oi_kawart 𝙺𝚊𝚠𝚊 (カワ)☀️💜

Hogwarts tinha mais de 100 alunos, mas mesmo assim Severus Snape se apaixonou pelos dois mais complicados. AVISOS: Essa história é pesada e trata de assuntos sérios/"polêmicos" de forma explicita. PS.: Eu pretendo fazer 10 capítulos, mas não tenho certeza se serão 10 mesmo, pode ser mais assim como pode ser menos. Severus x Sirius x Remus | +18 | Era dos Marotos | Universo Original | Slash


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O diário do Príncipe Mestiço

NOTAS INICIAIS

Nessa história a personalidade dos personagens, feitiços, lugares, acontecimentos, relacionamentos e nomes estão modificados, por favor tenham isso em mente enquanto leem.

A história também aborda assuntos sérios de maneira profunda e explicita, então menores de 18 anos por favor NÃO LEIAM.

PS.: Capítulo não betado, então perdão pelos erros.


O diário do Príncipe Mestiço


Aquela aula de poções estava sendo muito atípica pra todos os alunos do sexto ano. Todos estavam resmungando e reclamando sobre cheiros estranhos, mas completamente diferentes para cada aluno.


O professor apenas sorriu de sua bancada enquanto assistia com atenção aos jovens conhecendo as maravilhas que uma Amortentia podia fazer, ele precisou segurar o riso diversas vezes enquanto assistia de longe as reclamações dos Marotos, o famoso quarteto problemático de Hogwarts.


- Aluado, porque você passou um perfume tão parecido com o do Ranhoso junto com o seu? – Sirius reclamou com uma cara emburrada enquanto cortava os ingredientes para a poção que o professor pediu que eles preparassem.


- Me diz você, eu só sinto aquele cheiro insuportável dos seus cigarros junto com o perfume dele. – Respondeu igualmente emburrado mexendo metodicamente o caldeirão.


- Ei James... – Peter chamou o amigo baixinho enquanto olhava a dupla brigando e resmungando. – Você acha que a gente deve contar?


- Não... – O bruxo deu um sorriso maldoso e colocou o indicador sobre os lábios enquanto olhava para o amigo baixinho ao seu lado. – Assim é mais divertido.


- Mas é o Ranhoso... – Peter disse num tom assustado enquanto olhava pra mesa de Severus Snape que estava com uma cara igualmente desgostosa.


- E isso só torna tudo mais interessante não acha? – James respondeu dando uma olhada rápida para o sonserino com um sorriso até... Carinhoso?


Peter olhou para James completamente confuso, até onde ele sabia James odiava o Ranhoso, porque ele queria ver Sirius e Remus se acertarem com ele? E porque ele estava com aquele sorriso pro inimigo?


Estranho.


- É, tem razão. – Disse enquanto ouvia ao fundo Sirius reclamando do cheiro dos chocolates enjoativos de Remus e do cheiro de flores de Snape.


Do outro lado da sala, Lucius olhava a cara de bunda do amigo com certa diversão. Ele já sabia qual poção estava preparando e tinha quase certeza que Severus também, afinal ele não estaria com aquela cara se não soubesse o que os cheiros que saíam do caldeirão significavam.


Ah, as reclamações vindas do outro lado da sala também deveriam ter alguma influência no mau humor de Severus.


- Severus... Você não vai reclamar do cheiro da sua Amortentia? – Lucius perguntou quase rindo quando o amigo lhe deu uma olhada completamente desgostosa.


- Cale a boca, eu já estou irritado o suficiente. – Ele resmungou torcendo o nariz olhando pro líquido mudando de cor no caldeirão.


A risada de Lucius não foi alta, mas foi o suficiente pra fazer o calor da irritação queimar o rosto e pescoço de Severus enquanto ele ouvia a voz escandalosa de Sirius Black reclamando do seu perfume.


Como se ele estivesse gostando de estar quase sufocando em cigarros trouxas, whisky de fogo e chocolates suíços.


Foi com extrema satisfação que o professor viu as caras escandalizadas da maioria dos alunos quando ele revelou o que era a poção e seus efeitos durante e após o preparo no fim da aula. Mesmo de longe, ele podia ver com clareza a palidez no rosto de Sirius Black e Remus Lupin, assim como o desconforto de Severus Snape ao ser olhado pelos dois com os olhos arregalados e bocas abertas como idiotas.


Exigindo um pergaminho de 40 cm sobre a poção para a próxima aula, ele pediu que amostras da poção fossem deixadas sobre sua mesa e então dispensou a turma, foi com diversão que ele viu os dois alunos da Grifinória tentando processar a informação que acabaram de receber e o pequeno Snape se esgueirando pra fora da sala.


Toda turma tinha um casal ou outro que se acertava por causa dessa aula em específico e como professor, ele estava ansioso para ver onde é que aqueles três iriam chegar, ainda mais sabendo o histórico entre eles, aquilo seria no mínimo interessante.


Ah como ele adorava ministrar a aula de Amortentia.


O diário do Príncipe Mestiço


Severus estava a ponto de azarar o primeiro bruxo que passasse por si quando saiu da sala de poções, ele só queria se isolar de todo mundo pra não ter que ser encarado, questionado sobre o cheiro de sua poção muito menos ficar ouvindo sobre as reclamações sobre seu cheiro. Por isso ele saiu apressadamente da sala querendo sumir logo da vista dos outros alunos, nem mesmo Lilian teve agilidade o suficiente pra conseguir seguir ele pelos corredores de Hogwarts.


De todos aqueles alunos naquela maldita escola, tinha que ser Sirius e Remus? Logo eles?


