais ousadas fez com que aquilo se tornasse um hábito.

Nos meses que se seguiram, os ciganos se habituaram a ver Naruto sair da tenda pela manhã e beijar Sasuke suavemente nos lábios, dando-lhe bom dia. Acostumaram-se com a sua presença ainda maior no local e com a troca de olhares entre os dois rapazes.

Sem que percebessem, Naruto já era parte da família de forma quase oficial. As noites em que não permanecia no acampamento eram vistas com estranheza por todos. Havia reclamações, pedidos para que ficasse e um Sasuke um pouco emburrado chamando-lhe de “dobe”.

Mas ambos sabiam que Naruto não poderia simplesmente passar todas as noites lá. Ele era um Uzumaki e sua família jamais aceitaria isso. Por essa razão, eles eram discretos da melhor maneira que conseguiam, demonstrando que eram muito mais do que amigos apenas quando estavam no acampamento ou em seu riacho.

Mas não foi o suficiente.

Naquela tarde de domingo, fazia muito calor. Naruto tinha acabado de sair de dentro do riacho e se vestiu, sentindo a roupa colar-se ao corpo molhado. Jogou-se sobre a toalha que estava estendida na grama e ergueu os braços, apoiando a cabeça neles. Sasuke ainda permaneceu na água por mais alguns minutos, mas logo se ergueu e dirigiu-se até onde o namorado estava, parando sobre ele, ainda de pé.

Naruto sentiu seu pênis dar sinal de vida ao ver Sasuke completamente molhado e trajando apenas uma cueca, enquanto lhe olhava de cima. Mordeu o lábio inferior ao encarar o corpo pálido e intimamente se perguntou se algum dia se cansaria de olhá-lo.

Antes que pudesse verbalizar qualquer coisa, Sasuke sentou-se em suas coxas. O corpo molhado encharcou sua calça, que foi rapidamente retirada junto com sua cueca.

– Você sabe que teremos que tomar outro banho, né?

O sorriso nos lábios de Sasuke foram a sua resposta e ele gemeu ao senti-lo manusear seu pênis com movimentos precisos de sua mão. Ele inclinou-se sobre Naruto, praticamente deitando sobre ele e abocanhou um de seus mamilos, fazendo o Uzumaki mordeu o lábio inferior e levar as mãos até as coxas pálidas, apertando-as.

Sasuke dedicou algum tempo aos dois mamilos, sugando-os e lambuzando-os. Ao sentir o pênis completamente rijo em sua mão, passou a descer os beijos, fazendo uma trilha até estar com o rosto frente a frente com a ereção de Naruto.

O namorado lhe encarou com expectativa, uma das mãos indo aos fios negros e empurrando sua cabeça gentilmente para baixo. Sasuke sorriu e lambeu a glande lentamente, encarando os olhos azuis e segurando um gemido ao ver o prazer que dilatava suas pupilas. Sem querer adiar mais, colocou todo o pênis na boca, arrancando um gemido extasiado de Naruto.

– Ah, Sasuke...

Ouvir seu nome sendo pronunciado naquele tom fez com que sua própria ereção pulsasse. Sasuke aumentou o ritmo da sucção, abrindo as pernas bronzeadas e acariciando a entrada pulsante com o dedo, antes de adentrá-la lentamente. Algumas estocadas foram o suficiente para Naruto gemer alto e desfazer-se nos lábios de Sasuke.

O Uchiha engoliu tudo, sorrindo ao ver o pós-orgasmo fazer Naruto permanecer deitado com os olhos semicerrados.

– Teme, já te disse que você é o melhor nisso? Eu te amo por isso.

Sasuke riu, revirando os olhos.

– Estou lisonjeado pelo elogio e por você me amar só porque sei pagar um bom boquete.

– Claro que eu não te amo só por isso, mas – Naruto ria e estava se sentando quando a expressão de terror nos olhos de Sasuke fez com que se calasse e virasse para trás com rapidez, sentindo seu estômago gelar ao encarar os homens que se aproximavam.

Uzumakis, seu pai incluso.

Rapidamente ergueu sua cueca e calça, enquanto observava Sasuke puxar a calça jogada próxima a si e vesti-la rapidamente.

– Eu achei que sua mãe estivesse exagerando quando ela disse que colocou alguém para te seguir. Ela tinha certeza de que você tinha se envolvido com alguma puta. – O tom de Minato era frio, mas seu rosto não escondia o nojo e a raiva – Bem, ela estava certa. Só não esperávamos que você tivesse ido tão baixo.

