layiswriting Layse Amaral

Ophelia Park está determinada a reunir os seus irmãos mais novos neste natal – eles querendo ou não. Após um desentendimento que levou os três a seguirem caminhos opostos por cinco anos, Ophelia, Calista e Adonis se vêem obrigados a regressar para a casa de seu pai, em uma cidadezinha em Illinois, próxima de Chicago, depois que a mais velha dos três lança uma notícia bombástica apenas um mês antes do feriado. Cercados por antigas intrigas, uma vida inteira que se passou nesse período longe e novas descobertas, os irmãos Park estão de volta, debaixo de neve e rancor, buscando saber se ainda existe alguma possibilidade de haver um recomeço entre eles. Em três atos, é possível acompanhar a “mais maravilhosa época do ano” na vida de pessoas distintas que só buscam uma única coisa: um pouco de paz após um longo período conturbado.


Lebensgeschichten Nicht für Kinder unter 13 Jahren.

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ATO I: Quando o passado chama

OPHELIA


A memória que Ophelia tinha das festas de fim de ano eram dos biscoitos de gengibre sendo assados, os pisca-piscas colocados na varanda acesos em suas cores branca, vermelha e verde, juntamente com um boneco de plástico no mesmo formato de um homem de neve, que geralmente tentava copiar fazendo um com a neve que se acumulava na área verde em frente a cobertura de sua casa. Ao fundo, tocava algum sucesso de Johnny Cash, sendo cantarolado por sua mãe diretamente da cozinha, enquanto a movimentação de seus irmãos mais novos fazia parecer que o segundo andar da casa tinha vida própria. Na sala, estaria o pai, assistindo algum programa falando das estatísticas para os próximos jogos dos Bulls e dos Bears, tomando uma xícara de kombuchá com os pés para cima e calçando apenas meias. E quando cansasse de sentir o frio se infiltrando por sua roupa molhada, entraria para um banho quente e se enfiar na biblioteca, lendo até ser a hora de atacar os tais biscoitos.

A vida era tão mais simples e fácil naqueles dias de infância, Ophelia pensou consigo.

Os seus dedos tamborilavam sobre a mesa, esperando a aparição de sua irmã mais nova na tela do computador. Os seus cabelos estavam presos de qualquer jeito em um coque, vestia o moletom da Universidade de Illinois, uma grande caneca de café preto estava esfriando ao seu lado direito e seu olhar vez ou outra escapava para a presença de Aristóteles no ambiente, seu rabo felpudo e laranja roçando as prateleiras inferiores de sua enorme estante. Não demorou muito mais para que a tela do notebook fosse preenchida pela figura de Calista, seus cabelos muito escuros caídos pelos ombros como se tivesse acabado de tomar banho. O abatimento era notável debaixo dos seus olhos com ligeiras bolsas formadas por possíveis noites em claro. Ophelia jamais comentaria esse detalhe, mas tinha vontade de perguntar se Calista por acaso já pensou em diminuir as horas de trabalho para ter algum momento de folga.

— Pensei que teria que me inscrever em uma das suas palestras para te ver de novo — a mais nova emendou, sem qualquer saudação anterior, o julgamento já presente em seu tom de voz.

Ophelia se pegou sorrindo quanto a esse gesto. Isso era tão típico que jamais lhe causaria irritação.

— Você fala como se eu não tivesse ido até New York tem… Não sei, um mês? — Ophelia rebateu, se recostando contra sua poltrona, ouvindo o miar ocasional de Aristóteles, incomodado de não conseguir afastar as portas de vidro de sua estante para atacar os livros ali dispostos.

— Cinco semanas, mas quem está contando, não é mesmo? — Calista rebateu, encolhendo os ombros. Estava prestes a falar alguma coisa, mas seu olhar estava preso para fora da ligação, os ombros tensos automaticamente. — Elsie! Não. Não, okay? — Se demorou mais alguns segundos encarando o que era o vazio para Ophelia, antes de voltar sua atenção mais uma vez para a irmã. — Desde que eles aprenderam a andar, eu nunca mais tive um dia de paz…

— Não se preocupe, quando eles começarem a se esconder vai ser pior… — Ophelia tomou um gole do seu café, antes de soltar um “ahn!”, se recordando de algo. — Lembra aquela vez que brincamos de pique-esconde e você se enfiou na dispensa e ficou lá por, sei lá, horas, e papai já estava ligando para a polícia, quando na verdade você estava bem ali na cara de todo mundo?