Severus fez um barulho irritado com a boca e apertou seus livros contra o peito com raiva, eles não eram feios, longe disso, mas aparência não fazia a menor diferença pra si. Afinal, depois de tanto tempo ouvindo que ele era feio, que suas roupas eram ridículas, que seu nariz era nojento e tantas coisas cruéis da própria família, ele se habituou a não ligar para aparências ou coisas do tipo, claro ele ainda se encantava com a beleza das pessoas ao se redor, mas não passava disso.


Para Severus tudo que importava era a personalidade, o caráter, os detalhes de cada um. Por isso ele era amigo das pessoas que era amigo e desgostava das pessoas que desgostava, mas infelizmente Remus e Sirius eram duas pessoas que ele nunca soube onde encaixar. Ele se sentia quente e até feliz quando Sirius tinha aqueles raros momentos de conversar com ele como uma pessoa decente, mas fica tão irritado quando ouvia os absurdos do outro.


E Remus... Bom, Severus fica muito calmo e admirado com a inteligência do grifinório que era astuta o suficiente para sustentar longos debates interessantíssimos sobre os assuntos mais diversos, entretanto Lupin também tinha seus momentos em que ele era tão insano quanto o próprio Sirius Black.


Severus apertou os livros sobre o peito e virou o corredor que dava nas famosas escadas de Hogwarts, ignorando os sussurros dos quadros fofocando ao seu redor, o adolescente começou a subir aqueles muitos lances.


Snape sempre soube que os comichões que sentia perto daqueles dois eram muito diferentes dos que sempre sentiu com Lilian. Depois do seu quarto ano, passou a ter ainda mais consciência dos enormes abismos que ele sentia pelos dois adolescentes, principalmente com seus hormônios fervilhando dentro de si.


Mas Severus também sabia que suas chances de qualquer coisa acontecer entre eles eram expressas por números negativos, afinal os apelidos que recebia não mentiam e, ele sabia que Remus jamais olharia para si como algo além de um colega de biblioteca porque ele via, todos os dias, o amor que ele tinha por Sirius.


Um suspiro saiu dos lábios de Severus antes que ele precisasse se segurar no corrimão das escadas que começaram a mudar enquanto ele ainda estava subindo e esperou para ver até onde ela iria, foi com alívio que ele viu elas parando no corredor onde ficava o banheiro dos monitores, não era pra lá que ele iria, mas um banho quentinho iria fazer muito bem aos seus músculos tensos e sua cabeça cheia de pensamentos.


O diário do Príncipe Mestiço


- ALUADO, É O RANHOSO! – Sirius andava de um lado pro outro no corredor completamente perturbado.


- Eu notei Sirius, agora pare de gritar. – Disse com um olhar tão atordoado quanto o de Sirius.


Puta merda, não bastava ele amar só Sirius?


Os olhos de Remus acompanharam Sirius andando de um lado pro outro sem ter a menor noção do que fazer, ter jogado na própria cara que ele aparentemente ama Severus do mesmo jeito que ama Sirius era um choque para si, ele não achava que transformar a mesa escondida entre a quadragésima estante e a janela da Ala Sul da biblioteca no ponto de encontro deles ia dar em uma paixão. Remus tinha consciência da profunda admiração que tinha por Severus, mas amor? Isso não era demais?


Ele não queria nem mesmo imaginar como estava a cabeça de Sirius. Com certeza o cérebro dele estava com todos os neurônios queimando e agonizando de tanto pensar em como e onde ele se apaixonou por Severus Snape, não que Remus estivesse muito diferente.


Ao longe no corredor, James e Peter estavam observando do jeito atordoado dos dois. Aos olhos de James, só os dois não pareciam ter percebido toda a tensão sexual em volta deles e eles nem mesmo escondiam! Isso quando eles não vinham tenho conversas profundas sobre detalhes de Severus que nem Lilian, sua melhor amiga, tinha notado.


- O que vamos fazer? – Peter perguntou baixinho pro amigo.


- A mesma coisa da última vez. – James disse como a bela peste que era.


- Você é terrível. – O baixinho disse escondendo um sorriso com as mãos.


James apenas o respondeu com uma piscada de olho enquanto andava na direção de Remus e Sirius se lembrando do que ele arrumou com os amigos alguns dias antes deles assumirem o namoro.


- Se não é meu casal favorito, ou devo dizer trisal? – James anunciou com um sorriso enorme na cara.


- Ora, cale a boca Pontas. – Sirius disse o olhando com raiva.


O bruxo teve a audácia de gargalhar e apontou pro nariz de Sirius.


- Por que você ta tão perturbado? Achou mesmo que se ficar secando Snape por tanto tempo não ia dar em nada?


- EI! EU NÃO SECO O RANHOSO.


James deu o seu famoso sorriso e olhou pra Remus indicando que a frase também servia pra ele. O bruxo encostado na parede apenas engoliu em seco e abaixou o rosto avermelhado com a insinuação do amigo, até parece que ele iria ficar secando Snape tendo Sirius como namorado, ele jamais faria isso! Ele só estava tomando as devidas precauções... E observar Snape de perto não passava de uma precaução...


- Vou fingir que não sei que a primeira coisa que você faz quando pega o mapa é procurar o nome dele. – James abriu ainda mais o sorriso quando Sirius deu um passo na direção dele com os olhos completamente atormentados.


Quase lá, só falta mais um empurrãozinho...


- Como você sabe disso? – Sirius o questionou abalado demais pra gritar.


- Aluado, quando vai dizer pra ele sobre a biblioteca? – James perguntou num tom manhoso ignorando propositalmente o questionamento de Almofadinhas.


- JAMES!


- O que ele ta falando, Aluado?


- Boa sorte pra vocês! – James saiu correndo com Peter em seu encalço.


- Você não presta James.


- Mas se não for assim eles não vão se ajeitar nunca! – Reclamou enquanto entrava no Grande Salão.