Assim que Sasuke e Naruto colocaram-se de pé, já se encontravam cercados pelos 6 Uzumakis.

– Pai...

– CALA A BOCA!

O grito fez Naruto arregalar os olhos e ele não teve reação quando o homem se aproximou o suficiente e acertou um tapa no rosto. A força do golpe fez com que cambaleasse ao mesmo tempo em que Sasuke colocava-se à frente dele.

O olhar de Minato foi primeiro para a calça surrada que o moreno vestia, depois para o peito desnudo, coberto de marcas de chupões, e por último para o cabelo rebelde com longas tranças.

– Naruto, você não só ultrajou sua família ao escolher se relacionar com um cigano nojento, a escória da humanidade, como ultrajou os deuses ao deitar-se com um homem.

Sasuke riu, amargo, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa foi derrubado por um punho certeiro em seu rosto.

– Não ouse dirigir-se a mim, puto!

Antes que pudesse se erguer, foi cercado por três dos capangas Uzumaki, que passaram a distribuir socos e chutes. Naruto empurrou seu pai, gritando e tentando chegar até o namorado, mas foi pego pelos outros dois homens, que começaram a lhe arrastar para longe.

– Hora de voltar para a realidade, filho.

Ignorando o que foi dito por seu pai, Naruto continuou a debatar-se e a gritar o nome do Uchiha, mesmo sendo arrastado para longe dali. Seu corpo pesava, sua cabeça e garganta doíam e seus braços latejavam pelo agarre firme dos homens de seu pai, mas ele não pretendia desistir, mesmo quando as árvores já não o permitiam ver o corpo de Sasuke caído e cercado. Mesmo quando ele sabia que já tinham se afastado metros suficientes para estarem se aproximando dos limites do território Uzumaki.

Foi o grito gutural de Sasuke ecoando por entre as árvores que fez com que fraquejasse. Seu corpo pesou e ele sentiu o estômago revirar até vomitar sobre os próprios pés. Continuou sendo arrastado até que um segundo grito foi ouvido, o suficiente para fazer suas vistas escurecerem e ele apagar.

+1

Naruto ouvia seu pai falar sobre a importância daquele casamento acontecer sem realmente prestar atenção. Tudo em seu pai lhe enojava, desde a voz até os olhos. Ele sequer suportava encará-lo mais do que o necessário.

E isso se estendia a todos do clã Uzumaki. Da mesma forma que era olhado com repulsa e nojo e chamado de vergonha da família, também se sentia assim em relação a todos eles.

Um ano e meio tinha se passado desde o acontecimento no riacho e ninguém tinha esquecido. Nem os Uzumakis, que faziam questão de ofender os ciganos e Sasuke sempre que possível, assim como ofendê-lo também, nem Naruto.

Ele jamais esqueceria do grito de Sasuke, da dor exposta, da brutalidade do que seu pai e sua família fizeram.

Assim que acordou do desmaio que teve naquele dia, Naruto se viu preso. Trancado no porão da mansão principal, como se fosse algum tipo de animal, sem nem ao mesmo receber água ou comida.

Demorou cerca de um dia e meio para alguém levar água e algo para comer, antes que voltasse a ser trancado. Seu castigo durou cerca de três dias, até que seu pai apareceu e lhe surrou de uma forma que Naruto jamais pensou que seria.

“Você merecia a morte. ”

Mas foi o pacote que seu pai jogou em seu rosto que doeu mais do que qualquer outra coisa. Com as mãos trêmulas, ele abriu e o conteúdo fez com que vomitasse. Eram as tranças de Sasuke, cortadas desde a raiz. Havia sangue seco no comprimento dos fios negros.

Apesar disso, seu pai riu quando foi acusado de assassinato.

“Eu não o matei, mas não tenho como saber se ele sobreviveu aos ferimentos”

Naruto chorou e assim que foi liberado para sair do porão, correu o mais rápido que pode, pegou seu cavalo e rumou até o acampamento. Não se importou em trocar as roupas surradas, em limpar o sangue de seus ferimentos ou em tomar banho. Correu como se sua vida dependesse disso, mas tudo o que encontrou foi o local vazio.

O acampamento tinha partido.

Desde então, Naruto aguardou. Refreou toda a vontade de fugir e abandonar aquele lugar, porque sabia que aquela era uma das rotas ciganas.