— Eu só queria ganhar a brincadeira, mas bem, o que ganhei mesmo foi uma semana de castigo — a mais nova ria com a memória, balançando a cabeça. Entretanto, o divertimento aos poucos foi escorrendo de seu olhar. No lugar dele, havia uma sombra de preocupação, a qual era impossível de esconder em qualquer hipótese. — O resultado da biópsia saiu, não é?

Ophelia acenou de forma positiva com a cabeça.

— E era maligno, não era? — Calista perguntava em um tom resignado, erguendo o queixo. Obviamente que era a sua forma de lidar com notícias ruins; erguer uma muralha de indiferença e praticidade era como a irmã lidava com tudo que saía diferente do que ela queria. Ophelia sabia, porém algumas vezes se perguntava se isso não era mais difícil do que apenas deixar que as pessoas soubessem como ela realmente estava. Lhe parecia um grande gasto de energia a toa. Em todo caso, apenas acenou para a outra, confirmando a pergunta. Calista sugou o ar de suas bochechas, assimilando a notícia. — Bem, e agora?

— Agora começa a fase do tratamento, e como foi descoberto cedo, é uma notícia boa no meio disso tudo — começou a explicar, tomando mais um gole de seu café. — Faço minha primeira quimio semana que vem. Reagendei minhas palestras, inclusive, não sei bem como vão ser os dias seguintes à primeira sessão.

— Você não deveria fazer isso sozinha — Calista rebateu, se curvando para a frente. — Tem alguém que irá acompanhar você? Já sei, e se você vier pra cá e então…

— Callie? Eu não vou me mudar para a sua casa. Sei me virar sozinha, não se preocupe — a outra lançou um olhar longo em sua direção, como se não acreditasse naquela teimosia. Suspirou. — O que você pode fazer… Que eu andei pensando sobre… — Os dedos apertaram com mais força a caneca, pensando que era aquele momento, agora ou nunca, despejar ou morrer entalada com aquilo. — Vou ter um intervalo, na semana do Natal. E eu andei pensando…

— Vou reservar as passagens para mim e as crianças — a resposta foi imediata, com a palma da mão virada para frente, a impedindo de continuar a falar. — Não é como se fossem precisar de mim na empresa justamente na semana do Natal, até tinha avisado que ficaria em casa com Elsie e George.

— Bem, isso é ótimo. Realmente ótimo — o sorriso de Ophelia era genuíno enquanto falava aquelas palavras, mas era notável como seus olhos se arregalavam e o canto de seus lábios tremiam levemente enquanto confirmava suas intenções.

E era óbvio que Calista não deixaria isso passar.

— O que você está tramando…? — Se empertigou quase que no segundo seguinte, os olhos se apertando até se transformarem em fendas de pura desconfiança. — Ophelia Park, você não está pensando em chamar o Adonis, né!?

— Já se passaram cinco anos, Callie, essas coisas precisam ser conversadas. Você sabe.

— Eu não fico em nenhum lugar com ele, você também sabe disso.

— Adonis é nosso irmão, não dá pra evitá-lo por toda a sua vida!

— Posso sim, e vou!

— Calista!

— Ophelia?!

Um silêncio entre as duas se instalou, trocando olhares intensos; a primeira que falasse perderia. Ophelia nem ao menos piscava, pegando sua caneca e levando até os lábios sem romper o contato visual. Com um suspiro alto, Calista jogou as mãos para cima, o rosto carregado de contrariedade.

— Tá! Eu vou aí mesmo que esse cara acabe dando as caras! — Dizer aquelas palavras pareciam o maior de todos os seus esforços naquele dia.