O diário do Príncipe Mestiço


Depois de quatro meses, os três não tinham se acertado ainda. QUATRO MESES! A paciência de James estava completamente torrada. Nos primeiros dias foi até engraçado ver seus dois amigos surtando loucamente por encararem a realidade que eles mesmos fingiram não existir por tanto tempo, mas agora, quatro meses depois, tudo que James queria era que Sirius tomasse vergonha na cara e conversasse com Snape e Remus.


De Remus, ele já tinha desistido. Ele não chamaria nenhum dos dois pra conversar nunca nessa vida, até por que ele estava com vergonha demais pra isso. Principalmente depois de ter que explicar pro namorado o motivo dele ter passado várias e várias tardes estudando com Severus e ainda ter que entrar em várias discussões sem nenhum sentido com um Sirius confuso e com raiva praticamente todos os dias.


O único dos três que saiu daquele dia minimamente lúcido foi Severus, na verdade, James não tinha ideia de como ele passou esses últimos quatro meses com quanta normalidade quanto era possível. O bruxo raramente via o sonserino reclamando das olhadas que recebia dos outros alunos ou da falta que sentia dos poucos momentos que passava com Sirius lhe enchendo a paciência ou com os estudos de Remus.


Entretanto, James não era burro. Ele era muito idiota, mas não burro. Ele conseguia ver com facilidade como toda aquela situação estava perturbando a mente de Severus, James percebia como o sonserino estava ainda mais pra baixo, com tantas olheiras e tão poucas reações nas conversas que eles tinham vez ou outra nos corredores. Lilian estava muito preocupada com o amigo e ela não falava o verdadeiro motivo para si o que só deixava Potter ainda mais curioso com a situação.


- Almofadinhas, pega meu dever de Poções ali na mesa por favor? – Remus pediu distraído sem notar a cara de cu que se formou no rosto do namorado.


- Pede pro Ranhoso, você prefere ele não é mesmo? – Um suspiro saiu da boca de James que estava jogado na cama de Peter olhando pro teto.


Todos os dias começavam assim, com Sirius cutucando Remus por causa das próprias confusões e inseguranças. Típico.


- De novo isso? – Remus perguntou igualmente cansado.


James nem se deu ao trabalho de ouvir a discussão que começou, era sempre a mesma coisa. Céus, tudo que ele queria é que esses três resolvessem a maldita tensão sexual que tinham e se tornassem um trisal logo pra que ele e seus amigos pudessem voltar a tacar o terror em Hogwarts.


Potter fechou os olhos e respirou fundo, Lilian disse pra ele não se meter com os três, mas não é possível que ele não pudesse fazer nada pra ajudar... Tinha que ter alguma coisinha... Talvez se ele conversasse com Lucius... ISSO!


O grifinório se sentou exasperado e começou a se vestir o mais rápido que conseguiu, ele saiu da sala sem nem dar bola pro casal discutindo, no caminho pra fora da Sala Comunal ele abriu o Mapa do Maroto e rapidamente encontrou o nome de Lucius Malfoy nas masmorras do castelo.


Se perguntassem à James como ele desceu da Torre da Grifinória até as Masmorras em menos de 10 minutos, nem ele saberia como, mas o que importa é que lá estava ele esperando Lucius sair para conversar consigo.


- Você deve ter um motivo muito bom pra vir me procurar num sábado de manhã, Potter. – A voz e o rosto de Lucius não deixavam nenhuma pretensão dele amostra, mas James sequer se importou com isso.


- Eu tenho uma ideia pra fazer aqueles três se acertarem e eu preciso da sua ajuda. – Ele falou tudo de uma vez em voz baixa olhando bem nos olhos claros de Lucius.


- O que te faz pensar que eu quero me meter? – Disse em um tom monótono que deixou o outro bruxo nervoso.


- Severus é seu amigo, e amigos querem ver os outros felizes, não?


A única resposta que teve foi uma arqueada da sobrancelha direita e uma expressão de deboche vinda de Lucius.


- E você acha que eu vou violar a intimidade de Severus só porque ele é meu amigo?


Potter não tinha como responder aquilo, era verdade afinal. Estar irritado e de saco cheio das discussões de Aluado e Almofadinhas não era motivo o suficiente pra fazer Severus passar pelo inferno que seria se acertar com aqueles dois.


Cansado, James se encostou na parede e deitou a cabeça. Por que tudo tinha que ser tão complicado?


- Você parece cansado. – Lucius observou com certa diversão na voz.


- Sirius e Remus não param de discutir um segundo, o dormitório ta um inferno. – Sussurrou com o cansaço pintado em cada nota de sua voz.


Ele não tinha que estar se expondo para um sonserino tão ardiloso como o Malfoy, mas ele estava cansado demais pra se importar com títulos e estereótipos no momento, ele só queria ajuda.


- Parece difícil...


- Você não faz ideia. – Ele deu um riso sem nenhuma diversão ou felicidade então fechou os olhos.


Eles ficaram em silêncio por longos minutos, cada um perdido nos próprios pensamentos. Lucius estava ponderando a proposta de Potter, porque mesmo que o que ele tenha dito fosse verdade, ele não aguentava mais observar Severus indo cada vez mais fundo no poço sem fim que era a magia negra pra suprimir os sentimentos que na cabeça dele o fariam tão mal.


Aceitar a proposta do grifinório que conhecia tão pouco iria ser uma atitude completamente egoísta, mas ele mesmo estava realmente incomodado e até mesmo preocupado com o amigo virando praticamente uma sombra do que era, sem sorrisos genuínos, sem diversão, sem excitação pra nada que não fosse estudos.


Mas de tudo que mais o incomodava, era Severus dizendo com um sorriso meio morto que ele não entendia porque os alunos de Hogwarts ainda estavam ansiosos pra saber no que ia dar toda aquela situação, era óbvio que os dois grifinórios iriam se acertar e ficar juntos sem nem mesmo ponderar sobre si, até porque ele é um Ranhoso com zero atrativos né?