Um mês, dois meses, seis meses. Ele ainda aguardava.

Doze meses, catorze meses, dezessete meses. Ele ainda aguardava, mesmo que a dor já tivesse tomado conta de si. Mesmo que já tivesse se fechado para tudo. Mesmo que cada vez mais o medo de nunca mais ver Sasuke tomasse conta de si.

Ainda assim, ele só podia aguardar.

– Você entendeu, Naruto?

Ergueu os olhos para os azuis tão parecidos com os seus, mas logo voltou a encarar o ponto fixo no chão.

– Sim.

– Filho, essa é a chance que esperávamos para que você pudesse nos honrar novamente. Uma aliança com os Yamanaka será de extrema importância e Ino irá fazer com que você esqueça todo o resto.

As palavras subliminares fizeram com que sentisse o gosto da bile na sua garganta, mas apenas assentiu e virou-se em direção a seu cavalo. Ainda tinha horas até a reunião e não pretendia gastá-las dentro de casa.

Em um costume que adquirira após o fatídico acontecimento, cavalgou o mais rápido que pode. O vento batia de forma agressiva em seu rosto e após 20 minutos daquela forma tanto ele quanto o cavalo estavam ofegantes. Mas ele continuou.

Adentrou a área do antigo acampamento, sentindo o característico aperto no peito ao vê-lo tão vazio, tão sem vida.

Mordeu o lábio e desceu do cavalo, sentando-se onde a barraca de Sasuke costumava ficar e deitando ali. Não soube quanto tempo ficou contemplando o céu, mas estava praticamente cochilando quando uma voz que tanto ansiara por ouvir lhe assustou:

– Não acredito que você ainda se lembra de onde costumávamos deitar.

Ergueu-se em um pulo, encarando o homem em frente a si como se fosse alguma espécie de ilusão.

– Sasuke?

A expressão estoica do Uchiha se desmanchou em um sorriso dolorido. Naruto passou os olhos por ele, absorvendo cada detalhe, refrescando sua memória. Sasuke pouco mudara, apesar de aparentar ter ganho um pouco mais de massa corporal. Seu cabelo ainda estava rebelde, mas agora uma franja escondia seu olho esquerdo. As tranças, outrora longas, batiam em seu ombro.

– Vai ficar só me admirando, dobe?

O tom brincalhão e o apelido fizeram as lágrimas escorrerem antes que Naruto se aproximasse e o abraçasse forte, sendo logo retribuído. O cheiro de Sasuke inundou seus sentidos e ele o apertou ainda mais contra si, satisfeito em senti-lo novamente em seus braços. Não saberia dizer quanto tempo permanecera daquela forma, chorando agarrado a ele, mas só permitiu-se afastar minimamente quando o pranto cessou.

O olho avermelhado de Sasuke mostrava que ele chorara com ele.

Ergueu a mão, acariciando a bochecha pálida.

– Gostei da franj– Suas mãos ergueram os fios negros da franja e ele arfou sem conseguir terminar a frase. Havia uma cicatriz grosseira sobre o olho esquerdo de Sasuke, até metade de sua bochecha – O que aconteceu...?

Sasuke sorriu levemente antes de pegar a mão de Naruto e beijá-la de forma delicada.

– Os homens do seu pai estavam dispostos a me assustar e assustar meu povo o suficiente para jamais voltarmos aqui. Por isso o acampamento não retornou.

Naruto sentiu as lágrimas se acumularem novamente ao olhar o estrago no rosto bonito dele. Ver aquela cicatriz foi como ouvir novamente o grito gutural que ouvira pouco antes de desmaiar naquele dia.

– Você consegue enxergar?

– Sim, mas parcialmente.

A culpa, a raiva e o nojo golpearam-no com força e as lágrimas voltaram a manchar o rosto bronzeado.

– Sasuke, me perdoe. Pelos deuses, olha o que eles fizeram com você. Você ficou quase cego! Me perdo– Foi calado pelos lábios macios de Sasuke, que o selaram com carinho.

– Já te falei isso antes, Naruto. Não peça desculpas pelos outros. Eu, por outro lado, devo me desculpar pela demora em voltar para cá, mas a recuperação foi um pouco lenta, além de que meu pai e Madara temiam que algo acontecesse.

Eles se encararam em um misto de sentimentos. Dor, raiva, saudade, amor. E quando Sasuke tomou seus lábios, Naruto finalmente sentiu aquele vazio em seu peito se desfazer gradativamente.