— Obrigada — Ophelia lhe respondeu, o tom de voz regressando a sua tranquilidade de sempre. — Te vejo em um mês, então?

— Sim.

A resposta curta e sem rodeios de Calista indicava que a conversa tinha chegado ao fim. Ophelia prendeu os lábios por uns segundos, antes de soltá-los com um suspiro.

— Okay, então. Vou precisar desligar. Vou ter que revisar algumas provas… Até breve, Callie.

O dedo foi rapidamente para o botão vermelho, encerrando aquela ligação. Agora Cícero havia entrado na sala também, os dois gatos sentados no meio do tapete, encarando Ophelia com curiosidade.

— Não foi tão ruim quanto pensei que seria, para ser sincera — comentou com eles, meneando a cabeça de um lado para o outro. — Vai ver ela ficou com medo de jogar praga para uma mulher com diagnóstico de câncer.

Encolheu os ombros, levando tudo na esportiva, como se toda a situação não fosse realmente séria. Abriu novamente os contatos do mensageiro eletrônico, deslizando até chegar no nome de Adonis.

— Muito bem, então. Segunda parte.

Aristóteles miou mais alto, como se desejasse boa sorte a sua dona. Ophelia podia apostar que iria precisar mesmo dela.

ADONIS

Para alguém como Adonis, era difícil ser aberto com outras pessoas. Hollywood esperava ansiosa para dizer o que de tão ruim e pecaminoso o novo prodígio da indústria tinha a ser revelado. Porque o número de mulheres com que se relacionavam não era um problema de verdade quando se era um homem. Então, quando uma certa música pop do início dos anos 2000 disse que “todo mundo quer um pedaço de mim”, podia ser muito bem o verso que definia Adonis Park.

Não que no fundo ele não se sentisse bem em ser essa sensação toda.

De todos os irmãos, ele era o que sentia que não teria muito espaço para se destacar do modo convencional em casa. Filho de dois professores da Universidade de Illinois, com suas irmãs mais velhas sendo Ophelia, a gênio das ciências sociais, capaz de citar Nietzsche ainda no seu último ano de middle school, e Calista, a garota com mil troféus por seus sucessos em matemática e clubes para jovens investidores, a pressão que recaiu em seus ombros por ser aquele que sempre ficava para a recuperação do final de semestre o aterrorizou por anos. Era a bola curva daqueles genes dotados de conhecimento acadêmico; ou ao menos seria, se não tivesse se descoberto desde cedo no mundo das artes.

Pintava, desenhava, cantava e ainda atuava. O teatro da escola sempre o tinha em alta conta e foi o protagonista de diversas produções de baixo orçamento enquanto ainda era um adolescente cheio de hormônios e espinhas, porém mesmo sendo aquele esteriótipo da criança das artes, fazia daquilo sua imagem de cool. Não era o rejeitado ou o que sofria bullying e conseguia ser popular entre os garotos da sua idade. Com essa massageada de ego, veio a ideia de se jogar de vez no mundinho da atuação, escolhendo ficar por trás das câmeras por causa do controle e poder que isso envolvia. Não iria sair por baixo, não agora que tinha encontrado uma forma de sua mãe o tratar como seu favorito e as garotas deixarem constantemente notinhas em seu armário o chamando para sair.

Então, dizer que ele tinha escolhido e abraçado aquela decisão de não ter privacidade era tecnicamente correto. Adonis tinha curtas escapadas para ser ele mesmo e as fazia sempre que não tinha olhares curiosos sobre si, para não matar a magia que veio construindo com o tempo. O que não significava que não causava alguma empatia a forma como suas mãos agarravam a tampa da mesa de vidro até as juntas doerem, os olhos vermelhos pelo esforço que fazia para não começar a chorar.

— Ophelia — sua voz estava embargada demais para continuar e sabia que a sua irmã estava o avisando porque era o certo a se fazer e que ele cair no choro ao receber a notícia era a última coisa que ela deveria ter que lidar. Mas era tão difícil quando se sentia revendo um filme antigo do qual não tinha gostado do final. — Ophelia, eu sinto muito.