O que era um equívoco tão grande que Lucius não tinha palavras pra descrever sua indignação. Severus tinha sim um nariz grande, mas aquilo não tirava a beleza do formato dos seus olhos ou de como todo seu rosto era harmonioso para combinar com o nariz dele. O Malfoy via o nariz de Snape como mais um charme, assim como sua personalidade e as piadas ácidas que ele vivia fazendo antes de toda aquela confusão. Era completamente revoltante ter que ver o seu melhor amigo não tendo o menor cuidado com a própria saúde física e mental e simplesmente assistir calado à tudo aquilo.


E em algum lugar dentro de si, Lucius sabia que os dois idiotas também veriam as mesmas qualidades que si se dessem oportunidade para Severus conversar com eles como pessoas normais, sem bullying, sem brincadeiras maldosas. Só os três conhecendo o lado doce uns dos outros.


- Eu vou te ajudar, mas não estou fazendo isso por você, que fique claro.


O diário do Príncipe Mestiço


Severus estava caminhando na beirada do Lago Negro completamente congelado enquanto pensava nos quatro meses apáticos que tinham se passado, tendo que encarar todos os dias os sentimentos que ele pessoalmente preferia fingir que não era tão fortes quanto a poção mostrou, porque doeria bem menos. A rejeição doeria bem menos se ele fingisse que não gostava tanto assim dos dois e que ele não estava sentindo falta dos poucos momentos que eles passavam juntos.


Nos últimos meses ele foi ao escritório de Dumbledore mais vezes que ele gostaria por estar confuso e se sentindo mal de um jeito que seus amigos não iriam conseguir ajudar. O velho lhe deu alguns conselhos úteis e seus doces preferidos, ele também deixou que ele fizesse carinho em sua fênix por saber que de algum jeito aquilo o acalmava.


Em algumas visitas, Severus chorou sua confusão e seu incômodo por estar se sentindo pressionado pelos colegas de classe, pressionado por sua mãe que vez ou outra mandava cartas falando sobre a doença incapacitante do nojento de seu pai e nem mesmo podia ver de longe os sorrisos de Sirius e Remus pra deixar seu dia ao menos suportável. Os dias estavam sendo uma bosta atrás da outra e olhar se olhar no espelho era cada vez mais doloroso, porque ele sabia que o motivo dele não ter nenhuma chance como os dois era porque ele era feio, era por causa daquela merda de nariz, daquela bosta de olhos tristes e cansados e daquele rosto de criança sofrida que ele não pediu pra ter.


Ao menos ele tem seu caderno de poções. Ou melhor, tinha até ele perde-lo no dia anterior.


Era justamente por isso que ele estava enfrentando o frio terrível num domingo de manhã fora da escola, seu precioso caderno que também funcionava como uma espécie de diário estava desaparecido e então Severus estava refazendo seus passos pra ver se encontrava o bendito caderno.


Ele andou e andou sobre a neve e enfrentou o frio terrível protegido por um feitiço aquecedor, mas nada de achar o caderninho preto. Depois de passar duas vezes no mesmo lugar e não ter achado absolutamente nada, Severus se sentou em meio daquela neve toda apenas encarando o Salgueiro Lutador se perguntando o que ele fez pra merecer tanto castigo na vida.


- Príncipe Mestiço? Quem você acha que é?


Todo o corpo jovem de Snape travou, se ele não estivesse enganado aquela voz era com certeza de Remus e se ele sabia esse nome, com certeza estava com seu caderno. Seus olhos se fecharam e ele respirou fundo, pelo menos achou seu caderno.


- Com certeza alguém da Sonserina. – Disse em desgosto.


- Ora Almofadinhas, não seja assim.


- Está cheio de feitiços sombrios Aluado.


- E cheio de coisas adoráveis sobre a gente!


Severus se levantou e olhou na direção dos dois garotos que eram sua bênção e sua maldição, eles vinham bem agasalhados e com vários acessórios nas cores da Grifinória enfeitando seus pescoços e cabelos. Seu coração deu um pulo quando ele viu seu precioso caderno sendo segurado pelas mãos enluvadas de Sirius, com certeza seria uma merda de pegar ele de volta.


- Oh, olá Snape. – Remus disse ao notar o bruxo parado com cara de assustado no meio da neve.


- Olá Lupin. – Disse educadamente já esperando o xingamento de Sirius.


- Snape. – Sirius disse com a voz neutra ao desviar o olhar do caderno em suas mãos.


Nada o deixaria tão surpreso quanto Severus estava naquele momento, nenhum xingamento? Nenhum olhar com nojo? O que ele deveria fazer agora?


Internamente, Severus estava em pânico.


- O que é esse caderno aí? – Questionou com a voz trêmula enquanto enfiava as mãos nos bolsos do casaco grosso que vestia.


- Achamos ele na Torre da Grifinória ontem à tarde. – Remus respondeu olhando atentamente cada reação do sonserino.


Ele estava desconfiado que esse caderno fosse de Snape, principalmente porque já viu vezes o suficiente a letra dele, mas tinha que ter certeza primeiro.


- Na Grifinória? – Snape já era naturalmente pálido, mas naquele momento seu rosto estava quase no mesmo tom de toda aquela neve ao redor deles deixando mais proeminente os traços do cansaço em seu rosto.


- Sim... Algum problema? – Sirius perguntou estreitando os olhos enquanto fechava o caderno e o segurava firme contra o peito.


Puxar não vai ser uma opção, usar um Accio também não...


- N-Não, porque teria?


Os três ficaram em silêncio enquanto se mediam, Snape estava desesperadamente pensando em alguma desculpa pra pegar o caderno enquanto Remus e Sirius o observavam como falcões.