As línguas eram gentis, assim como os toques e os ofegos. Quando se separaram, ambos sorriam.

– Depois do que fizeram, você não deve pedir perdão. Eu conseguiria entender até mesmo se você nunca mais voltasse, embora doa só de pensar. – Naruto se aproximou e encostou suas testas – Se o acampamento não vai voltar, o que veio fazer aqui, Sasuke?

Ele observou o Uchiha sorrir e seu coração aqueceu como há muito não fazia.

– Ciganos não criam raízes, Naruto, mas eu criei. Então, vim arrancá-la e trazê-la comigo, se ela estiver disposta a crescer em outro lugar.

Sem sequer hesitar, Naruto entrelaçou seus dedos.

– Ela estava morrendo aqui, Sasuke.

O Uchiha sorriu, abraçando-o com força. Seus lábios se uniram pela última vez antes de Naruto subir em seu cavalo e puxar Sasuke para sua garupa.

Ali, com Sasuke colado em suas costas, o vento batendo em seu rosto e nenhuma bagagem, Naruto poderia gargalhar. Sentia-se feliz como há muito não se sentia. Estava com quem mais amava, com sua família, e deixava para trás o local ao qual jamais pertenceu verdadeiramente.

“Vocês estavam certos, Uzumakis. Eu não sou um de vocês. ”


25. März 2018 18:50:02 5 Bericht Einbetten 20
Das Ende

Über den Autor

Lumii U. Desde 2009 escrevendo fanfics no Nyah e Spirit, agora trazendo minhas histórias para cá aos poucos. Shippo muita coisa, então tem fanfic para todos os gostos <3

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Post!
Joyce Vigo Joyce Vigo
Meu deus do céu! Eu estou realmente chorando por ter encontrado essa fanfic mais uma vez. Busquei entre duas mil e lá vai cacetada no spirit e, estava quase sofrendo por achar que você tinha apagado, quando uma colega me enviou o link. Eu a amo desde o primeiro momento que li a sinopse, foi amor desde aí. O sentimento cresceu muito, mas muito mais a cada parágrafo, dos quais me derretiam por completo, me preenchiam com boas coisas e boas vibrações. Amo ler essa história! E toda vez que leio, é uma semana com uma cena na memória, um detalhe que deixei passar pela emoção de outro detalhe, outra cena favorita e uma renovação de amor por essa fanfic. É algo apaixonante, que me prende de maneira única e me deixa incrivelmente feliz. Eu agradeco imensamente por escrever e publicar essa história, apesar de, infelizmente, ser só uma oneshot. É um prazer sempre reler e acompanhar o relacionamento deles toda vez, mesmo que eu sofra em todas elas. Com amor, Shirox!
29. September 2019 21:50:31
Donna Dan Donna Dan
Lumii U.! Que coisa maravilhosa de ler! Você nos entregou uma Fic tão complexa com poucas palavras tão bem escritas! Nossa, foi de fod*r <3 Com um capítulo, teve passagem de tempo bem encaixada, interações gostosas, ambientação... Amei! Eu fiquei viajando se teria uma continuação, ou se a previsão de Dona Mikoto tava voltada pro envolvimento pouco provável deles mesmo... No sentido se a gente ia ler sobre o impacto das ações deles no clã Uzumaki. Será? Desculpa. Eu tenho pouco controle! Hauahauahauahauhaau Obrigada por postar <3
17. September 2019 21:01:38
dan . dan .
Caralho, isso foi tão incrível que eu nem tenho palavras pra expressar o quanto eu tô apaixonada por essa história. Sério, foi tudo incrível, do começo ao fim. Um total de zero defeitos. Sua escrita é tão tocante que me arrancou algumas lágrimas, confesso. E nossa, obrigada por me proporcionar uma leitura tão excepcional!
9. Mai 2019 13:43:18
Larissa Mármore Larissa Mármore
To mega feliz por achar essa história aqui ❤️ Amo de paixão e fiquei com medo de perdê-la nessa caça às bruxas do Spirit. Linda e linda e linda! 👏🏻💕😍❤️
27. März 2018 00:24:41

  • Lumii U. Lumii U.
    Oiii <3 Deus me dibre de acontecer algo com minha conta no Spirit, mas não quis correr o risco e aqui estou eu <3 Fico feliz por você amar essa histporia aaaaa <3 ela é bem importante pra mim. Obrigada pelo review <3 7. April 2018 16:01:46
~