— Tudo bem. Quero dizer, não é realmente tudo bem, afinal é a merda de um câncer. Mas começar o tratamento assim que ele foi detectado vai ser bem mais fácil e rápido de combater. Além do mais, é localizado, no que eu tive muita sorte, o que significa que as chances de sucesso são ainda maiores — a naturalidade com que a mais velha colocava a situação fazia com que a vontade de chorar aumentasse ainda mais para Adonis.

— Você é tão corajosa — ele deixou escapar em uma voz abafada, antes de aspirar o máximo de ar possível para oxigenar seus pensamentos e conseguir emitir algo coerente. — Tenho certeza de que você vai olhar na cara dessa doença idiota e mandá-la se foder.

— Obrigada, Don — Ophelia era a única pessoa que ainda utilizava os apelidos que a mãe deu para eles. Em casa, não eram Ophelia, Calista e Adonis e sim Lia, Callie e Don. Mesmo que Daphne Park já não estivesse mais entre eles, era sempre bom ver que essa sua pequena parte no mundo não desapareceu. — Então, eu estive pensando, mês que vem é Natal, eu vou estar no meu período de pausa do tratamento…

— Você tem todo meu apoio. Quer vir pra cá? Pegar um sol, fingir que a Califórnia não é essa coisa quente até mesmo no inverno?

— Na verdade, estive pensando em nos reunirmos aqui em casa. Sabe, como nos velhos tempos — ela arriscou, apertando os olhos em sua direção. — As luzes acesas lá fora. A televisão ligada na sala…

— Quando você fala em reunir, você quer dizer… Todos nós? — O tom de julgamento era claro em sua voz.

— Eu acredito mesmo que está na hora, Don, de verdade, de resolver isso. E vocês não vão morrer por conviver em um feriado! — a mais velha rebateu, enquanto Adonis negava com a cabeça.

— Você é inacreditável, apenas! — reclamou, jogando os cabelos escuros para trás, estarrecido. Porém não podia dizer não para uma mulher que acabava de ser diagnosticada com câncer. Sua mãe não o criou para isso. — Eu irei. Estarei aí, assim que encerrar minha agenda aqui.

— Ótimo. Obrigada. — Sua irmã tinha um sorriso agradável no rosto e nem parecia ter criado um pequeno caos em seus pensamentos com aquela decisão. — Nos vemos em breve. Se cuide.

— Você também — acrescentou, antes de assoprar um beijo para a tela, que escureceu.

Mais uma vez passou os dedos nos cabelos, sabendo que aquele seria um estranho fim de semana.

A última vez que viu pessoalmente Calista, estavam gritando um com o outro em frente a casa dos pais, lágrimas nos olhos e o coração apertado. Naquele dia, disse para o mundo inteiro que se ela quisesse sumir, ele não iria ligar, não depois do que ela tinha acabado de fazer. E quando ela o fez, se sentiu golpeado na alma.

Não seria algo fácil um reencontro. Mas tudo por Ophelia.

Juntou o que tinha de forças antes que a mente começasse a fervilhar com as novas informações e se dirigiu até onde estava sua assistente. Assim que a mulher ergueu o olhar em sua direção, adiantou todo o assunto.

— Cancele o que eu tiver para a semana do Natal. Diga que estou indo resolver problemas antigos e que não podem mais ser adiados.

CALISTA


Depois de um ano de isolamento social e um de divórcio, Calista sabia se virar sozinha.

Comprou as passagens para Illinois cedo, prevendo os problemas que seria embarcar com duas crianças de dois anos e meio que cresceram dentro das restrições da COVID e que nunca tinham entrado em um vôo antes, também começando com um mês de antecedência a separar as roupas e fazer sempre a checagem do que poderia acrescentar ou retirar nas sacolas de mão - perdeu as contas de quantas vezes contou o número de máscaras descartáveis alojadas no bolso de mais fácil acesso. Pediu sua semana de folga e estava com tudo organizado antes mesmo de chegar dezembro. Dispensou a babá na semana do Natal, mas ainda assim fez o pagamento daquela semana, sabendo que depois daquele último ano, era mais do que justo.