- Você conhece o Príncipe Mestiço? – Sirius perguntou num tom duro que não dava espaço pra mentiras ou desculpas.


- Sim. – Severus disse tentando não perder sua pose.


Um vento frio passou por eles e Severus teve que levar uma de suas mãos para segurar sua toca evitando que ela saísse voando o que foi ótimo pra esconder o pânico em seus olhos.


- Nos leve até ele.


- O que?


- Nos leve até ele, queremos falar com ele.


- Tudo bem.


Então Snape se virou e começou a andar de volta pra Hogwarts, no caminho ele estava de cabeça baixa enquanto pensava em todas as suas opções naquela situação, enrolar aqueles dois sem revelar a identidade do dono do caderno ou admitir que era ele de uma vez? Difícil escolha. Ele decidiu que o mais fácil realmente seria se revelar como o Príncipe Mestiço pros dois, não tinha muito sentido ele se esconder por trás daquele título, não depois deles terem lido o caderno. Por isso ele os guiou para um corredor nas Masmorras do castelo e então parou em frente a eles e colocou cruzou os braços sobre o peito enquanto encarava os dois meninos que naquele momento pareciam ainda mais altos que o normal.


- Eu sou o Príncipe Mestiço. – Severus disse olhando seriamente nos olhos de Sirius e Remus. – Agora me devolvam meu caderno.


- Não.


- O que?


- Não vamos devolver.


- Você não tem esse direito!


- Você está praticando magia negra? – Sirius questionou seriamente amassando um pouco a capa do caderno enquanto ele o apertava contra o peito.


Ver as mãos do bruxo apertando seu caderno fez o próprio coração de Severus se apertar e ele sentiu uma gota de suor descendo pela sua coluna.


- Não te interessa se eu estou ou não! Agora me devolva meu caderno!


- Snape... Não podemos te devolver se isso significa que você vai continuar praticando magia negra.


- Isso não é da conta de vocês! Vocês sequer se importam comigo, agora me devolve ou vou acusar vocês de me roubarem!


Se antes Snape estava em pânico, agora ele não tinha ideia de como nomear o estado que se encontrava. Num impulso impensado ele avançou na direção de Sirius na tentativa de puxar à força, mas ele não conseguiu sequer tocar na capa preta com sua assinatura antes que Remus o puxasse pela cintura e o prendesse contra a parede.


Severus sentiu tanto nervoso que ele até mesmo perdeu o ar.


- Você está errado, isso é da nossa conta sim. – A voz de Remus era doce embora o aperto ao seu redor não tivesse um pingo de hesitação.


- Não, não é. Não minta pra mim Lupin, eu já tenho gente o suficiente fazendo isso. – A voz do garoto tinha um cansaço incomum que nenhum dos grifinórios entendeu. – Por favor, só devolvam meu caderno e me deixem em paz como sempre.


- O Príncipe Mestiço implorando... Que raro...


A voz de Bellatrix Black ecoou atrás deles, um suspiro saiu de sua boca e ele olhou pro teto se questionando mais uma vez porque tudo acontecia com ele. Bellatrix iria o encher de sermão por estar dando papo pros dois garotos que ela tanto tinha raiva por tratarem ele do jeito que tratavam.


- Bellatrix, agora não. – Severus disse seriamente dando um aviso claro com o olhar para a amiga.


- Olá priminho, o que faz tão longe da tão desprezível Grifinória?


Só restou a Snape respirar fundo quando ele viu a boca de Sirius se abrindo para responder a tão odiosa prima.


- Apenas acertando contas com Snape. – Disse claramente irritado.


Mais uma vez nenhum xingamento...


Okay, aquilo era definitivamente estranho.


A risada da outra ecoou pelos corredores frios e fez cada partezinha do corpo de Severus tremer, nada de bom vinha de Bellatrix Black quando ela dava essas risadas frenéticas.


- O que o Príncipe tem a acertar com duas escórias como vocês? – Ela questionou acidamente aos dois.


O aperto ao redor da cintura de Snape ficou mais firme e o caderno negro nos braços de Sirius Black se entortou com a força que era apertado.


- BLACK, PARE COM ISSO! VOCÊ VAI ESTRAGAR MEU CADERNO! – Severus não queria parecer tão desesperado, mas foi inevitável.


Aquele caderno tinha suas informações e pensamentos mais preciosos, ele não poderia deixar ele ser estragado daquele jeito, nem mesmo por alguém que ele gostasse. Isso sem contar a dor aguda no começo do estômago que ele sentiu vendo a cena, aos olhos de Remus aquele berro foi um ato de puro medo. O susto foi o suficiente pra Sirius diminuir o aperto em volta do caderno e voltasse a olhar com estranheza para o menino pressionado contra a parede, o bruxo estava profundamente surpreso, em nenhum dos seis anos em que conhecia Snape ele viu o outro levantar demais a voz, muito menos gritar.


- Snape... – Arquejou Sirius.


- Que coisa feia Severus, se misturando com essa gentinha... Você quer que eu te ajude a sair daí?


- Não Bellatrix, pode ir. – Disse sem nem mesmo tirar os olhos do caderno.


- Que desperdício. – Ela disse antes de sumir pela entrada da Sala Comunal da Sonserina.


- Black, nos poupe de tanto cansaço... Me devolve meu caderno e depois cada um na sua.


- Nem pense em entregar esse caderno Almofadinhas. – A voz de Remus era séria e foi o suficiente para parar Sirius. – Você está praticando magia negra.


- Já disse que não é da conta de vocês!


- Não foi uma pergunta. – Remus cortou Severus encarando a mancha no pescoço do outro. – Isso no seu pescoço... É magia residual, eu já vi antes...