E falou com Josephine sobre a viagem.

— Tudo bem. Mas queria passar o ano novo com eles. — Calista fechou os olhos, engolindo todas as respostas mal educadas que gostaria de dar àquela mulher.

— A gente combinou que as crianças iam ficar comigo nessas férias, já que você ficou com elas em julho — a lembrou, no tom de voz mais educado possível, enquanto Elsie corria pela sala com a calça do moletom prestes a fazê-la tropeçar. Seu instinto foi inclinar o corpo para a apará-la, mas a garotinha seguiu em frente, indiferente ao que poderia ter acontecido. Do outro lado da linha, Josephine respirava fundo. — Foi o nosso combinado. Só isso.

— Eles também são meus filhos, você não pode só tomar eles pra você — ela reclamou, ao que Calista soltou uma risada sem qualquer humor.

— Quem passou meses sem visitar os próprios filhos não fui eu, então não é como se eu realmente fosse confiar nas suas escolhas e programações — George apareceu para correr atrás de Elsie, o que levou Calista ficar de pé. — Eu só liguei para informar. Já está decidido. Eu vou levá-los comigo para Illinois durante esse feriado.

— Certo. Que seja. Mas saiba que eu tenho direitos.

A forma fácil como Josephine Coates abriu mão de passar mais tempo com os filhos só indicava para Calista que estava profundamente correta em suas atitudes.

— Então faça por merecer cada um deles — disparou antes de desligar.

Todo mundo dizia que Calista era uma pessoa difícil de se conviver. Ela mesma seria capaz de apontar um momento ou outro naquela mesma semana onde teve rompantes intensos demais para a ocasião. Mas diria que não era exatamente sua culpa. Trabalhar com a bolsa de valores em Manhattan a deixava à flor da pele na maior parte do tempo; seu estado de espírito normal era estar ligada em 1500 volts pensando não só nos seus próximos movimentos como o de todo um mercado, que ainda estava se reerguendo no mundo depois da chegada da pandemia.

A separação de Josephine foi apenas mais uma curva em seu humor já tão complicado.

A história era a de sempre: um casal que estava às mil maravilhas, até que vieram os filhos e uma das partes decidiu que "não era bem isso que estava pensando que seria". E nisso, com uma doença potente se espalhando por todo o mundo no meio do caminho, tudo ficou mais intenso. Calista trabalhava de casa, assim como Josephine, e ainda ficavam de olho nos bebês de pouco mais de um ano. Entre o medo e a preocupação com o que seria delas, Josephine informou um dia que não estava dando mais certo entre ela e Calista, o que fez a filha do meio dos Park não pensar duas vezes antes de ditar as regras: as crianças ficavam com ela, Josephine ficaria com o apartamento. E começou a trabalhar dobrado, se esforçando para não precisar pedir nem mesmo uma fralda para a ex.

— Sejam bonzinhos, mamãe não pode fazer muita coisa dentro de um avião se vocês tiverem uma crise de choro sincronizado — pediu aos filhos, enquanto os acomodava em suas poltronas, na primeira classe.

Ela jamais iria atravessar horas em um assento apertado, ainda mais indo em direção a seu pesadelo pessoal.

A última vez que avistou aquela casa, sua mãe tinha morrido. Uma doença, a mesma que agora acometia Ophelia, a levou embora anos atrás, encerrando assim aquela discussão constante entre Daphne e Calista Park. A santa Daphne e a lésbica degenerada Calista. Se amaldiçoou um milhão de vezes ao pensar que iria pisar naquela casa mais uma vez, mas sabia que era por uma força maior que qualquer entidade em que acreditasse. Era pelas escolhas certas a serem feitas.

— Espero que não neve — resmungou mesmo sabendo que era um desejo inútil, afofando o casaco de George, o protegendo do frio.

No fundo, também queria proteger a si mesma dos efeitos que aquela visita iria causar em todas as suas cicatrizes que fingia o tempo todo que não estavam mais ali.

21. Dezember 2021 02:43:02 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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