Severus o olhou com os olhos levemente arregalados e tentou novamente se desvencilhar do aperto de Lupin, mal sucedido como as outras tentativas e ainda fez com que o cachecol ao redor do seu pescoço escorregasse para o chão expondo a mancha verde mofada completamente nojenta que estava tampando grande parte da pele pálida de Snape.


- Tem certeza Aluado?


- Sim, precisamos ver Dumbledore.


Droga, por que Lupin tinha que ser tão astuto?


- Não... Eu só preciso do meu caderno. – A voz dele estava tremida e os olhos íam entre os dois rapidamente.


- Sirius, vá na frente e avise que nós estamos chegando.


Sem nem pensar muito, Sirius saiu em disparada na direção da sala do diretor. Ao fundo, tudo que ele ouviu foram os berros desesperados de Severus Snape clamando para que ele voltasse e lhe entregasse o caderno.


O diário do Príncipe Mestiço


Tom Riddle era um bruxo que já tinha visto muitas coisas na vida, maldições terríveis, animais fantásticos, bestas grotescas, um lufano desonesto e tantas outras coisas inabituais, mas quando foi chamado por Dumbledore para o ajudar numa emergência em sua sala ele não esperava ver um jovem aluno sobre uma maldição tão complicada.


O professor não precisou olhar de muito perto pra saber que se o adolescente ficasse mais tempo com aquele mofo sobre a pele ele não sairia daquela situação sem sequelas permanentes, ou seja eles teriam que trabalhar e rápido.


- Seu velho desgraçado! Me devolva meu caderno! Me devolva agora ou eu vou te azarar! – Severus esbravejava com as mãos na mesa do diretor o olhando com um ódio descomunal.


- Severus, por favor se sente. Oh, professor Riddle, que bom que pode vir. – Disse com claro alívio na voz. – Como pode ver a situação é complicada e vou precisar de sua ajuda.


- Professor! – Então o adolescente se virou para o diretor de sua casa como se ele fosse sua salvação. – Por favor, pegue meu caderno desse diretor senil! Ele não quer me devolver e cisma que eu usei magia negra nele!


Tom Riddle analisou o aluno de sua casa de cima a baixo, ele conhecia muito bem Severus Snape, um garoto quieto, inteligente, muito astuto e sem dúvidas muito poderoso. O garoto que ele viu crescer todos aqueles anos era muito controlado, tímido e muito respeitoso com os professores então ele podia afirmar com certeza que aquele adolescente enfrentando Dumbledore não era um Severus lúcido, pelo visto a maldição estava mais avançada que parecia.


- Que coisa mais estúpida. – A voz do professor saiu baixa enquanto olhava nos olhos escuros e raivosos de Snape. – Senhor Snape, por favor, sente em sua cadeira, eu vou pegar o caderno pra você.


Um sorriso genuíno de alívio tomou o rosto de Snape enquanto ele despencava na cadeira em frente à Dumbledore, mal ele sentou e cordas mágicas o prenderam a ela enquanto o diretor da Sonserina andava em direção ao caderno.


- Você leu o caderno? – Foi a primeira coisa que o jovem professor questionou ao diretor.


- Não, não abre pra mim.


Tom fez uma cara irritada e estendeu a mão pra pegar o caderno das mãos de Alvo, ele precisou de poucos segundo pra identificar o feitiço que impedia ele e o diretor de abrir e ler aquelas páginas.


Ao fundo ouvia-se os barulhos de Severus tentando se libertar das amarras e os xingamentos gritados aos dois. No canto da sala cinco alunos presenciavam aquela cena com medo, eles não sabiam o que estava acontecendo e nem o que viria depois, todos os cinco inevitavelmente temeram pela vida do bruxo se debatendo sobre as cordas.


- Sirius Black e Remus Lupin? Tem certeza Dumbledore? – Tom afirmou trazendo a atenção dos cinco adolescentes para eles novamente.


- Absoluta. – Afirmou encarando os dois.


- Ótimo, vocês estão aqui. Eu preciso que um de vocês abram o caderno, rápido. – Tom disse já indo em direção aos Marotos e Lucius Malfoy paralisados no canto da sala.


- NÃO OUSE FAZER ISSO REMUS LUPIN, EU VOU TE ODIAR, EU TE ODEIO! – A voz insana de Severus ecoou pela sala quando Remus esticou a mão para puxar a capa do caderno.


- Não dê ouvidos. – Falou olhando para os olhos amedrontados do aluno. – Diretor, eu sugiro você começar a primeira parte imediatamente, se demorarmos mais pode não haver mais volta pra ele.


Remus só precisou ouvir aquilo para esticar a mão e puxar a capa grossa expondo o conteúdo para Tom, o diretor da Sonserina não perdeu tempo para encostar a ponta de sua varinha na primeira página, logo depois ele recitou um feitiço numa língua que nenhum dos cinco meninos foram capazes de entender e em menos de dois minutos ele fechou o caderno e andou apressadamente para um círculo pequeno cheio de runas ao lado do corpo nu de Severus Snape no chão.


Os Marotos não estavam prontos para aquilo, eles não estavam nem um pouco preparados para ver o corpo cheio de marcas feias de machucados claramente sérios parcialmente coberto por uma mancha nojenta que ocupava o peito e o pescoço do garoto, muito menos para sentir o cheiro de coisa podre e ácida entrando pelos narizes e fazendo os olhos lacrimejarem.


Peter, o de estômago mais fraco dos Marotos, virou para o canto e vomitou todo o café da manhã, ninguém foi capaz de o criticar, eles não estavam muito diferentes afinal. Até mesmo Lucius, que sabia o que o esperava por ter vários pequenos vislumbres das costas do amigo, estava sentindo o estômago se revirar loucamente enquanto observava os professores começando a quebrar a maldição de Severus.


Entretanto, exceto, Peter nenhum deles foi capaz de desviar o olhar da cena incrível, mas ao mesmo tempo aterrorizante de correntes laranjas brilhantes saindo das varinhas de Alvo e Tom para abraçarem o corpo imóvel de Snape e o caderno que tremia no círculo.


Até aquele momento, parecia que o garoto estava inconsciente, mas o berro cheio de dor, medo e confusão que saiu tirando todo o fôlego dele provou o contrário, Severus estava bem consciente de tudo que acontecia ao seu redor e por isso ele chorava. Severus chorava porque sabia que sua vida seria arruinada novamente pelos sentimentos que ele enterrou com tinta nas páginas gastas, porque sabia que o olhariam com pena pelas marcas que carregava no corpo, porque seria expulso do seu único refúgio.


Snape sentiu a mancha da maldição queimar dentro e fora de seu corpo enquanto os sentimentos, os feitiços, as poções e tantas outras coisas marcadas no diário do Príncipe Mestiço giravam em sua mente.


Com pouco foco, ele viu a Fawkes, a fênix de Dumbledore, pousando em frente ao seu rosto, as penas dela eram tão vibrantes quanto o feitiço que estava purgando seu corpo e os olhos da ave traziam uma familiaridade que o acalmou, bem a tempo de deixar uma pequena abertura do tamanho de uma agulha em sua mente, aquilo foi o suficiente para que a contra-maldição entrasse em seu estágio final.


Severus observou com pesar seu caderno queimando em frente aos seus olhos e o único som que ecoava em sua mente cheia de lembranças e sentimentos era uma famosa sinfonia de Prokofiev que sua mãe sempre colocava logo antes de o esconder no armário simples e escuro do quarto que dividia com o asqueroso e bêbado integral Tobias Snape. Ele depois de crescido percebeu que ela colocava a música na esperança de abafar os sons dos murros, tapas, gritos e choros que vinham do lado de fora, mas não funcionava, nunca funcionou.


E então aquela passou a ser a melodia que ele usava quando o homem se esgueirava durante a noite para lhe dar um tratamento ainda mais duro que sua mãe recebia. As memórias giravam e as emoções que tanto quis evitar vinham à tona proporcionando ao garoto uma experiência profundamente desagradável.


Entretanto, em algum lugar dentro daquele furacão de dor e confusão, Severus conseguiu sentir esperança, porque certa vez ele lera em um romance sem sal que uma pessoa só consegue ser feliz na medida que sofreu durante a vida. Em condições normais, ele descartaria aquela frase sem nem mesmo pensar muito sobre ela, mas em meio à tanta dor, à tanto desespero e aflição, sua mente decidiu se agarrar e acreditar com todo o coração naquela frase mórbida.


Seu coração queria muito acreditar no que Dumbledore sempre lhe dizia quando conversavam sobre o amor, sofrimento e grifinórios. Bom, ele já estava no fundo do poço mesmo, não teria como descer mais que aquilo, só lhe restava ter esperança que sua vida mudaria pra melhor, que aquela situação horrível o permitiria viver o sonho que ele fingia não ter.


Com isso, acompanhando a última nota esticada da melodia, sua mente finalmente o decidiu dar um descanso.


Sirius, com sua visão apurada, acompanhou os músculos do garoto no chão relaxarem indicando a inconsciência do mesmo, mas ele só foi capaz de respirar novamente quando a luz do escritório do diretor voltou ao normal. Ele observou os dois adultos se movendo rapidamente em direção ao corpo e ao caderno parcialmente carbonizado no chão, Dumbledore convocou as roupas de volta pro corpo magro e pequeno do bruxo em seu abraço enquanto o professor Riddle tomou o caderno em mãos com muito cuidado conferindo se tudo aconteceu como deveria.


Sirius tinha certa noção do que acontecia ao seu redor, mas ele estava atordoado demais com tudo que viu, percebeu e se lembrou. A visão das manchas de bituca de cigarro trouxa pontilhando as pernas, quadril e costas de Severus não desgrudava de sua mente e ele tinha certeza que se fechasse os olhos ela estaria lá nitidamente, e isso o deixava ansioso e desconfortável. No fundo de sua mente, situações onde ele fumou perto de Snape tantas e tantas vezes porque achava divertido a forma que ele lhe olhava irritado cutucavam sua moralidade e seu senso de justiça.


A verdade seja dita, nenhum dos Marotos estava com a mente tranquila e pouco abalada, todos estavam sofrendo as consequências de conhecer, de certa forma, o alvo de bullying deles por tanto tempo, por mais que nos tempos atuais eles não fizessem tanto.


Era inevitável, assim como o sentimento de nojo, rancor e raiva daquela versão imatura e imbecil deles mesmos.


Cada um à sua forma, estava confrontando a consequência de diminuir alguém aparentemente mais fraco só porque era o alvo perfeito. Só que, não existia mais fraco e mais forte, não a partir daquele momento se dependesse deles. Porque aqueles quatro idiotas sabiam que não aguentariam passar por uma situação dessas novamente, era por um motivo egoísta? Claro que sim, mas e daí? Nem sempre são necessários motivos nobres para reparar os próprios erros.



- Dumbledore, ele não vai poder ficar na Sonserina até se resolver, sabe disso né? – O professor Tom Riddle disse enquanto reparava o caderno em sua mão.


- Imaginei que isso aconteceria. – Ele o respondeu em um tom exausto enquanto acariciava os cabelos longos do garoto deitado sobre suas coxas enquanto Fawkes se aninhava nos braços do mesmo.


- Sabe se ele tem amigos em outras casas? – Perguntou desviando os olhos do caderno para encarar o diretor com os olhos sérios.


- Que eu sei, apenas Lilian Evans.


Tom o olhou com um olhar reprovador, ficar na Grifinória era um risco alto demais. Afinal ele ficaria praticamente 24 horas convivendo no mesmo ambiente que Sirius e Remus, aquilo tinha grandes chances de ser muito bom ou muito ruim.


- Não temos outra opção Tom, ela é a única fora da Sonserina capaz de dar o cuidado que ele precisa no momento.


Lucius, que tinha os olhos vermelhos inundados com as lágrimas que não foram derramadas, suspirou e se aproximou devagar dos professores e do amigo, com medo de cair por conta da fraqueza nas pernas.


- Professor Riddle, acho que o diretor tem razão... Lilian... Severus realmente adora ela e... Ele também vai ter as outras meninas pra cuidar dele... Pode parecer estranho, mas Severus é realmente bom em conversar com meninas. – A voz do loiro estava tremida, meio baixa, mas ainda assim tinha a determinação necessária para fazer o chefe de sua casa ponderar sobre a opção.


Por um momento, ninguém disse nada e apenas os soluços de Peter Pettigrew eram ouvidos na sala, os Marotos estavam ocupados demais pensando sobre os próprios atos enquanto os outros tentavam achar uma saída decente para tudo aquilo.


- Só temos um problema, o dormitório feminino foi encantado pelo próprio Godric para não deixar nenhum menino entrar. – O professor Riddle pontuou com uma cara desgostosa. – Ele não tem nenhuma outra pessoa?


Lucius se limitou a negar com a cabeça antes de olhar para o caderno nas mãos do professor. Então sua mente deu um clique, era uma teoria muito louca, do tipo que poderia fazer Snape o bater e xingar por séculos, mas por quê não? Ele já tinha jogado tudo pro alto quando o roubou no dia anterior.


- Na verdade... Tem duas pessoas que o ajudariam a melhorar... – Seus olhos azuis encararam os olhos escuros do professor antes de dizer: - Os senhores Black e Lupin são tão importantes quanto a Evans...


Ficar na Grifinória era muito arriscado, agora deixar o garoto aos cuidados daqueles quatro malucos... Tom Riddle, pela segunda vez naquela noite, estava genuinamente sem palavras.


- Vamos cuidar dele. – A sentença veio com muita determinação embora a voz denunciasse o choro prestes a se soltar de dentro de Sirius Black. – Não importa nada agora, é nossa culpa ele estar desse jeito, nada mais justo que nós concertarmos tudo.


- Sirius...


- Não venha com Sirius agora Remus, você leu as mesmas coisas que eu. Você também sabe!


E lá estava a raiva novamente, Sirius tinha sentido muita raiva nos últimos meses. Para ele, a raiva já era uma amiga íntima. Enquanto isso Remus olhava pra ele meio chateado, mas não tinha o que o lobisomem pudesse fazer, era uma batalha perdida.


- Senhor Black, não acho que você esteja qualificado pra isso. – Surpreendentemente foi Dumbledore quem disse.


O diretor, querendo ou não, não se sentia confiante em deixar Severus daqueles que mais o machucavam. Ele sabia que estava sendo insensato, mas ele não tinha culpa. Ele se afeiçoou ao menino afinal.


- Diretor, nós vamos fazer isso. Eu juro. – Sirius insistiu olhando para os olhos azuis do homem velho sentado no chão.


- Vocês nem sabem o que terão de fazer, como podem me garantir que vai poder cuidar dele?


- Eu tenho Remus, Peter e James comigo, nós vamos conseguir e Lilian sempre pode ir nos ver.


- Entendo. – Disse ainda aéreo, o garoto tinha bons argumentos, mas ainda assim.


Tudo aquilo era complicado demais, ele sabia que Severus precisaria de muita calma, amor e zelo pelos próximos tempos, ele não duvidava que aquele grupo de meninos poderia o oferecer isso, mas ele não tinha certeza que eles conseguiriam.


- Acho que você deveria aceitar a proposta do garoto Dumbledore. – Tom finalmente disse se aproximando de Lucius que estava em pé ao lado do diretor. – O senhor Snape cita aqueles dois mais vezes que a Evans nos escritos, qualquer um que leia o que tem escrito aqui pode ver que eles são muito importantes para ele.


Com um olhar sério ele ofereceu o objeto ao diretor que o pegou com cuidado, ele não pensou muito antes de usar um feitiço sem varinha para transferir as informações do diário para sua mente. Ele sempre percebeu a genialidade peculiar do menino, mas ter as anotações astutas do mesmo em sua mente junto com as observações inconfundíveis de um romântico incorrigível era uma experiência sem igual.


Quem diria que naquela tarde ele experimentaria eventos tão peculiares.


- Que seja então.


Apesar da permissão, ninguém suspirou aliviado.


- O que devemos fazer? – Remus questionou olhando para o professor de Defesa contra Artes das Trevas.


- Bom, acho melhor vocês se sentarem, temos muitas coisas para conversar. – Tom Riddle disse enquanto convocava seis poltronas ao redor da mesa de Dumbledore.


Com um suspiro, o diretor se levantou após ajeitar o corpo de Severus em uma posição confortável sobre o tapete da sala. Enquanto o professor Riddle começava a explicar os detalhes da situação do aluno da Sonserina, Alvo sentou-se em sua poltrona para pensar sobre soluções para a situação delicada que seria Severus dividindo o dormitório com os Marotos.


Aquele seria um longo ano e mal tinha começado.


NOTAS FINAIS

Pessoal, essa história vai ser bem complexa e cheia de detalhes então muito provavelmente eu vou demorar bastante pra atualizar ela então vocês vão ter que ser bem pacientes comigo, eu juro de dedinho que vai valer muito a pena.

As explicações sobre a situação do Sevie virão no próximo capítulo, eu não esqueci de colocar.

Nos vemos nos comentários.

- Kawa

13. Oktober 2020 01:36:30 0 Bericht Einbetten Follow einer Story
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